O dia estava ensolarado e a fraca brisa do inverno dava forma ao clima fresco da primavera. O azul do céu estava detalhadamente cor-de-rosa com as pétalas que desdobravam-se das baixas e altas cerejeiras. As ruas e gramados da pequena cidade estavam banhados em flores da primavera que ali pairava.

Quatro anos haviam se passado após o nascimento de Masaki e Kaien. Yura já tinha 12 anos e estava bem madura. Dia das mães. Ichigo estava passeando pelas ruas comerciais de Karakura com os três filhos a fim de escolher um presente para Rukia e fazer uma surpresa, afinal, a morena era bem especialista em esquecer datas especiais.

- Papai, papai! Olhe! — chama a quase mulher de cabelos alaranjados. — Será que a mamãe vai gostar?

- Já não demos isso ano passado? — responde o rapaz analisando um casaco acompanhado de um cachecol listrado.

- Ano passado demos um vestido para ela. — responde a garota cruzando os braços.

- Tanto faz, só acho o presente muito comum.

- E o que você sugere?

- Não sei. Você é a filha dela.

Kaien estava no colo de Ichigo e Masaki passeava analisando loja por loja afim de soltar-se mais, afinal, era uma menina bastante agitada.

- Por que não vamos ver alguma bolsa? Quem sabe ela gosta. — pergunta a garota.

- Você deveria saber que Rukia não é ligada nessas coisas.

- Mas ela gostou dos antigos presentes.

Ao andar um pouco mais, Yura avista uma loja de bijouterias. Interessou-se e correu até lá. Ichigo foi logo atrás.

- Olha só! Uma medalha de chappy! A mamãe vai adorar!

O ruivo analisou o colar. Ele tinha um cordão prateado e uma medalha com um chappy constituído de pedrinhas brilhantes abraçando um morango feito de mesmo material. Imaginou ele no pescoço da amada, ficaria tão perfeito quanto o sorriso dela. Decidiu-se.

- Ótimo, vamos levar! — responde abrindo um sorriso para a filha.

- Yes! Até que enfim encontramos algo que ela realmente possa gostar!

Entraram na lotada loja, compraram o colar e saíram. Começaram a caminhar até Ichigo sentir falta de alguém. Passa a olhar rapidamente para os lados.

- O que houve? — pergunta Yura.

- ONDE ESTÁ A MASAKI?!

- Eu... — olha desesperadamente para os lados. — eu não sei!

- Mas que droga!

- Você é um irresponsável! Como pôde largá-la desse jeito?!

- Me respeite, Yura! — responde em um tom grosseiro.

- Mas eu estou falando a verdade!

Yura tinha herdado da mãe o mesmo poder de irritar Ichigo. Mas era verdade, havia sido imprudente em largar a pequena menina daquele jeito. Pousou Kaien no chão deixando o menino de pé ao lado da irmã.

- Fique aqui com ele, eu não demoro.

E Ichigo sai correndo desesperadamente atrás da pequena Masaki. Perguntou de loja em loja pela menina e nada. O rapaz desesperou-se ainda mais.

- E agora? Será que foi sequestrada?

Ichigo preferiu evitar em pensar nesta possibilidade. Parou para descansar.

Naquele momento, Ichigo sentiu um conforto em seu coração ao olhar para seu lado esquerdo: Masaki estava em uma loja de chappys ao lado de... Rukia?! Sim, as duas estavam brincando em meio àquela montanha de chappys. Ichigo não sabia se ria ou chorava. Rukia iria queimá-lo vivo ao descobrir que o rapaz cometeu a imprudência de perder a filha de 4 anos em uma rua repleta de gente. Por outro lado, aliviou-se por ver a filha sã e salva ao lado da mãe. Entrou na loja e encarou as duas. Não pôde evitar uma feição meiga. As duas eram as deusas de sua vida, o mundo girava ao redor daquele momento. Aproximou-se mais ainda conseguindo chamar a atenção de Rukia.

- Ichigo?

- Yo.

- Papai! Olha só quem eu encontrei!

- Sim eu percebi.

Rukia parte para cima do ruivo e lhe acerta uma bela voadeira.

- IDIOTA!

- O que foi isso? Ficou louca?!?! — responde ele massageando o local do impacto.

- Como ousa largar a minha filha por aí?! Como é irresponsável! Ficou maluco?! — bronqueia raivosamente.

Ichigo ficou imóvel. Não sabia o que responder, afinal, pela milésima vez Rukia estava certa.

- Vamos! O que tem a dizer em sua defesa? — pergunta exaltadamente.

- Desculpa. — levanta-se.

- Como é?

- Eu fui imprudente, desculpa.

Rukia não entendera tal atitude. Ichigo não era de pedir desculpas de imediato, ou melhor, nunca foi de pedir desculpas.

- Como toda mãe está certa em relação aos seus filhos, eu não tenho o que contestar. — responde o ruivo. — Eu, como pai, não sou lá essas coisas. Mas você é uma grande mãe, Rukia. Eu te admiro por isso.

Rukia estava boquiaberta. Grande mãe? Não.

- Eu? Grande mãe? — duvidou.

- Claro. — pega Masaki no colo. -Ou acha que eu teria todo esse tesouro que tenho hoje sem você? Eu invejo os meus filhos por terem uma mãe como você.

Rukia abaixa a cabeça e solta a primeira lágrima. Estava absolutamente emocionada. Não imaginava ter tudo isso. Era de mais para ela. Sentiu-se abençoada.

- Obrigada, Ichigo.

- Eu é que agradeço.

Ichigo aperta Rukia em um abraço. Masaki não entendera nada do que se passava.

- Mamãe, não chora.

Ichigo ri e dá um beijo no rosado rosto da filha.

- Mamãe não está triste, princesa. Ela só está feliz. — responde o ruivo com o mais doce dos sorrisos.

Rukia rapidamente solta-se de Ichigo e olha para os lados secando absolutamente suas lágrimas.

- Ichigo. ONDE ESTÁ A YURA E O KAIEN?!

Ichigo congela. "Vou morrer." pensou.

- Estamos aqui. — diz Yura comparecendo ao local juntamente com Kaien.

- Querida eu... eu já ia responder! Eles vieram comigo! Hehehe. — alivia-se Ichigo.

- Mentira! Ele nos largou no meio do nada e correu feito louco atrás da Masaki. — responde Yura indignadamente.



Ichigo só faltou morrer pedindo para Yura ficar em silêncio. Uma veia salta na testa de Rukia.

- Vou cortar metade da sua mesada, mocinha! — exclamou o ruivo.

- Você os largou no meio da cidade?

- Bem... eu... Feliz dia das mães Rukia!

- SEU MALDITO!!!



Ichigo é espancado em meio aos chappys. Rukia com certeza estava cumprindo seu dever como mãe. Mãe de um bebezão.

Notas finais
Dedico também à Rukia. Quem sabe essa fic não serve de incentivo para ela dar uns filhotinhos ao Ichigo hein? KKKK Gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!