Abelha Rainha

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Oi Queridos (as)! Tudo bom? Desculpem a demora, eu estava planejando o que poderia acontecer nesse capítulo, e pensei com muito carinho! Espero que vocês gostem. Boa leitura.

Como é domingo, a biblioteca está fechada, e o corredor do quarto andar está vazio.

Este corredor acabou virando meu refúgio. Aqui é silêncioso, aqui tem paz, aqui não tem Gary.

Tudo bem que às vezes eu me lembrava do que ele fez comigo aqui, mas preferia não lembrar. Continuar minha vida era mil vezes melhor.

Mas seguir em frente não é tão fácil. Não quando você não sabe se um garoto gosta de você de verdade, ou se ele só está com você devido à fama. Durante um ano, pensei que era por causa da popularidade, mas Gary tem dado indícios que as coisas são diferentes, e agora estou me sentindo perdida, confusa, desorientada e perturbada.

Sempre gosto de ter certezas das coisas, é assim que eu vivo. Tudo sempre foi do jeito como eu quis. E estava tudo perfeito, até Gary começar a ser carinhoso. A começar a demonstrar que se importa comigo.

Odeio sentir que a situação não está no meu controle, e é isso que está acontecendo no momento.

Da janela, é possível ver o horizonte. As montanhas pintadas de branco, as árvores verde escuras espalhadas, e alguns pontinhos cinzas no meio do gramado do Internato. Esses pontinhos começaram a se movimentar, e me lembrei que Andy e Petra falaram que iam sair com os meninos do time de Rugby.

Me sentei no chão de carpete, tentando controlar meus pensamentos.

O que eu preciso fazer, é tirar Gary da cabeça.

Mas como eu posso fazer isso se ele pode me amar? Seria tudo perfeito! Já somos um casal bonito para as pessoas, temos química, se a gente se amasse...

Senti lágrimas escorrendo sobre a minha bochecha, e deixei elas caírem livremente. Eu estava sozinha, podia mostrar minha fraqueza para as paredes.

Tudo voltou a se misturar. Uma imagem seformou na minha mente. Eu estava de mãos dadas com Gary, sentados em um banco, num jardim florido e quente. Ele apoiou a cabeça no meu ombro, e eu apoiei a minha cabeça na dele.

— Eu te amo — sussurrou Gary.

A visão foi ficando turva, e mais lágrimas saíram dos meus olhos. Senti minha respiração ficar pesada, e logo depois meu nariz estava trancado.

Por que não pode ser simples? Por que ele não pode me amar de verdade? Por que eu não posso amar ele? Gary já está demonstrado que se importa comigo, seria muito difícil ele simplesmente me amar?

Ah, seríamos tão felizes.

Eu poderia suprir qualquer dificuldade que ele passasse, e mesmo que faltasse assunto, a gente iria resolver de alguma outra forma.

Mas mesmo eu querendo que ele me amasse, uma parte de mim não desejava isso.

Meu coração não batia forte por ele.

Nunca bateu.

Sim, o beijo dele é bom, não posso reclamar disso. Sim, ele é envolvente, e sim, ele é maravilhoso.

— Rain? — ouvi passos no corredor.

Levantei a cabeça, e vi um par de olhos castanhos me encarando com um ar surpreso.

Senti um frio envolver meu coração, que depois estremeceu e então, uma onda de calor desceu para a minha barriga.

Era aquele mesmo olhar que me lembrava o outono.

Sequei as lágrimas, e finalmente falei:

— Professor, não quero filosofar nesse momento, gostaria de ficar sozinha.

— Ora, e quem disse que eu iria fazer isso? — perguntou Leon se apoiando na parede. Ele abriu um sorriso, e depois fitou o chão.

Ele não vestia vestes sociais, estava usando uma camiseta preta, com um Labrador desenhado, e uma calça esportiva da Adidas.

Ele pode ser bom em Filosofia, mas não tem nenhum dom para a moda.

— Que decadência — falei me levantando.

Chorar era bom, e eu gostava. Só não gostava de chorar perto do meu novo professor.

— Posso perguntar o motivo de você estar assim?

A onda de calor percorreu novamente meu corpo. Senti meu coração pulsar.

E mais uma vez. E outra.

Mais lágrimas voltaram a descer pelo meu rosto, e eu não conseguia controlá-las.
Aquela sensação era desconhecida, e o desconhecido me abalava, me deixava com raiva.

— Ah, não chore — disse Leon se aproximando, mas depois recuou.

Está tudo muito estranho, e isso me deixava apavorada. Eu não tinha controle algum, principalmente em parar as lágrimas salgadas de caírem sobre minhas bochechas.

O rosto de Leon mostrava que ele não sabia como confortar uma menina chorando.

— Olha, você não precisa falar nada — falei arrumando meu cabelo.

Leon abriu sorriso nervoso, e o frio na minha barriga voltou. Levei minha mão até lá, massageando.

— Olha, eu já fiz faculdade de psico...

— Não! — gritei — eu estou confusa, entende? Não sei o que está acontecendo comigo, está tudo uma confusão aqui dentro! — apontei para a minha cabeça — não quero que você me veja chorar, saia daqui agora!

— Rain, eu posso ajudar. Sou seu professor, meu papel é ensinar, mas posso te ouvir também.

— Exatamente! É meu professor, não quero chorar na sua frente. É meu professor, e deve me respeitar, se eu digo para ir embora, vá!

— Sou seu professor, e você também tem que ter respeito por mim, Srta. Coller — ele se endireitou. Meu coração gelou — você não deve gritar com um professor, em hipótese nenhuma. Já pensou o que a diretora poderia fazer?

— Não ligo para ela, meu pai pode resolver.

— Não é sempre que você vai poder contar com ele, é mais fácil me respeitar, com certeza.

Outras lágrimas surgiram nos meus olhos.

— A Sra. Gayve não tem uma boa opinião sobre você. Se eu disser que gritou com um professor, talvez seu pai não possa ajudar.

Que sentimento era esse? Que confusão toda era aquela?

Pela primeira vez, senti meu coração batendo de verdade. Me senti feliz e triste ao mesmo tempo.

Feliz porque deve ser bom ter alguém para amar, e triste por ser difícil conquistar o amor.

Comecei a andar em direção à escadaria, dando as costas para o homem que fez meu coração bater pela primeira vez.

— Que aula você tem agora? — perguntou Andy mordendo uma maçã.

Dois dias se passaram desde que o meu coração bateu forte. E eu não consegui parar de pensar no Leon.

— Biologia — falei me levantando. Peguei minha bandeja e a levei até uma prateleira que tem perto da entrada do refeitório. Sai sem me despedir da Andy e Petra.

Eu estava pensando seriamente em cabular a aula de Filosofia, mas pensei no que Leon disse. Que eu não posso depender do meu pai para tudo.

Eu sou forte, eu consigo encarar esse professor.

Hoje Gary não almoçou com a gente, ele decidiu que nas terças e quintas ele vai almoçar com o pessoal do time de Rugby.

A aula de Biologia passou rapidamente. O professor passou um texto enorme na lousa, sobre hormônios, e mal teve tempo para explicar toda a matéria.

A minha próxima aula é Literatura, então caminhei até a sala, acenando para algumas meninas que estavam no caminho. Quando passei pela porta da sala, senti um cheiro forte de colônia feminina.

Na primeira fila, estava sentada uma garota morena, usando o uniforme do colégio, e ela deveria ser a dona de todo aquele perfume. Entortei o nariz por lembrar o nome dela. Holly Wilson.

Tinha um lugar livre ao lado dela, e tinha outro no fundo, ao lado de um garoto chamado Carl. Preferi ficar ao lado dela. Mantenha seus amigos próximos, mas seus inimigos mais perto ainda.

O professor entrou na sala, mas não fez a chamada no começo da aula.

E isso me lembrou o Leon. Ele sempre fazia a chamada no primeiro instante em que pisava na sala de aula.

E meu coração gelou.

— Tudo bem aí? — perguntou Holly. Virei a cabeça, e percebi que ela estava me encarando.

— Não é da sua conta.

Ela abriu um sorriso, e fitou o caderno.

— Eu sei que sou boa — disse — e eu sei porque você não me deixou entrar para o time. Acredite, você não é perfeita, Coller.

— Meu nome é Rain, para o seu governo.

Sinceramente, me senti ameaçada. Ameaçada por que ela sabia o que eu sentia por ela, e ela poderia usar isso contra mim.

Não posso deixar isso fácil, eu sou Rain Coller, a Rainha desse lugar.

— As pessoas me adoram — falei jogando meu cabelo para trás — eu e Gary somos o melhor casal daqui, então, querida, você não vai roubar isso de mim. Não vou passar a minha coroa para você, Holly Wilson.

— Princesa, seja como você quiser. Porque não quero sua coroa.

— Então o que você quer?

Holly levantou da cadeira, pegando seus materiais e passando a alça da mochila preta no ombro. Andou até a porta e depois se virou na minha direção, e me lançou uma piscadela. E foi embora.

Cada músculo do meu corpo se retraiu de raiva. Aquela garota estava me desafiando, ou melhor, me insultanto. E eu não deixaria aquilo passar barato.

O Sr. Duvson terminou de explicar sobre o Arcadismo na Europa, e depois mandou a gente fazer alguns exercícios. Quando terminei, fechei meu material e fiquei esperando o sinal bater.

Minha próxima aula seria Filosofia, meu próximo professor Leon. Eu estou preparada para encará-lo, estou pronta para falar com ele, se necessário.

Mas só de lembrar dele meu corpo estremecia. O meu coração gelava, e eu ficava confusa. O coração não deveria se aquecer? Por quê o meu gela?

O sinal finalmente bateu, e Gary estava me esperando na porta da sala de Filosofia. Respirei fundo e dei um selinho nele. Adentramos a sala, e Leon já estava em sua mesa. Quando todos se sentaram, ele começou a chamada.

Não olhei para ele, como das outras vezes. Já estou me esforçando por estar aqui, olhar para ele seria tortura.

— Classe — disse Leon — hoje vou vistar e corrigir os exercícios que pedi na semana passada.

— Paixão, me empresta, rápido! — falou Gary puxando minha apostila. Ele a abriu e começou a copiar o que eu tinha escrito como resposta.

Me permiti olhar para Gary.

Seu cabelo loiro estava no formato de um topete, e seus olhos claros iam para o meu livro e depois para o dele. Suas mãos eram ágeis, e copiavam as respostas em grande velocidade.

Não é atoa que ele é o capitão do time de Rugby.

Me distraí por um momento, e depois percebi que a minha atenção saiu de Gary, e foi para Leon. Ele estava em escrevendo na caderneta, e depois levantou o olhar.

Folhas marrons e desbotadas invadiram minha mente no momento em que nossos olhos se encontraram. Senti meu rosto ficar vermelho, mas sustentei o olhar.

Aquela sensação me deixava viva.

— Você salvou minha vida! — disse Gary, me puxando para um beijo. Empurrei ele quase no mesmo instante.

— Sr. Edwards e Srta. Coller — ouvi Leon falar. Levantei a cabeça, e seu olhar estava frio.

Não era mais o outono, que eu tanto gostava.

— Não se esqueçam que estamos em uma sala de aula, é proibido ter essa aproximação que vocês dois tiveram. Espero que isso não ocorra novamente.

Meu coração gelou, e dessa vez ele doía. Ver a sua feição brava não era nada bom.

— Não me aguentei, mas desculpa aí — disse Gary sorrindo.

Eu só fiquei fitando meu caderno.

Não ouvi as respostas que Leon estava ditando, e nem copiei os resumos que ele passou na lousa.

Me desliguei do mundo naquela hora.

O frio envolvia cada célula do meu corpo, deixando meu coração mais gelado do que estava antes.

— Paixão — disse Gary — porque você não coloca nenhuma blusa?

Eu estava vestindo o novo uniforme das líderes de torcida. Uma regata colada azul, com pequenos detalhes roxos e pretos. A regata deixava uma parte da minha barriga a mostra, assim como os meus braços, e tinha um G estampado no meio. A saia era azul, e na parte de baixo tinha uma linha preta. Ia na metade da minha coxa, e é claro, a diretora nos obrigou a usar um shorts azul por baixo da saia.

— Eu estou ótima — falei para Gary — daqui a pouco vou ir tomar banho.

— Quer minha blusa?

— Não.

Um silêncio constrangedor dominou o ambiente. Senti uma pancada de vento, e abracei meus braços.

— Gary, você gosta de mim de verdade?

O que eu fiz, foi totalmente impulsivo e irracional. Eu, Rain Coller, nunca perguntaria isso para o Gary.

Mas meus sentimentos estavam bagunçados, e eu necessitava saber se ele realmente gostava de mim ou não.

Seus olhos azuis se encontraram com o meu, mas ele desviou o olhar.

— Por que você acha que eu te chamo de Paixão?

Não respondi a pergunta.

É claro que esse apelido tinha algum significado. Mas para mim, era só para ter algum significado para as pessoas, para elas verem que eu e ele tínhamos algo sério.

— Eu gosto de você sim — continuou Gary — mesmo você me negando sexo.

Senti um calor envolver minhas costas, e quando olhei para trás, Gary tinha tirado seu moletom e colocado sobre mim.

— Mas eu entendo que você quer esperar a hora certa. E que provavelmente, a hora certa vai ser no sábado — ele abriu um sorriso malicioso.

— Preciso ir tomar banho — falei beijando ele.

Gary envolveu minha cintura com seus braços, e me permiti continuar a beijá-lo.

Nesse momento, esqueci de todas as minhas preocupações e dúvidas, apenas me concentrei no beijo.

A mão direita dele subiu para o meu pescoço, e então ele começou a fazer carícias no meu cabelo. Eu, por minha vez, descolei minha boca da dele e comecei a beijar sua nuca. Eu queria deixar uma marca nele.

— Vai com calma, Paixão. Ou você quer ir lá pro meu quarto?

Me separei dele, e mordi o meu lábio inferior.

— Por favor, não faça eu ficar com vontade — falou com os olhos brilhando.

Sorri, e então dei um beijo em sua bochecha, e depois fui para dentro do Internato.

Passar aquele tempo com Gary melhorou meu humor, e ao mesmo tempo consegui ter um pouco de prazer.

Mas o que Gary disse não saía da minha cabeça.

Gary gosta de mim de verdade.

E eu espero que não seja mentira.

Notas finais
Olá de novo (risos). E aí, gostaram? Comentem, por favor! Preciso saber o que vocês estão achando da história, ou se vocês quiserem dar alguma ideia, ou talvez reclamar da minha gramática... Ah, no próximo capítulo, vai rolar a festa que o pai da Ray vai dar! Não percam esse capítulo! Beijinhos de luz!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.