Abdução para Neverland.

1 Capítulo 1. A Pureza Daquela Alma.


Notas iniciais
Este capítulo é livre para todos os públicos.

Neverland fica no Bosque Vivo, ao mesmo tempo em que se encontra no Bosque, não está. Ela fica protegida por várias barreiras multidimensionais, que impedem qualquer um de entrar, ao menos que o nativo poderoso que criou o lugar permita.

Nativos são literalmente os nativos daquele mundo, um corredor dimensional, onde várias raças de várias dimensões caem dentro, eles são poderosos e com treino, tem poder e tempo de vida imensuráveis.

Peter Pan é filho de Pan, o próprio, com uma nativa de Tenebrarun, Peter foi abandonado extremamente cedo para um nativo, com apenas 25 anos, uma criança para a raça. Seu poder foi crescendo e crescendo, e cada dia que passava ficava mais isolado, chegando ao ponto de romper várias regras do mundo e fazer seu próprio, que ele sagazmente batizou de Neverland, pelo fato de existir, mas não existir realmente, e ser apenas uma ilusão extremamente palpável.

Peter ficou anos aprimorando seu mundo, por vezes levava um ser ou outro para morar em suas terras, em maioria, solitários. Sereias, fadas e até algumas ninfas-animais que queriam fugir de algo.

Ele começou a se sentir realmente solitário, mesmo com a idade, tinha preservado sua aparência infantil, e não só a aparência, mas também a mentalidade egocêntrica e mesquinha. Ele então decidiu que iria a outros mundos buscar meninos como ele, que não tinham casa ou família, e os transformaria em uma grande família, só que da maneira especial dele.

Depois de vários e vários anos, ele tinha dezenas e dezenas de meninos em sua “família” disfuncional, Peter não sabia que os tratava como um rei trata seus escravos, não como um pai trata os filhos, afinal, Peter nunca teve uma família real para comparar.

– Sininho, cuide dos meninos, voltarei logo. – Disse Peter a uma pequena fada, que tinha resgatado há alguns anos, ela se tornou extremamente leal, e ele apreciou este aspecto dela, tornando-a algo como sua assistente pessoal.

Ela apenas acenou.

...

Abrindo protões dimensionais ele conseguia entrar em mundos aleatórios e em épocas aleatórias, já estava habituado a isso e encontrar mundos diferentes não o fascinava ou abalava mais, hoje ele estava procurando algo especial, tinha algo em sua alma o guiando, ele estava atento como um lobo a procura de sua caça.

Ele estava voando rapidamente, guiado por seu instinto e coberto pelas sombras. Ao longo de suas viagens, seu ego apenas aumentou, devido ao fato de ser o mais poderoso na maioria dos mundos que visitava, vinha de uma raça forte e evoluída, sempre que parava em um mundo de raças superiores a sua ele saia do lugar rapidamente, não gostava de se sentir menos, não gostava de se sentir fraco.

Seu sorriso só se alargava a medida que aquele sentimento dentro de seu peito ficava mais forte, ele já estava perdendo o folego quando seu coração deu uma batida forte, ah, o êxtase espiritual, ele tinha chegado no lugar. Ele encarou sua sombra conclusivamente e então seus olhos ficaram vidrados, sua consciência tinha passado para a da sombra, e agora ele iria fazer uma pesquisa de campo.

–Então a princesa viveu feliz para sempre, com o amor de sua vida, e em seus dias viva nunca mais sentiu falta de amor e aceitação, ela estava completa, fim. – Disse uma menina nova, que aparentava ter sete anos de idade, pelo que parecia ela estava contando uma história para essas duas crianças, Peter deduziu que eram seus irmãos mais novos.

Peter mesmo em sua sombra perdeu o fôlego, a aura que ela emanava era a coisa mais graciosa que já tinha visto. Qualquer ninfa, fada ou sereia não poderia ser comparada, ela era pura de coração e alma, ele sentia isso, mas só para confirmar... Peter em sua sombra se aproximou dela, colocando a mão em seu peito e atravessando seu corpo até chegar ao coração... Ambos sentiram um calafrio.

A menina gemeu e fez um barulho meio com os lábios. – Acho que está frio demais, João, Miguel, acho que está na hora de irmos para a cama.

– Mas Wendy! – Ambos estavam relutantes, mas logo a obedeceram.

Wendy, este era o nome dela, Peter repetiu o nome várias vezes para ver como soava, decidiu que era um nome apropriado.

Quando Peter voltou a seu corpo, ficou imóvel, naquele momento só queria apreciar a presença daquela menininha, pelo que ele viu os humanos daquele mundo naquela época viviam de 50 a 70 anos em média, ah, a vida dela seria como um sopro.

Com esse simples pensamento, seu coração pesou como nunca antes, e ele sentiu vontade de chorar. Aquela alma pura e graciosa iria perecer tão rapidamente, logo virando pó. Ele deitou perto da janela, nas sombras, e começou a chorar, quem apenas visse e ouvisse a cena diria que era uma pobre criança chorando por algo considerado tolo, como a perda de um brinquedo, ou pela atenção de sua mãe, mas uma pessoa sagaz o bastante poderia sentir a aura obscura que aquele ser emanava, e não se atreveria a interrompê-lo.

Wendy não era sagaz, pelo menos não ainda. Ela estava pronta para dormir quando ouviu um gemido baixo vindo da janela, a principio achou que se tratava-se de um gato miando para o luar, mas quando saiu de suas cobertas e foi espiar o que era mais de perto, se assustou, era o choro de um menino!

Porque teria um menino chorando em sua janela, em sua mente infantil, logo constatou que poderia ser algum limpador de chaminé perdido, e logo abriu as cortinas para ir a socorro do menino, ela subiu no parapeito de sua janela, que ficava no meio de seu telhado, e algumas telhas para a direita viu que tinha um menino de sua idade chorando.

– Você está bem, menino? – Wendy perguntou preocupada, com sua voz infantil e doce.

Em sua angustia, o menino que poderia sensatamente ser descrito como um alien para quem conhecesse sua real situação, não reparou a presença da menina chegando perto dele, e quando ouviu sua voz quase pulou, enxugando suas lágrimas rapidamente.

– Eu não estava chorando! – Pan se defendeu rapidamente, não querendo ferir seu orgulho.

– Ora essa, estava sim, eu vi! – Se defendeu Wendy, apontando para suas lágrimas.

Peter se intrigou, enxugando as lágrimas, olhou para ela, a luz do luar era linda como um coelho, ele imaginou como ela seria quando sua alma aprendesse mais sobre a vida, se algo corromperia seu coração, então a angustia voltou a tomar conta dele, que sem querer, voltou a chorar.

Wendy se desesperou, olhando para os lados, como se tentasse achar uma cura para o desespero do garoto.

Peter se recompôs, e com sua mente rápida, começou a arquitetar um plano para não deixar aquela flor murchar e morrer tão rapidamente, ele decidiu, iria proteger ela, se ela assim quisesse da maneira dele, claro.

– Eu... eu perdi minha sombra, ela entrou ai dentro?

... continua...

Notas finais
Comentem o que acharam, fico feliz com sugestões, críticas construtivas, elogios e quando dão enfase ao que sentiram lendo.