Abdução para Neverland.

3 Capítulo 3. A Morte e os Cisnes.


Notas iniciais
Este capítulo contém leve violência.

– Isso é tão divertido! – Disse o pequeno Miguel.

– Também acho. – Disse João, rindo.

Eles estavam voando em direção ao portal que Peter avia aberto, era complicado explicar as direções corretas na imensidão do céu para três crianças, então Peter simplesmente apontou a uma estrela e disse para eles seguirem em direção a ela, as crianças logo ficaram maravilhadas.

Quando eles passaram no portal um turbilhão de cores começou a dançar, eles sentiram a turbulência até no fundo de suas almas, Peter ficou preocupado com Wendy, mas ela aparentou resistir bem à mudança de mundo.

Eles logo estavam voando acima das aguas de Neverland, e começaram a voar lentamente, admirando a paisagem, então eles se separaram um pouco.

Logo abaixo, se encontravam alguns dos meninos perdidos de Peter, eles estavam coletando algumas frutas e caçando, como era do costume de Tenebrarun caçar, Peter permitia que seus meninos assim o fizessem, e como a maioria deles vinha de mundos baixos, achavam o ato normal, eles então se separaram, para não assustar os animais.

Um deles era o mais novo no grupo, ele tinha vindo de um local bem selvagem e insistia em matar aves para comer sempre que podia, enquanto ele olhava para o céu em busca de algo para matar, ele avistou Wendy, e como a menina usava uma camisola azul clara de tule com forro de cetim, que flutuava no ar enquanto ela voava o menino logo achou que aquilo era um pássaro muito estranho, e apontou seu arco para a besta, ele adoraria fazer um chapéu com aquelas penas, ou um colete parecido com alguns de penas que Peter usava, mas não muito, Peter odiava que parecessem ou chamassem mais atenção que ele, o menino logo repreendeu esse pensamento, ele faria novas flechas com aquelas penas , assim não irritaria seu mestre mais do que ele já parecia ser irritado com o fato dos dois terem cores de cabelo parecidas, e com esse pensamento mudou de mente novamente, talvez pintar as penas de marrom e fazer um chapéu para si mesmo seja uma boa ideia.

Então apontando a longa flecha para a besta, ele atirou, então logo acertou seu alvo e ouviu um grito enquanto o animal começava a cair, e... Era um grito humano! Ele logo se desesperou e fugiu com medo que o pegassem, ele poderia ter atirado em uma das criaturas protegidas de Peter! Sim, foi covardia dele, mas não podemos julga-lo, ele vinha de uma raça bem primitiva e covarde, até mais do que a de Wendy, além do mais, Pan era um governante cruel que poderia botar medo em muitos guerreiros apenas com sua presença, mesmo na forma de um garoto muito jovem.

Quando Peter se virou e viu o que aconteceu, Neverland se abalou, um trovão podia ser ouvido, o céu começou a ficar cinza, e até Michael e João caíram, por sorte caíram no mar, e algumas sereias os levaram para uma pedra em segurança.

Peter voou o mais rápido que pode, gritando o nome de Wendy até seus pulmões arderem, quando ela caiu no chão ele já estava ao seu lado, não sabendo o que fazer. Ela caiu com a cabeça virada para frente, estava em uma poça de sangue e a grande flecha atravessava o meio de seu corpo. Peter cravou as mãos na terra e encarou o corpo aparentemente morto, seus olhos ficaram vidrados naquele rosto angelical que ainda não tinha se formado completamente, ele de repente sentiu uma dor horrível, naquele momento quem mais sentia dor era Peter, pois Wendy não sentia mais nada de qualquer maneira, e se sobrou vida dela, logo seria levada. Peter foi rasgado por dentro.

Ele então olhou para os lados, sim, Neverland não existia, era criação dele...

Sua mente logo arquitetou um plano, a flecha era provavelmente de um de seus meninos, ele pensaria em uma punição adequada depois, então era feita de Neverland, era feita dele, se ele ao menos...

Sim! Isso causaria alguns danos leves a seu mundo, mas salvaria a vida dela, única coisa que ele queria dês que a sentiu.

Ele ficou em cima do corpo morto de Wendy, com um joelho de cada lado, o apoiando, ele pegou a flecha e puxou pra cima, tentando ignorar o som grotesco que aquilo fazia. Ele apoiou as mãos na terra ao lado da cabeça de Wendy e então fechou os olhos, ele iria fazer algo perigoso.

Tudo ficou escuro por um segundo, e nada existia, apenas os seres viventes que não vieram de lá.

Por alguns milésimos até as sereias não puderam ver ou sentir nada, não se ouvia som ou se cheirava nada, Neverland não existia.

E então... Tudo voltou, mais brilhante, mais denso. Tinha só duas diferenças, certa espécie de arvores não existia mais, e em seu lugar, lindas arvores com galhos claros de formas impossíveis de fazer uma flecha, e grandes e cheirosas flores brancas que lembravam levemente peônias, mas dentro continham duas pétalas pequenas que mais pareciam um cisne.

A arvore que não existia mais era a que tinha sido usada para fazer a flecha, então aquela flecha nunca existiu. Wendy nunca foi acertada por ela, e Wendy nunca morreu.

Peter nunca saberia quem atirou a flecha que agora nunca tinha existido, mas pelo menos Wendy estava viva.

Ela lentamente acordou nos braços de Peter.

– Uhm, o que aconteceu? – Disse Wendy, se sentindo estranha e leve, como se tivesse tomado um banho e um chá, se sentia bem.

– Você se assustou com um pássaro e caiu, mas eu te peguei, acho que achou que ia cair e perdeu a consciência por um segundo. – Seria impossível adivinhar que Peter estava mentindo.

Wendy arregalou os olhos, da próxima vez teria que ser mais cuidadosa! Peter poderia pensar que ela não era esperta o bastante e poderia a mandar pra casa agora!

– Me desculpe se te preocupei. – Disse Wendy sinceramente.

– Acredite, não foi sua culpa. – Peter olhou tão profundo nos olhos dela, se ela fosse mais velha talvez até conseguiria imaginar que tinha algo errado nisso, mas novamente, ela só tinha 7 anos.

– Bem, vamos, seus irmãos devem estar preocupados, não acha? – Disse Peter, sendo um cavalheiro e oferecendo sua mão para ela se levantar. Ela limpou seu vestido e concordou com a cabeça, não queria fazer outra cena.

Eles andavam de braços dados, Peter estava segurando-a firmemente, mas com delicadeza, Wendy já estava encantada, e fantasiava como Pan era um verdadeiro cavalheiro, sobre como ele deveria ter vindo de uma família muito nobre e outras coisas que humanos normalmente pensam.

Enquanto eles caminhavam uma brisa começou a dançar por entre eles, e ela sentiu um cheiro extremamente delicado, que vinha de uma arvore em especial, tinha muitas na ilha, eram todas brancas com lindas flores e galhos que pareciam ter dançado enquanto cresciam. Ela pensou como nunca viu algo parecido na ilha, Peter olhou para o lado e viu o que ela apreciava.

– São lindas... – Wendy disse baixinho, com os olhos vidrados, a brisa fazia seus cabelos castanho claros dançarem, e sua franja brincar em sua testa.

– São mesmo. – Peter disse olhando apenas para ela, se ela soubesse que ela mesma tinha inspirado a criação daquelas arvores...

– Qual o nome delas? – Wendy perguntou, tirando Peter de seu devaneio, então ele parou por um segundo e pensou.

– Arvores Cisne. – Ele pensou em algo rapidamente, e ela sorriu.

– Lindas... Queria ter uma delas onde eu moro.

– E tem, todas. – Wendy o encarou com uma cara estranha – Digo, sempre que vier aqui pode ver uma, certo?

Wendy sorriu.

Quando eles chegaram à costa, resgataram João e Miguel, e explicaram toda a história para eles, bem, da maneira de Peter. Ele também deu uma desculpa qualquer que não merece ser lembrada sobre o apagão.

Eles logo se encontraram no meio da densa floresta e foram recebidos por vários meninos jovens, de todos os tipos. Eles decidiram que iriam fazer uma festa para comemorar a chegada dos novos estrangeiros. Peter então se afastou, deixou o grupo se enturmar.

Um tempo mais tarde estava escurecendo, Wendy jurava que nunca viu um céu tão colorido e com tantas estrelas e planetas, era lindo. Eles fizeram uma fogueira e Wendy começou a contar sobre seu mundo, como era a mais articulada dos irmãos, todos eram muito gentis, e realmente parecia que nunca tinham visto uma menina antes. Quando já estava bem escuro, Peter disse que era hora de dormir, então pediu para todos se retirarem, alguns meninos levaram os irmãos de Wendy para onde eles iam dormir, ela quis acompanhar, mas Peter insistiu que queria falar algo a ela.

– Está gostando de Neverland? – Peter perguntou gentilmente.

– Sim! É um lugar maravilhoso, não acredito que vi sereias hoje! Mal posso esperar para ver as fadas e ninfas, tudo parece tão maravilhoso... mas...

– Mas o que? – Ele sabia o que ela ia dizer.

– Tenho medo dos meus pais ficarem preocupados, tenho certeza que mamãe não vai gostar de acordar sem nos encontrar na cama! – Ela não queria ser rude, mas a preocupação era maior.

– Não se preocupe, não acha aqui lindo? Você fica até amanhã de tarde, então eu te levo para a sua casa, até lá posso te mostrar as fadas e ninfas, não quer conhece-las? E você só viu uma sereia, não gostaria de falar com elas? – Ele sabia que Wendy não resistiria.

– Sim! Bem, acho que mamãe não vai se importar com mais um dia...

– Bom. Wendy, eu tenho que falar algo com você, e é muito importante. – A menina assentiu.

– Estou ouvindo. – Disse ela, pacientemente.

– Bem, quando voltar, vão querer te dizer o que fazer, o que é normal e certo, pois eles são seus responsáveis e você ainda é jovem, mas eu quero que me prometa algo, quero que só faça o que sentir que é certo, tudo bem? Me promete?

Wendy não entendeu porque ele dizia essas coisas, mas ele parecia tão certo e inteligente, ela apenas acenou em concordância, parecia sensato o que ele dizia.

Tinha tanta coisa que ele queria dizer a ela, mas não poderia, porque ela era muito nova, não entenderia, e se dissesse a coisa errada, poderia até corrompê-la com o tempo, ele sabia que ela não iria esquecer isso por um bom tempo, e sabia que rebeldia dificilmente levava os seres a algum lugar bom. Esse foi o máximo que ele poderia dizer, e esperava que fosse o bastante por alguns anos.

...continua...

Notas finais
Espero que gostem, seus comentários que me fazem postar, sem eles apenas escreveria e não publicaria. Beijos de luz.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.