Notas iniciais
Estou a espera de mais comentários. Sei que a fic ainda está no começo, mas a falta de comentários desanima. Se não houverem comentários terei que cancelar a fic.

Melanie havia sido muito bem tratada por Andrew nos últimos dias. No começo ela teve medo de outros sintomas aparecerem. Sintomas da Praga. Porém em dois dias a febre abaixou e a sua temperatura finalmente voltou a estabilizar.

Andrew havia apresentado Melanie a sua irmã mais nova, Heather. Bom, ela não era tão mais nova assim que ele, quase dois anos. Heather é bem alta, quase da altura de Melanie, seus cabelos são de um tom mais escuro que os de Andrew e o azul dos seus olhos são mais claros. Apesar disso, os dois são bem parecidos.

Andrew havia dito que Melanie poderia ficar se quisesse. Também disse que Herbert havia ido para as terras da fronteira cuidar de alguns rebeldes invasores. As terras da fronteira são chamadas de marcas e essas marcas pertencem a um marquês, no caso pai de Andrew. Além de apresentador de TV, ele ainda tem que cuidar das terras por Vincent. Além disso, a mãe dele, que é estilista, havia ido para a capital de Frömming atrás de novas tendências. No norte é bem mais frio que no sul, mas Andrew disse que ela fazia boas adaptações. Heather ainda completou, dizendo que eles tinham um irmão mais velho que é treinador do PMI, mas que ele tem o seu apartamento.

Melanie uma vez ouviu Jessica Palmer falar que os treinadores do PMI recebem apartamentos em um prédio de luxo no setor Fieldmann, além dos outros militares e da família do Senhor de Meurer.

– Você pode ficar — Andrew fala. — Eu me inscreverei no PMI no fim de semana, então você pode ficar conosco até duas semanas.

Melanie não sabia se aceitava. Mal o conhecia e mesmo ele tendo sido muito bom para ela, ainda era um desconhecido. Sendo assim, depois de tomar um banho quente e de vestir um moletom preto que estava em cima da cama, ela desceu as escadas. Melanie sentia um cheiro adorável de perfume masculino no moletom e supôs que fosse de Andrew.

Ela o viu assistindo TV no sofá e sentou-se ao seu lado. Heather estuda das nove às três da tarde e sempre sai com as amigas ou de tarde ou de noite, por isso a maior parte do dia Melanie fica em casa sozinha com Andrew. Ela havia perguntado se ele não estudava e ele disse que não quis fazer faculdade, pois decidiu ser militar e para isso precisava se dedicar a prova do PMI e a ter uma boa colocação no final.

– Eu tenho que ir embora — ela fala.

Andrew para de prestar atenção em um comercial sobre tênis com amortecedores e volta seus olhos azuis para Melanie.

– Eu disse que você poderia ficar.

– Eu devo ir embora — ela concerta suas palavras.

– Ir embora para onde?

– Para casa.

– Você me disse que não tinha casa.

Melanie engole em seco. Ela realmente não tem. Ela gostaria de ter para onde ir, mas não tem. Provavelmente nunca terá.

– A rua é a minha casa.

Andrew quase segura um riso. Quase.

– Pelo amor de Deus, Melanie. Aqui você tem banho e roupas quentes, comida boa, um teto sobre a sua cabeça e tem com quem contar. Por que você quer partir?

– Por que você está sendo tão legal comigo? — ela joga a sua pergunta em cima dele.

Andrew parece não ter pensado no assunto, por isso fica em silêncio por alguns minutos.

– Talvez porque eu não tenha suportado a ideia de ver uma garota tão jovem e bonita morrer de frio enquanto eu sabia que chegaria em casa e iria sobreviver. Nenhum morador de rua pediu para sua vida ser assim, mas aconteceu. Eu só quis te ajudar.

– Você não tem medo? Eu poderia ser uma ladra, uma serial killer... — ela pensa no assunto e segura a risada dentro de si. — Eu poderia colocar fogo na sua casa ou poderia te picar em pedaços, jogá-lo em uma mala e mandá-lo para...

O riso gostoso de Andrew a interrompe. Ela nunca havia visto um garoto rir com tanta vontade.

–... Altulle — ela completa.

– Altulle. Por que Altulle?

– Por mais que Vincent não aceite, Meurer é uma cidade de Frömming, e não outro país. Frömming é inimiga de Altulle, então se eu mandasse os seus restos mortais para lá, eles obviamente o jogariam fora.

– Obviamente — ele repete com uma voz zombeteira.

– Eles não tem tanto medo da morte como nós temos aqui no norte.

– Eu não tenho medo da morte — Andrew se defende.

– Não? — Melanie pergunta, surpresa. — Pois deveria?

– E você tem, srta. Hemingski?

– É claro que eu tenho.

– Do que mais você tem medo?

– Do inverno — ela responde sem nem pensar duas vezes. — E da morte.

– Por que a ideia da morte a assusta tanto?

– Tenho medo de morrer como prostituta. Tenho medo de ser enterrada como indigente. Tenho medo de nem ser enterrada. Tenho medo de ninguém sentir a minha falta, porque é claro que é isso que acontecerá se eu morrer. Tenho medo de morrer com o meu irmão doente. Tenho medo de morrer sem nem ter vivido.

– Você tem um irmão doente?

Melanie quase sente raiva dele. Ela revelou que é uma prostituta, que ninguém sentirá a falta dela se ela morrer, que é uma garota infeliz e pobre, mas tudo o que ele pensa é na doença do irmão dele.

– Não se preocupe, Duninghan, que eu não estou com A Praga também.

– A Praga? — ele pergunta, surpreso. — Não. A Praga foi exterminada...

Melanie pensa em como Andrew é inocente, mas então percebe que aquela haviam sido exatamente as mesmas palavras que ela havia dito quando a sua mãe a contou.

– A Praga está de volta, Andrew. A maior parte das pessoas nos setores pobres estão contaminadas. Nenhum de nós tem dinheiro para pagar pelos remédios.

– Você não quer deixar a sua família — ele percebe.

Ela dá de ombros.

– Mesmo assim você não deveria temer a morte. Quando a luz branca estiver quase cegando os seus olhos, você deve abrir os abraços e aceitar que Deus a levará para...

– Eu vou te contar um segredo, Andrew — ela o interrompe. Melanie se aproxima tanto que os seus lábios chegam a tocar a orelha dele. — Eu sou uma pecadora.

Andrew tenta segurar um sorriso, mas não consegue. Aquela mulher o provoca.

– Eu adoraria fazer parte da sua lista de pecados, srta. Hemingski.

E foi então que Melanie percebeu que ele estava a cantando.

+++

Mesmo depois das investidas de Andrew, Melanie decidiu ficar até o PMI. Perto do meio-dia ela disse a Andrew que iria ver a família, ele se ofereceu para levá-la, mas ela negou. Ele descobriria a sua farsa.

– Eu volto em duas horas — ela fala, o beijando na bochecha.

Melanie caminhou até o apartamento de Tyler, que é no setor ao lado do setor Manske. Apenas dez minutos de caminhada, bem menos do que ela está acostumada.

O porteiro a reconhece e a deixa entrar. Melanie sobe até o quinto andar e bate na porta. Tyler atende após a terceira batida. Ele está usando só uma calça de moletom cinza e Melanie não deixa de perceber que ele está ereto.

– Vim atrás do meu identificador.

Ele bufa.

– Vou me vestir. Volto em dez minutos.

Melanie se sentou na cozinha. De repente ela sentiu vontade de ir no banheiro e saiu pelo apartamento procurando por um, mas havia tantas portas que ela não sabia como encontrar. Quando criou coragem de abrir uma das portas, deu de cara com uma mulher nua suspirando na cama em que ela havia se deitado com Tyler semana passada. O dono do apartamento estava também nu, porém estava em frente ao enorme guarda-roupa procurando o que vestir.

Tyler percebe a presença de Melanie e sorri.

– Não sabia que você apreciava um ménage à trois, Hemingway.

– É Hemingski — Melanie o corrige.

– Saiba que a minha cota desse mês com putas acabou. Se for de graça, estou dentro. Caso contrário...

Ele é tão asqueroso, Melanie diz para si mesma.

– Eu só quero o meu identificador.

Tyler caminha devagar até ela. A morena vê que ele ainda está excitado e respira fundo.

– Eu tentei, Hemingway, juro que tentei, mas nenhuma a supera.

– Hemingski — ela o corrige novamente.

– Essa é a quarta puta em uma semana que eu possui depois de você, mas eu não consigo esquecê-la. Depois daquele negócio que você fez com as mãos...

Ele posiciona as mãos nas coxas dela e ela sente a ereção dele. As mãos de Tyler sobem para a sua intimidade e ele sorri ao ver que ela está um pouco molhada.

– Você quer, eu sinto isso — ele sussurra em seu ouvido.

– Tudo o que eu quero é o meu identificador — Melanie vira-se de frente para ele. — É sexo que você quer em troca? Ótimo. Combinamos um dia. Agora vamos logo atrás do meu identificador.

Tyler Whitmore bufa e vai até o guarda-roupa, coloca uma roupa que Melanie não presta atenção e joga três notas de cem reais no criado-mudo para quando a mulher nua acordar. Ele aperta os cintos e vai com ela atrás do identificador.

+++

– Pronto — o garoto loiro entrega a ela o pequeno cartão prateado. — Já a inseri no sistema do governo. Se algum soldado a parar, você estará registrada de acordo com os dados que você me deu.

– Ótimo — ela passa o cartão de um lado para o outro, lembrando como é boa a sensação de tê-lo nas mãos. É frio e quando o posiciona perto da luz reflete em tons de azul e verde.

– Martin, quanto eu lhe devo? — Tyler pergunta.

– Que isso, cara. Você salvou a minha vida daquele desgraçado, lembra? Eu lhe devo uma. Fica de graça.

– Martin Torkeach, eu quero pagar — Tyler insiste.

– Mas eu não quero receber — o garoto de cabelos cor de trigo fala. — Fica por conta da casa.

Melanie ainda está admirada com as cores que o cartão prateado reflete. Ela olha para ele de frente.

Melanie Hemingski

00347800-ME

Sua identificação. ME de Meurer. Os dois zeros, tanto no começo quanto no fim, é o código do norte. Os números significam o registro dela no ano em que nasceu.

Ela não se lembra de ter estado tão feliz na sua vida.

Notas finais
Não se esqueçam dos comentários, se não tiver não postarei mais. Xoxo.