Verônica Maine

Silêncio. Eu não quero responder a essa pergunta. Um "não" passa pela minha cabeça, abro a boca e nada sai, nem um único som.

- Vejo que a resposta é sim. — Nolan se vira e eu me desespero. Ele está se movendo rápido e minha perna dói anunciando que eu nunca vou alcançá-lo.

- Nolan! — grito com o máximo de força que me é permitido ter. Fico aflita. Ele se vira e vejo um brilho de esperança em seu olhar. Tenho que deixar ele ir? — Sua blusa. Você esqueceu sua...

***

Abri os olhos. Ótimo, estou ligada a milhões de aparelhos novamente. Parece que eu não consigo fazer nada direito mesmo. Porque eu simplesmente não me mato? Tento tirar as ideias suicidas da minha cabeça e começo a cantarolar uma música triste e desconhecida. A banda é realmente genial mas eles não tem fama ainda, não sei porquê. Dec entra pela porta e me dá um beijo na testa.

- Quando você vai parar de me dar esses sustos?

- Não pense dessa forma!

- Estou com saudades de você. — abro os braços para um abraço.

- Também. — ele sela nossos lábios. — Quando é que eu vou poder voltar pro trabalho? Como anda o caso do Sr. Trick?

- Você não tem que se preocupar com isso agora. Pense em você, ok?

Assenti com a cabeça apesar de saber muito bem que eu não esqueceria daquilo. Eu ainda estava preocupada com o ocorrido e eu ainda queria vingança. Ele alisava meus cabelos e eu apenas desejava que tudo voltasse a ser como antes quando eu era fria, só pensava em trabalhar e não morava no hospital. Quero tudo de volta, sinto falta de ficar sozinha, de fazer algo útil. Resolvo, então, parar de lamentar e viver o agora. Passo a cooperar com minha saúde. Tomo os remédios na hora certa, tomo soro sem reclamar, faço o máximo que posso na fisioterapia e, como um grande final feliz de novela, lá está o Declan no final do dia pra me abraçar, ficar comigo e me colocar pra dormir. Essa se torna a minha rotina e em 4 semanas eu já estou liberada pra ir pra casa, finalmente.

Certo que vou ficar de licença do trabalho por quase um mês mas terei acesso a tudo que está acontecendo no caso do Sr. Trick. Fiquei sabendo que quase nada foi liberado pela imprensa sobre o caso dele e muito menos sobre o meu acidente na escada. Achei melhor assim, seria ruim chegar em casa e ter que receber milhares de repórteres. A rotina é quase a mesma que a hospitalar: comida leve, fisioterapia, nada de pegar peso e tentar me distrair. A parte da distração Charlotte está fazendo questão de cumprir. Nesses meses não ouvi falar do Nolan. O hospital me disse que ele me trouxe pro hospital no colo mas que não quis ficar, foi embora enquanto eu era colocada nos aparelhos.

Talvez seja melhor assim. Declan vem me visitar todo final de tarde e faço ele me contar cada detalhe do que ele sabe sobre o assassinato. As vezes me pego imaginando que o Declan não está me contando todos os detalhes. Mas a parte que nunca muda é o final: “Não tem pistas de quem foi Verônica, desculpa”.

Assim se passa o mês inteiro. Hoje é segunda feira e eu posso voltar ao trabalho. Sem dramas e sem problemas. Sinto falta do extress que ele já me provocou um dia. Então eu coloco uma roupa diferente do pijama que eu venho usando faz uma eternidade, faço um coque desfiado, pego minhas pastas e vou rumo a minha sala. As pessoas são as mesmas, o corredor, minha sala agora é a do Sr. Trick mas, nada que eu não possa superar.

Minha sede de vingança é o que me move agora. Eu tenho que solucionar esse caso. Encontrei um papel em cima da minha mesa:

“Sou o pesadelo que vai atormentar você até o fim. O jogo continua queridinha. E eu vou fazer questão de ficar pra ouvir a sua dor e rir do seu sofrimento. É isso que eu quero. O seu medo alimenta a minha alma. Tente me pegar.”

Olhei pra todos os lado como se eu fosse virar e ver uma arma apontada pra minha cabeça. Tudo vazio. Estou sozinha aqui e sinto medo do que pode me acontecer. Tento manter o foco mas parece que estão sempre um passo a frente de mim. Mas essa é a graça do jogo, sentir a fraqueza do seu oponente. Continuo calma como se nada tivesse acontecido. Continuo fazendo minhas coisas, termino minhas pesquisas e resolvo ir pra casa porque pra mim o dia acabou. Passo no departamento do Dec, ele diz que vai na minha casa mais tarde e me dá um beijo na testa. Desço pelo elevador e fico horas parada no trânsito pensando em tudo o que está acontecendo na minha vida nos últimos meses.

Pra quem tinha uma vida mediocre como a minha, como eu podia imaginar que as coisas chegariam nesse ponto?

Notas finais
Depois de um longo e tenebroso inverno, aí está o capítulo 19.