Abandono Imprudente

22 O amor queima. Por um preço.


Verônica Maine


A única que sabe que eu vou viajar com o Nolan é a Charlie. Declan pensa que eu vou pro campo descansar depois do grande estresse que eu passei pela morte do Sr. Trick e quero ir sozinha pra poder ficar em paz com tudo. Minha mãe acha a mesma coisa e eu acrescentei compras — o que me obrigou na hora a lhe trazer um presente. Nolan vem me enviando mensagens quase todos os dias como contagem regressiva com bilhetes românticos. Vomitando. Mais ou menos.


Arrumei minhas coisas. Enfim, duas malas ao final de toda a arrumação. Espero que nada de ruim me siga até lá.


– Coloca suas coisas aí atrás que eu...


– Não vou na sua moto! — eu disse entrando na garagem.


– Vai como? De carro? — ele riu irônico — Por favor Verônica! — ele deu uma risada cínica ao extremo.


– Eu comprei um brinquedinho pra mim. — liguei o motor fazendo-o correr pra ver de onde vinha aquilo.- Um mês depois que você foi embora. Só pra eu rodar.


– Não creio! Uma Harley. — ele disse surpreso, tocando na moto e então me deu um soco no ombro como se eu tivesse acabado de entrar pro motoclub dele. — Eu sabia! Você sempre quis uma.


– Eu chamo de impulso mas... enfim, a gente tá perdendo tempo! — disse saindo com a moto.


Apostamos corrida pela estrada, paramos em postos quebrados e comemos baboseiras ao longo do caminho. Eu estava cansada e não via a hora de chegar — e ao mesmo tempo tinha medo do que aconteceria quando chegássemos. Quando eu consegui ver as porteiras da casa eu pensei em correr. Corri. Pra dentro de casa.


– Qual é meu quarto? — disse pegando minhas malas e subindo as escadas.


– A primeira porta a direita. Deve ter uma flor desenhada na porta.


Então eu subi coloquei minhas malas na cama. O quarto era bem grande e não tinha mudado muito. A cama era a mesma: quadrada e gigante com um colchão molinho. Os criados mudos com um relógio verde em cima. Uma diferença que eu notei foi que agora tem pinturas nas paredes e o banheiro tem uma banheira. Parei de reparar no quarto e comecei a preencher o guarda roupa com as minhas coisas. Percebi que Nolan entrou no quarto e colocou a mala dele em cima da cama. Uma onda de choque percorreu meu corpo.


– Vamos dividir o quarto? — perguntei brava.


***

Nolan Fall


– É o único quarto bom da casa. — menti. — O meu antigo quarto tá com o ventilador quebrado e o da minha mãe é lá em baixo. Quente demais.


– Bom, quem sou eu pra discutir com o dono da casa? — ela disse voltando a colocar as roupas na gaveta. — Se você começar a me encher o saco vai dormir na sala. Ouviu?


– Claro Senhora! — ri do jeito como ela disse. — Você que manda.


Terminamos de arrumar nossas coisas e fomos em um mercadinho que tinha ali perto comprar algumas coisas pra comer. Preparei um risoto de queijo e carne assada. Comemos na varanda como de costume. Parecíamos dois velhos sentados nas cadeiras de balanço. Eu estava apenas de calça jeans e chinelos, sem camiseta. Já ela é friorenta e estava com um moletom gigante que chegava no joelho — e só. Enfim, se concentra na comida Nolan. Para de olhar pras pernas dela.


Lavamos a louça e … caramba, ela vai guardar o copo lá em cima. Ela é baixinha. Ela vai subir na cadeira. Não olha, não olha, não olha, olhei. Cara, eu preciso dela hoje. Ela desceu da cadeira. É a oportunidade perfeita. Ela amolece quando é pega de surpresa. Ela estava enxugando o prato e virou pra trás. Eu segurei o prato e o coloquei em cima da mesa, virei rapidamente e a peguei desprevenida. Bem como de costume. Não a toquei imediatamente. Me contentei em olhar seus olhos azuis que me deixavam perdidos. Reparei que ela encarava minha boca com afinco e de pouco em pouco ela olhava em meus olhos e voltava pra boca.


Então eu coloquei minhas mãos no quadril dela a aproximando de mim lentamente — e foi automático. As mãos dela laçaram meu pescoço. Eu a levantei e a coloquei no balcão da cozinha. Desculpa vovó, é por uma boa causa.


Ela envolveu meu quadril com as pernas e encostou a cabeça no armário. Eu a beijei. Ela é doce. Seus lábios tão carnudos me fazem delirar. Então eu passei a mão nas pernas dela e ela arranhou minhas costas. Ela é a velha mania possessiva. Ela então me empurrou pra trás e desceu do balcão se virando de costas pra mim. Ela me beija, me arranha e agora vai me ignorar?


Rocei minha boca de leve em seu pescoço. Quando ela estava arrepiada o suficiente pra não poder mais resistir a minha força, a peguei no colo e subi as escadas. Ela me puxou pela nuca e me beijava como nunca. Não sei o que deu nela mas, seja lá o que for, por favor, não pare.


A joguei na cama e o moletom veio parar no quadril. Beijei as pernas dela e subi até o pescoço onde demorei um pouco deixando marcas — foda-se o Declan, tomara que ele veja mesmo. Então ela me virou e ficou por cima. Arrancou o moletom e jogou no chão do quarto. Lingerie vermelha e preta. Ela quer me deixar maluco? É tão sexy nos movimentos e o cabelo loiro e comprido soltos caindo por cima de meu corpo enquanto ela desce meu abdômen com singelos beijos. Ela se senta em minha coxas e eu me levanto. Estamos frente a frente. Eu então aproveito pra morder a orelha dela. O corpo dela estremesse por inteiro.


– Tomara que isso não seja medo. — forço a voz mais rouca e sedutora que consigo.


– Medo é a última coisa que estou sentindo. — ela tenta falar com um voz neutra. Mas falha.


– Então isso tudo é excitação? — digo agora no outro ouvido enquanto brinco com as mão na lateral de seu corpo. Ela treme e joga a cabeça pra tras.


– Se eu disser que sim vou inflar ainda mais seu ego. — ela disse sedutora ao pé do meu ouvido. Eu tremo tanto quanto ela. — Isso tudo é excitação?


Ela puxa meu queixo e finge um beijo mas se vira pro pescoço — que ela morde. Eu a amo. Ela desabotoa a minha calça e eu o sutiã dela. Linda em cada curva. Ela me beija mas desta vez é um beijo diferente. Ela se deita ao meu lado, estamos um de frente ao outro e ela está calma, o beijo demora longos segundos e quando não há mais ar nos separamos e voltamos novamente.


***

Verônica Maine


Ele tem a sede de um deserto em chamas. Eu tenho a fome de um desabrigado. Eu devo estar louca por fazer isso. É apenas o primeiro dia. Mas eu o queria tanto e eu já tinha transado com ele muitas vezes. Isso não é segredo. Eu sabia que isso ia acontecer. Não somos criancinhas. Seria ironia — pura ironia — minha se eu dissesse que não sabia que ele tentaria isso. Mais cinismo ainda se eu dissesse que não desejei isso nos meus sonhos mais quentes.


Então ali estávamos nós, nus e deitados na cama. Estou alisando seu peitoral enquanto ele dorme. E eu penso, e penso, e penso. Eu sei que eu o amo mas... Levanto da cama e ele não se move. Coloco minha calcinha, meu sutiã e... foda-se, estou no meio do nada. Não é como se eu fosse ser presa por sair no telhado de roupa íntima. Fico sentada no telhado ali, no maior conforto e penso que isso poderia acontecer todos os dias.


Horas passam e eu nem percebo. A Lua está iluminada e em seu auge. Parece até que consigo tocá-la. Sinto um beijo gelado em meu pescoço.


– Eu não quis te acordar. — silêncio. — Nolan?


Me viro pra trás e ali está ele deitado do mesmo jeito que eu o deixei. Estou ficando louca, melhor seria se eu conseguisse voltar a dormir. Olho pro chão e lá está um boneca de pano. Ela tem uma roupinha bonita com um V laranja estampado na frente. Eu a viro e tem um beijo desenhado de preto na nuca dela. Um bilhete cai do brinquedo. A letra é minúscula e eu quase não a enxergo. Procuro em um dos criados mudos a lupa da vó do Nolan. Por sorte ela está lá, me esperando.


“É assim que eu gosto de brincar, como se você fosse minha bonequinha. É tão fácil, sabe? O jogo. Você facilita pra mim. Eu poderia tem matado você agora e o namoradinho nunca nem saberia o que te atingiu. Eu poderia fazer parecer um acidente. Um amante matou a pequena e indefesa garota. Acho que o Declanzinho não ia gostar nada de saber onde você está. Calma. Eu vou guardar seu segredo. Mas os segredo vem com um preço. Está disposta a pagar?”


Guardo a boneca e o bilhete dentro da minha mala e volto pra cama. Me agarro a Nolan que acorda. Estou tremendo e é óbvio que ele repara na hora que há algo de errado comigo.


– O que está acontecendo? — ele segurou minha mão. — Você está gelada. Tá passando mal?


– Eu não sei... eu... — minha voz oscilava pelo choque.


– Verônica? Suas crises... elas estão voltando?


– Não. Eu não tenho mais síndrome do pânico.


– Tudo bem. Quer que eu busque água pra você?


– Não, eu só quero que você me abrace e me diga que o que estamos fazendo não é a coisa mais errada do mundo. Eu...


– Você me ama? — silêncio. — Pelo menos um pouco.


– Sim, eu te amo.


– Então não tem nada de errado em transar comigo. Você me ama.


Eu me deito ao lado dele e pegamos no sono novamente. Já de manhã acordamos com um estrondo. Veio da porta da sala. Descemos rapidamente pensando que é ladrão ou algo do tipo. Não. Há vidro espalhado por todo o chão e uma pedra embrulhada em um papel. Nolan abre e lê em voz alta:


“Tudo na vida tem um preço. Eu sei o que estão fazendo. Amantes. Traidores.”

Notas finais
Hey hey hey hey, como vocês estão. Eu queria saber indicar músicas pra vocês escutarem enquanto leem mas eu devo confessar que, sei lá, sou péssima pra isso. Deixem seus reviewsssssss. Peace yo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.