Abandono Imprudente
11 Mais fácil do que pensei
Notas iniciais
Acordei da nostalgia em que me encontrava quando ouvi os portões da minha casa se abrindo. Acho que perdi a noção do tempo pois quando eu menos esperei eu já estava sendo carregada novamente mas dessa vez pra dentro de casa. A porta já estava aberta.
Vi o vulto de Charles me olhando mas não consegui dizer nada só vi que ele apontou para as escadas. Eu guiei Declan pelo corredor até chegar no banheiro do meu quarto onde ele me colocou sentada na privada.
Eu mal conseguia me mexer direito e ele notou isso. Ouvi o barulho da banheira enchendo e eu já sentia o calor do vapor na minha pele. Dec tirou meu coturno e minhas meias que estavam ensopadas. Sucessivamente, tirou minha saia e minha camiseta e jogou dentro da pia. Só então me pegou no colo e me colocou na banheira. Ele não parecia se importar por estar se tornando tão próximo a mim.
A água estava quente e eu estava me sentindo bem melhor agora. Dec me deixou lá por um tempo e quando movimentei minhas pálpebras, vi seus olhos pretos me observando atentamente.
– Você está melhor? — ele segurou minha mão e eu a retirei rapidamente.
– Acho que sim. Mas, eu ainda me sinto dormente.
– Você me assustou! O que você estava fazendo ali?
– Não sei, eu apenas queria ficar ali e pronto.
A banheira estava me devolvendo todo o calor que perdi naquela chuva. Eu me pergunto se Nolan está bem e se o copo que eu joguei no pé dele o feriu. O que será que ele está pensando sobre mim nesse exato momento?
***
Nolan — horas depois de Neverland
Fui embora de Neverland logo depois que Verônica saiu e pra evitar mais complicações saí pela porta dos fundos. Cheguei em casa e fui direto pro banheiro. Parei o sangramento do nariz e tomei um banho. O copo acertou minha perna mas, nada de grave aconteceu, apenas um hematoma — que vai sarar rápido.
Abri o guarda roupa onde tenho uma foto minha com Verônica. Encarei a foto por um longo tempo. Um sorriso bobo brotou em meus lábios e eu beijei a foto.
– Como eu queria que fosse você de verdade. — sussurrei para a foto. Olhei uma velha caixa no canto do guarda roupa — Meu antigo diário. Porra, será que ainda tem folha nessa merda? — murmurei enquanto abria o diário. — E não é que tem umas par de folha aqui véi? Onde será que tem uma caneta? — Procurei em uma gaveta e, com sucesso, lá tinha uma caneta.
Não faço ideia que dia é hoje.
Fala diário,
Olha quem está aqui depois de tanto tempo. Você sabe quem é que eu encontrei hoje? Bom, uma boa dica é que usar um diário foi totalmente ideia dela. Ainda me lembro do pacote prateado que chegou com um cartão escrito que era pra eu colocar todos os meus pensamentos e aventuras aqui porque, algum dia poderíamos ler para nossos filhos. Verônica.
No começo eu nem acreditei que fosse ela, tive que olhar bem pra finalmente cair na real de que ela estava ali na minha frente. Quão linda ela estava. Mas eu estou com raiva. Ela estava com um idiota e ela é minha, entende? A ideia de vê-la com aquele cara me deixa furioso. Lembro do nome que ela falou, Declan. Mas ela só está usando aquele garotinho, ela ainda me ama, tenho certeza.
Ela me rendeu um sangramento no nariz e um hematoma no pé mas esse ataque de fúria que ela teve hoje só me provou mais ainda que eu estava certo. Esse garoto que se cuide porque eu voltei para atacar. Eu não vou suportar perdê-la novamente, ainda mais pra um idiota feito aquele cara. Ele ficou me olhando com uma cara de assassino e eu me contive. Eu não podia começar uma briga ali, sem mais nem menos.
Enfim, eu disse pra ela tudo que eu sentia, tudo o que eu não disse em meses de namoro. Eu a amo sim, eu não posso esconder. Sei que ela ainda não me superou, ela mesmo disse. Eu queria ter dado um beijo nela hoje ou ter levado ela pra cama.
Não consigo tirar ela da minha cabeça. Aqueles olhos azuis, sua boca. Sinto falta de beijá-la no final do dia, de dormir abraçados, de andar de moto e vê-la pelo retrovisor. Todos esses meses foram um martírio para mim. Eu a quero, eu juro por tudo que é mais sagrado que eu a quero muito. Não vou parar enquanto não a tiver. Isso é uma promessa.
Fechei o diário e deitei na cama. Não consegui dormir. Peguei meu celular.
– Será que eu ligo pra ela? — disquei o número e apaguei — Não, eu não posso fazer isso. — coloquei o celular em cima do criado mudo. — Não custa tentar! — sentei na cama e disquei o número mas dessa vez eu tive coragem de apertar o botão de discar. — Vamos, atende, atende, atende, atende.
Ela não atendeu. Será que ela ... está com aquele moleque ridículo? Não, ela gosta de mim, não dele. Mas então porque ela não atende? Volte pra cama cara, volta pra cama e dorme. Larga a mão disso, você procura ela depois! Deitei minha cabeça no travesseiro e me cobri, o inverno estava acabando mas a primavera anunciava chuva. Pensei que fosse pegar no sono rápido mas me deparei com o amanhecer sem pregar o olho.
Fiquei pensando em Verônica, no tempo que passamos juntos, os problemas que enfrentamos, os momentos de fragilidade, como ela ficava sexy de calcinha e sutiã, principalmente na minha cama ou em cima de mim ou sem roupa. Só de pensar nela ali comigo eu me arrepiava.
Parece que eu perdi mais do que posso suportar.
***
Dec continuava me vigiando atentamente como se eu fosse fazer uma besteira. Eu me apoiei na beira da banheira tentando me deslocar mas tive dificuldade em realizar essa ação.
– Vamos, eu te ajudo a sair daí e se secar.
Eu me apoiei em seu ombro e ele me puxou com força. Peguei a toalha e ele me secou. Fui em direção ao closet.
– Tem uma camisa azul que está jogada no chão. — eu disse mas ele me mandou ficar sentada. Uns minutos depois ele veio com a camisa e com um bando de curativo na mão.
– Estenda a mão — e eu apenas estendi. Ele passou novamente a pomada melequenta e dessa vez ele colocou um Band-Aid — Sua mão está melhor, certo? — eu consenti com a cabeça e ele me colocou sentada na cama — Levante os braços, eu tenho que colocar a camisa em você!
– Incrível, agora eu sou um bebê!
– Cala a boca! — Ele disse abotoando apenas os dois botões do meio.
Meu celular tocou mas eu ignorei. É tarde demais, tô com preguiça de atender. Dec me enfiou embaixo do cobertor. Percebi que logo depois disso ele iria embora e eu ficaria ali sozinha pelo resto da noite e isso não podia acontecer. Eu vivo sozinha e eu me sentia bem com ele ali, cuidando de mim. Eu me sentia segura ao lado dele. Eu não estou apenas usando ele pra minha própria satisfação, estou? Talvez um pouco mas ... bom pode parecer ridículo o que eu vou falar, quão idiota eu sou por dizer isso mas, eu não queria que ele fosse embora.
Ao vê-lo se virar a minha única chance era ser rápida — o que não me era uma vantagem por estar mal do jeito que estava -, mas eu simplesmente saltei e, em um reflexo, peguei na sua mão o puxando.
– Não vai Declan, eu não quero ficar sozinha. — Comecei a reparar em seus traços. Seu nariz arrebitado, seu cabelo liso e repicado. Nossa, ele é alto! Meu nariz pega no ombro dele. Ele agarrou minha cintura e me colocou contra a parede beijando o meu pescoço levemente até chegar a minha boca. Eu o virei contra a parede e parei.
– Só quero dizer uma coisa. — porra, eu estou estragando todo o clima. Broxante. — Eu vou entender se você nunca mais quiser falar comigo. Sabe, depois desse surto psicótico ...
– E porque eu faria isso? — ele rio levemente enquanto penteou meus cabelos com os dedos.
– Porque hoje você percebeu quão problemática e desequilibrada eu posso ser. Como eu sou cabeça dura e idiota e ...
– Verônica, você ainda não entendeu que eu gosto da sua loucura e da sua psicose? — ele disse passando a mão ao longo do meu corpo até chegar na coxa. — Me excita.
– É garotão, parece que você gosta mesmo de arranjar problemas.
Ele deu um sorriso de canto de boca, eu soltei o olhar mais sensual possível. Mordi meus lábios e o empurrei pra minha cama, fui engatinhando até chegar ao seu tórax. Eu segurei seu rosto e passei minha perna por cima dele, eu praticamente estava sentada nele.
Joguei todo meu cabelo para um lado só e fui abaixando aos poucos. Ele segurou no meu quadril e levantou um pouco o pescoço pra alcançar minha boca. Eu o beijei até perder o fôlego e mordi seu pescoço.
Declan então me virou para ficar por cima. Ele pressionou meu corpo contra a cama com seu peso e eu passei a mão pelas costas dele e trouxe junto sua camiseta. Ele estava beijando minha nuca e, eu tenho que admitir, aquilo era excitante. Era isso que eu queria, que a noite fluísse, que eu não me lembrasse de mais nada. Ele pegou a minha coxa e colocou a minha perna em cima de suas costas e eu o pressionava para mim. Cravei a unha em suas costas o arranhando e decidi apertar sua carne. Creio que Dec amou essa ideia pois repetiu em mim mas na parte interna das minha coxas. Aquilo era bom, me arrepiava.
Ele agarrou meus cabelos e os puxou pra si em um beijo possessivo. Me soava selvagem e ... eu estava adorando. Parei o beijo mordendo o lábio inferior da boca dele. Me deitei por cima dele e dei vários beijos em seus braços até a orelha finalizando com uma mordidinha de leve. Dec retribui puxando a minha camisa com tanta força que os únicos dois botões que ele tinha abotoado estouraram na hora. Ele arremessou a camisa longe e foi direto ao gancho do meu sutiã.
As coisas estavam rápidas demais mas eu estava me deixando envolver a cada toque de sua pele na minha, eu não queria parar. Eu não iria parar.
– Vamos logo com isso! — sussurrei na orelha dele.
Desci minhas mãos até o botão da calça, apenas um, nada difícil. Puxei o zíper rapidamente e ele me ajudou a terminar de arrancar a calça. Sua pele era quente, seus lábios eram carnudos e a cada beijo eu me sentia mais interessada em conhecer cada parte dele.
O celular tocou de novo. "Porra, já disse que não vou atender. Que deixe mensagem na caixa postal". Foi então que o telefone tocou duas, três, quatro e cinco vezes. Declan me afastou. Droga, eu não quero sair da cama.
– Vai atender. Pra insistirem tanto, deve ser algo muito importante.
Porra celular, justo agora? Eu levantei da cama. Meus trajes não eram os melhores mas, ninguém estava me vendo mesmo. Olhei no visor do celular: "Eddie Trick".
– Isso é hora de ligar Sr. Trick? — eu disse irritada.
– Não é o Sr. Trick! É da polícia. Algo aconteceu e o seu celular era o número de emergência.
Notas finais
Se isso vai acontecer sempre? Acho que não. O meu ponto fixo é a Verônica mesmo.
Beijos pra todos vocês, espero o review hein? Se manifestem. Sinto falta dos reviews de algumas pessoas lindas. ♥
~avatsnocoração~
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