Abandono Imprudente
13 Coney Island Queen
Já se passaram 6 dias desde que o Sr. Trick foi assassinado. A autópsia só fica pronta daqui 2 meses. A única certeza é que o caso foi arquivado por falta de provas como latrocínio — roubo seguido de morte. Estamos afastados do trabalho, 15 dias em casa para avaliação de segurança, arquivos, câmeras e outras coisas.
Hoje é sábado e a primavera já vai começar, finalmente. Nolan amava andar de moto na primavera. Eu não paro de pensar nele. Ontem eu sonhei com ele. Estávamos andando de moto e ele parou em um campo florido onde nós deitamos e nos beijamos até escurecer. Infelizmente, eu queria que o sonho fosse realidade.
Charlie entrou no quarto e eu pulei da cama.
– Pensando no Nolan.
– Cala a boca. Nada a ver.
– Péssima mentirosa! — ela deu uma risada irônica. — Porque você não conversa com ele, Vê?
– Tenho medo.
– Medo? — ela pareceu surpresa.
– Sabe quando... você sente que é impossível se controlar?
– Como é que é?
– Charlie, é simples. Eu ainda gosto do Nolan, firmeza? Eu assumo. Mas, não posso me decepcionar mais.
– Verônica, eu vejo a ligação de vocês. Em Neverland, eu estava do outro lado da pista e pude sentir a energia de vocês dois.
– Se eu voltar com ele eu vou viver na dúvida Charlie. — cocei a cabeça. — Viver com dúvida não é viver.
– Ele iria te fazer confiar de novo.
– Eu quero confiar nele. Mas aí vem as lembranças e... acho que perdi a fé. — silêncio. — Mas, mudando de assunto, ainda dá tempo da gente ir caminhar e voltar se trocar pro luau.
– Eu vou direto pro luau, desculpa não falar antes.
– Porra, vou sozinha então. Faiosa. — disse entrando em meu closet. — Você veio me lembrar de caminhar?
– Não, eu vim ver se você estava bem.
– Você é a melhor, otária! — abri meus braços para um abraço.
– Otária? E ainda quer me abraçar vadia?
– Cala a boca e me abraça. Estou vulnerável.
Descemos e eu saí pela porta da frente.
– Vou de metrô hoje!
– Ok, dona Verônica.
Era fácil chegar a praia. É só pegar na Times Square, linha amarela o metrô N e descer no ponto final. Quando as portas do metrô se abrem você já está na areia. Coney Island é tudo de bom. É divertida, tem sempre muita gente pra me distrair e quando estou com vontade posso ir no parque– que é praticamente na praia. A luau ia ser quase na beira mar e eu estava esperando que isso levantasse meu astral.
Abri minha bolsa, porque não ia caminhar hoje. Estendi uma canga de voal gigantesca, ranquei os tênis e coloquei dentro da minha bolsa. Enfiei meus dedos na areia gelada de inverno. Eu amava aquela paisagem, me acalmava. Fiquei ali por mais ou menos uns 30 minutos, apenas adimirando a perfeição das ondas que iam e voltavam. As vezes eu olhava pra trás pra ver as luzes da Wonder Wheel, tão linda e gigantesca, meu brinquedo favorito por me lembrar da infância, mas logo mirava o mar novamente.
Procurei meu celular na bolsa. Porra, esqueci aquela merda em casa! Procurei meu diário então — se não posso escutar música, eu vou escrever.
Estou em Coney Island hoje, quão linda é essa praia! Apenas queria que o Nolan estivesse aqui comigo, talvez ele me desenhasse e eu observaria aqueles olhos amarelos fixos em mim. Sim, eu queria mesmo que ele estivesse aqui, que ele me abraçasse e dissesse o que ele sempre falava quando vínhamos aqui: Eu te amo Coney Island Queen!
– Eu posso fazer isso se você quiser... — ele estava inclinado e tinha lido tudo o que eu escrevi. Merda.
– Mas o que? Tá me seguindo é? — eu gritei.
– Não, você que chamou.
– Chamei nada!
– Olha aqui então. — olhei no celular dele e lá estava a mensagem enviada a 15 minutos atrás.
"Me encontre em Coney Island agora. Vou estar por aí, me procure! -V."
– Mas meu telefone está em casa e... Charlie! Eu vou matar aquela vadia.
– Até ELA sabe que temos que esclarecer tudo isso!
– Mas eu não quero falar com você!
– Não é o que você escreveu no diário, Coney Island Queen!
– Não me chama assim! — me sentei e ele fez o mesmo. Eu me afastei.
– Você vai calar a boca e me escutar ou eu vou ter que te torturar?
– Vai ser honesto? — olhei em seus olhos.
– Sempre fui honesto. — franziu a testa.
– Sempre? Bom, quando você ligou pra terminar comigo você falou: "Vô me mudar pra LA. Preciso de um emprego melhor e não rola tu larga a faculdade e o emprego pra vir comigo. Relacionamento a distância é foda."
– E...
– E eu respondi que não era só aquilo, que tinha outra na jogada e você negou. Eu estava disposta a ouvir um: "Tô apaixonado por outra", mas eu ouvi um: "Eu te amo mas a distância vai acabar com tudo!".
– Ainda não sei onde eu menti.
– Não tenta disfarçar. Na capa da Viclavier estava a SUA foto com a Madeleine LaVierne em Vegas. Só faltou uma legenda escrito: "Enquanto a ex tenta se matar ele traça a patroa".
– Não foi assim porra! — ele gritou — Peraí... você tentou se matar?
– Não interessa!
Silêncio.
– A questão é que você me abandonou sem pensar duas vezes e e-eu pedi pra você dizer a verdade, disse que aceitaria qualquer coisa e você preferiu... — suspirei. — Ela é uma celebridade Nolan, se você queria esconder o romance com ela devia ter sido mais cuidadoso.
– Eu juro por Deus, aquele dia toda a equipe da MV Magazine foi pra Vegas e eu estava mal com o término, então tomei uma garrafa de vodka sozinho e ela se aproveitou disso. Eu não queria ela e …. nem quero, porque eu amo VOCÊ.
Nolan tentou tocar em meu rosto e eu o empurrei na areia, ele se sentou apoiando os cotovelos nos joelhos e a testa na palma das mãos.
– Você nunca me amou Nolan, admita.
– Quer saber? — ele levantou e sacudiu a areia da calça — Você é quem nunca me amou.
– Eu?
– É Verônica. Lembra quantas vezes eu peguei na sua mão e você rejeitou? Eu sentia que você tinha vergonha de mim. E na casa do Sammy que você não me deixava te abraçar? Parecia que você não me queria por perto. Eu errei Verônica e assumo, tô me humilhando aqui então não aja como se você acertasse todas.
– Eu sei que não sou perfeita. A verdade é que eu comecei a depender de você pra ser feliz e aquilo me deixava aflita.
– Você sempre foi obcecada com a ideia de não se envolver e... e eu era obcecado por você. Os últimos 4 meses foram como milhões de facas perfurando meu coração.
Eu me levantei em um pulo.
– Verônica! — ele me puxou — Quanto mais eu te vejo, mais eu te amo. — arregalei meus olhos mas não o afastei — Parece que tentar te mostrar o quanto te amo te assusta.
– Você nunca foi assim, você nunca foi romântico comigo.
– Eu nunca quis nada clichê e sei que você também não queria, você queria diversão.
– Sim, eu queria diversão, eu queria aventura!
– Então não diga que se arrependeu de ficar comigo porque foi exatamente isso que eu te dei. Isso e muito mais. — mordi meu lábio — Eu posso ver em seus olhos que você queria estar rolando na areia comigo, me beijando.
– Não, — eu o empurrei — não dá mais Nolan. Não dá mais pra te ver ou pra pensar em você. Eu vou enlouquecer.
– Então enlouqueça e me leve junto! Esquece aquele Declan idiota. Eu sou o cara certo e você sabe disso.
– Eu faria a coisa errada se ficasse com você.
– Você sabe que está mentindo. — sim, estou blefando — E na verdade, você sempre amou fazer tudo que é errado. O que era proibido te excitava, eu te excito, não negue. — suas mãos passearam pela lateral do meu corpo até parar no meu quadril — Você sabe que eu sou o único que consegue te levar onde você quer chegar.
– Não, eu tenho que ter raiva de você! Porque eu não consigo ter raiva de você seu idiota?
– Porque você é louca por mim.
Ele enfiou a mão no bolso de trás da minha calça e a respiração dele estava junto a minha agora. Eu tinha dito a Charlie que tinha medo de não me conter. É, foi exatamente o que fiz. Não me contive. O empurrei pra areia que se espalhou pra todo lado.
– Talvez eu seja mesmo louca... — sentei em sua barriga — nisso você tem razão!
Eu desci minha boca até a dele mas ele me virou antes que eu o beijasse — prensando meu corpo com o seu e prendendo meus braços com suas mãos.
– Eu te amo Coney Island Queen.
Notas finais
Espero que vocês tenham curtido este capítulo e espero responder muitos reviews aí porque eu estou tristinha hoje e espero que vcs me animem ao longo desta semana :)
O que será que vai acontecer a partir de agora?
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