ASNY Sempre
1 Resposta do papai noel
Notas iniciais
“ — Olhe para mim. . . Você tem os olhos de sua mãe.
Ele podia sentir o veneno correndo por suas veias, e aos poucos, seu coração perdendo a batalha contra as feridas, Snape sabia que estava na hora, ele respirou com dificuldade, ainda encarando aquele belo par de olhos, os olhos de sua amada.
E então, abraçou a morte como uma velha amiga.”
Sentiu um aperto no peito, característico de quando se acorda assustado. Piscou preguiçosamente, tentando se lembrar exatamente onde estava, o teto azul entrou em seu foco de visão, pequenas estrelas cadentes riscavam o teto como se fosse o céu noturno.
— Papai?
Ele se virou em direção a voz infantil e se deparou com grandes olhos negros debaixo de uma nuvem rebelde de cabelos vermelhos, a menina tinha a face pálida salpicada por sardas alaranjadas que lhe davam uma aparência corada e inocente.
— Nalla – Snape se sentou na cama, estendendo o braço para a criança – O que foi?
— Estou com fome, não acho Babee em lugar nenhum – Ela apoiou a cabeça em seu ombro.
Severo olhou e volta, não havia sinal de sua esposa, então colocou a menina no chão e se levantou.
— Líli?
Sentiu de novo aquela dor característica de quando discutiam ou brigavam, mas dessa vez havia sido diferente, começara com uma simples conversa de como Nalla não estava fazendo amigos, de como ela se sentia excluída no mundo bruxo, e Lílian sugeriu que poderiam deixar que ela fosse para um acampamento trouxa antes do seu primeiro ano de hogwarts.
Então ele perdera a cabeça, agora reconhecia isso, mas os anos de humilhação e de agressão que teve de suportar do pai lhe vieram a mente de forma esmagadora, ele não aceitaria isso para sua filha, para sua preciosa menina, não aceitaria mesmo.
Mas agora o arrependimento o corroía, Severo não queria ter gritado, ou batido na mesa, se descontrolar daquela maneira não era de sua natureza e nunca havia acontecido. Fechou as mãos em punho, sentindo raiva de si mesmo, não devia ter feito aquilo, e o pior de tudo, não devia ter ido dormir sem dizer a Lílian que a amava, ele havia prometido, havia jurado que não se passaria um único dia de sua vida sem lembra-la do quanto ele a amava, mas ele não havia feito isso ontem, e agora, mais calmo e com a cabeça fria, percebeu que ela provavelmente estaria magoada com ele, e era compreensível.
Caminhou pela casa, pequena e decorada de forma aconchegante, Lilian tinha o dom de transformar até uma casa velha em um lar, havia pintado todas as paredes manualmente de cores alegres e vibrantes, e inventado maneiras elegantes de posicionar os moveis, havia pendurado quadros trouxas, comprado cortinas e jarros. Quando se mudaram, mal pode reconhecer a casa depois de alguns dias.
Babee passou pela cozinha carregando uma bandeja de peixes defumados e algumas tortinhas de abobora.
— Babee, onde está Lílian?
A elfa domestica se inclinou levemente, em uma reverencia desajeitada.
— A senhora saiu hoje cedo – Ela parecia nervosa, como sempre ficava ao estar no mesmo ambiente que Snape. – Desculpe Babee, meu amo.
— Pai? – Nalla se aproximou, ela ainda usava o pijama decorado com pequenos unicórnios. – Estou com fome.
— Venha.
Ele a levou para a pequena cozinha, onde a mesa já estava repleta de comida, Babee sempre deixava tudo pronto antes mesmo do sol nascer.
Nalla devorou rapidamente os peixes defumados junto com suco de abobora, mas ele não conseguia comer, onde Lili estava? Não havia nem um bilhete ou recado.
As horas foram passando e Severo começou a perder a paciência, Não conseguia mais esperar, ele tinha muito o que fazer, precisava arrumar seus materiais, as poções e organizar as roupas que levaria para hogwarts, o ano letivo começaria em alguns dias e ainda não havia conseguido se organizar para a partida, agora, com o sumiço de Lílian, Severo não conseguia pensar em mais nada.
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Suas vestes negras pareciam brilhar sobre a luz do sol enquanto ele andava de um lado para o outro, esperando.
Ele se lembrou da última vez que sentiu tanta angustia e a ocasião também tinha haver com Lílian:
“Eles estavam no sexto ano, e Snape finalmente havia conseguido convence-la a perdoa-lo pela idiotice que havia dito: “Sangue-Ruim”, aquelas palavras ainda amargavam em sua boca. Mas Lílian havia dito que deveriam esquecer aquilo, que o assunto nunca deveria ser mencionado novamente. Ele aceitou essa a primeira condição de forma veemente, sem se importar com o fato de seus amigos da desaprovarem sua amizade com uma mestiça, ele também era, mesmo que não quisesse admitir nem para si mesmo, ainda tinha as marcas pelo corpo que provavam que ele era tão sangue ruim quanto ela. Mas a segunda condição ainda lhe fazia hesitar, era difícil aceitar se afastar de seus amigos Sonserinos, que haviam ensinado tanto a ele sobre Maldições e azarações.
— Severo – Era Avery que se aproximava. – Você voltou a falar com aquela Ruiva? A Evans?
— Agora não – Ele voltou sua atenção para o livro que fingia ler.
— Agora não? – Avery riu de forma debochada – Você acha mesmo que ela vai se apaixonar por você? Seu idiota, todo mundo sabe que James Potter é apaixonado por ela, acha mesmo que ela vai preferir você ao capitão do time de quadribol?
A raiva lhe subiu à cabeça e apertou a varinha com força.
— Travalíngua — Murmurou.
Imediatamente a voz de Avery sumiu.
Seus olhos passaram de surpresa para ódio em uma fração de segundo, e ele lutava furioso para descolar a língua do céu da boca.
Snape se levantou calmamente e fechou o livro.
— Como eu disse, agora não.
Ele não aceitaria isso, não acreditaria nisso, ela havia perdoado ele, estavam juntos de novo, então ela podia ama-lo. Era nisso que estava apostando e foi com isso que contou quando mandou uma coruja para seu dormitório, ele havia colocado todos seus sentimentos naquelas palavras, mas não havia assinado, um local marcado revelaria a ela quem ele realmente era, o que sentia, e também evitaria que alguma outra menina da Griffinoria lesse suas palavras e deixasse que essa notícia se espalhasse.
Não, não, não, ele esperaria dar a hora e então se reuniria com ela perto do corujal, um simples feitiço de proteção impediria que alguém ouvisse a conversa, Só estava torcendo para que a resposta fosse a certa.
Severo foi ao banheiro e se olhou no espelho, mesmo estando nervoso continuava ainda muito pálido e seu cabelo continuava oleoso e olheiras escuras adornavam seus olhos, suspirou, será mesmo que Lílian diria sim?
Não desistira dela, não sem lutar.
Quando o relógio bateu o horário, ele se aprumou, respirou fundo e foi, percebeu eu suas mãos tremiam quase que incontrolavelmente durante todo o trajeto.
Então esperou, esperou e esperou, mas ela não apareceu, Snape ficou impaciente, já havia e passado muito tempo. Na primeira meia hora ele pensou que ela estava atrasada, quando deu uma hora, ele pensou que ela talvez estivesse nervosa e quisesse se arrumar, em uma hora e meia ele pensou que talvez ela estivesse muito ocupada por isso demorou um pouco, mas quando três horas se passaram, ele não tinha mais desculpas para dar.
Suspirou, já estava de noite, provavelmente todos estariam no jantar agora, Lílian deveria estar lá, sorrindo como sempre, ela nem deveria estar pensando na carta, afinal, ela não sabia quem havia escrito, mas. . .mas ela iria se soubesse?
Snape grunhiu, saiu do corujal pisando firme, não tinha como saber, não é? Ela podia...podia ter ficado com medo, e não ido, ela não sabia que havia sido ele.
Não sabia, e não ia saber.
Caminhou pela fria passagem até o castelo, eram tantos sentimentos misturados que lhe causavam arrepios na coluna.
— Você viu aquilo? James Potter chamou Lílian Evans para sair, ela é tão sortuda.
Severo parou ao ouvir aquilo, duas meninas estavam caminhando apressadas enquanto conversavam sem se importar em diminuir o tom de voz.
Sentiu em seu peito uma dor inexplicável.
Potter havia se declarado para ela? Por isso ela não havia ido, não tinha motivo para. . .
— Não – Grunhiu – Ela não pode ter feito isso.
Ele sentia raiva, sentia ódio debaixo de seus pés, como se a própria escuridão acompanhasse seus passos, ele não sabia o que faria, ou como agiria caso Lílian escolhesse Potter, ele não iria perdoa-la, não conseguiria aguentar ver aquele estupido metido e arrogante com a sua menina, sua Lílian.
— Sev?
Ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo, se virou apressado, procurando entre os alunos, e lá estava ela, com os cabelos de fogo emoldurando seu rosto perfeito, mas alguma coisa estava errada, pois seus olhos, seus adoráveis olhos de jade estavam vermelhos e o rosto molhado.
Ele apertou o passo e se aproximou, preocupado.
— Líli? O que houve? – Passou os dedos pálidos em seu rosto de querubim. – Por que está chorando?
Ela balançou a cabeça e o abraçou.
Parecia que todos haviam congelado em seus lugares e observavam a cena.
— Potter? – Perguntou contra seu cabelo – Ele machucou você?
Lílian se separou dele, com os olhos brilhando em novas lagrimas.
— Você ficou sabendo. – Fungou triste – Esquece ele, consegui lidar bem com a situação, mas achei que não queria mais falar comigo, onde você estava?
Ele franziu a testa.
Os olhares chocados a volta deles começaram a se transformar em murmúrios e cochichos indiscretos.
Pegou a ruiva pelo braço e a levou para em direção a masmorra da Sonserina, não se importava com o que poderiam dizer, eles precisavam conversar sozinhos.
Passaram pela parede de pedras e pelo salão comunal apressadamente, quando finalmente chegaram ao quarto, ele enfeitiçou a porta para que não houvesse plateia.
— Me conte – Pediu – O que houve?
Ela respirou fundo, como era linda — Ele notou — Tão delicada e suave como uma flor, ele adorava cada parte dela, como seus cabelos caiam como uma cascata avermelhada por seus ombros, ele amava suas sardas em cima do nariz que salpicavam seu rosto de forma exótica, também amava seus olhos, aquela era sua parte favorita, eles eram expressivos e brilhantes, envoltos em uma grossa camada de cílios alaranjados.
— Bem – Ela o tirou de seus devaneios – Você soube que James me. . .me convidou para sair, não é?
Apenas concordou, não se achou capaz de verbalizar qualquer coisa naquele momento.
Lílian mordeu o lábio.
— Ele ficou nervoso e disse coisas horríveis na frente de todos, ele e aquele idiota do Sirius, acham que podem rir de alguém só por. . .
— Espera – Snape interrompeu – Por que ele diria algo horrível sobre você? Ele te adora.
Lílian revirou os olhos.
— Me chamou de mesquinha por rejeita-lo, e agora está dizendo para a escola toda que eu preferi você e que tenho problemas psicológicos graves.
Seu coração se apertou de forma bruta e então veio uma sensação única de alivio, sim, aquilo era alivio, ela havia rejeitado James Potter, ela não queria ele.
— E ele ainda teve a cara de pau de me mandar uma carta- Lílian soltou um muxoxo- Aposto que não foi ele que escreveu, essas palavras nada têm a ver com o estupido metido que ele é.
— Carta?
Ela tirou das vestes a carta de Snape havia mandado.
— Eu estava indo para o corujal quando ele me parou no salão comunal, disse que precisava falar comigo, quando perguntei se ele havia mandado a carta ele disse que sim, mas que não podia esperar. – Lílian se sentou na cama de Severo. – Ele foi tão estupido, parecia que estava me fazendo um favor me chamando para sair, eu odeio tanto ele.
— Não tanto quanto eu — Murmurou.
Severo nunca havia se considerado uma pessoa ruim, tentava ao máximo reprimir seu lado escuro para puder viver junto com Lílian em um lugar bom para ela, mas Potter havia passado dos limites, se aproveitar da sua carta para se declarar era jogar sujo.
Lílian suspirou.
— Eu só. . .não sei, só esperava que fosse outra pessoa.
A dúvida o corroía por dentro, aquele era o momento certo? Mas e se ela dissesse não? E se o rejeitasse ali, e corresse de volta para os braços de Potter? E se ela se desse conta que na verdade amava o outro, só porque a segunda opção era ele? E se. . .
— Não era dele — Murmurou.
— O que? – Ela levantou a cabeça. – Não ouvi.
Severo respirou fundo.
— A carta- Disse um pouco mais alto – Não era de Potter.
— Não é possível, ele disse que era, quem mais pode. . .
Seus olhos de jade se arregalaram em um misto de surpresa e entendimento.
— Você?
Severo concordou levemente.
— Oh Sev, por que não me disse?
Quando levantou os olhos e a encarou, não viu o nojo e o desprezo que imaginou, ao invés disso, havia. . .carinho.
— Me desculpe. – Falou devagar – Eu não queria que você me desprezasse, afinal, eu fui tão idiota com você nesse último ano, não sabia como você reagiria se eu dissesse alguma coisa. Quer dizer, você é tão linda e inteligente, e...olhe para mim.
— Estou olhando.
Seus olhos estavam brilhando como duas grandes gemas preciosas por causa das lagrimas, mas em seus lábios perfeitos, haviam um grande sorriso.
— Líli...
— Sabe o porquê de James ter ficado tão irritado?
Ele negou com a cabeça.
— Ele sabia que eu o estava rejeitando por sua causa Sev, ele sabia que eu preferia o meu melhor amigo, a aquele arrogante estupido. – Ela se aproximou – Todos na escola estão comentando, achei que houvesse sumido por causa disso, que não quisesse lidar com a situação que eu o meti, estava ficando desesperada sozinha.
Aquilo era um sonho.
Ele tinha certeza.
Não havia chance de Lílian Evans estar na sua frente, se declarando para ele.
Ele nunca havia conseguido tanta felicidade, nunca fora digno, então com certeza aquilo era um sonho.
— Eu te amo – As palavras saíram antes que pudesse controlar. – Eu te amo mais do que posso dizer, Líli, mais do que posso demonstrar, eu te amei antes de você me considerar um amigo, te amei antes mesmo de você me ver, eu te amava sem te conhecer e não sabia disso.
O sorriso que recebeu em resposta iluminou todo o aposento.
— Eu também te amo, Severo Snape – Lílian acariciou seu rosto com as pontas dos dedos – Eu não sei exatamente em que momento eu percebi que te amava, mas quando me dei conta, não podia mais ficar sem você, ainda não posso.
Ele não pode evitar sorrir, não o fazia muito, raramente conseguia encontrar um motivo genuíno de felicidade, mas ali, naquele pequeno instante, não havia espaço para outro sentimento.
— O que fazemos agora? – Ele perguntou sem jeito.
— Acho que é nesse momento que você me beija.
E ele ficou estático, sem saber ao certo como agir naquele momento, então ela o puxou pela gravata e o beijou.
Se aquilo era um sonho, ele preferiria morrer daquela forma a acordar, em um gesto automático, levantou suas mãos e a puxou para mais perto. Foi um beijo doce e delicado, como ele sempre imaginou que ela beijaria, e quando se separaram, ele conseguia ver a mais pura felicidade refletida nos olhos dela.
— Não consigo acreditar que você me ama – Lílian murmurou contra seu peito. – Parece que vou acordar a qualquer momento e você estará distante e frio novamente.
— Então vou deixar isso claro para você – Snape a afastou um pouco – Eu prometo, juro, faço um voto, ou o que você quiser, que eu vou dizer que te amo, todos os dias pelo resto da minha vida, não por obrigação ou por habito, mas porque sei que vou te amar a cada instante que eu viver.
— Não pode estar falando sério – Ela franziu o cenho.
Ele ergueu o dedo e tocou sua testa, e com um movimento circular massageou o ponto especifico de sua preocupação.
— Eu estou, como nunca falei antes.
Então a puxou novamente para seus braços, dessa vez iniciando um beijo mais profundo, que se deixou levar pelos dois. Ela se encaixava perfeitamente em seus braços, e seus lábios pareciam ter sido feitos para os seus, Severo apertou a cintura de Lílian em um misto de felicidade e incredulidade.
Naquele momento ele soube, que ela seria dele, sempre.”
— Pai não estou achando meu livro de poções desse ano – A voz de Nalla o puxou de suas lembranças de forma rude – Eu estava lendo ontem perto da lareira, mas não consigo acha-lo.
Ele piscou diversas vezes observando aquele pequeno ser caminhar pela casa.
— Onde ele está? – A voz da menina parecia frustrada.
— Tente olhar ao lado da sua cama – sugeriu para a filha — Por mais que caminhe com ele pela casa, você sempre volta com ele para lá, devia se lembrar, está sempre no mesmo. . .
Como um estalo de repente ele soube, exatamente onde Lílian estava, mais é claro, porque ele não pensou nisso antes?
Sempre no mesmo lugar, onde tudo começou.
Ficou agitado de repente, levaria Nalla? Não podia deixa-la em casa, não sozinha, e não havia nem um conhecido em hogsmeade que gostasse dele, de Lílian com certeza, mas ele nunca fora muito sociável nesses últimos anos, para poder pedir favores assim, de repente.
— Nalla, se arrume, nós vamos buscar sua mãe – Falou apressado.
Uma cabeça alaranjada apareceu na porta de seu escritório.
— Agora?
— Agora filha, anda.
Correu até a sala e encontrou o elegante jarro que continha pó de flu, havia o suficiente para irem, mas teriam que voltar do jeito tradicional, e pela primeira vez, Severo não se importava.
Nalla apareceu devidamente agasalhada, ela já havia feito esse tipo de viagem várias vezes antes, então não se preocupou em como ela se sairia quando deu o endereço para ela, junto com o pó.
Assim que ela desapareceu, foi a vez dele, disse o endereço em voz alta.
E de repente, estava em uma casa escura, com cheiro de mofo e um aspecto abandonado, ouviu Nalla tossir e então sorriu, sua filha inteligente, era obvio que conseguiria.
— Pai, a mamãe não pode estar aqui – A menina anunciou com a voz esganiçada – Ninguém vem aqui a anos.
Sem dizer uma palavra, começou a procurar uma porta, se ele não estivesse enganado, havia uma no corredor entre a cozinha e a copa, e... bingo! Lá estava ela, cheia de cupins e cheirando a madeira velha, mas solida como sempre. Ele deu um puxão e o sol da tarde o banhou de forma suave.
Atravessou a varanda e desceu as escadas que dava para o jardim, o mato estava crescido e as plantas com aspecto mal cuidado e morto, mas esse não era seu objetivo, seguiu o muro alto da propriedade até encontrar o portão velho que dividia o terreno e percebeu que ele estava aberto, é claro que estaria, ela estava lá.
Passou para o terreno vizinho e encontrou um jardim completamente diferente, dezenas de flores cresciam de forma ordenada, dando adeus a luz do sol enquanto ele se punha, havia pequenos esquilos e bichinhos pequenos indo de um lado a outro, a grama estava rente ao chão, embora continuasse com o mesmo aspecto vivo de todas as outras plantas.
E no meio disso tudo um lençol Vermelho estava estendido no chão de forma elegante, com uma silhueta feminina descansando tranquilamente enquanto olhava para o céu.
— Mamãe – Nalla Gritou enquanto corria em direção a Lílian.
Ela se levantou, surpresa, e então sorriu.
— Vocês me acharam.
Ela abraçou a filha de uma forma carinhosa, mas seus olhos estavam presos no marido.
— Nalla, está vendo aquela arvore? – Lílian apontou — Aquela é uma Wiggentree, plantei aqui quando era mais jovem, por que não pega alguns pedaços da casca para mim? Podemos fazer uma poção quando chegarmos em casa, se ficar boa pode levar para a escola.
— jura?. – Sem esperar a resposta, a menina correu na direção oposta.
Severo aproveitou a oportunidade e se sentou ao lado da esposa.
— Não achei que você se lembraria daqui – Ela falou baixinho.
— Você sempre vinha para cá quando éramos mais jovens e você se chateava – Snape fechou os olhos, podia sentir tudo ao seu redor. – Sempre a encontrava aqui, fazendo flores crescer ou plantando arvores.
— Foi aqui que você me contou... – Lílian deixou a frase morrer.
— Sim, eu me lembro.
Um silêncio tomou conta do ambiente, não era necessariamente desconfortável, só deixava claro que havia algo a ser resolvido.
— Me desculpe – Ela se pronunciou.
— Não, por favor Líli, se alguém precisa se desculpar, sou eu. – Severo se arrumou em uma posição onde ficaria de frente para a esposa. – Eu deixei sentimentos ruins antigos tomarem conta de mim, eu sei que existem trouxas bons, assim como existem bruxos ruins, mas...Ela não...
— Nós temos uma filha muito inteligente Sev. – Lílian pegou a mão do marido. – Ela saberá decidir se quer ou não ir para esse acampamento trouxa, vamos deixar que ela decida, se quiser tudo bem, se não, a vida segue, nada precisa mudar.
Ele se controlou novamente, não queria discutir, não concordava com ela, mas deveria entender o lado de mãe que Lílian possuía, ele só queria proteger Nalla, ela só queria que a filha fosse feliz, então por que não trabalharem juntos para conseguir isso?
— Tudo bem – suspirou – Mas ela só irá o ano que vem.
Sua esposa abriu um lindo sorriso.
— Sim, claro, — Lílian se aproximou do marido de forma desajeitada e encostou contra seu peito – Ela pode não querer ir, afinal, pode acabar se tornando amiga do menino que sobreviveu.
— O que quer dizer com isso? – Snape passou a mão no cabelo de Líli.
— Bom, ele irá para a escola esse ano, todos na vila estão comentando, se for para a Griffinoria, ele e Nalla podem ser amigos.
— Espera, O que? E quem disse que ela vai para a Griffinoria?
Lílian levantou a mão direita e a pousou delicadamente na face do marido.
— Neville Longbottom, Saiu até nos jornais, ele fez onze anos, vai para a hogwarts esse ano, e sobre Nalla, sinto muito querido, mas é obvio que ela é uma griffana.
— O menino que derrotou o lorde das trevas virá para cá esse ano — Murmurou.
— Seja bom para ele Sev, o menino já passou por muita coisa. – A voz de Lílian estava séria – Perder os pais daquela forma, não foi justo, ele deve ter sofrido tanto.
— Lílian o garoto é famoso, todos o amam, duvido que se sinta especialmente infeliz.
— Ele perdeu os pais, foi criado pela avó que já é bem velha, e é exaltado por uma coisa que ele não sabe o que fez, apesar de parecer incrível, ele deve se sentir sozinho, prometa-me que vai ajudá-lo.
— Sim – suspirou – Vou ajudar no que puder para uma boa adaptação.
— Obrigada meu querido.
O sol já estava quase indo embora, e as luzes do jardim começaram a se acender, eles ficaram quietos por alguns instantes, apenas observando a filha colher algumas flores.
— Acha que o pequeno Harry vai ser tão alegre quanto Nalla?
— É claro que sim – Ele a apertou com um pouco mais de força. –Se ele puxar a mãe, vai ser uma criança extraordinária... Você disse Harry?
— Oh sim, Eu estou dizendo alguns nomes de meninos em voz alta, para ver se combina, o que acha desse? Eu gosto muito.
Severo pensou um pouco.
— Harry Snape? – Fez uma pequena careta – Não, melhor não, vamos pensar em algo melhor, com certeza.
— O tempo está passando professor Snape, tic-tac – Ela brincou. – Bem, acho que está na hora de voltarmos, estou com fome.
Ele ficou de pé, e ajudou Lílian a se levantar, com quase oito meses, sua barriga parecia que ia explodir, mas ela não se importava com isso, ainda era a mesma de sempre, claro, tirando alguns pequenos ataques de fúria e de choro, ela conseguia ser aquela menina forte que ele conhecera dezenove anos antes, teimosa, determinada e que não suporta ver nem um tipo de injustiça.
— Você algum dia se arrependeu? – Ele perguntou de repente.
Lílian prendia os cabelos de fogo no alto da cabeça.
— Do que, querido?
— De me escolher – Falou quase que em um sussurro.
Ela se virou, sorrindo de forma amável.
— O que você acha? Que eu adoraria ser esposa de James Potter, o apanhador da liga de quadribol, ser traída todos os dias e me tornar viúva cedo, porque aquele estupido imprudente não ligava para a segurança?
— Não, claro que não, mas... E se ele fosse diferente, se ele, mudasse, por você.
— Ainda seria você Severo – Lílian descansou a cabeça em seu peito – O homem que sempre esteve comigo, que me protegeu, que me disse que eu era, que me deu uma filha incrível e um bebê que está por vir, o homem que comprou uma casa em hogsmeade, mesmo não gostando, só para poder voltar para a casa toda a noite, Eu me apaixonei por esse homem, e você não pode mudar isso.
Isso bastava para ele, nunca mais perguntaria novamente, pois ele tinha uma família agora, uma família que nunca imaginou ter, e essa era uma definição de felicidade que ele nunca havia alcançado.
Observou Nalla correr em direção a mãe, com as mãos cheias de flores e casca de arvore, Lílian se inclinou um pouco para conferir as novas aquisições da filha.
Ali, bem na sua frente, estava tudo o que ele mais queria.
— Lílian? – Chamou enquanto caminhava em sua direção.
Ela se virou, ainda sorrindo por algo que Nalla havia dito.
— Eu amo você.
— Por quanto tempo dessa vez Severo? — Brincou.
Mas ele não estava brincando, não mesmo.
Se aproximou dela e lhe deu um suave beijo.
— Sempre.
Lílian Evans Snape sorriu para ele.
— Isso basta para mim.
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