ANJO DA GUARDA - O Anjo Surfista
4 Vazio - 11 de Fevereiro
Notas iniciais
Quando acordei o despertador, em cima da mesa de cabeceira, marcavas as sete e sete da manhã. Levantei-me e dirigi-me para a casa de banho enquanto me espreguiçava.
Assim que avancei para fora da casa de banho ouvi algo. A palavra que ouvira tinha sido produzida por uma voz que me era conhecida.
Olhei na direcção de onde tinha vindo o som e nada, vazio apenas.
Enquanto me despachava aquele "OLÁ!" não me saia da cabeça.
Ao sair de casa, antes de me dirigir para a praia, parei no quiosque para comprar tabaco.
Enquanto descia a longa escadaria até conseguir chegar há areia fumava o meu cigarro com longos bafos fazendo com que quando cheguei ao fim do cigarro queima-se os lábios.
Com rapidez jogo o cigarro para o degrau da escadaria pisando-o enquanto levava a mão aos lábios queixando-me da dor da pequena queimadura.
Ao chegar a areia avancei areal dentro até chegar onde a areia seca se perde na húmida.
Sentei-me e o meu pensamento sé girava em torno de três coisas: o meu avô, Diego e tudo o que tem acontecido de estranho desde ouvir vozes a sentir alguém a tocar-me sem ver ninguém.
Quando dei por mim estava a tirar o casaco, a descalçar-me e a tirar a blusa, ficando apenas de calças.
Sem pensar no que poderia vir a acontecer ou nas consequências avancei na direcção do mar.
Sentia a água a regelar-me o corpo à medida que ia avançando sem nada que me fizesse pensar que o que estava prestes a fazer não era solução para os meus males e de quem amo.
A água gélida já me chegava ao peito e deixando escorrer algumas das minhas lágrimas respiro fundo como se fosse a última vez que respira-se, sendo a minha intenção que o fosse, e abaixo-me deixando-me cobrir por completo pelo mar.
Enquanto estava submerso pela imensidão de gotas salgadas chorava e embora permanece-se imóvel por dentro estava a gritar e inquieto.
Imagens de pessoas da amo, de coisas pelas quais já passei, coisas que já vi mas que pagaria para não ter visto... apareciam e desapareciam há minha frente como miragens.
Até que fico inconsciente e ai... ai deixo de sentir tudo. Fica apenas um vazio. Nada me estava a torturar a alma naquele momento.
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