ANJO

8 De partida


Notas iniciais
Meses após o nascimento do filho, entediado com a vida em São João de Manhuaçu Benedito abandona Anita mais uma vez com o filho. Agora no #EP08, no Nyah ! Fanfiction.

1

O carro da polícia era escoltado por outros carros, segurança reforçada até a delegacia. Até mesmo um helicóptero sobrevoava o trajeto. Entretanto não era um helicóptero da policia. Um atirador estava sentado na porta, se posicionando para fazer o que lhe fora ordenado. Em baixo, todos se perguntavam o que diabos aquela aeronave fazia os seguindo. De repente, os tiros começaram. Um seguido do outro atravessaram os carros que atingiram os policiais e Alonso. O helicóptero então explodiu caindo sobre os carros que também explodiram. Era o fim daquele que poderia desvendar o mistério do tráfico de pessoas.

2

— Não pode ser não pode! Como eles conseguiram? — Regina chegara a casa, estava acompanhada por Josué. –

— Definitivamente eu nem sei o que dizer. Ou melhor, eu sei. É melhor mudarmos de caso, passar este para outra delegacia.

— De maneira alguma! Esta situação só me deixou com mais sede de justiça.

— Não percebe quem são esses caras? São assassinos suicidas! Mataram os policiais a tiros de um helicóptero e a intenção deles não era matar os policiais e sim o Alonso. Foi total queima de arquivo!

O celular de Josué tocou. Ficou em choque com a notícia que recebera.

— O que se passa? – Questionou Regina ao ver a expressão no rosto do delegado.

— Acabei de ser informado. Fos-te afastada da corporação de polícia!

3

Anita despertou. Completamente zonza, enxergava tudo embaçado. Aos poucos foi voltando ao normal. Benedito estava ao seu lado para sua surpresa e espanto.

— Meu amor, meu amor. – Lágrimas de alegria escorriam pelo seu sorriso.

Benedito estava eufórico. Abraçou Anita e não conseguia mais largá-la. – Eu pensei que fosse te perder. Perdoe-me por te-la deixado.

— Benedito – Disse com voz sonolenta. – é você?

— Sim meu amor, sou eu. Voltei para ficar eternamente ao seu lado.

— Meu filho, nosso filho...

— Não se preocupe ele vai ficar bem. Quero que me escute agora, sinto que por obrigação tenho que lhe contar o que houve, a verdade... Não sou o que pareço ser. Eu...

Não conseguiu continuar. Anita voltou a dormir, ainda sob o forte efeito das drogas que nela foram injetadas. A culpa pelo estado em que ela e o filho se encontravam tomou-lhe conta por dentro e não se conteve em lágrimas. Em passos lentos, foi levado pela enfermeira até o berçário onde estava o seu bebê. Pesando apenas dois quilos, dormia em uma incubadora respirando com a ajuda de aparelhos. Benedito foi orientado de que não poderia pegar o filho devido à sua fragilidade. Encostou a testa no vidro, comovido com a cena.

— Senhor Benedito, não chore. – Gilda pôs a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo. – O seu filho e a sua esposa são bastante sortudos. Não apenas sortudos, são vitoriosos.

— Eu sei. E é por isso que eu nunca mais vou abandoná-los. Darei tudo que os dois quiserem, quando quiserem.

— Desculpe minha intromição, sei que sou apenas uma relhes enfermeira, entretanto acho que bens materiais não os deixarão, mas o seu amor, sua companhia. Quando eles saírem daqui, fique com os dois o máximo de tempo que tiver livre. E não se culpe pelo que aconteceu. Não se culpe pelo destino, pois ele comete erros que jamais o punirão.

Benedito parou e pensou. Afastou-se da parede e voltando-se para a enfermeira, segurou suas mãos frias, pálidas.

— Obrigado. Eu seguirei o seu conselho. – Disse ele expondo um sorriso no rosto.

4

Regina andava de um lado para o outro com a mão na cabeça. Como assim fora afastada da corporação?

— Não posso crer. – Sentou-se no sofá. – Eu...

— Foram eles. Só podem ter sido eles!

— Eles?

— Tem mais gente no meio disso do que imaginávamos. Tiraram você do caso como um aviso. Se continuarmos atrapalhando o trabalho deles eles irão...

— Eu não tenho medo! Faço o que for para salvar vidas. Este é o meu trabalho.

— Você pode não ter medo, entretanto eu tenho. – Josué se levantou caminhando até a porta de saída.

— O que está querendo dizer com isso?

— Eu temo pela minha família. Tenho filhos, mulher, mãe, pai. Faço o que for para mantê-los longe de qualquer ameaça. E minha decisão já está tomada. Vou renunciar ao cargo de delegado. Adeus Regina! Boa sorte na sua escolha. – E saiu.

Apesar de seu desejo de vingança ser forte e impulsivo, seu raciocínio fora bem mais. Mesmo vencendo o orgulho sabia que aquele caso a perturbaria pelo resto da vida. Pegou o telefone, fez sua ultima ligação. Em seguida foi para a cozinha, retirou o telefone do gancho e fez uma ligação. Retirou do armário um frasco e uma seringa, posicionou o braço na bancada e aplicou o líquido na veia. Bastaram alguns segundos para que ela cerrasse os olhos. Deu seu ultimo suspiro, foi ao chão.

5

Alguns meses se passaram. Meses felizes, meses de cansaço. Exatamente três meses desde o nascimento do garoto agora completamente recuperado. Benedito ainda meio sem jeito pegava o bebê no braço. Aquele era o primeiro contato entre pai e filho. Seus olhos se encheram de água tamanha sua felicidade. Anita, deitada na cama, observava a cena orgulhosa. Um silêncio instaurou-se.

— Darei a você o nome de uma pessoa que foi e sempre será muito importante para mim. Allan, o nome de meu herói, meu bisavô.

Calou-se sorridente. Alguns dias depois Anita recebeu alta. Benedito poderia ter comprado uma mansão ou até mesmo uma simples casa, mas não o fez. Era arriscado demais, ninguém poderia descobrir quem ele era muito menos Anita. Mudou-se para outro estado, Minas Gerais a cidade de São João de Manhuaçu. Para evitar perguntas, construiu um casebre de madeira velha próximo a um lixão no meio da mata. Lá, os três foram morar.

Um Mês Depois

Benedito estava pensativo. Deitado em um colchão no chão frio ao lado de Anita, lembrou-se da esposa do qual prometeu voltar logo e não cumpriu. Fora a quatro meses, nenhuma ligação havia feito para Zaíra. Era nítido e ele sabia que não era muito bom em cumprir promessas. Levantou-se, vestiu a roupa e lentamente, para que Anita não despertasse, saiu.

6

O telefone tocava. Dulce, uma das empregadas, correu até a sala em direção ao aparelho. Chegando, se recompôs e atendeu.

— Aqui é o Benedito. – Não esperou que falassem do outro lado da linha.

— Senhor Benedito? – Balbuciou pasmada. – Onde o senhor está o que aconteceu?

— Eu estou bem, por que não estaria?

— Por nada, é que o senhor saiu daqui faz tempo e não voltou mais, nem deu noticias nem nada...

— Como a minha esposa está? – Benedito atropelou as palavras de Dulce.

— Preocupada como todos estamos. A dona Zaíra vai ficar tão feliz quando souber que o senhor ligou para dar noticias. Ele todos os dias me pergunta se o senhor ligou!

— Você não vai falar nada para ela.

— Não? Mais... – A empregada não entendeu.

— Sem mais! Se falar, será demitida.

— Okay. Não direi nada. Mas antes tenho que dar-lhe uma noticia. É sobre o vosso.

Foi interrompida. Benedito havia ido embora.

7

Estava de noite e chovia como se o mundo fosse acabar. Benedito ninava Allan tentando fazê-lo dormir, entretanto era inútil. Pingos atravessavam o teto de madeira formando goteiras incessantes. Os gritos do pequeno bebê ecoavam em meio à escuridão e já o irritavam. Vestida com uma capa preta de chuva Anita entrara no casebre.

— Onde você estava? – Perguntou Benedito entregando o filho para a companheira, já sem a capa. – Estou farto de tudo isto!

— Eu fui resolver um problema.

— E gente miserável lá tem problema?! – Gritou prestes a explodir. – Essa vida maldita não é pra mim! Estou cansado! – Calou-se por alguns segundos, expressão de nojo. – Você acha que eu vou passar a minha vida inteira no meio dessa podridão? Se pensa isso está muito enganada. Já arrumei minhas coisas. Estou indo embora hoje mesmo.

Por quanto tempo Benedito conseguiria permanecer sem luxo e riqueza, esta era a questão. Quais as motivações para aquele comportamento? Pobreza definitivamente não era o forte de Benedito. Um juramento de mentira, uma promessa prestes a mudar muitas vidas. Novamente ele estava de partida.

Notas finais
Acompanhe o próximo episódio e deixe o seu comentário caso tenha gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.