* Terra à vista *

Aos gritos, festejos como aqueles nos finais de ano, mas diferente das nossas festas. Com direito a fogos de artifícios, artificiais e holográficos é claro, um tanto estranho devo dizer, um artifício para um artifício, mas naquela hora não fazia diferença, pouco importava como festejar, o que importava é que um planeta, uma nova terra habitável, uma esperança eles acabaram de encontrar.

Obviamente a jornada não acabara aqui, ainda existe muitas questões a serem resolvidas, e a primeira foi adaptar o novo mundo, mobiliar a casa. Porem não existe tesouro algum que seja incobiçavel, nem se quer existe esta palavra. Para quem não tem casa qualquer lugar é teto, entretanto este teto já tem dono. Uma solução simples e amistosa parecia a mais sensata, e próxima da resolução dos problemas. Não demoro muito para aqueles que não somos nós entrarem em contato com os seres daquele mundo.

Seres exóticos, pareciam terem brotado da própria terra, alguns pareciam até mesmo serem arvores, e talvez fossem. Os únicos que não causavam tanta estranheza aos olhos daqueles que não somos nós eram os Híbridos, ou assim estes humanos os chamaram. Híbridos; Feito de um corpo que parte par acima se compões de fisionomia e estética humana, porem ainda de traços animalescos na face, tornando-se arriscado dizer "humanoides". E da metade da cintura par abaixo, algo que em alguns parecia pés de algum animal de casco, alguns quadrúpedes se é que este termo corresponde, pois ainda tinham braços, já outros possuíam apenas duas pernas, se é que eram pernas aquilo.

Porem a estranheza não acabara ainda, ainda faltava as feras como foram porcamente apelidados, perdoe meu linguaja mais isso talvez seja influencia daqueles que não somos nós. Pois bem como eu dizia, as Feras; seres cujo novamente eu me atrevo a dizer humanoides, com características felinas, outros talvez caninas ou qualquer outra criatura de nome muito complicado para ser dito. Entre todos estes haviam alguns muitos de chifres, orelhas estranhas, asas, diversas asas, asas de pássaro, asa inseto, de borboleta talvez mas estas eram de pequeno porte. Haviam também aqueles de carapaças, galhadas, ramos... Ramos! Plantas?!

Mas de todas aquelas criaturas apenas uma espécie se comunicou com os curiosos observadores, e eram algo que parecia um fantasma, quaser translucido, de formas, aparência e postura estranhamente humana, variando de cores entre eles. A principio pareciam andarem despidos como os outros seres, mas depois puderam perceber alguma espécie de tecido que dançava nos seus corpos ao soprar do vento, como se tudo fosse uma coisa só. Elementais, foi como eles o chamaram, pois pareciam se mover como o vento, e sua voz como o zumbido de uma garoa entre as folhas.

Não foi difícil estabelecer um dialogo, os seres estranhos era de alguma forma diferentemente inteligentes, e os Elementais mais ainda. Mas se engana aquele que pressupõe que inteligência seja sinônimo de gentileza, pois foi com voz de tufão e atitude truculenta que eles negaram um novo morador em suas terras, um vizinho, hóspede ou intruso, tanto faz eles negaram. E antes que por pouco ou motivo algum começassem um vendaval, os Elementais começaram seu curto discurso, suas desculpas, explicações, sermões. Com a eloquência dos quatro ventos e a beleza das quatro cores, deixaram bem claro:

Sabíamos que vocês viriam.

(Assim foi previsto)

Já fomos visitados antes.

(Assim que se previu)

Sabemos o que fizeram com o seu próprio mundo.

(Isso que eles temem)

É triste lembras que já fomos dominados e escravizados antes.

(estão traumatizados)

Quatro motivos, quatro razões, um problema e milhares de vidas. Ninguém queria ou merecia mais sofrer, ninguém quer morrer.

De volta ao imenso cubo negro, flutuante no espaço, a beira daquele mundo cujo antes fazia os olhos humanos brilharem, agora era inóspito. Ali eles ficaram, visível naquele lindo céu azul em tom esverdeado, se interligando no horizonte ao verde literalmente vivo das florestas. Estranho objeto que visto do chão parecia uma lua, um satélite nada natural. Irônico cubo negro solitário a longínqua e potente estrela redonda e branca. Uma mancha negra iluminada por um sol branco.

Agora as festas acabaram, os dias se passaram, as sondas vasculhadoras voltaram com o veredito, alem dali não há mais vida. Os suprimentos estão no fim e seguir viagem era fora de cogitação, resta apenas uma atitude, a terrível decisão dos humanos mais uma vez serem humanos. Triste eu sei, mas o que lhes restam fazer? aguar a morte ou causar a destruição? qual o preço da vida? Até onde os levou a evolução.

Notas finais
Próximo capítulo - O inicio, o apelo e a guerra. ¨Dica de musica para o capítulo. ¨ Thomas Bergersen - Aura -> Musica instrumental com um pouco de eletrônica e lirico.