Notas iniciais
Esse Sirius faz parte de um estudo de personagens para uma AU que eu estou trabalhando - leia-se tendo vários bloqueios criativos quando tendo escrever.

Sirius sempre foi uma criança difícil. Pelos menos foi assim que seus pais sempre o descreveram. Durante sua infância ele era constantemente castigado por “comportamentos indignos de uma membro da mui antiga e Nobre Família dos Black”, como a mãe fazia questão de enfatizar antes de puni-lo. E aquela frase, mais do que qualquer palmada ou horas trancado no quarto sem poder comer ou beber água, o machucavam profundamente.

Quando finalmente fez 11 anos, Sirius foi matriculado na prestigiosa e tradicional Academia Hogwarts, assim como seu pai e todos os outros membros da sua família o tinham feito na sua idade. Mas diferente de todos os outros membros da Família Black, Sirius não foi aceito na Sociedade Sonserina, uma das quatro sociedades internas da academia, mesmo sendo um legado. A cicatriz que ganhou quando retornou para casa naquele verão era um lembrete do descontentamento do pai com mais essa vergonha que ele causou.

No semestre seguinte, com ajuda e influência de seu recém-feitos amigos; James, Remus e Peter, Sirius foi aceito na Sociedade Grifinória. A quarta cama que tinha ficado vaga no semestre anterior, no dormitório dos meninos, finalmente foi ocupada e eles se tornaram inseparáveis pelos anos que se seguiram.

Sua felicidade de fazer parte de uma Sociedade da academia não foi celebrada em casa como ele esperava, já que seu irmão mais novo, Regulus tinha sido aceito na Sonserina, “como todos os bons Blacks,” conforme tinha dito seu pai na primeira noite que os dois voltaram para casa no verão.

Aos 13 anos Sirius fugiu de casa pela primeira vez. Buscou apoio na casa de seus Tios, mas esses informaram seus pais e ele foi devolvido a mansão Black no dia seguinte. Ele ganhou uma nova cicatriz nas costas e a lição de que não podia confiar na sua família.

Aos 15 anos os Potter o convidaram para passar as férias de verão junto a eles numa propriedade no sul da França. Ele retornou sem novas cicatrizes na primavera, seus amigos trocavam olhares contentes ao notar esse fato, mas nunca comentaram isso em voz alta.

Aos 16 anos, após virar várias noite na biblioteca ao lado de Remus, se debruçando sobre livros jurídicos, os dois amigos trocaram o primeiro beijo e descobriram o caminho para o pedido de emancipação de Sirius.Os Potter o acolheram definitivamente naquele verão, Euphemia Potter informou a diretoria da Academia Hogwarts que ela era agora a responsável por qualquer assunto que envolvesse Sirius Black.

Aos 17 anos Sirius e James começaram a trabalhar com Fleamont Potter na empresa da família, “é a união de dois dos meus amores,” o velho Potter tinha dito durante o jantar após os jovens aceitaram a oferta, “meus filhos e minha empresa”. As lágrimas que molharam o travesseiro naquela noite foram lágrimas da mais pura felicidade; a felicidade de alguém que se sentia amado pela primeira vez na vida.

Aos 18 anos Sirius foi se reencontrar com sua prima Andrômeda, que depois de alguns anos longe tinha retornado a Londres.

“Nos, as ovelhas brancas da família Black,” ela brincou durante o almoço, “temos que nos manter unidos.”

Era a primeira vez em muito tempo que ele se reunia com alguém da sua infância. E num momento egoísta ele agradeceu ter sido Andrômeda e não uma das irmãs dela a ser rejeitada. Entre as três filhas de seu tio, ela era a que ele sempre teve mais afinidade.

“Eu também levei esse sentimento comigo por muito tempo”, a prima lhe confessou enquanto estavam os dois sozinhos na varanda após o almoço, “Até que eu percebi que; ser diferente do que nossos pais esperam não nos torna uma pessoa má, não nos tornam indignos de amor,” nesse momento a prima olhava para o marido, Ted Tonks, que lavava o louça do almoço na cozinha do pequeno apartamento, “Existem muitos caminhos “certos” no mundo Sirius, você só precisa escolher o seu, e aqueles que te amam não vão te rejeitar por ser diferente deles. Eles vão aceitar sua diferenças, e te amar ainda mais por elas.”

Naquela noite Sirius pediu que os amigos fossem jantar com a família. Naquela noite ele segurou a mão de Remus por cima da mesa pela primeira vez. Naquela noite ele admitiu quem ele amava, e ele foi amado de volta, como deveria ser.

O relacionamento dos dois não durou, apesar dos dois ainda se amarem daquela maneira que um sempre irá amar seu primeiro amor.

Sirius se mudou para seu próprio apartamento, começou a faculdade, e permaneceu trabalhando com Fleamont mesmo depois que James resolveu sair da empresa.

Teve dois relacionamentos; uma modelo italiana que lhe deu Almofadinhas, seu labrador preto, de presente de aniversário, e um piloto francês que lhe apresentou o mundo das motos. E então resolveu dar um tempo na vida amorosa, o que deixava Euphemia louca “James é um caso perdido com aquelas namoradas toscas dele,” a matriarca brincava, “você é minha esperança de ver um filho se casando antes de morrer Sirius. Onde está aquele jovem piloto? E aquela modelo? Remus ainda está solteiro, quem sabe você dois não voltam… ia ser adorável.” ela dizia todas as vezes que se encontravam no almoço semanal deles.

“Eu li uma vez que você não pode mudar sua ascendência, mas você pode mudar sua herança e é isso que eu pretendo fazer.” ele comentou com os amigos numa noite enquanto estavam os quatro devidamente chapados no apartamento de Peter, com a maconha que Remus tinha confiscado de um de seus alunos naquela semana.

“Isso é você citando um dos livros de Percy Jackson?”,Remus perguntou enquanto passava o baseado para James.

“Sou um fã dos clássicos,” Sirius respondeu e todos deram risada.

Sirius não era uma pessoa difícil, ele sabia disso agora. Ele era carinhoso, fiel, romântico incorrigível, e muitas outras coisas, mas não difícil. Sirius era umas das pessoas mais fáceis de se amar se você desse a chance, e ele tinha aprendido o suficiente sobre o amor com sua nova família e amigos, para parar de sofrer por pais que nunca o amaram de verdade. Ele não precisava mais se contentar com migalhas de amor. E um dia, quem sabe, as preces de Euphemia iriam ser atendidas, e ele iria encontrar uma pessoa especial, alguém que estivesse disposto a amá-lo de forma tão intensa quanto Sirius aprendeu a amar. E tudo continuaria bem.

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