AMOR EM CAMPO

47 Capítulo 50: Despedida


Notas iniciais
Oi, amores! Depois de um feriado leve, cheio de descobertas e conexão… a realidade começa a cobrar o seu preço. Nem tudo que parece perfeito permanece assim por muito tempo. Leiam com calma… porque algumas coisas ditas aqui vão ecoar nos próximos capítulos. 💔🔥

O sol da manhã ainda estava baixo, projetando sombras longas sobre o asfalto. A calçada nunca pareceu tão cheia e, ao mesmo tempo, tão pequena para aquela despedida.

Dona Sônia aproximou-se e Gabriel não esperou o abraço: ele mesmo se inclinou, envolvendo a sogra em um abraço de urso que quase a tirou do chão, fazendo-a rir.

— Vê se não demora a voltar, filho. Na próxima, o bolo de fubá vai estar quentinho te esperando — ela disse, deixando um beijo carinhoso no rosto dele.

— Vou cobrar esse bolo, Sônia!

Marcos deu um passo à frente. O aperto de mão veio firme, mas sem a medição de forças do primeiro dia, e sim acompanhado de um sorriso de canto e um tapinha firme nas costas, um gesto de camaradagem que fez Gabriel sorrir de volta.

— Valeu pelas dicas na grelha, Marcos. — Gabriel piscou para o sogro. — Da próxima vez, eu trago a carne e você só avalia se aprendi a lição.

— Vou cobrar o ponto certo da carne, jogador — Marcos respondeu, com um tom de voz que carregava um respeito novo, genuíno.

Antes de abrir a porta, Micaela veio correndo como um furacão, tropeçando nos próprios pés com um envelope em mãos.

— Ei, Gabe! Não se esqueça disso! — Ela entregou o envelope, ofegante. — É para você lembrar que agora tem uma torcida organizada aqui no interior.

Gabriel abriu o envelope e deu uma risada alta ao ver a foto. Estavam todos lá, espremidos no enquadramento, com a luz do sol filtrada pela mangueira. Ele passou o polegar sobre a imagem de Rafaela na foto e depois olhou para a cunhada.

— Ficou incrível, Mica. Vai direto para o meu mural — ele garantiu, guardando o envelope no bolso da jaqueta, bem protegido. — E treina aquele drible que te mostrei, porque na volta eu não vou facilitar, hein?

Rafaela terminou de abraçar a irmã, sentindo o peito leve ao ver como Gabriel se encaixava perfeitamente ali, como se fizesse parte daquela moldura familiar há anos. Mas, antes de colocar o pé no carro, um chamado conhecido cortou o ar, fazendo o conforto daquele momento evaporar instantaneamente.

— Rafaela!

Ela estacou. A voz era um eco direto da sua infância, carregada de memórias de cheiro de bolo e joelhos ralados.

— Tia Vera!

Vera atravessou a rua quase correndo. O cabelo estava mais curto, com fios grisalhos que cintilavam sob o sol da manhã como fios de prata. O rosto tinha as mesmas linhas firmes que Rafaela admirava, mas os olhos... eles continuavam exatamente iguais: atentos, calorosos e, por trás do sorriso, profundamente inquietos.

Ela a puxou para um abraço apertado, daqueles que tiram o fôlego e cheiram a amaciante de roupa e casa de mãe.

— Menina, você veio mesmo! — disse Vera, segurando o rosto de Rafaela entre as mãos, os polegares ásperos acariciando a pele da garota. — Olha você… toda adulta. Uma mulher feita.

Rafaela sentiu um nó se formar na garganta, o peso daquela nostalgia apertando o peito.

— Acho que isso acontece quando a gente cresce, tia — conseguiu rir, embora o riso soasse um pouco oco para seus próprios ouvidos.

— Para mim, você ainda é a menina que ficava na minha cozinha comendo bolo e fazendo dever de casa com a Letícia — Vera respondeu, sorrindo.

Micaela apareceu atrás delas.

— Eu continuo indo lá comer bolo — anunciou.

— Você nunca perdeu essa habilidade.

Todos deram risada. Então, Vera percebeu Gabriel parado ao lado do carro. Ela inclinou a cabeça, os olhos estreitados naquela análise silenciosa e perspicaz que só mulheres que criaram filhos sozinhas possuem.

— E esse rapaz aqui? — perguntou, a curiosidade brilhando por um segundo.

— Tia, esse é o Gabriel, meu namorado.

Gabriel se aproximou com um sorriso contido, a postura mudando para aquele jeito polido que ele reservava para os momentos em que precisava ganhar a confiança de alguém.

— Prazer, dona Vera.

— Ih, nada de dona — ela o cortou, mas o observou por mais alguns segundos antes de abrir um sorriso aprovador. — Então você é o famoso Gabriel. A Sônia não para de falar de um tal jogador que roubou o coração da filha.

Rafaela sentiu o rosto esquentar sob o olhar divertido de Gabriel e o sarcasmo encostado no portão, onde Marcos assistia a tudo com os braços cruzados.

— As notícias aqui voam, Gabriel — Marcos comentou, com um tom de voz que carregava um respeito novo. — Você já era o assunto da cidade antes mesmo de chegar.

A risada foi geral, mas a alegria não durou muito no rosto de Vera. Ela ainda observava Rafaela, e o brilho divertido desapareceu, dando lugar a uma sombra nublada.

— Rafa... — ela disse, o tom caindo, tornando-se íntimo e urgente. — Vem cá um minutinho.

Ela segurou o braço da garota. A mão de Vera estava fria, apesar do sol, e o aperto era quase desesperado. Ela a puxou para perto do portão de ferro, onde as heras escondiam a visão do resto da família.

— O que foi? — Rafaela estranhou, o coração começando a martelar um ritmo irregular contra as costelas.

Vera hesitou. Ela entrelaçou seus dedos nos de Rafaela, as mãos trêmulas.

— Eu queria te perguntar… — a voz de Vera quebrou, e ela engoliu em seco. — Está tudo bem com a minha Letícia, Rafa?

O coração de Rafaela despencou. O contraste entre a despedida emocionada de antes e o desespero nos olhos de Tia Vera era cruel.

— Ela combinou de vir também. O quarto estava pronto, as coisas que ela gosta na geladeira... Mas, do nada, ela me ligou dizendo que não dava mais. — Vera soltou um suspiro longo, que pareceu carregar um cansaço de séculos. — Ela disse que a loja não deu folga.

— Foi o que ela me falou também, tia — Rafaela mentiu, o gosto de ferro subindo à boca.

Vera balançou a cabeça devagar, os olhos marejados fixos nos de Rafaela.

— Pode ser. Mas mãe conhece a voz, Rafa. Ligo e ela não atende direito, diz que está tudo bem, que está estudando… mas a voz dela… A voz da minha menina está sem vida. — Vera apertou as mãos de Rafaela com força. — Tem um peso ali que ela tenta esconder... eu sinto aqui, no fundo do meu peito, que ela está sofrendo.

O estômago de Rafaela apertou.

— Você é a irmã que a vida deu para ela — Vera suplicou, os olhos implorando por uma verdade que ela temia ouvir. — Se tiver algo acontecendo, se aquele rapaz... se ela estiver em perigo... você sabe que pode me falar, né?

A imagem do hematoma no braço de Letícia brilhou como um neon na mente de Rafaela. O som da voz submissa de Letícia ao telefone ecoou. Ela abriu a boca, a verdade subindo pela garganta como ácido. Mas o medo de piorar a situação de Letícia, ou de quebrar o coração de Vera ali mesmo na calçada, falou mais alto.

— Eu acho que ela só está muito cansada, tia. A faculdade e o trabalho estão exigindo demais dela — disse, por fim, sentindo-se a pior pessoa do mundo por cada palavra proferida.

Vera a observou por um longo silêncio. Um silêncio que dizia que ela sabia que Rafaela estava omitindo algo, mas que ela respeitava o segredo por falta de provas. Ela tocou o braço da garota com um carinho melancólico.

— Fala com ela… diz para vir me ver. Eu só quero abraçar minha filha.

— Eu digo. Prometo.

Rafaela se despediu e voltou para o carro, sentindo as pernas pesadas, como se estivesse caminhando através de lama. O sol parecia brilhar menos. Quando entrou no banco do passageiro e fechou a porta, o barulho metálico soou como o fechamento de uma cela.

Gabriel não deu a partida. Ele a observou, notando a palidez repentina e o jeito que ela apertava o cinto de segurança com as mãos trêmulas.

— O que foi? — perguntou ele, a voz baixa e preocupada.

— Aquela era a mãe da Letícia… — Rafaela disse, a voz quase sumindo enquanto via a silhueta de Vera diminuir pelo retrovisor, ainda parada na calçada, olhando para o nada. — Ela sente, Gabe. Ela sente que a filha está desaparecendo e eu... eu não tive coragem de dizer o porquê.

Gabriel não respondeu, estendeu a mão direita e cobriu a dela, apertando-a com firmeza.

— Você não mentiu para prejudicar, Rafa. Você mentiu porque não tem as respostas ainda.

Rafaela assentiu, mas o pressentimento ruim agora ocupava todo o espaço do carro.

Ele soltou o freio de mão e começou a dirigir, mas seus olhos desviaram por um segundo para o perfil de Rafaela. O estômago dele deu um solavanco que nada tinha a ver com as curvas da estrada.

E agora? Ele pensou, enquanto suas mãos apertavam o volante até o couro ranger. Como vou abrir o jogo com ela sofrendo por essa situação da amiga? Não! Deixa de ser covarde, Gabriel. Não dá mais para olhar para ela desse jeito e esconder essa merda de aposta. Eu imploro o perdão dela de joelhos, aceito que ela me esmurre, mas eu vou resolver isso hoje. Eu preciso ser o homem que o pai dela acha que eu sou.

Acelerou o carro assim que alcançou o asfalto da rodovia. No bolso da jaqueta, a foto da família sorridente parecia pesar uma tonelada. Gabriel queria proteger aquele mundo que acabara de conhecer, mas sabia que, para fazer isso, teria que enfrentar o mundo desagradável que os esperava na volta.

⚽⚽⚽

A viagem de volta seguiu sob uma nuvem cinza. A conversa com a mãe da Letícia pairava no ar, e Rafaela mantinha o olhar fixo na estrada, as mãos inquietas no colo. Gabriel percebeu o nó de tensão nos ombros dela e soube que, se deixasse o silêncio vencer, o retorno para casa seria um tormento.

Ele estendeu a mão e entrelaçou os dedos nos dela, apertando-os de leve.

— Ei, gata… por que não coloca a sua playlist aí? Aquela que tem as músicas que finjo não gostar, mas que já decorei — ele disse com um tom de voz macio, tentando arrancar o primeiro vestígio de sorriso dela.

Rafaela olhou para ele, grata pela tentativa. Ela conectou o celular e, enquanto uma melodia suave preenchia o carro, Gabriel começou a cantar, desafinando propositalmente, o que fez Rafaela encará-lo.

— Deus, ainda bem que o seu lance é futebol, porque se fosse música…

Rafaela soltou uma risada curta, a tensão nos ombros cedendo um pouco.

— O que foi, não gostou? — Ele riu, mudando de marcha. — Faz melhor, então.

Ele deu uma olhada breve para ela, o brilho divertido de volta aos olhos.

​— Ah, esqueci que o seu lance é dança e não música. — Arqueou uma sobrancelha. — Um concurso de funk, sério?

​Rafaela sentiu o rosto esquentar, mas desta vez não era de pura vergonha. Ela se inclinou um pouco na direção dele, o cinto de segurança esticado, e lançou um olhar que Gabriel não conhecia.

— É sério. E olha, Gabriel… se eu ganhei aquele troféu com a plateia da Vila me olhando, imagina o que eu sou capaz de fazer quando a plateia for só você.

​Gabriel quase perdeu o tempo da marcha. Ele apertou o volante com mais força, sentindo o sangue latejar pesado sob a bermuda, enquanto olhava rapidamente para ela, surpreso com a audácia.

— Você não faz ideia do perigo que está correndo dizendo isso com a gente ainda a cinquenta quilômetros de casa, Rafaela — ele respondeu, a voz descendo um oitavo, carregada de intenção.

​— Eu não tenho medo de perigo, amor. — Ela deu um sorriso de canto e voltou a encostar no banco, aumentando o volume da música. — Só espero que você tenha fôlego.

Gabriel passou a dirigir apenas com uma mão no volante e a outra deslizou pela coxa de Rafaela, apertando-a.

— Não vejo a hora de chegarmos. — A voz dele era um sussurro grave, carregado de uma promessa que fez os pelos do braço dela se arrepiarem.

O peso no peito não sumiu, mas o clima entre eles mudou de tom. Não era mais de tensão, era uma vontade de estarem sozinhos, no refúgio deles, onde o mundo não pudesse alcançá-los por algumas horas.

Quando o carro estacionou na garagem da casa dos meninos, a eletricidade entre os dois já estava no limite. No momento em que a porta de entrada se fechou e a chave girou na fechadura, o mundo lá fora — a Letícia, o Marcos, a aposta — tudo deixou de existir.

​Gabriel a prensou contra a porta fechada antes mesmo de ela conseguir acender a luz. Suas mãos, que haviam sido tão contidas na casa dos sogros, agora exigiam o corpo de Rafaela com uma urgência quase selvagem.

— Eu quase enlouqueci naquele quarto, nerdzinha — ele murmurou entre beijos famintos que desciam pelo pescoço dela. — Sentir o seu cheiro, ver você em cima de mim e ter que te mandar embora… foi a coisa mais difícil que já fiz.

Rafaela arqueou o corpo contra o dele, as mãos enroscadas no cabelo de Gabriel, puxando-o para mais perto.

— Você foi um herói, amor. Mas eu não quero um herói agora.

Ele soltou uma risada rouca contra a pele dela.

— Ótimo. Porque eu não pretendo ser nada comportado nas próximas horas.

Entre um suspiro e outro, Rafaela conseguiu afastar o rosto apenas alguns centímetros, a respiração curta.

— Gabe… espera — ela murmurou, os olhos brilhando na penumbra. — Daniel… Diego…?

Gabriel não se afastou. Pelo contrário, suas mãos desciam para a curva da cintura de Rafaela.

​— Não estão. — A voz dele era um sussurro rouco contra a pele dela. — O Daniel foi para a casa da irmã e o Diego saiu com o Lucas. Estamos sozinhos, Rafa. Só nós dois.

Sabendo que o “território inimigo” era, por aquelas horas, um refúgio só deles, Rafaela o puxou pela camisa em direção ao sofá.

Gabriel logo se viu sentado, com ela se encaixando sobre seu colo.

Rafaela sentiu a dureza crescente dentro da bermuda dele e sorriu contra os lábios dele, mordiscando seu lábio inferior com uma audácia que o fez rosnar.

​— Você disse que queria uma demonstração, campeão — ela sussurrou, a voz carregada de uma malícia nova.

Gabriel recostou-se no sofá, o peito subindo e descendo com força enquanto observava Rafaela. Ele esperava que ela se entregasse ao ritmo dele, mas a “nerdzinha” tinha outros planos.

Rafaela espalmou as mãos no peito firme de Gabriel. Ela não tinha pressa. Lembrou-se da provocação no carro e do brilho desafiador nos olhos dele. Lentamente, ela começou a se mover. Inclinou o corpo para frente, deixando os cabelos caírem sobre o rosto dele, enquanto seus quadris começavam a descrever um movimento circular, lento e hipnótico, que ele reconheceria em qualquer baile funk por aí. Ela desceu o quadril com precisão, roçando a intimidade contra a bermuda dele, para logo em seguida subir, forçando-o a encurvar as costas em busca de mais.

Gabriel soltou um murmúrio baixo, as mãos agarrando a bunda dela, tentando ditar o ritmo, mas Rafaela as afastou.

— Não. Apenas olhe.

Ela começou a “quicar” devagar, sentindo cada centímetro dele embaixo dela. O movimento de descida era seco, profundo, seguido de um rebolado que fazia Gabriel perder o fôlego. Os olhos dele estavam escuros, fixos no jeito que o quadril dela se movia com uma consciência absoluta do poder que tinha.

— Porra, Rafaela… — Gabriel arfou, a voz embargada pelo prazer. — Você vai me matar desse jeito.

Rafaela riu, um som de puro deleite, e aumentou a velocidade. Ela estava no controle, utilizando cada técnica daquela dança sensual para levá-lo ao limite. A sala estava imersa no som da respiração ofegante dele, completamente rendido ao espetáculo que ela estava dando sobre o seu corpo.

Foi só quando ele não aguentou mais ser apenas espectador que ele a ergueu com facilidade, as pernas dela circulando sua cintura, e a levou em direção ao quarto. No momento em que atravessaram o batente, o Gabriel “bom moço” que o Marcos conheceu ficou da porta para fora. Ali, ele era apenas o homem que a desejava mais do que qualquer aprovação.

Ele a despiu sem pressa, cada peça caindo no chão como um passo em direção ao abismo. Quando ele finalmente a deixou apenas de lingerie, o calor entre os dois era quase insuportável. Gabriel percorreu o caminho até o ventre dela com beijos vagarosos, até que, sem pedir licença, separou suas pernas e a torturou com a língua sobre a renda da calcinha já úmida, ignorando as súplicas urgentes dela.

— Eu disse que você ia me pagar — ele murmurou contra a pele dela. — Por cada segundo daquela tortura na casa dos seus pais.

Ele puxou a peça para o lado com os dentes, devagar, como quem saboreia a antecipação… Quando finalmente a possuiu com a boca, Rafaela perdeu o controle. Seus gemidos não pediam discrição; eram sons altos, quebrados. Ela gozou na língua dele com um grito abafado. Ela o puxou para cima com força, os olhos faiscando.

​— Me come, por favor.

Gabriel obedeceu, virou-a de lado e encaixou-se atrás dela, os corpos alinhados, as respirações se encontrando no mesmo ritmo.

Com calma, ele puxou a calcinha de Rafaela para baixo, passando-a pelas coxas. O corpo dela se arrepiava sob seu toque, com uma mistura de desejo e expectativa.

A ponta já molhada do pau dele roçava nela, provocando, explorando. Gabriel experimentou a sensação do calor úmido da boceta dela envolvendo os movimentos delicados que ele realizava com os quadris.

Ele a penetrou de uma só vez, profundo, intenso, possessivo, fazendo os dois emitirem gemidos contidos, repletos de tensão e alívio. A conexão entre eles era crua, viva, sem disfarces, só pele, calor e confiança. Gabriel começou a estocar com força, segurando suas coxas abertas, os movimentos ritmados e intensos. Cada estocada era marcada pelo som de seus corpos se encontrando, e o som ainda mais forte dos gemidos de Rafaela era entrecortado por risadas curtas, quase incrédulas, que expressavam o prazer que a invadia.

— Você gosta, né, Rafaela? — Ele segurou firme aqueles quadris que se moviam com tanta luxúria. — Gosta quando eu te pego assim…

— Sim! Não pare!

— Não vou parar nem se você implorar. — Eu… não imploro — ela desafiou, arqueando as costas e rebolando contra ele.

Gabriel soltou um riso baixo, perigoso.

— Engraçado… Porque há segundos você estava implorando para que eu te comesse.

Ele a puxou para trás, colando o peito dele nas costas dela. Seus dedos deslizaram lentamente até encontrarem o clitóris dela, aumentando o ritmo das estocadas ao mesmo tempo em que a estimulava com uma crueza impiedosa. Rafaela tentava resistir, mas a necessidade era incontrolável.

— Gabriel…

— Pede… implora, Rafaela. Implora que eu te deixo gozar — ele sussurrou no ouvido dela.

Ela travou a mandíbula, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o lençol. O prazer era uma marreta batendo contra a sua resistência, mas o orgulho ainda tentava lutar. Ela negou com a cabeça, um som gutural preso na garganta, enquanto o toque dele no clitóris se tornava uma tortura elétrica. Gabriel não cedeu; ele diminuiu a velocidade da estocada, deixando-a no limite do abismo, mas sem deixá-la cair. A ausência do ritmo foi o golpe final.

— Eu imploro! — A voz dela saiu falha, estilhaçada.

— Mais alto, porra. Quero ouvir.

— Por favor… eu imploro. — Ela fechou os olhos e gritou, a rendição finalmente completa.

— Implora pelo quê? Seja clara.

— Imploro por você… imploro para que não pare de me fazer sua. Por favor… diga que eu sou sua, Gabriel! — ela exclamou, seu corpo se curvando de tal forma que a cabeça tombou no ombro dele, a rendição total exposta na linha do pescoço.

Gabriel parou. O movimento cessou, mas a tensão no quarto triplicou. Ele sentiu as palavras subirem como ácido, queimando o filtro que ele tentou manter por meses. Ele a virou com uma força possessiva, as mãos enterradas no cabelo dela, obrigando-a a encarar o caos nos olhos dele.

— Minha — A voz dele saiu rasgada, um rosnado que vibrou no peito dela. — Cada centímetro seu me pertence, Rafaela. Eu te amo, porra! Você entendeu? Eu te amo tanto que sinto que vou morrer se você não for minha.

O silêncio que se seguiu àquelas palavras foi mais barulhento do que qualquer gemido. Rafaela sentiu o corpo paralisar por um milésimo de segundo, o ar preso nos pulmões. Eu te amo. As palavras dele ecoaram nas paredes do quarto, misturando-se ao cheiro de suor e desejo.

Rafaela o encarava, os olhos úmidos e dilatados encontrando os dele. Havia choque ali, mas também uma aceitação profunda, como se aquela confissão fosse a peça do quebra-cabeça que ela tinha receio de encaixar.

Gabriel, percebendo o impacto do que dissera, não recuou. Pelo contrário. Ele se encaixou sobre ela com uma urgência renovada, prendendo as pernas dela ao redor de sua cintura. Ele a encarou com uma vulnerabilidade que o tornava ainda mais perigoso.

— Eu não queria ter dito assim — ele confessou, a respiração batendo contra o rosto dela, a voz carregada de uma honestidade brutal. — Não era para ser no meu quarto bagunçado, depois de te fazer implorar… Mas eu não aguento mais guardar isso, Rafaela. Eu amo você.

Rafaela sentiu uma lágrima solitária escapar e escorrer pela têmpora. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, puxando-o para um beijo que não era mais sobre luxúria.

— Então não guarda — ela sussurrou contra os lábios dele, a voz trêmula, mas decidida. — Porque eu também te amo, Gabriel. Mais do que achei que fosse capaz de amar.

Gabriel fechou os olhos por um segundo, encostando a testa na dela, e soltou uma respiração pesada, como se um peso de toneladas tivesse saído de seus ombros. O sorriso que surgiu em seu rosto depois disso foi a coisa mais encantadora que ela já tinha visto; não era um sorriso convencido, era o sorriso do homem que ela amava. Gabriel a abraçou com força, fundindo seus corpos de novo, e voltou a se mover. Mas agora o ritmo era diferente. Não havia mais a urgência de dominar, mas a necessidade de pertencer. Eles se olhavam nos olhos a cada estocada, testemunhando a entrega um do outro.

Ele sabia que o timing tinha sido o pior, mas, pela primeira vez na vida, ele não se importava com o plano. Ele tinha dito. Ela tinha dito de volta. O resto do mundo que se dane.

Quando alcançaram o clímax juntos, foi devastador. O nome dele escapou dos lábios de Rafaela num gemido entrecortado. Gabriel a puxou contra si, com o corpo todo retesado, enquanto se derramava dentro dela, sentindo a própria vida pulsar contra o útero de Rafaela.

A calmaria que tomou conta do quarto não era vazia; era pesada, morna e total. Apenas o som das respirações pesadas e descompassadas preenchia o espaço. Gabriel ainda estava sobre Rafaela, o peso de seu corpo servindo como uma âncora que a mantinha presa àquela realidade perfeita. Ele beijou o ombro dela, a pele ainda úmida de suor, e enterrou o rosto na curva do pescoço dela, tentando regular os próprios batimentos cardíacos.

Aos poucos, a adrenalina foi cedendo espaço para a clareza. E, com ela, a realidade bateu à porta.

Gabriel se apoiou nos cotovelos, erguendo o rosto para encará-la. A expressão de pura satisfação deu lugar a um vinco de preocupação entre as sobrancelhas. Os olhos escuros varreram o rosto de Rafaela.

— Rafa… — A voz dele saiu rouca, quase um sussurro arrastado. — Puta merda. A gente não usou nada.

Rafaela piscou, os sentidos ainda entorpecidos pelo prazer recente, e demorou um segundo para processar a frase. Quando o fez, um sorriso tênue e tranquilizador despontou em seus lábios. Ela ergueu a mão, deslizando os dedos pelos cabelos desgrenhados dele.

— Tudo bem, campeão, respira — ela murmurou, a voz macia, deslizando os dedos pelos cabelos desgrenhados dele. — Eu sei que você é o mestre da precaução, mas tá tudo sob controle. Eu nunca esqueço a cartela, você sabe. Estamos seguros.

Gabriel soltou o ar de uma vez só, os ombros relaxando visivelmente, como se tivessem tirado uma bigorna de suas costas. Ele encostou a testa na dela, fechando os olhos.

— Caralho, eu me perdi completamente, nerdzinha. — ele confessou, deixando um beijo rápido nos lábios dela antes de rolar para o lado, puxando-a imediatamente para o seu peito. Rafaela se aninhou ali, a cabeça repousando sobre o coração dele, que ainda batia forte. — Eu nunca vacilei assim. Mas ver você rebolando em cima de mim daquele jeito, ouvir você pedir… eu não consegui pensar em mais porra nenhuma. Minha cabeça simplesmente apagou.

— Acho que a gente estava precisando não pensar um pouco — Rafaela admitiu baixinho, traçando círculos invisíveis no peitoral dele.

Gabriel sorriu, a mão grande subindo e descendo pelas costas nuas dela em uma carícia protetora. O clima entre eles era de uma intimidade tão profunda que parecia que conheciam cada pedaço da alma um do outro há anos.

— E sobre o que eu disse… — Gabriel recomeçou, o tom de voz mudando, perdendo qualquer traço de brincadeira. Ele segurou o queixo de Rafaela, inclinando o rosto dela para poder olhar diretamente no fundo dos seus olhos. — Sei que sou um desastre. Eu tinha prometido a mim mesmo que não diria isso assim. Eu queria que fosse no silêncio, num momento em que você não tivesse dúvida nenhuma de que é o meu coração falando, e não só o meu tesão.

Rafaela sentiu a garganta apertar, os olhos marejando de novo com a intensidade daquele olhar.

Ele deu um sorriso amargo, uma vulnerabilidade crua brilhando nos olhos.

— Mas eu não aguentei. Eu passei o feriado inteiro olhando para você e sentindo isso entalado na garganta. Ver você lá com a sua família e depois ver você aqui, desse jeito... as palavras simplesmente arrombaram a porta. Eu amo você, Rafaela. Pra caralho. E não é do momento. É de verdade.— Ele repetiu, firme, as palavras soando como uma promessa irrevogável na penumbra do quarto.

Rafaela sorriu, uma lágrima silenciosa escapando e molhando o peito dele.

— Eu também te amo, seu convencido arrogante. — Ela se ergueu o suficiente para beijá-lo, um beijo doce, demorado e carregado de certezas. — E eu não mudaria nada. Nem o lugar, nem o momento caótico. Foi perfeito.

📚📚📚

Cerca de duas horas depois, o suor esfriava na pele e a bolha deles parecia impenetrável. Mas, enquanto os dedos de Gabriel faziam cafuné nos cabelos dela, a mente racional de Rafaela começou a despertar doentorpecimento. A imagem de Dona Vera, com o rosto vincado de preocupação, invadiu seus pensamentos como um alarme distante.

Rafaela suspirou, sentindo um frio súbito na barriga que nada tinha a ver com a temperatura do quarto.

— Preciso ir para casa, Gabe — ela disse baixinho. — Preciso falar com a Letícia. A conversa com a mãe dela não sai da minha cabeça.

Gabriel suspirou, apertando o abraço.

— Eu sei. Eu vou com você. Mas, Rafa… se aquele cara estiver lá, se ele falar qualquer coisa… você deixa que eu me resolvo com ele, entendeu?

Rafaela assentiu. Ela tomou um banho rápido, vestiu-se com uma camiseta dele e um short jeans, sentindo o corpo leve, mas a mente pesada. Gabriel a levou até em casa.

Quando chegaram, o silêncio era absoluto. Rafaela girou a chave, esperando ouvir o som da TV ou a voz da amiga ao telefone. Mas o que encontrou foi um vazio gelado.

— Lê? — Ela chamou, entrando na sala. Nada.

Ela caminhou até o corredor, o coração começando a acelerar sem motivo aparente. Quando empurrou a porta do quarto de Letícia, o choque a atingiu fisicamente. O quarto estava limpo demais. Impessoal demais. As portas do guarda-roupa escancaradas mostravam apenas cabides vazios balançando levemente com a corrente de ar.

— Gabriel… — a voz dela falhou.

Ele apareceu atrás dela, o semblante fechando-se imediatamente ao ver o vazio.

— Ela foi embora?

Rafaela deu um passo para dentro e viu o pedaço de papel lilás — a cor favorita da amiga — em cima da cama desfeita. Ela pegou o bilhete com as mãos trêmulas.

“Rafa, me desculpa. O Gui e eu decidimos que é melhor eu morar com ele a partir de agora. Ele diz que vai ser melhor para eu me focar. Já paguei meu aluguel adiantado. Por favor, não me procure por enquanto; preciso de espaço. Te amo.”

Rafaela deixou o papel cair. A “bolha” de felicidade em que ela estava há poucos minutos estourou, deixando apenas um vazio gelado no lugar.

— Ele a levou, Gabriel. — Ela se virou para ele, os olhos transbordando, a voz embargada pelo pavor. — A tia Vera estava certa. Ele levou a minha amiga e eu… eu o ajudei mentindo para a mãe dela.

Gabriel a puxou para um abraço, apertando-a contra o peito. Ele olhou por cima da cabeça de Rafaela, para o quarto vazio e impessoal, e sentiu o estômago revirar. No bolso da jaqueta, a foto da família na churrasqueira parecia queimar sua pele.

Ele tinha vindo até ali decidido a contar tudo. Tinha planejado cada palavra da confissão sobre a aposta assim que resolvessem as coisas com a Letícia. Mas, ao sentir os soluços de Rafaela contra sua camisa e ver o desespero dela pela amiga, Gabriel travou.

Como ele poderia dizer que o amor deles era fruto de uma mentira, quando ela acabara de levar um golpe daqueles?

Ele fechou os olhos, a culpa subindo pela garganta como fumaça negra. O momento tinha morrido. E, ao enterrar a verdade mais uma vez, Gabriel soube que, quando ela finalmente saísse, não seria uma confissão. Seria uma explosão.

— Vai ficar tudo bem, Rafa — ele mentiu, a voz firme por fora e estilhaçada por dentro. — Eu prometo.

Mas ele sabia que algumas promessas custavam caro demais para serem mantidas.


Notas finais
Bom… temos que admitir: houve uma confissão aí. Não foi exatamente a que a gente esperava… mas teve. 😅 Agora, vamos ser sinceros? Quem é que conseguiria revelar uma verdade cabeluda como essa… com a amada rebolando no seu colo? 👀 E, para piorar, logo depois de ver ela sofrendo pela partida da amiga… O destino (ou a autora que vos fala👀) claramente não está colaborando com o Gabe. 💔 O amor deles é real… mas nasceu de uma mentira. E agora? 💭 Será que o Gabriel vai criar coragem de contar a verdade ou será que essa bomba vai explodir na cara dele antes? 💭 Se você fosse a Rafaela, correria atrás da Letícia, ou respeitaria o espaço dela? Quero teorias. Quero surtos. Quero opiniões sinceras. 👇