AMOR EM CAMPO
36 Capítulo 35: Petrópolis

Na manhã da viagem, a mente de Rafaela sabotou o despertador, acordando-a minutos antes do horário programado. O quarto ainda estava mergulhado na penumbra cinzenta de sábado, e a quietude do apartamento parecia amplificar o ruído dos seus próprios pensamentos. Deitada de costas, encarando o teto, ela sentiu o primeiro sobressalto no estômago. Não era ansiedade por algo performático; era apenas a consciência tranquila de que aquela viagem traria novas camadas para o que eles estavam construindo.
Já a tarde, o banho morno ajudou a espantar o resto da tensão em seus ombros. Ao vestir o vestido verde-musgo macio que escolhera, acompanhado de tênis baixos e a jaqueta jeans prática, encarou o próprio reflexo. Na bolsa, a caixinha de preservativos comprada no dia anterior não era um grande símbolo, apenas um cuidado prático.
Quando a buzina de Gabriel soou lá fora, seu peito deu um salto familiar.
Ao descer, encontrou-o encostado no carro, vestindo a camisa polo oficial dos Falcões. A postura era relaxada, mas Rafaela notou o os ombros sutilmente rígidos: a tensão do capitão antes de uma decisão estava ali.
— Pronta? — perguntou ele, abrindo um sorriso que desfez a rigidez do seu rosto no mesmo instante.
— Pronta — ela respondeu, deixando a mochila no banco traseiro. — E você?
Gabriel deu a partida, soltando o ar devagar.
— Nervoso. Mas pronto.
Rafaela sorriu de canto, aquecida pela honestidade dele.
No ponto de encontro da universidade, o clima entre os jogadores era de concentração. Antes de embarcar, Gabriel segurou o rosto de Rafaela com as duas mãos e deixou um beijo demorado em seus lábios.
— A gente se fala assim que terminar. Vai com a Sabrina, tá?
— Pode deixar. Bom jogo.
No segundo ônibus, Sabrina acenou assim que viu Rafaela entrar. Ao lado dela, Jennifer e outras garotas conversavam sobre a serra. Durante o trajeto até Petrópolis, a energia descontraída permaneceu no ar.
O estádio das quartas de final era rústico, com arquibancadas de concreto onde o eco da torcida multiplicava a pressão.
Quando o jogo começou, a intensidade física foi imediata. Aos vinte minutos do segundo tempo, o estádio prendeu a respiração: Gabriel dominou uma bola de costas e recebeu uma entrada rasteira e violenta. O som do impacto fez Rafaela ficar de pé num estalo, as mãos frias unidas contra a boca.
Gabriel permaneceu no chão por instantes que pareceram horas. Quando finalmente se levantou, recusou a maca, mancou por três passos sob o olhar atento do médico e fez sinal para o banco: continuava.
A falta era na entrada da área. O camisa dez posicionou a bola, deu passos para trás e ajustou a postura. Correu e atingiu a bola com um impacto limpo. Ela superou a barreira por centímetros e morreu no ângulo.
O setor dos Falcões explodiu. Rafaela gritou junto com Sabrina no meio do abraço coletivo. No campo, ao caminhar de volta, Gabriel buscou a arquibancada, encontrou os olhos dela e fez um gesto rápido de coração com as mãos antes de recompor a defesa até o apito final. Vitória por 1 a 0.
A comemoração aconteceu numa churrascaria pequena, próximo ao hotel. As mesas longas de madeira juntavam atletas, comissão e acompanhantes em uma atmosfera barulhenta e calorosa.
Rafaela sentou-se ao lado do namorado. Ele parecia exausto, mas calmo. Por baixo da mesa, a mão dele encontrou a mão dela em um aperto constante e reconfortante.
— Rafaela, você devia ver sua cara quando ele caiu — brincou Sabrina, entre risos. — Achou que tinha acabado a temporada ali, né?
— Eu já estava pronta para invadir o campo e dar na cara daquele zagueiro! — Rafaela confessou, rindo junto com a mesa.
— E ele ainda teve a coragem de levantar e bater aquela falta — completou Sabrina.
Diego, ao lado dela, engatou entre garfadas:
— O ego dele nunca o deixaria sair de maca em um jogo de quartas de final. Nem se a perna estivesse pendurada.
Sabrina deu uma risada sincera, concordando. Gabriel apenas balançou a cabeça, sorrindo, sem se dar ao trabalho de negar.
— Vocês falam demais — Gabriel murmurou, virando-se para Rafaela e aproximando a boca do ouvido dela. — Está cansada?
— Um pouco — ela respondeu, cobrindo a mão dele com a sua. — E você precisa descansar esse joelho.
⚽️📖⚽️
O quarto do hotel era simples e acolhedor: cama ampla, iluminação indireta e o zumbido suave do aquecedor amenizando o frio da serra.
Rafaela tomou banho primeiro. Logo em seguida foi Gabriel, que demorou sob a água quente, tentando aliviar a musculatura castigada pela partida.
Saiu vestindo apenas uma bermuda cinza e uma camisa escura, com uma toalha nos ombros e os cabelos ainda úmidos.
Parou por um instante junto à porta, observando Rafaela sentada no meio da cama, usando sua camiseta preta de algodão.
— Se continuar confiscando minhas roupas, vou precisar refazer o guarda-roupa antes do fim do campeonato — comentou, caminhando até a beirada do colchão.
— E você sabe perfeitamente que não vou devolver nenhuma — rebateu ela, ajeitando a barra larga que cobria suas coxas. — São muito mais confortáveis que a as minhas.
— Sua sorte é que você fica gostosa demais nelas — disse ele, secando os fios com a toalha antes de jogá-la numa cadeira. — Quer assistir a alguma coisa até pegar no sono? A gente pode terminar de assistir àquela série sobre epidemiologia e vírus mortais?
— O nome da série é Zona de Quarentena, Gabriel. E para de fingir que você não gostou, porque eu vi você procurando vídeos sobre ela no TikTok.
— Não estava procurando! Apareceu por acaso, eu curti sem querer e agora o algoritmo não me dá trégua.
— O algoritmo, né? Tá bom! — ela ironizou, dando um risinho. — Admite logo que você ficou obcecado pelo virologista da segunda temporada.
— Ele tinha uma boa estratégia de contenção, beleza? — Defendeu-se, rindo.
Ele puxou o edredom, acomodando-se contra a cabeceira e abriu o braço para ela. Rafaela deslizou para o seu lado apoiando a cabeça no peito dele, sentindo o calor constante e o cheiro fresco de sabonete.
Ele ligou a TV em volume baixo e começou a traçar linhas lentas no braço dela com a ponta dos dedos. A atenção de ambos, no entanto, passava longe da tela.
— Tá confortável, nerdzinha?
— Bastante — respondeu ela, com os dedos contornando a tatuagem na costela dele por baixo da blusa. — Mas você está muito quieto. O joelho está doendo?
— Não. Só tô aproveitando o momento — Gabriel confessou, virando o rosto para encará-la. — Para ficar assim com você...
— Ficar assim? Só abraçados?
— É. Até enjoar — encostou a testa na dela, os olhares se cruzando de perto. — O que significa que a gente vai ficar aqui para sempre.
Os dedos dela deslizaram da costela até o cós da bermuda dele, segurando o tecido com firmeza.
— É bom saber — sussurrou, a voz perdendo a compostura habitual e ganhando um tom provocativo. — Mas não tô muito a fim de passar o resto da noite só no abraço.
Gabriel pegou o controle remoto e desligou o aparelho sem desviar os olhos dos dela, largando o aparelho sobre a mesinha de cabeceira.
— E o que você tem em mente?
Afastando a coberta, Rafaela sentou-se sobre as coxas dele. Apoiando as mãos abertas no peito de Gabriel, sentindo as batidas aceleradas sob sua palma.
— Um certo desafio que temos pendente. Lembra?
— Se eu lembro? Passei as últimas semanas pensando nisso, Rafaela — confessou ele, aproximando o rosto e roçando os lábios no pescoço dela. — E o desafio continua de pé.
Num movimento seguro, inverteu as posições, deitando-a contra o colchão e ficando sobre ela.
A boca dele tomou a dela sem pressa, aprofundando o contato enquanto as mãos de Rafaela encontravam seus ombros.
O beijo desceu até a base da garganta, sugando a pele sensível e arrancando um suspiro baixo dela. A mão dele desceu pelo corpo dela, puxando a camiseta larga para cima e tirando-a pela cabeça de uma vez, deixando-a apenas de calcinha.
— Gabriel… — ela arfou quando ele mordiscou seu mamilo sensível e seguiu caminho até o umbigo.
— Fala, gata — ele sussurrou rente a pele do ventre dela. — Eu tô ouvindo.
Rafaela ergueu o corpo de leve, buscando a boca dele, mas Gabriel segurou suas pernas contra a cama.
— Calma. Cadê aquela postura racional de garota prodígio?
Rafaela enroscou os dedos nos cabelos dele, puxando-o para cima até que seus rostos ficassem próximos:
— A garota prodígio passou os últimos dois anos ouvindo boatos de que o camisa dez é inesquecível na cama. Mas acho que essa fama toda é só papo furado. Nem deve ser isso tudo.
Gabriel parou por um segundo, pego de surpresa. Em seguida, desenhou um sorriso ladino:
— Você é abusada pra caralho, sabia? E é por isso que eu sou completamente maluco por você.
Rafaela nem teve tempo de rebater. Gabriel despiu a peça de renda em um movimento decidido. Ajoelhado entre as pernas dela, acomodou as coxas de Rafaela sobre os próprios ombros e afundou a boca no centro úmido dela.
Rafaela fechou os olhos por instinto, mas a voz dele a trouxe de volta:
— Não. Fica aqui comigo — ele pediu num sussurro, pressionando o polegar com precisão e fazendo o corpo dela se erguer sem controle. — Sem pensar em nada. Só me sente.
Gabriel trabalhava com habilidade, lambendo de baixo para cima, sugando o clitóris dela num ritmo devastador firme e cadenciado.
— Biel… por favor… — pediu ela num gemido entrecortado.
Ele ergueu o rosto, com a boca molhada do suco dela, num traço sacana.
— "Por favor" o quê, Rafa? Quer que eu pare?
— Não porra! Não! — ela protestou, puxando-o pelos fios de volta para o meio das suas coxas.
Ele riu triunfante, usando a língua e os dedos experientes, sabendo exatamente onde insistir para fazê-la perder a compostura no lençol.
O clímax a atingiu Rafaela em ondas nítidas, fazendo seu corpo se contorcer contra o rosto dele. Gabriel continuou ali por mais alguns segundos, limpando-a com batidas lentas de língua até arrancar o último suspiro.
Sem dar tempo para a respiração dela estabilizar ele, livrou-se da bermuda e a cueca de uma vez, revelando o pau ereto, veioso e pronto. Abriu o preservativo que estava na carteira sobre a mesinha, coloco-o sem quebrar o contato visual e se posicionou sobre ela. Prendeu os dois pulsos de Rafaela acima da cabeça dela e prendeu-as contra o colchão com apenas uma das mãos.
Com a outra, ele guiou a cabeça do pau na entrada dela e afundou de uma vez só, preenchendo-a por inteiro.
Rafaela gemeu alto, abrindo a boca em busca de ar. A sensação de tê-lo tão fundo, tão grande e quente dentro dela fez sua mente flutuar.
— Gostoso, né? — ele sussurrou perto da orelha dela, o quadril engatando um movimento forte e constante. — Diz para mim, Rafa. É tudo isso mesmo?
— Idiota… — ela soltou, enlaçando a cintura dele com as pernas. — Continua. Não para.
Ele manteve a intensidade, o choque dos corpos fazendo a cabeceira de madeira bater contra a parede.
— Olhe para mim — ele ordenou, soltando os pulsos dela para entrelaçar os dedos aos seus sobre o travesseiro.
Rafaela abriu os olhos marejados de prazer. Gabriel aumentou as estocadas, afundando com um encaixe que tirava o fôlego dela.
O corpo dela respondeu em espasmos enquanto deixava escapar o nome dele em um grito abafado.
Gabriel cobriu a boca dela com a sua, contendo o som no beijo.
— Shhh… quer acordar o hotel inteiro, nerdzinha?
Rafaela recuperava o fôlego aos poucos, os músculos pesados demais para obedecerem direito. Abriu os olhos devagar e encontrou o sorriso convencido dele.
— Não se acostuma — murmurou, sem fôlego. — Foi um caso isolado.
Gabriel soltou uma risada baixa.
— Sei.
E, antes que ela formulasse outra desculpa, ele a virou deixando-a de quatro no colchão e acomodando-se logo atrás. Suas mãos subiriam pelas coxas dela até se firmarem na cintura, ajustando o ângulo.
— Você não tem noção do espetáculo que é te ver assim de quatro pra mim. Você é perfeita pra cacete. Olha isso...
Rafaela apoiou os cotovelos nos travesseiros e empinando o quadril rebolando contra ele.
— Gostou, capitão?
Ele roçou a cabeça ereta do membro na intimidade úmida e aquecida dela, inclinando o corpo por cima até colar o peitoral suado nas costas dela.
— Adorei — ele murmurou contra a nuca dela, puxando os cabelos dela levemente para o lado para morder a orelha dela.
Gabriel a segurou com força e entrou de uma vez, arrancando um arfar imediato. Ela mordeu o lábio para conter o som que subiu pela garganta.
Ele ditou um ritmo firme, estalando a palma contra a bunda dela a cada investida mais profunda, arrancando o que restava de fôlego nela.
— Puta merda, você tá me apertando demais… — murmurou rouco.
— Mais forte! — ela exigiu, totalmente entregue àquela loucura.
Gabriel acelerou, entrando com toda a força. O corpo de Rafaela travou sob o impacto de um novo orgasmo, as paredes internas acolhendo cada avanço dele.
Sentir as contrações dela desfez o autocontrole do atacante. Ele cravou os dedos na pele da cintura dela e gozou com um urro abafado contra a curva do pescoço de Rafaela, descarregando tudo no látex.
Minutos depois, Gabriel deitou-se de costas ao lado dela, o peito subindo e descendo no esforço de retomar o ar. Suado e exausto, virou o rosto no travesseiro para encará-la.
Ela repousava de bruços, com os fios desgrenhados e um sorriso cansado no canto da boca.
Gabriel puxou a perna dela sobre a sua, aninhando-a num contato calmo.
— E aí, nerdzinha? — ele a chamou, a voz arrastada. — Passei no teste científico ou vou ter que fazer de novo para te convencer?
Rafaela riu, deitando a cabeça no peito do namorado e deu um beijinho na pele dele.
— É… até que você quebra um galho. Mas acho bom você se recuperar logo para a gente repetir, só para eu ter certeza do resultado da amostragem.
Gabriel gargalhou, abraçando-a com força e beijando o topo da cabeça dela.
— Você não existe… mas falando sério: não ficou pensando em fungos ou relatórios, ficou?
— Quer mesmo saber a verdade?
— Tenho até medo, mas quero.
— Nas outras vezes… com outras pessoas… eu ficava calculando o tempo: "Quanto falta? Preciso estudar. Tenho que comprar pó de café. Será que aquele relatório vai dar certo?" — confessou ela, em voz baixa e sincera. — Com você, Gabriel… eu nem lembrei que tinha uma cabeça.
Gabriel parou o carinho que fazia nas costas dela. Ergueu-se sobre o cotovelo e a encarou, surpreso, antes de abrir um sorriso largo e genuíno.
— Essa foi a melhor coisa que você já me disse — admitiu, o tom descontraído dando lugar a um carinho desarmado antes de puxá-la para um beijo calmo.
Rafaela fechou os olhos, sorrindo contra os lábios dele. Naquele quarto na serra não havia hipóteses para checar nem defesas para sustentar. Ela estava ali, inteira, e isso era mais do que suficiente.
Fale com o autor