AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

4 Capítulo 4 - EU SOU VITIMA OU SOU VILÃ?


Às 19h eu já estava na estação, um pouco nervosa, mas aparentemente bem. Minha mãe ficou surpresa com o fato de que eu iria dormir fora, ela adorou a ideia, já que sempre me via trancada dentro do quarto estudando. As meninas chegaram logo após de mim, para meu conforto não estavam exageradamente arrumadas.

— Nossa, acho que é a primeira vez que te vejo sem farda – Hazel levantou um olhar – Caprichou!

— Acham que estou muito chamativa? – Perguntei preocupada.

— Não, você está ótima – Piper ressaltou.

Eu estava com um vestido de alça, um pouco solto, um casaquinho Jeans e, um daqueles tênis da moda que combina com vestidos. Eu havia ganhado esses presentes da vovó Anna e, sempre os usava para saídas desse tipo, eles eram os chamados “bate e torce”.Eu não gostava muito de me preocupar com meu cabelo, então, eu apenas o prendi em um rabo de cavalo e, já fiquei satisfeita.

— Faltou apenas uma maquiagem – Hazel lembrou

— Eu não tenho maquiagem – Eu disse em desanimo.

— Por isso que sua cara é lisa... Que inveja – Piper sorriu e, futucou a bolsa – Toma, passa isso... É um brilho.

— Ok! – Eu o peguei e, passei. – Mas você deveria parar de falar de mim, quando também não faz algo. Você também não usa maquiagem. – Eu revirei os olhos e, lhe entreguei de volta o brilho.

— Perfeito! – Hazel deu um risinho.

Nós esperamos por alguns minutos, conversamos sobre como agiríamos nessa noite e, ressaltamos o fato de que eu não podia perder a “oportunidade”

— É o carro do pai dele ali – Piper disse reconhecendo imediatamente.

O carro parou no estacionamento de taxi e, nós entramos timidamente, Frank estava no banco do passageiro e, nos deu uma boa olhada.

— Boa noite meninas! – Frank disse – Uau Annabeth, você está um arraso.Piper você é sempre fofa assim? Hazel, você é bem diferente sem farda, deveria começar a ir sem ela para a escola. – Frank riu.

— Idiota! – Hazel resmungou

Jason virou-se para me encarar, ele piscou algumas vezes, depois sorriu para mim um pouco envergonhado. Eu corei. Hazel deu uma piscadela para mim e, um joinha. Eu fingi que nem vi.

O caminho foi um pouco demorado, eles conversavam, mas eu estava nervosa demais para entrar no clima. De vez em quando eu podia ver Jason me olhando pelo retrovisor do meio, eu gostava disso, mas ao mesmo tempo meu coração parecia que ia explodir.

— Porque vocês resolveram vir? – Frank perguntou

— Vamos aproveitar a saída para um tipo de comemoração – Hazel disse imediatamente – Da aprovação da Annabeth, na universidade.

— A federal – Jason lembrou – Legal, parabéns Annabeth.

— Obrigada! – Eu disse envergonhada e encarei Piper ao meu lado e, ela segurava uma risada.

Assim que chegamos, senti a sensação de estar indo fazer uma prova para concurso publico. Nada segura e, um pouco impaciente. Eu nunca tinha entrado em um espaço para jogos, era muito social, as pessoas se reuniam em cada setor de jogos, tinha lanchonetes, sofás acolchoados, mesas redondas chamativas, um clima de frio perfeito e, muita risada.

Um dia irei trazer minha mãe e, vovó Anna aqui. Eu pensei sorrindo.

— Você está linda! – Jason veio até meu lado. Eu corei.

— Obrigada! – Eu disse quase gaguejando

— Vamos para o setor de boliches – Ele disse sorrindo e, se juntou ao resto do pessoal.

Quando chegamos pude logo avistar rostos conhecidos. Selena, Caly, outros dois amigos do Jason, algumas amigas da Selena e, Percy. Os olhares deles em nós foi bastante engraçado, acho que ninguém esperava que fossemos.

— Somos o balde de agua fria nas garotas – Hazel disse rindo

— Isso vai ser divertido – Piper sussurrou com desanimo

Nós nos sentamos juntas em um dos estofados perto da pista de boliche. Percy passou o olhar por nós três como se tivesse pensado “O que o Jason tem na cabeça?”, ele era muito mais atraente sem farda e, tinha uma tatuagem no seu bíceps, algo bem tribal e, que contornava seu musculo. Talvez as garotas tivessem razão, olhando bem, Percy parecia ser mais popular que o Jason. Caly, a garota do “quase sexo”, estava ao seu lado, eles realmente pareciam um casal, embora eu achasse o Percy um pouco frio.

As partidas começaram e, nós jogamos junto com eles, é claro que as piadas foram feitas, é claro que as risadas foram dadas sobre o jeito péssimo que jogávamos, é claro que fomos tratadas como meras pessoas intrusas.

— Nada mal – Jason disse para Hazel que acertou pela segunda vez um strike – Sua vez Piper. – Ele sorriu para ela.

— Que saco! – Ela reclamou. Quando foi pegar a bola, sem querer a derrubou no chão.

Jason se levantou preocupado e, foi até ela.

— Se machucou? – Ele pegou a bola do chão.

— Não! – Ela respondeu de mal gosto. Os dois trocaram um olhar pequeno. Meu coração apertou com o ciúmes. Eu me controlei para não deixar muito visível. – Cai fora Jason, eu vou acertar uma merda de strike agora. – Ela pegou a bola da mão dele.

Ok! Foi só impressão minha, foi só impressão minha. Piper não acertou um strike, mas derrubou boa parte dos pinos. Era minha vez, Percy se posicionou na pista do lado e, encarou meu nervosismo.Éramos dupla adversaria.

— Se você se preocupar demais, você vai errar – Ele disse baixinho – Você é boa em cálculos, certo?

— Oi? – Eu fiz uma careta confusa

— Isso seria pura física não acha? – Ele deu um meio sorriso.

Percy se posicionou calmamente e, jogou a bola para o meio da pista, ela rolou reta e, acertou todos os pinos. Então era dessa forma que ele acertava strikes? Fazendo uma base de física? Ok! Dessa forma eu posso. Eu encarei o meio da pista, calculei os diâmetros e, joguei a bola. Ela rolou reta e, acertou os pinos.

— Perfeito – Jason disse sorrindo. – Isso ai Annabeth!

— Eu disse... – Percy sussurrou para que apenas eu ouvisse.

Depois daquilo fomos para uma mesa, eu estava envergonhada por não ter dinheiro então falei para as meninas que não estava com fome e, aceitei apenas um milk-shake.

— O que faz vocês pensarem que estão aqui por que fazem parte do nosso grupo? – Selena perguntou.

— Eu as chamei – Jason a cortou

— Deveria ao menos ter dito antes, isso é um encontro de amigos – Reyna revirou os olhos incomodada.

— Só porque elas não são suas amigas, não quer dizer que não sejam... – Frank tentou dizer, mas foi interrompido.

— Fala serio... Vocês se sentaram por algumas horinhas juntos em uma bibliotecas e, já se consideram amigos?... – Selena disse irritada – Mas enfim, elas já estão aqui...

— Não fale como se não estivéssemos ouvindo – Hazel retrucou

— Desculpa, força do habito – Selena forçou um sorriso.

Todos pegaram seus celulares e, esqueceram do mundo. Eu ri, meu riso foi meio alto, por conta da atenção ter reduzido. Jason estava entre eu e Piper, ele me olhou com uma cara confusa e, depois sorriu.

— Não liga pra Selena e, para Reyna, eu não me arrependo de ter chamado vocês... Está se divertindo? – Ele bloqueou o celular quando viu que eu era a única que não estava usando.

— Ah, sim... Foi bem legal – Eu sorri.

— Você deveria se juntar a nós com mais vezes – Ele sugeriu

— Acho que isso vai incomodar algumas pessoas – Eu tentei não sorrir.

— Quem disse que precisa se juntar a elas? Nem sempre estamos juntos... Esse encontro foi só uma desculpa para interação e, tentativas de conquistar corações – Ele encarou Caly ao lado de Percy.

Percy percebeu nosso olhar sobre eles, e nos olhou também. Jason deu um joinha e, ele revirou os olhos.

— Eles estão ficando? – Tive a coragem de perguntar

— Ficando não é a palavra certa... Percy não gosta dela, mas... Ele não consegue evitar – Jason gaguejou e, riu.

— Ela oferece coisas que são difíceis pra um garoto negar – Eu falei em voz alta, me lembrando da cena do banheiro.

— Você está sabendo de algo? – Ele perguntou curioso.

— Não... Eu só, deduzi – Eu o encarei. Foi quando percebi que estávamos perto demais, conversando tão baixo que, estávamos perto o bastante para sentir a respiração um do outro.

— Realmente... Você tem olhos diferentes, não são azuis ou verdes... São cinzas – Ele encarou meus olhos e, disse como se tivesse confirmado a teoria de alguém.

— O que?... Quem disse isso? – Eu corei. Meus olhos eram cinzas, mas dependendo do tempo ele mudava sua cor, as vezes pra verde, as vezes para azul, as vezes para um castanho esverdeado, ter a certeza que eles tinham uma cor neutra só era capaz se você reparasse bem.

— Ah... – Ele pensou – Ninguém? – Jason corou, mas nossos olhares não se desprenderam.

— Que tal todos jogarem? – Selena disse um pouco alto e, nos chamou atenção.

— Que jogo idiota – Hazel disse

— Qual jogo? – Jason perguntou tirando a atenção de mim – O que está na moda?

— Sim... O de desafios – Caly disse.

— Não é idiota, são desafios bestas... Eu mesma quase não faço nenhum – Selena deu de ombros

— E para que joga? – Hazel perguntou

— Porque é legal – Ela respondeu de má vontade

— Como é? – Frank perguntou

— Você se cadastra no jogo, ele te manda desafios para você cumprir e, acumula pontos, os pontos podem ser trocados por produtos de loja, ou o que você quiser que esteja dento da lista disponível. – Selena explicou. – É legal gente...

— Você já trocou por alguma coisa? – Piper perguntou. Ela parecia não esta gostando da noite.

— Por esse relógio – Ela mostrou o pulso.

Um jogo que poderia me dar produtos legais sem eu precisar de dinheiro? Parecia coisa de outro mundo pra mim.

— Se você perder um desafio, você diminui os pontos – Caly lembrou.

— Vamos jogar e, ver quem mais faz pontos – Selena disse entusiasmada – Vai ser legal. Vocês não precisamjogar, o convite não foi direcionado a vocês – Selena olhou para Hazel.

— Uma ova que não vou – Hazel pegou seu celular, todos pegaram. – Vou gastar créditos com isso?

— Não, as mensagens que chegam no seu celular – Caly disse – São grátis.

— E como vamos provar que fizemos ou não? – Frank perguntou

— Mandamos fotos dos desafios cumpridos – Selena deu de ombros. – Quando os níveis aumentam os desafios são piores. Edgar teve que roubar balas da cantina uma vez.

— Isso não seria errado? – Perguntei surpresa

— Está com medo, de desafios bestas? – Reyna perguntou

— Não, é só que... Roubar não me parece ser um desafio besta – Tentei dizer

— Que estraga prazer... É só um jogo com desafios idiotas, se te mandam roubar, é só não fazer...– Ela revirou os olhos. – Por isso não gosto de me misturar com pessoas que se acham perfeitas e, superiores, só porque tiram notas altas, é inteligente e, tem prioridade no departamento estudantil.

— Até parece, são vocês que me rejeitam...

— Tem certeza? – Selena me encarou – Desde o primeiro ano, quando você chegou, sempre está longe de todos, eu lembro das vezes que você saia do mesmo lugar que nós e, preferia ficar sozinha estudando.

— Porque eu precisava estudar – Eu disse como se fosse obvio – E vocês só pensavam em brincadeiras e, conversas...

— Viu? É exatamente isso... Você age como se nós tivéssemos excluído você, mas foi você quem se excluiu. Você fala com as pessoas como se o nível de inteligência delas fossem bem inferiores ao seu. – Selena disse irritada. – Fala serio... Percy é o garoto gênio da escola e, ele não age como você.

— Ei, não coloque meu nome do meio dessa confusão – Percy respondeu.

— Isso não é verdade – Eu retruquei. Não era, era? Der repente a cena de mais cedo sobre a menina perguntando da monitoria passou pela minha mente.

— Ah, é sim... E tenha certeza que a maioria das pessoas que te olham torto é porque já recebeu algum tipo de fora seu, ou é bem próximo de alguém que recebeu – Ela continuou me encarando

— Selena... – Jason tentou acalma-la

— Ok, eu calo minha boca, até porque parece que eu sou a única que tenho coragem de dizer a verdade que todos pensam dela. – Selena revirou os olhos.

— Você só está com raiva, porque Jason não está dando atenção a sua amiguinha – Hazel a encarou

— Como é? – Reyna a encarou de volta – Como se eu precisasse mendigar a atenção dele, como vocês...

— Minha querida, ninguém se convidou pra vir aqui – Hazel a interrompeu

— Como se ela fosse alvo de cortejo de alguém – Reyna riu – Uma nerd que não tem onde cair morta.

— Reyna... – Selena colocou a mão em seu ombro como um sinal de “já chega”

— Estou vendo o quanto a exclusão vem de minha cabeça – Eu encarei a Selena, ela não falou nada. — Eu não tenho o mesmo nível de classe social que vocês, eu apenas me esforço pra um dia me dar ao luxo de ao menos ter dinheiro pra colocar um credito no celular. – Eu as encarei com fúria nos olhos. Eu não acreditava que eu estava ouvindo desaforo delas. – Você se incomoda por alguém estar buscando melhorar de vida? Se incomoda por alguém de classe baixa ser melhor que você em algumas questões?

— Ah, por favorAnnabeth... O problema não é você querer buscar melhoras, o problema é que você busca ser melhor que todo mundo, você quer ser a primeira em tudo e, isso irrita muita gente. E pior... – Ela me encarou – Usa da sua inferioridade de classe, algo para dar como desculpa e, graças a isso, suas amigas também pagam o pato. Ninguém gosta delas por sua culpa.

Todos ficaram em silencio, eu fiquei encolhida no meu canto. Eu não era perfeita, eu não me achava superior a ninguém e, eu não aceitava nada do que ela havia dito.

— Acho que você tem razão – Eu disse de má vontade – É muito fácil dizer essas coisas pra alguém que não tem meios para contradições.

— Eu já falei que vocês não precisam participar, não precisam se misturar com os delinquentes e, as vadias da escola, vocês são garotas perfeitas e, certinhas, não deveriam nem estar aqui – Selena deu de ombros.

Eu olhei para Piper, ela me deu um olhar tipo “Melhor parar de discutir”.

— Selena, chega! – Jason disse irritado. – Reyna... O que você disse foi ridículo.

— Ridículo é ela se achar tanto – Reyna deu um sorriso sarcástico

— Foi uma má ideia a gente ter vindo. – Eu me levantei. – Ainda é cedo, então acho que vou para minha casa.

— Ficou louca, Annabeth? Os ônibus estão praticamente vazios esse horário... Os assaltos... – Piper tentou dizer.

— Eles não vão ter o que roubar mesmo – Eu dei de ombros

— Eu te levo – Jason se levantou.

— Você acabou de emprestar o carro, lembra? Leo não vai voltar agora, ele saiu com algumas garotas – Frank levantou o celular mostrando um aplicativo que mostra coisas de transito na cidade.

— Percy... – Jason o chamou

Percy levantou a cabeça sonolento, como se toda aquela conversa tivesse dado sono nele.

— Ok! – Ele se levantou – Eu levo.

— Não precisa... – Tentei dizer

— Precisa! – Jason insistiu – Vem comigo, rapidinho...

Ele me puxou para um canto um pouco afastado.

— Me desculpe, eu achei que poderia enturmar vocês – Ele foi se explicando

— Obrigada, foi realmente legal, mas... Às vezes não dá certo – Eu dei de ombros.

— Esqueça o que a Reyna falou, ela só está com ciúmes por eu ter chamado vocês – Jason tentou sorrir

— Eu estudei muito pra isso, eu sacrifiquei uma adolescência inteira pra estar onde estou, eu não sou perfeita e, não me acho melhor que ninguém...

— Ei! – Jason segurou meus ombros – Tudo bem, não estou te julgando. Sinto muito por hoje... Nos vemos amanha, ok?

Eu suspirei.

— Ok! Obrigada – Tentei dar meu melhor sorriso.

Jason se afastou e, voltamos para a mesa. Me despedi das garotas e, acompanhei o Percy até o estacionamento. Eu estava tão pra baixo que, nem me incomodei por ele esta sendo o cara que estava me levando.

— Desculpe por fazer você sair da diversão – Eu disse em um tom desanimador.

Ele fechou a porta do carro, colocou o cinto e, girou a chave.

— Estava chato lá! – Ele disse sem nenhuma expressão motivadora e, não falou mais nada.

Eu me debrucei ao banco e, fechei os olhos. Sem querer, eu adormeci.