AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

1 Capítulo 1 - PRIMEIRA INTERAÇÃO


Notas iniciais
Oii!
É a primeira vez que trabalho com personagens que não são meus e, também é a primeira vez que trabalho com uma história de gênero drama. O primeiro capitulo aparenta ser um pouco monótomo pois é mais explicativos, sempre gostei mais de criar histórias de fantasia, como em outras obras ja disponíveis aqui, mas dessa vez resolvi arriscar. Espero que gostem.

Acordei com o sol da manhã em meu rosto, meu pequeno quarto bagunçado ficava na direção em que o sol nascia e, isso sempre me fazia acordar cedo, mesmo em dia de domingo. Eu me arrumei apressadamente ou então me atrasaria para a escola, era meu ultimo ano e, apesar de estar indo bem nas matérias eu não era muito social com os colegas de classe e, esperava que no final desse semestre eu mudasse isso, afinal, prometi a mim mesma e, a minhas únicas e, melhores amigas que meu foco esse ano, era conquistar o meu tão sonhado príncipe encantado.

— Annabeth? – Minha mãe apareceu na porta do meu quarto.

Na verdade, meu quarto não tinha uma porta, era uma cortina que improvisei para questões de privacidade.

— Já estou pronta mãe – Eu retruquei. Peguei minha mochila e, saí.

— Hoje sairá o resultado do vestibular não é? – Minha mãe perguntou empolgada enquanto ajeitava a pequena mesa no meio da sala. – Você precisa de dinheiro?

— Não se preocupe com isso mãe, eu dou um jeito na escola – Eu disse forçando um sorriso.

A verdade era que, éramos uma família de classe baixa e, quando eu digo família, quero dizer apenas eu e, minha mãe e, quando eu digo classe baixa, eu quis dizer, bem baixa mesmo. Morávamos em um bairro carente na capital da cidade, nossa casa tinha apenas quatro cômodos, minha mãe dormia na sala enquanto eu me despojava do único quarto pequeno que tínhamos, isso porque eu sempre passava altas horas da noite estudando. Eu não conheço muito bem o meu pai, não gosto muito de admitir isso e, nem comentar sobre essa história, mas minha mãe era uma garota de programa quando mais jovem e, acabou engravidando de mim, meu pai não me assumiu pelo fato de não ter certeza de que eu era sua filha e, porque ele tinha uma outra família. Assim que eu nasci, minha mãe procurou mudar de vida, ela arranjou empregos de meio período e, também fazia faxina pelos bairros, ela não era muito bem vista no nosso bairro, mas pra mim, ela era uma mãe de grande exemplo, sempre me deu de tudo que eu precisava e, me deu uma ótima educação. Quem ajudou minha mãe a me criar foi nossa vizinha, dona Anna, uma senhora doce e, carinhosa que eu costumava chamar de vovó.

— Tenha uma boa aula filha – Minha mãe disse antes que eu saísse. – Deus lhe acompanhe.

Assim que sai de casa dei cara com a vovó Anna, cuidando das suas plantas do lado de fora, ela vestia sua camisola rosa de bolinhas azuis e, uma touca de renda deixando a vista alguns fios dos seus longos cabelos tão loiros que pareciam quase brancos. Vovó Anna apesar da idade avançava, aparentava ser jovem e, bastante ativa. Ela era um pouco geniosa as vezes, mas era um doce de mulher.

— Hoje é o resultado não é? – Vovó Anna perguntou

— Sim – Me aproximei sorrindo cheia de ansiedade.

— Tenho certeza que você passou – Ela segurou meu queixo. – Como pretende conseguir ver o resultado, precisa de um computador certo?

— Não se preocupe vó, eu tentarei fazer isso na escola.

Vovó Anna me olhou atentamente e, sorriu.

— Melhor ir, para não se atrasar. – Ela apertou minhas bochechas e, virou-se de volta as suas plantas.

Ela tinha razão, eu iria me atrasar. Para eu chegar ao ponto de ônibus eu tinha que descer uma enorme ladeira e, mais dois quarteirões então, tive que andar em passos bem largos. Assim que peguei o ônibus da escola tive novamente a impressão de estar desfalcada do ambiente. Todos os meus colegas da escola tinham pinta de riquinhos, afinal eu estudava em uma escola particular, só que não era apenas uma escola particular, era na melhor escola particular da cidade. Como eu consegui isso? Estudando. Consegui uma bolsa integral em um programa de cotas da escola, onde havia apenas uma vaga a cada três anos, desde o primeiro ano eu estudo nessa escola e, as vezes sou obrigada a fazer atividades extras curriculares para poder me manter. Eu era uma garota de dezessete anos, que morava em uma favela, não tinha pai e, era conhecida como a nerd da escola. Estudar em uma escola para ricos era um pouco constrangedor, os olhares eram imperceptíveis e, o preconceito era inevitável, mas eu não me deixava ser abatida por isso, ou ao menos tentava. Eu tinha um objetivo, eu tinha que melhorar de vida e, ajudar minha mãe e, a vovó Anna. Eu sempre me destacava em relação a notas, eu gostava disso, eu gostava de ser o centro das atenções no departamento estudantil, era a única coisa que eu podia oferecer, mas isso me custou uma vida social e, também criou muitos olhares invejosos sobre mim.

— Ei – Alguém chutou minha cadeira no ônibus atrapalhando minha leitura. Eu ignorei – Ei! Não está ouvindo? Você é a bolsista do ultimo ano? – Uma voz feminina e irritante fez todos do ônibus se virar. Era Clarice, a encrenqueira da minha turma – Me disseram que você faz algumas atividades extras, poderia fazer a minha de física?

Eu revirei os olhos.

— São atividades extras curriculares, atividades de campo que a instituição determina, não atividades de classe de alunos que não estudam – Eu disse em um tom irritado.

— Para uma idiota, você tem até uma língua afiada –Clarice aproximou seu rosto de mim.

Ela tinha cabelos castanhos, tinha pintinhas por todo seu rosto e, tinha um semblante muito cruel, ela era enorme, tanto na altura como também em músculos. Eu ignorei sua provocação. A garota deu um tapa no meu livro e, ele caiu embolando no chão. Aquele definitivamente não era meu dia. Tínhamos acabado de voltar de um recesso do meio do ano e, eu merecia isso?

— Deixe a garota em paz Clarice – Hazel sentada ao meu lado resmungou – Faça você seu próprio dever de casa.

Hazel era uma das poucas pessoas que me tratavam bem na escola, esse ano ela fazia parte da minha turma, então meio que criamos uma amizade solida.

— Ou você fará o que? – A encrenqueira perguntou

— Não sei, talvez eu quebre seu nariz ou simplesmente te denuncie por abuso de poder e, preconceito, ao departamento de cotas da escola e, eles irão ligar para seus pais e, você estará bem encrencada. Fora que, será suspensa, ou desvinculada da instituição. – Hazel revirou os olhos para ela.

Hazel era uma garota que se estressava rápido, ela sempre se metia em encrencas na escola, sua falta de paciência era porque em sua casa ela vivia brigando com seu meio irmão mais novo, que era tão genioso quanto ela, mas apesar da agressividade ela era doce às vezes. Hazel era uma garota negra, com cabelos cacheados e, castanhos que caiam abaixo do seu ombro em um formato bem armado e, estiloso, seus olhos tinham um tom claro como um castanho mel, apesar de não ser tão popular era uma garota incrivelmente linda. Clarice sentou-se novamente na sua cadeira e, ficou resmungando alguns xingamentos. Hazel me deu um meio sorriso e, eu retribui.

Estava ai um dos motivos por eu ser alvo na escola, além de ser uma das alunas que possuía o maior numero de notas altas, existia um sistema interno de cotas do departamento estudantil, que pagava meus livros, as viagens e, excursões da escola e, também me protegia de confusões e insultos dirigidos a mim, não que eu fosse especial, mas eu era a primeira bolsista daquela escola, era a primeira vez que eles abriram esse programa então, era uma vantagem de primeira linha.

Assim que chegamos à escola, os alunos se dispensaram para suas salas.

— Você deveria se defender mais – Hazel se aproximou de mim enquanto escolhíamos uma cadeira para sentar.

— Eu não gosto muito de me envolver em confusões, eu não sou muito boa em segurar emoções – Eu disse com um meio sorriso sarcástico.

— Eu sei que você treina muay thai em uma das suas atividades extra curriculares e, que se você se meter em uma briga poderá perder o direito de continuar treinando, mas... Se essas provocações me incomodam, imagina você – Hazel se sentou ao meu lado.

Ela era novata na escola, entrou no ano passado, mas apenas esse ano viemos a estar na mesma turma. Seu irmão Nico, também estudava aqui, mas ele era do primeiro ano e, não vinha no transporte escolar, ele vinha de carro com o motorista da família.

— É só uma atividade extra curricular que sou obrigada a fazer dentro das matérias de esporte, ou era isso ou futebol – Eu dei de ombros.

— Mas você luta – Hazel sorriu – Não luta?

— Um pouquinho – Eu disse envergonhada, mas com um sorriso por baixo da timidez.

— Você não disse que depois do recesso iria mudar? – Ela perguntou – Que iria se enturmar e, fazer mais amizades? E que ia desgraçar a vida das pessoas que te zoam?

— Talvez? – Eu respondi

— Não me lembro dessa insegurança quando você decretou isso – Ela resmungou

—Talvez eu tenha me empolgado um pouco – Eu me apressei em dizer.

— Você deveria cumprir suas promessas – Hazel disse sorrindo

Eu não me sentia a vontade em fazer amizade com o pessoal da escola, o que eu tinha de bom para oferecer? Uma casa feita de blocos sem reboco, com quatro cômodos, no topo de um morro? Café preto com biscoito maisena? Eu sempre tinha impressão de que um dia alguém da escola iria vasculhar minha vida e, achar coisas que eu nem gostaria de lembrar. Eu não tinha vergonha de quem eu era, mas comparado ao mundo paralelo em que eu vivia, me esconder foi a melhor opção que tive.

A aula foi de matemática e, como sempre eu fui colocada ao quadro e, fui colocada como um exemplo de boa aluna. Ótimo, mas motivos para as pessoas me odiarem.

No intervalo eu me apressei para ir a sala de informática, tinha que conferir a primeira chamada do vestibular. Assim que entrei dei de cara com o garoto dos meus sonhos, meu príncipe encantado... Jason, ele era apenas o meu tipo de príncipe encantado, ele era o príncipe encantado que toda garota queria ter e, na verdade toda garota da escola queria. Ele era alto, musculoso, cabelos aloirados e, espetados, olhos azuis brilhosos, uma boca perfeitamente carnuda e, uma voz que encantava qualquer ouvido. O problema era que Jason era tudo isso, mas vivia em uma classe social bem diferente da minha, ele era filho de um cara muito poderoso na cidade,ou seja, muita areia para meu caminhãozinho, sem dizer que existia muitas garotas miss atrás dele, então eu passava bem despercebida. Minha fama de garota bolsista metida, fazia com que as pessoas nem ao menos quisessem se aproximar de mim.

Ele e seus amigos estavam em uma mesa redonda com livros de estudos, inclusive, todos os seus amigos eram gatos, coisas de outro mundo, me pergunto porque no meu bairro não existia garotos assim. Eu tentei passar despercebida, mas não consegui evitar um olhar em direção a eles. Um dos seus amigos olhou no exato momento em que eu olhei e, eu instantaneamente corei.

Eu não sabia o nome dele direito, mas ele sempre andava com o Jason, era o seu melhor amigo, era um garoto bonito também, mas era totalmente o oposto de Jason. Os cabelos do amigo do Jason eram pretos, e desarrumados, dava um estilo bem serio nele, ele era alto e, musculoso também, um pouco mais até que o próprio Jason, seus olhos eram tão verdes, que pareciam ser dois lagos exóticos no meio de uma floresta. Comparação horrível, eu sei, mas era verdade, talvez por ser um pouco mais tímido que os demais ele não se destacava muito, ou ao menos eu achava que não se destacava. Todos os garotos que andavam com Jason tinham uma fila de fãs, eu passava longe delas. Pelo menos alguns deles eu conhecia, o Frank, grande e, musculoso, cabelo em um corte baixo, olhos pretos e, um pouco envergonhado, apesar de ser brincalhão. Tinha também o Charles, ele era negro, forte e, alto, apesar de não ser muito bonito, ele chamava atenção pelo seu charme e, corpo atlético perfeito e, também tinha o Léo, doce e, brincalhão, garoto magricelo e, cabelos que cobriam os olhos, tão sarcástico e, encrenqueiro que chegava a ser engraçado as vezes que eu o via em um dos seus momentos de chamar atenção.

— Precisa de algo? – O atendente perguntou me fazendo voltar a realidade. O garoto desviou o olhar como se não tivesse visto ninguém importante e, eu desviei também.

— Só de alguns minutos no computador – Eu sorri e, lhe entreguei minha carteirinha de cota.

O atendente preencheu a solicitação e, me entregou de volta a carteirinha.

— Obrigada! – Eu me apressei em passar pela catraca que dava ao setor de computadores.

Enquanto o computador ligava, eu não percebi que os garotos que estavam no setor de estudos haviam entrado. Eu só notei quando a voz do Jason bem perto de mim fez meu coração acelerar.

— Eu esqueci totalmente dessa pesquisa – Ele dizia

— Eu te lembrei ontem a noite – Outro garoto falou. Não tive coragem de olhar para trás.

— Você sabe como usa esse programa de pesquisa? – Jason perguntou

— Não faço idéia, eu nunca acesso os computadores daqui – O garoto deu um ar de riso. Alguns cochichos foram ditos um pouco mais baixo que o normal então meu corpo tremeu. – Ei! – Jason se aproximou das minhas costas.

Eu já tinha entrado no sistema de pesquisa do meu computador e, me virei com dificuldade para encará-lo.

— Você sabe como funciona esse programa de pesquisa? -Ele perguntou.

Jason ainda estava sentado na cadeira do computador, ele apenas virou-se para mim. Eu analisei sua maquina, olhei para seu amigo que me analisava com curiosidade e, tentei não sorri, mas sorri, era minha chance de interação.

— Você precisa de um login e, uma senha – Eu disse quase gaguejando.

— Precisamos nos cadastrar? – Ele perguntou – Que saco!

— Você pode usar o login e a senha do setor geral, mas não pode deixar pesquisas salvas, terá que imprimir. – Eu dei de ombros e, me virei de volta para meu computador.

— Percy, pega o negocio que a menina falou lá na entrada – Jason pediu. Claro, o nome do garoto era Percy, acho que já peguei matérias extras com ele.

— Você é um pé no saco cara – O garoto arrastou sua cadeira e, saiu.

Eu sempre tinha esses pequenos encontros casuais com o Jason, mas ele nunca se lembrava de mim, ele sempre me tratava como se fosse a primeira vez que me via, apesar de sermos da mesma serie, nunca tínhamos ficado na mesma turma.

Voltei a me concentrar no site da universidade e, me deparei com meu nome no primeiro lugar da lista de aprovados para a universidade federal, no curso de Arquitetura.

— Uau! – Foi a única coisa que consegui dizer, meu coração parecia que ia sair pela boca.

— Annabeth! – A voz fina da Piper me chamou atenção. Ela vinha com um sorriso até a mim.

Piper era minha amiga desde o primeiro ano e, foi a única que permaneceu na escola desde então, embora esse ano, não tivemos a oportunidade de ficar na mesma turma. Piper era bem magra, era mais baixa que eu, seus cabelos eram longos e, castanhos e, seus olhos eram azulados. Descrevendo sua aparência você poderia imaginar uma garota simples, mas é ai que você se engana, Piper era simplesmente perfeita, uma das garotas mais lindas da escola, além de também ser uma das mais ricas. Até hoje as pessoas se perguntam porque ela continua sendo minha amiga, mas ela simplesmente as ignoram e, continua sendo.

— Hoje será o resultado não é? – Ela se aproximou de mim. Percy o amigo de Jason teve que afastar a cadeira para que ela não tombasse nele. – Veio ver? Já saiu?

— Sim – Eu ainda estava sem acreditar.

Piper se jogou na frente do computador e, arregalou os olhos em surpresa.

— Annabeth! – Ela disse em surpresa. – Em quantas universidades você passou?

— Ah... – Eu pensei – Algumas...

— Passar na federal em primeiro lugar é outro nível – Ela exaltou. Jason e Percy olharam para trás e eu me encolhi.

— Fala baixo Piper – Eu a puxei para se sentar.

— Desculpa – Ela deu um risinho – Eu tinha certeza que você ia passar, mas isso me surpreendeu.

— Ok! Vamos sair daqui... – Eu me apressei em desligar o computador e, sai puxando a Piper.

— Ficou com vergonha por causa do Jason? – Piper deu um risinho provocador e, também um pouco sem graça.

— Não quero que ele ache que sou uma Nerd. – Eu resmunguei

— Mas é exatamente o que você é – Ela revirou os olhos

— Você também não fica longe disso Piper – Eu a fitei. Piper também estava entre a lista dos melhores alunos nota 10 da escola.

– Sabe que sua turma tem aula vaga agora não é? – Ela pensou sobre aquilo

— O que? – Eu dei um pequeno grito histérico – Eu ia revisar o fichamento de inglês...

— Viu? – Ela resmungou – Enquanto a maioria dos alunos comemoram essa noticia, você se lamenta...

— Eu não faço curso de inglês como a maioria, eu preciso traduzir os textos com dicionário...

— E você tira notas mais altas do que as pessoas que fazem curso – Piper revirou os olhos – Mas não se preocupe, as turmas que tem horário vago estarão reunidos no auditório, para assistir um filme.

— Que tipo de filme? – Eu perguntei

— O que acabou de sair do cinema, o que tem a ver com os livros...

— Que ótimo – Eu revirei os olhos – Você tem aula vaga?

— Sim! – Ela disse com entusiasmo e, me abraçando – Vou ficar coladinha com você.

— Então quer dizer que...

— Sim – Ela disse em desanimo – O Jason também vai...

Piper estava na mesma turma que Jason e, seus amigos. Ela era sortuda por isso, na verdade os dois se conheciam desde o primário e, pra mim isso era ótimo, pois eu sempre podia ter informações dele, através dela. Bem... Talvez o filme não fosse tão legal, talvez eu tivesse que deixar minhas duvidas de inglês de lado, mas só o fato de estar no mesmo lugar que o Jason, já era bom o bastante para mim.