AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
54 Capitulo 55 - DÉJÀ VU
Annabeth
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A casa estava vazia e escura, eu tinha acabado de tomar um banho e não parava de chorar, foi muito humilhante ter que passar por isso. Como o próprio pai, que me largou em uma sarjeta, podia vir depois de anos me procurar apenas para fins materiais? Eu não conseguia nem expressar o quanto isso acabou comigo. Voltei da Alemanha por conta dessa proposta e me deparo com isso...
A campanhinha tocou. Me levantei relutante, poderia ser a Thalia. Abri a porta com desanimo e me deparei com os pares de olhos verdes. Percy escorou o ombro na quina da porta com as sobrancelhas estreitas e uma feição triste, ele tocou meu rosto, alisando com seu polegar as minhas bochechas, e então eu apenas desabei em choro. Ele entrou me abraçando e fechou a porta, ficamos alguns minutos daquele jeito. Ele recostado sobre a porta e eu enfiada em seu abraço, apenas chorando. Ele não falou nada, ficou apenas me apertando cada vez mais forte, como se estivesse sentindo a minha dor.
Ainda sem dizer nada, ele se desfez do abraço e entrelaçou os dedos em minhas mãos. Ele sabia o caminho até a cozinha, porque o apartamento da mãe dele era do mesmo modelo que o meu. Eu me sentei na cadeira perto a mesa, e ele criou liberdade na cozinha, eu não me importei. Ainda estávamos em silencio e o ambiente ainda estava escuro, apenas as luzes do abajur nos corredores podiam nos dar trajetos preto e branco no local. Eu o observei, pareceu que ele estava tentando fazer um chá, colocando uma xícara de água no micro-ondas e tentando procurar os sachês, pelas gavetas. Assim que os achou, ele arregaçou as mangas da camisa até os cotovelos e levou a xícara que já havia esquentado, até a mim.
— Obrigada – Eu disse pegando-a.
— Eu não sei o que dizer – Ele se sentou na cadeira a minha frente
— Tudo bem, eu estou bem...
— Não está – Ele franziu a testa – Você está péssima, Annie.
Eu sorri um pouco sem graça. É eu estava.
— Obrigada por reparar – Eu sorri mais ainda. – Não acredito que depois de todo esse tempo, me deparo com ele dessa forma.
— Por que nunca me contou? – Ele perguntou – Seu ai é um dos caras mais influentes do estado.
— Exatamente por isso – Eu dei uma ar de riso.
— Eu nem consigo imaginar o quanto isso deve ter sido difícil pra você e pra sua mãe – Ele fitou a mesa.
— Isso só foi uma das coisas que tive que aceitar na minha vida, Percy... Não foi a pior, você sabe. – Eu sorri sem jeito.
Ele me encarou e suspirou, depois voltou a desviar o olhar.
Continuamos em silencio, um silencio que não era bom, em meio a tanta coisa que precisava ser dita, nós apenas nos conformamos com o silencio. Percy se mostrou mais uma vez ser o cara maravilhoso que sempre foi, e vendo isso acabei percebendo que eu fui a pior pessoa que entrou na vida dele.
— Acho melhor eu ir – Ele se levantou
O impulso me fez levantar também e eu segurei seu braço, nossos antebraços se encostaram e uma faísca percorreu meu corpo com o quente toque da sua pele sobre a minha.
— Não vá! – Eu sussurrei – Não ainda.
— Não me peça isso Annie, eu não serei forte o suficiente pra resistir a esse pedido – Ele sussurrou de volta me encarando.
Nós tocamos testa com testa.
— Por favor! – Eu pedi mais uma vez.
Percy fechou os olhos, e abaixou a cabeça, depois ele abriu os olhos lentamente, suas sobrancelhas se estreitaram fitando nossos braços alinhados.
— O que... – Ele me encarou confuso
Eu olhei para nossos braços para entender o que ele queria dizer, e meu coração palpitou. Era a mesma tatuagem, os mesmos nomes “Akai Ito” praticamente no mesmo lugar. Antebraço esquerdo, na parte de dentro um pouco discreto, e o mais incrível era que no ângulo em que nossos braços estavam alinhados, as linhas vermelhas soltas de cada palavra, se encontravam formando apenas uma, como se estivessem ligadas. No mesmo instante eu me lembrei da reação surpresa da Rachel, e do que o Will havia dito sobre conhecer alguém com a mesma tatuagem.
— Isso é impossível – Eu sussurrei – Eu fiz essa tatuagem a...
— Três anos e meio – Ele completou, como se quisesse dizer que foi no mesmo tempo que ele.
Foram apenas alguns segundos em olhares silenciosos, até que ambos reagiram, durante esse mês entre encontros e desencontros, estávamos sempre escondendo essas palavras um do outro, e justamente hoje o destino resolveu nos revelar.
Foi o beijo mais intenso que demos depois desses seis anos. Eu me empurrei para o corpo do Percy, e ele me suspendeu para sua cintura, me colocando sobre a mesa, não me importei da xícara ter caído e se quebrado nochão. O beijo não parou, muito pelo contrario se tornava cada vez mais intenso, como se estivéssemos matando cada saudade de nossos corpos. As mãos do Percy me apertavam, subiam e desciam sem hesitar, não tinha porque hesitar, não tínhamos mais dezessete anos, éramos adultos agora.
Eu abri os botões de sua camisa, e o ajudei a tira-la. Ele tirou minha camisa, beijando meu pescoço, passando a mão pelo meu seio, até que e me pegou novamente no colo. Eu não precisava mostrar o caminho do quarto.
Percy
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Eu a levei para o quarto, não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Não conseguia acreditar em como aquilo seria possível, como nós podíamos ter feito a mesma tatuagem, no mesmo local e praticamente ao mesmo tempo, em lugares tão distantes? Só sei que isso mexeu tanto comigo que cedi a qualquer bloqueio que eu tinha dela, não podia ser coincidência...
Entrei no quarto com suas pernas ainda agarradas em minha cintura, fui tirando os sapatos e em passadas largas, a joguei sobre a cama. Nossos olhos se encontraram, eu podia sentir nossos corações acelerados, nossa respiração ofegante, eu queria ter cada parte do seu corpo, queria matar a saudade de cada milímetro dele. Não existia nenhum compromisso que pudesse fazer minha razão me conter, não existia nenhum orgulho, ou medo naquele momento. Eu desejava que ela fosse minha novamente, não sei se no futuro ela continuaria sendo, mas nessa noite, ela seria.
Seu corpo estava diferente agora, dotado de mais curvas definidas, desenhado com tatuagens, mas ainda continuava a se arrepiar da mesma forma que antes, em contato com meus beijos, com os caminhos que eu percorria com a língua, com o percurso que eu fazia com as mãos. Cada toque era uma sensação diferente em seu corpo, e eu me sentia cada vez mais louco com isso. Mergulha sobre ela, ouvir seus gemidos e sussurros em meu ouvido, poder ver sua boca se abrir em constante prazer, talvez eu até pudesse chorar por finalmente tê-la, por finalmente estar com ela, amá-la... Eu a amava demais. Que amor louco era esse, que me fez ficar preso por seis anos? Que amor louco era esse, que mesmo depois de tudo que ela fez ainda podia ser o mesmo, ou até mais? Que amor louco era esse?
Chegamos ao orgasmo juntos, ainda estávamos de corpos colados e testas coladas, respirações fortes e olhos fechados. Ela havia mudado, se tornado tão experiente quanto eu, não sei se o motivo foi esse, ou porque o desejo por ela apenas aumentou, mas eu me sentia saciado de uma forma que e não me sentia ha seis anos.
— Eu não sei se fico triste, ou feliz por você ter se tornado tão experiente – Eu disse sorrindo, ainda tentando tomar ar.
Annabeth sorriu um pouco sem graça. Eu tombei para o lado, mas a puxei alinhando seu corpo ao meu.
— Você disse que nós dois, não podia acontecer – Ela disse em um tom irônico, ainda abraçada sobre meu peito.
— Você ainda continua sendo uma estraga prazer – Eu sorri, e pude ouvir seu leve riso.
— Eu sinto muito por ter estragado sua vida – Ela suspirou – Seu relacionamento
Eu desfiz o sorriso, e puxei seu queijo para um beijo.
— Não vamos estragar a noite, ok? – Ela me lançou um olhar receoso – Tudo bem se amanha você não quiser olhar pra minha cara, mas não estraga o hoje, não estraga o agora... – Eu pedi.
Annabeth sorriu e me beijou se lançando para cima de mim, os lençóis escorregaram de seu corpo, me dando uma linda visão perfeita do seu corpo. Foi como da primeira vez, na pousa de verão no nosso primeiro mês de namoro, eu suspendi meus braços até seu pescoço, e lentamente fui percorrendo pelos ombros e descendo cada vez mais.
— Déjà vu – Ela prendeu seu olhar em mim.
Me dando a entender que ela também se lembrava desse momento. Eu sorri.
Annabeth
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Não foi apenas uma vez durante a noite, foram todas as vezes que despertávamos e acabou sendo a noite mais longa e prazerosa da minha vida. Eu desejei aquele momento diversas vezes, desde que cheguei aqui, e eu pude sacia-lo sem nenhum tipo de consciência pesada em relação a Rachel, porem, ainda existia algo que me incomodava. O futuro...
Percy ainda dormia com seus braços envoltos da minha cintura, eu também podia sentir seu rosto encostado em minha nuca, e era uma sensação boa. Eu ergui meu braço para o alto encarando a tatuagem, e lentamente o braço do Percy se levantou também para tocar minha mão. Ele havia despertado...
— Desse ângulo, nossas tatuagens, não se cruzam, os fios vermelhos continuam soltos – Eu sussurrei
— Preocupada com o futuro? – Ele perguntou ainda alinhado a minha nuca, e puxou meu braço para baixo me envolvendo em um abraço.
— Eu sempre estou, não é mesmo? – Perguntei em ironia – É minha natureza...
— Eu nunca entendi esse seu lado, essa sua necessidade de olhar sempre pra frente – Ele dizia calmamente.
— Talvez meu pai tenha razão, talvez eu tenha puxado isso dele...
— Você não tem nada a ver com ele – Percy me interrompeu e suspendeu seu corpo para me encarar – Você só precisa aprender a olhar para o lado.
Eu sorri meio sem graça
— Percy... – Eu toquei seu rosto – Eu não mereço você...
Percy sorriu
— É, eu sei... Eu já me convenci disso varias vezes, mas parece que não adiantou muito – Ele fez menção a nosso atual estado e continuou sorrindo. Nossos olhos se encontraram por alguns segundos – Por que você voltou, Annie? – Ele desfez o sorriso – Não foi só pelo casamento da Piper, ou pela entrevista, não é? Existe algo mais por trás disso?
Eu sabia que o Percy queria que eu dissesse que sim, os olhos dele pediam por isso, mas eu não respondi. Eu não me achava boa o suficiente pra ele, a Rachel tinha razão, o Will tinha razão. Eu era uma pessoa viciada no futuro, cheia de ambições, eu não tinha o direito de estragar a vida do Percy, fazendo-o pensar que eu ficaria pra sempre, nem eu mesma sabia se ficaria pra sempre...
— Eu conheço esse olhar – Ele me analisou – Nunca vem boa coisa dele.
— Como nós dois vamos ficar? – Perguntei
Percy pareceu incomodado com a pergunta, e aquilo me surpreendeu.
— É complicado ter que...
— Mudar tão der repente? – Perguntei sorrindo
— Eu não posso simplesmente jogar na cara da Rachel, que eu acabei cedendo – Ele gaguejava.
— Ela espera que você volte?
— Ela espera que eu escolha – Ele me encarou- E não é tão fácil.
— Escolher é difícil? – Eu ri nervosa
—Olha, Annie... Se você me pedisse pra ficar com você, pra sempre... – Ele deu de ombros – Eu nem pensaria duas vezes pra te responder, você sabe que eu ficaria, mas e se a pergunta fosse reversa? O que você responderia?
Eu suspirei. Novamente fiquei em silencio, eu me sentia pressionada com esse assunto. Percy sorriu.
— Ficar pra sempre, é muito tempo – Ele me deu um sorriso conformado – E você, não me passa essa confiança.
Doeu ouvir aquilo, mas ele tinha razão.
— E se as coisas fossem devagar? – Perguntei – E se...
— E se... E se... E se... – Ele me calou com um beijo- E se você parasse de querer ir embora?
— Eu não posso prometer isso – Disse imediatamente
— Então eu não posso prometer ficar com você – Ele sorriu.
— Porque você fala isso tão naturalmente?- Estreitei o olhar
— Porque você trata a questão de ir embora, tão naturalmente?
Percy tinha um ponto, um ponto bem certo. Talvez ele estivesse ressentido por dentro, mas seu sorriso tranquilo sobre “não ficar comigo” me deixou farpas no coração. Will tinha razão tudo dependia de mim, do meu aceitar, do meu abrir mão.
— Eu preciso ir – Percy se ajeitou – Preciso ir pra casa, me arrumar e me encontrar com o Charles na empresa, explicar pra ele porque não fechamos negócios.
— Podemos nos encontrar depois? – Perguntei receosa
— Podemos nos encontrar sempre que você quiser, Annie... – Ele disse enquanto se vestia – Sempre que quiser, quando quiser, onde quiser...
Eu fiz um bico de incomodo.
— Você está jogando toda responsabilidade pra mim? – Perguntei um pouco incomodada
— A responsabilidade, sempre foi sua – Percy abotoou sua camisa social.
Isso não era justo. Na verdade era, o que eu queria? Que ele voltasse a ser a pessoa que estava sempre me procurando? Eu precisava me redimir de algumas coisas.
— Deixa seu numero – Eu disse ainda chateada. – Eu te ligo.
Percy me olhou sorrindo, ele deu uma boa olhada pelo quarto e avistou uma caneta. Percy se aproximou de mim, e eu estreitei os olhos não entendendo o que ele pretendia, foi então que ele se abaixou, já que eu ainda estava deitada, desceu um pouco os lençóis, e escreveu o numero na parte superior do meu seio, finalizando com um beijo, e um meio sorriso.
— Vou esperar a ligação – Ele disse, e se levantou.
— Isso foi típico de um cara conquistador e mulherengo – Eu reclamei sorrindo
— Você me deu bastante tempo pra que eu pudesse desenvolver essa personalidade – Ele disse entre a porta.
Eu suspirei. Mereci esse comentário.
O telefone do Percy tocou, ele fez uma careta e o atendeu.
— Oi Will... – Sorri por saber que a careta dele foi puro ciúmes, mas então o rosto do Percy se enrijeceu – Como assim a Rachel, sofreu um acidente? Onde ela está? – Percy começou a pegar suas coisas com mais pressa.
— Percy... – Eu tentei me levantar
— Eu estou indo – Ele desligou o celular
— Percy, o que aconteceu? – Eu fiquei preocupada, mas ele nem ao menos me ouvia. Saiu desesperado como um louco sem nem se despedir.
O quarto virou uma zona de silencio, a Rachel sofreu um acidente, o quão grave poderia ter sido? E o Percy saiu tão desesperado e preocupado, que esqueceu de mim, isso me apertou o coração, eu sei... Sentir ciúmes de algo assim, é no mínimo ridículo, mas eu tinha um pressentimento ruim quanto isso. Percy gostava da Rachel, ele gostava dela de verdade, isso era notável, pois ele nunca levantou a hipótese de abandoná-la, foi preciso que ela desse o primeiro passo, pra que Percy pudesse ficar livre. Ele podia tê-la pra sempre, o “pra sempre” que ele espera ter, o “pra sempre” que ele acha que eu não posso oferecer.
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