AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
36 Capitulo 37 - EU QUERIA FERIAS DE CONFUSÃO
Percy ainda tentava abrir a porta. Meu sangue fervia de raiva, mas no primeiro momento eu não fiz nada, porem Caly se precipitou e avançou em mim, talvez ela queria me pegar de surpresa, ou talvez estivesse iludida com o ditado que diz que, quem bate primeiro leva vantagem. Eu apenas me desviei de suas mãos e a empurrei, seria muita covardia minha acerta-la com vontade. Ela voltou a avançar e dessa vez veio com chutes e ponta pés, confesso que alguns pegaram em mim, eu acabei escorregando e nós nos embolamos no chão. Não tinha jeito, eu teria que reagir, bati com vontade e descontei toda minha raiva nela, Caly também não ficava pra trás em relação a isso, a raiva que ela estava sentindo era notável, e isso deu a ela adrenalina suficiente pra me peitar. Nunca achei que uma patricinha como a Caly pudesse me peitar, até mesmo a Reyna que era mais desbocada fez parecer fácil a briga que tivemos.
Ela desferiu alguns socos mal dados em mim, mas que doeram de qualquer forma, derrubamos alguns baldes de lixo pelo chão, quebramos algumas portas de divisória enquanto nos batíamos pelos cantos, os refis de sabonetes líquidos que estavam sobre as pias, agora estavam esparramados no chão, as coisas da Caly estavam espalhadas e nós ainda trocávamos socos e tapas. Eu não queria usar toda minha agilidade em luta, seria fácil demais, e o que eu queria era saciar a vontade de estar amaciando minha mão em sua cara.
Eu a empurrei para longe de mim, quando percebi que já havia batido demais. Seu nariz sangrava, sua boca sangrava, seu cabelo estava emaranhado e suas roupas estavam amarrotadas. Caly caiu sobre suas coisas e precisou de alguns segundos para respirar, eu também respirei, a porta ainda estava sendo pressionada para abrir, provavelmente era o Percy, ou o Frank querendo arrombar. Com a distração em olhar para a porta fiquei vulnerável ao ataque da Caly, que veio pra cima de mim com uma caneta, se eu não tivesse colocado o braço pra me proteger, ela teria acertado meu rosto. Chega! Não dava mais para brincar de lutinha com ela, a ponta da caneta fez um pequeno corte no meu antebraço. Eu empurrei seu braço para o lado e a imobilizei, a raiva percorreu meu corpo e eu segurei sua cabeça pra acertar uma joelhada. Caly caiu no chão com um grito e com as mãos sobre a testa, sangue escorreu pelos seus dedos, eu tinha partido seu supercilio.
— Pare! – Ela gritou chorando e se arrastou se afastando – Pare, por favor... Eu sinto muito! – Ela chorava.
Eu olhei a minha volta, o banheiro estava uma bagunça. Eu suspirei e me acalmei. Peguei um rolo de papel higiênico e joguei pra ela.
— Você disse “pare”, eu parei – Eu disse com a voz tremula – Essa é a diferença, entendeu? Quando você percebe que já fez estrago suficiente, você simplesmente para de tentar estragar mais ainda.
Caly chorava com a dor.
— O que você fez comigo – Eu continuei – Não pode ser comparado com isso, nunca... – Meu queixo tremeu segurando o choro – Eu nunca te fiz nada, eu nunca maltratei ninguém em toda minha vida... Você é a primeira pessoa que conseguiu fazer com que eu perdesse o controle. Pra você pode ter sido uma brincadeira, pra mim custou reviver o pior momento da minha vida, aquilo acabou comigo Caly, acabou comigo, você não tem noção do quanto.
— Eu sinto muito – Ela soluçava com o choro.
— Eu poderia entregar você, eu poderia fazer você responder por isso, mas eu vou passar uma borracha nisso, mas não por você... Pelo Percy, porque no fundo ele se sente culpado pela pessoa que você se transformou. Eu espero que essa seja a ultima vez que a gente converse, porque da próxima eu não vou parar, mesmo que você implore – Eu enxuguei meu rosto e virei às costas pra sair.
Assim que eu destranquei a porta, ela se abriu com a força que Percy estava fazendo. Nós nos batemos e ele teve que me segurar pra eu não cair com o impulso. Percy segurou meus ombros com um olhar assustado e me encarou, me analisou por dois segundos e então percebeu a bagunça do banheiro. Sem falar nada ele me puxou para fora do tumulto. Os seguranças do local foram acionados, a porta do banheiro parecia fila de boate.
— Annie! – Piper correu até nós junto a Hazel – O que houve? – Ela observou meu estado precário.
Percy ainda estava em silencio e com uma feição irritada, ele puxou meu braço machucado e franziu a testa.
— Vamos pra casa – Ele disse rispidamente
— Percy... Espere – Hazel tentou segura-lo
— Não! – Ele quase gritou, mas suspirou pra se acalmar. – Você viu o estado do banheiro? Viu a Caly jogada e sangrando no chão? Não me peça pra esperar, Hazel... Não vou esperar as pessoas vitimar a Caly e transformarem a Annie em alguém ruim.
Eu pisquei. O Percy estaria irritado por achar que algo assim aconteceria? E mesmo tendo visto o que eu fiz, ele ainda ficaria ao meu lado e me defenderia? Eu posso ser realista, eu sei que exagerei, mas ele ainda assim me apoiaria?
— Ei vocês! – Um segurança veio até nós – Ninguém vai sair desse local, sem antes sabermos o que aconteceu. – O segurança me encarou.
Percy deu um suspiro impaciente. O tumulto ainda acontecia na porta do banheiro, Caly estava saindo sendo apoiada pela Reyna. Ela nos olhou de longe, Percy franziu a testa em irritação.
— Eu posso falar com você? – Ele perguntou ao guarda
— Não foi você que arrumou a confusão, certo? Foi ela, certo? – Ele me encarou. – Então eu preciso falar com ela.
— Cinco minutos- Percy insistiu.
Ele parecia mais nervoso do que eu. Antes de se afastar ele me deu uma boa olhada, eu ainda não conseguia expressar em palavras o que se passava em minha cabeça. Eu estava aliviada, nervosa e ansiosa.
— Você fez um verdadeiro estrago – Hazel resmungou.
Eu ainda não queria falar sobre o assunto, passei a mão sobre meu rosto, que latejava, para evitar contato visual com a Hazel. O corte no meu braço ardia com o contato do suor.
— Você também não está bem – Hazel me analisou.
Eu revirei os olhos
— Da pra parar de me encarar? – Eu me irritei
— Desculpa – Hazel se encolheu
Observei a Selena se aproximando de mim. Caly era amiga dela então com certeza ela deveria estar me odiando agora.
— Você está legal? – Selena perguntou
— Estou – Respondi rispidamente
As pessoas passavam por mim me encarando.
— Você escolheu um péssimo lugar para acertar as contas – Selena deu de ombros
— Onde está a Piper? – Hazel perguntou
— No meio da confusão ali – Selena apontou para o tumulto que já estava se dissipando.- Ela está de olho no que acontece pra depois reportar. – Selena deu um sorriso sínico.
— Olha... A Caly não é nenhuma santinha aqui – Hazel a encarou
— Eu disse que ela era? – Selena fez uma cara forçada de confusa.
— Você vai ficar do lado dela, que eu sei – Hazel acusou.
— Ai meu Deus, como você é chata, me erra garota – Selena revirou os olhos – Eu falo com você mais tarde, Annie.
Então ela empinou o nariz e saiu.Foi o único momento que eu pude sorrir, pelo menos a Selena pareceu não ficar irritada, a única pessoa que demonstrou um nível de irritação maior do que imaginei, foi o Percy. Hazel ajeitou meu cabelo e me ajudou a consertar a roupa amarrotada, foi o tempo que Percy havia voltado até nós.
— Vamos! – Ele disse.
— Onde? – Hazel perguntou
— Hazel, não faz perguntas, ok? – Percy disse de mau humor.
— Ok! – Ela revirou os olhos – Onde está a Piper?
— Ela está resolvendo uma coisa pra mim, nós temos que ir – Percy se apressou em me puxar
— O que foi? – Perguntei curiosa – O que foi que você falou com o segurança? Onde está a Piper? O que estão resolvendo?
Percy não respondia, apenas me puxava pelo braço praticamente quase correndo para fora do estabelecimento. Chegamos a saída e fomos em direção onde seu carro estava estacionado.
— Percy... Da pra me responder? Porque estamos indo embora sem eu ter resolvido nada? – Ele não respondia, assim que chegamos perto do carro eu puxei meu braço – Da pra dizer o que está acontecendo?
— Só entra no carro e quando chegarmos a gente conversa – Ele disse tentando manter a paciência
— Não, eu quero saber agora! – Eu gritei
— Você tem noção do que fez? – Ele parecia bastante irritado – Você destruiu o banheiro e deixou lá dentro uma garota jogada no chão, toda machucada.
Eu ri em ironia.
— Ela pediu por isso, não acredito que está...
— Eu só estou – Ele me interrompeu – Tentando amenizar as coisas.
— Mas eu quero...
— Annabeth, por favor! – Ele quase gritou impaciente – Entra no carro e conversamos... Por favor!
Ele suspirou tentando se acalmar e eu resolvi atender seu pedido. A viagem foi tensa, Percy não parava de suspirar e murmurar xingamentos, eu fiquei com raiva por conta disso. Ache que ele iria ficar do meu lado, mas parecia que de toda as pessoas, ele foi o que ficou mais irritado. Chegamos ao condomínio, subimos pelo elevador e ele ainda estava em silencio, praticando sua velha tática de “ignorar” isso me deixava irritada e triste ao mesmo tempo.
— Chegaram? – Dona Saly abriu um sorriso quando entramos – O que foi que aconteceu? – Ela reparou nossa cara fechada.
— Nada demais – Percy tentou sorrir – Eu deixei algumas coisas na mala do carro, caso o Paul resolva sair com ele amanha.
— Ah... Certo! – Dona Saly estava dando de mamar a pequena Julia. – Já arrumei o quarto de hospede para a Annabeth – Ela nos analisava.
— Obrigada dona Saly – Eu forcei um sorriso.
Percy segurou minha mão e me levou até o quarto, que ficava de frente ao quarto dele. Eu tomei um banho bem demorado e tentei relaxar sobre a cama macia, mas a ansiedade estava me matando. Percy ainda não havia aparecido. A porta se abriu, ele entrou.
— Estava esperando minha mãe dormir – Ele disse como se eu tivesse feito a pergunta com os olhos.
Percy sentou-se na ponta da cama e suspirou.
— Eu paguei o gerente do estabelecimento pra livrar você da encrenca – Ele disse fitando o chão.
— Você o que? – Eu fiquei sentada sobre a cama – Você está brincando, não é?
— Não! – Ele disse – Isso ia dar uma confusão grande, eles iam chamar os pais da Caly e a sua mãe, pra resolverem o acontecido, os pais da Caly provavelmente iria procurar maneiras pra prejudicar vocês. Você com certeza seria penalizada – Ele virou lentamente a cabeça para me olhar.
— Você não podia ter feito isso – Eu disse irritada – Isso é humilhante, você nem tem obrigação de fazer isso... Eu vou te pagar cada centavo disso.
— Como assim eu não tenho obrigação? Eu sou seu namorado – Ele sorriu ironicamente – Querendo ou não isso é minha culpa.
— Mas...
— O que queria que eu fizesse Annabeth? Deixado você e sua mãe enfrentarem uma família de pessoas ricas e geniosas, sozinhas? Queria que eu deixasse você ser penalizada por algo que eu criei? Queria que eu ficasse tranquilo quando você fosse levada para algum departamento de jovens infratores? Você queria isso? – Ele me olhou furioso
Eu engoli aquelas perguntas e suspirei em frustração.
— Meu Deus, Annabeth – Percy suspirou fundo – Você não tem noção do quanto eu me desesperei quando eu ouvi os barulhos de lutas dentro daquele banheiro, meu coração pareceu que ia sair pela boca, eu tinha certeza se você sairia bem de lá... Foi um dos momentos mais tensos que passei na minha vida. – Ele jogou seu corpo pra trás, deitando na cama e encarando o teto.
— Sinto muito – Eu me encolhi – Eu perdi a cabeça, eu não consegui me controlar, eu estava segurando tudo isso e... Eu não consegui deixar pra lá.
— É melhor você não ir pra escola amanha – Percy virou a cabeça pra me encarar – Eu não sei como as pessoas vão reagir ao que aconteceu hoje, eu não quero que você passe por algo ruim de novo.
— Tudo bem – Eu concordei sem protestar – Acho que é melhor.
Percy aproximou seu corpo de mim, alcançando minhas panturrilhas. Ele deu um leve beijo nelas e colocou uma das suas mãos sobre meu joelho.
— Eu quero que saiba que eu entendo sua reação, eu sei que foi difícil se segurar até hoje, mas pra tudo existe uma consequência. A Piper e eu conseguimos livrar você de uma ocorrência oficial do estabelecimento, eles vão inventar alguma desculpa caso os pais da Caly forem procurar saber algo, mas eu não sei como eles irão reagir a isso. – Percy suspirou – Eu sinto muito por ter gritado com você, ou ter agido de uma forma desagradável, eu estava nervoso e irritado.
— Eu sei, sinto muito – Eu deixei as lagrimas cair. – Eu quero ficar sozinha.
Percy ficou em silencio por alguns segundos, depois se levantou. Ele me deu um beijo na testa e saiu do quarto. Assim que o escuro e o silencio inundou o vazio, eu me arrependi de ter pedido pra ficar sozinha, eu na verdade não precisava ficar sozinha, eu precisava ficar com ele. Alguns minutos se passaram e eu não conseguia dormir, eu suspirei e tomei coragem para engolir meu orgulho. Me levantei e cuidadosamente fui até o quarto do Percy, a porta estava destrancada e eu tive livre acesso, ele parecia estar dormindo, mas mesmo assim eu me enfiei por baixo do seu edredom. Percy virou-se para o lado onde deitei com as sobrancelhas estreitas e uma cara de interrogação.
— Não consigo dormir – Eu sussurrei
— Ok! – Ele se ajeitou para se alinhar ao meu corpo. Abrindo os braços para que eu pudesse me encaixar dentro de seu abraço.
— Eu não queria que você fosse embora – Admiti
— Ah! – Ele deu um ar de riso. Seu queixo batia em minha cabeça – Achei que estava chateada comigo.
— Eu estava – Eu resmunguei
— E agora? Como se sente? – Ele perguntou
— Com medo das consequências – Admiti
— Eu não vou deixar você sofre-las sozinha – Percy me confortou. Descendo seu corpo para que seu rosto pudesse descansar entre meu ombro e meu pescoço.
— Eu só queria um pouco de férias de confusões – Murmurei
Percy riu e fez cocegas em meu pescoço.
— Não teremos férias de confusão se minha mãe nos pegar em meu quarto – Ele resmungou
— Eu posso assumir essa responsabilidade por você – Eu disse sorrindo.
Eu estava de costas pra ele, Percy sorriu mais ainda com meu comentário. Ele beijou meu pescoço e meu corpo se arrepiou, automaticamente me senti quente com seu toque, relembrando nossos momentos da noite passada. Não era mais preciso enrolação para entender que queríamos um ao outro. Eu me virei para beijá-lo e minhas frustrações foram tomadas e substituídas pelo prazer e sensações novas que o Percy podia me proporcionar.
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