AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

24 Capitulo 25 - DORMINDO SOBRE O BELO SOM DE UMA NOITE DE TIROTEIO


Percy chegou muito antes do que eu imaginava, ele tinha trazido as pizzas e, as batatas como prometido. Meu coração acelerou assim que eu fui atender a porta.

— Achei que ia chegar mais tarde – Eu dei passagem para ele entrar

— Eu trouxe filmes – Ele sorriu e, me deu um selinho – Eu estava com saudades

— Preciso me acostumar com isso – Eu disse envergonhada.

— Olá querido – Minha mãe se aproximou e, Percy corou.

— Boa noite, senhora Elena – Percy a cumprimentou – Gosta de pizza doce?

— Oh, querido eu adoraria, mas tenho que ir trabalhar – Ela se apressou em terminar de arrumar sua bolsa

— Trabalhar? – Percy perguntou, mas olhou para mim. Eu não entendi a surpresa dele.

— Sim... Por favor, tomem cuidado, não façam muita bagunça e, nem nada irresponsável. – Minha mãe veio até a mim – Até amanha querida. Te amo! – Ela beijou minha testa e, saiu.

Percy corou.

— Você não disse nada sobre isso – Percy disse desconfortavelmente. – Sobre sua mãe ir trabalhar hoje a noite

— Não disse? – Tentei me lembrar – É... Realmente, eu não disse. Porque? Algum problema sobre isso?

— Bem... – Percy coçou a cabeça – Na verdade não, se isso não te incomoda – Ele suspirou nervoso.

Foi então que no meio do silencio constrangedor eu havia entendido o porque ele tinha ficado tão surpreso e, nervoso. Eu acabei sem querer marcando um encontro com Percy, onde estaríamos literalmente sozinhos. Eu corei.

— Eu não fiz de propósito – Eu disse imediatamente – Eu só queria te ver.

— Tudo bem – Percy sorriu

Nós nos ajeitamos no sofá e, comemos as pizzas e, as batatas fritas e, assistimos um filme de ação que acabou prendendo toda nossa atenção. Já tinha mais de duas horas de duração e, eu resolvi dar pausa para ir ao banheiro. Antes de voltar para a sala ouvi barulhos.

— Ei! – Eu reclamei – Era pra você me esperar

Percy não me deu importância, ele olhava fixamente para a porta que dava para a saída, seu olhar confuso e, assustado ao mesmo tempo. O filme no notebook do Percy ainda estava em pausa e, então o mesmo barulho ecoou, foi ai que percebi que não se tratavam de tiros do filme e, sim tiros de verdade.

— Acho que é um tiroteio – Eu suspirei em desanimo.

— Isso é serio? – Percy perguntou preocupado.

— Isso é um morro – Eu voltei a me sentar junto a ele.

Meu celular tocou. Era a vovó Anna, ela havia me confirmado a confusão que estava se passando no nosso bairro.

— Más noticias – Eu disse a Percy quando desliguei o celular – É um tiroteio

— Jura? – Percy revirou os olhos.

— Disputa de posse da boca, não vai acabar tão cedo – Eu mordi uma fatia de pizza

— Pela sua tranqüilidade, deve ser algo normal – Percy me analisou

— Não se preocupe, eles não invadem as casas, só corre perigo quem comete o erro de sair... Pode ser confundido, ou simplesmente ser atingido por uma bala perdida – Eu dei de ombros

— Isso é ruim – Percy murmurou

— Bem vindo à favela, playboyzinho – Eu ri.

Percy me fitou.

— Você está achando engraçado? – Ele deu um sorriso malicioso – Como acha que irei pra casa então?

Meu sorriso se desfez. Percy não podia sair e, eu não fazia idéia de quando as coisas ficariam tranqüilas lá fora e, mesmo assim ainda seria ruim se ele saísse. Percy riu notando minha preocupação.

— Preciso falar com a minha mãe – Foi a única coisa que conseguir dizer.

— Eu falo – Ele ainda mantinha um sorriso malicioso.

Enquanto eu ajeitava as coisas na cozinha, Percy falava com minha mãe. Estranho perceber o quanto os dois se davam tão bem, embora ele tenha conversado com ela por bastante vezes, desde a confusão na escola.

— Sua mãe disse que não era pra eu sair daqui hoje – Percy se encostou no batente que separava o espaço da sala para a cozinha.

Eu fiquei olhando para ele, com uma cara de lesada, tentando absorver as opções.

— Não entendi – Admiti de uma vez

— Ela disse que vou ter que dormir aqui... – Ele deu de ombros – Onde está a graça agora, sabidinha? – Percy riu. – A questão é... Você quer que eu durma no seu quarto, ou no sofá?

— Ok, cabeça de alga... – Eu suspirei entendendo a brincadeira dele.

Queria me deixar sem jeito, mas agora era a minha vez de fazer aquilo.

— Onde você prefere que a gente durma? O sofá é mais confortável, mas na cama tem mais espaço. – Eu dei um sorriso sínico.

Percy arregalou os olhos e, corou. Ele deu uma pequena virada para trás analisando o sofá e, depois olhou para mim.

— Ok, no sofá então – Eu ri.

— Serio? Você considerou as opções? Achei que ia jogar um prato na minha cara – Ele se divertiu com a idéia.

— O que eu posso dizer? Você tem um poder de persuasão muito grande – Eu comecei a atacar as batatas fritas.

— Isso é uma grande mentira – Ele revirou os olhos e, sentou-se a mesa para comer.

Eu ajeitei o sofá para Percy, ele era bastante confortável, mais que minha cama. Eu também dei uma toalha para que ele pudesse tomar banho, enquanto eu terminava. Minha casa era praticamente do tamanho da sala dele e, mesmo assim ele conseguia se sentir a vontade. Isso me deixava com mais segurança, mas também depois das coisas que a mãe do Percy falou a mim, fez com que meus olhos se abrissem e, eu entendesse que independente da minha classe, eu estava no nível de qualquer pessoa.

— Annie... – Percy me chamou – Você está realmente bem com isso?

Ele sentou-se no sofá me encarando. Percy cheirava a colônia doce, algo perfeito para uma noite de sono.

— Você me deu duas opções, certo? – Eu o encarei – Eu escolhi uma.

— Não estou acostumado com isso – Ele fez uma careta – Você sendo objetiva demais.

Eu ri.

— Você pode ir para casa se quiser – Eu dei de ombros

— Não mesmo! – Ele me puxou e, eu cai sobre ele.

Nós ainda não havíamos nos beijado de verdade hoje e, foi reconfortante receber o beijo. Eu continuei sobre ele e, agora ele estava fazendo cafuné em minha cabeça. O silencio da noite nos inundou, era perfeito estar daquela forma com ele.

— Você falou brincando sobre nós dois dormirmos no sofá, não foi? – Ele quebrou o silencio.

Eu ri.

— Você precisava ter visto sua cara – Eu continuei rindo. Percy suspirou

— Isso não é nem um pouco engraçado – Ele suspirou mais uma vez.

— Me desculpe, você estava tentando me deixar sem graça, eu reverti a situação – Continuei rindo

Percy não resistiu a uma pequena risada.

— Ainda não conversamos sobre o principal assunto da Caly – Ele sussurrou receoso. – Principalmente sobre a questão do...

— Você acredita nela – Eu o interrompi – E eu confio em você. A Selena me disse algumas coisas sobre ela não ter se transferido, mas na sua mensagem ela disse que tinha ido embora.

— A Selena disse isso? – Ele perguntou curioso e, receoso.

— Sim, ela me deu uma carona hoje... Não me pergunte o porquê – Eu fui logo avisando.

— Talvez ela tivesse desistido... Não tem porque ela mentir sobre isso – Ele tentou defende-la. Me subiu uma pequena raiva, mas suspirei.

— Não importa, eu confio em você. – Eu disse mais uma vez

— Isso me deixa aliviado, mas... Você acredita que foi ela? – Ele perguntou desanimado

— Não sei, eu não confio nela – Admiti – Eu só queria esquecer isso tudo.

— Tudo bem – Ele me apertou forte.

Ficar com o Percy era tão bom, o abraço dele era tão quentinho e, confortável... Eu queria muito poder adormecer naquele abraço.

— Percy... – Eu sussurrei. – Mudei de idéia...

— Sobre o que? – Ele perguntou receoso.

— O que eu falei sobre ter sido só pra te deixar sem graça... Na verdade, eu não quero que você durma no sofá. – Eu disse de uma vez.

Percy deu um ar de riso.

— Você me deixa nervoso falando essas coisas – Ele admitiu

— O cogitado e, popular, atraente, sexy e, pegador Percy fica nervoso quando uma garota o chama para dormir abraçadinha com ele? – Eu ri com minhas próprias palavras.

— Quando uma garota me chama não, mas sendo você... Sim! – Ele admitiu

— Não pense besteiras – Eu resmunguei

— Impossível – Ele admitiu – Você está me chamando pra dormir em sua cama... Impossível não pensar besteiras. Você ainda me deve muito pela noite no condomínio, me provocando daquele jeito.

Eu ri

— Pare... Isso é constrangedor – Eu resmunguei

— O que você realmente pretende me pedindo algo assim? Porque eu preciso saber, antes de me empolgar – Nós dois rimos.

— Eu só quero poder me acostumar com seu abraço – Eu admiti.

Percy suspirou.

— É você que tem um poder de persuasão sobre mim, sabia? – Ele murmurou.

Eu dei um risinho e, me levantei. Puxei o Percy comigo e, de mãos dadas fomos até o meu quarto, eu não estava pensando em nada pervertido, eu só queria me acostumar com a presença dele, eu só queria começar as coisas devagar. Selena apesar de uma boca suja, tinha razão, meu medo precisava ser superado e, eu tinha que começar a fazer algo sobre aquilo, eu precisava ser mais intima do Percy. Nós adormecemos abraçados, sobre os belos e, terríveis sons de uma noite de tiroteio, com corações em sintonia e, com a certeza de que aquilo poderia dar realmente certo, Percy e, eu... Percy havia dito que não sabia o que me prendia a ele, eu comecei a formar uma idéia sobre aquilo... Éramos como a lenda Akai Ito, nossos destinos estavam ligados, eu podia sentir isso.

O clarão do dia me fez despertar, eu estava sendo envolvida por um braço forte e,musculoso. Arfei em desespero e, tentei me afastar, eu queria gritar, mas em meio a confusão na minha cabeça uma voz me despertou.

— Annie! – Percy gritou.

Eu estava assustada e, suspirando. Olhei mais uma vez para os cantos do quarto, eu estava em minha casa, eu estava no meu quarto, eu estava com Percy, eu estava segura, eu estava bem.

— Sou eu! – Percy parecia preocupado. Ele segurava meus braços como se estivesse impedindo que eu caísse da cama.- Annie?

— Percy! – Eu finalmente voltei a mim. – Me desculpe... Me desculpe. – Eu o abracei.

— Tudo bem – Ele suspirou em alivio – Tudo bem – Ele repetiu me consolando.

Esse era um dos motivos pelo qual eu achava que nunca conseguiria me entregar a uma pessoa, eu sempre acabo tento um delírio traumático e, um ataque de pânico. Eu não queria ter que fazer o Percy passar por isso, não queria confundi-lo com o monstro da minha vida. É por isso que eu irei definitivamente superar esse medo.