Notas iniciais
🖤 Olá, meus sobreviventes... Depois do caos, às vezes o perigo veste roupas mais elegantes. Algumas verdades ficam enterradas por décadas. Alguns segredos têm o poder de destruir famílias inteiras. E algumas pessoas chegam às nossas vidas exatamente quando acreditamos que tudo está finalmente em paz. Neste capítulo, sangue, herança e destino começam a se misturar de uma forma muito perigosa. Boa leitura. 🖤

CAPÍTULO 6 — SANGUE E IMPÉRIO

POV BELLA

Dois meses podem ser uma eternidade ou um mero piscar de olhos quando você está ocupada reconstruindo as fundações de um império. Em sessenta dias, as águas de Londres pareceram finalmente encontrar um leito calmo. Com a intervenção fria e burocrática de Felix no sistema escolar, o "incidente" de Tony foi varrido para debaixo do tapete com tanta eficiência que parecia nunca ter existido. O garoto agora passava duas tardes por semana conversando com um terapeuta infantil infantilmente caro, aprendendo a modular suas respostas para parecer uma criança perfeitamente normal. Ele estava jogando o jogo. Estávamos todos.

Mas aquela manhã não pertencia ao caos. Pertencia a uma paz quase milagrosa.

Acordei com a luz suave do sol de Londres atravessando as cortinas de linho, desenhando linhas douradas sobre os lençóis de seda bagunçados. O quarto ainda guardava o calor de uma noite de amor intensa, mas, pela primeira vez em muito tempo, despida daquela urgência violenta e doentia. Havia apenas uma entrega mansa, profunda.

Virei o rosto no travesseiro e encontrei Edward me observando. Ele já estava acordado, apoiado em um dos cotovelos. Os olhos castanhos, geralmente tão cheios de cálculos e sombras acadêmicas, estavam incrivelmente limpos, transbordando uma adoração genuína.

— Bom dia, Bells... — ele sussurrou, a voz rouca pelo sono, um sorriso lento e incrivelmente lindo surgindo em seus lábios.

— Bom dia... — respondi, esticando os braços e me espreguiçando, sentindo cada músculo do meu corpo relaxado.

Edward moveu-se lentamente pela cama, colando o corpo dele ao meu. Uma de suas mãos, grandes e quentes, deslizou pela minha cintura e desceu até o meu ventre. Com a ponta dos dedos, ele começou a acariciar a minha barriga, que agora, aos quatro meses de gestação, exibia uma saliência perfeitamente aparente. Era uma curva suave, delicada, que abrigava a nossa Charlotte.

Ele inclinou o corpo, deitando a cabeça ao lado do meu quadril, e pressionou um beijo demorado, quente e reverente contra a minha pele nua, exatamente ali, onde a nossa menina crescia. Senti um arrepio doce percorrer a minha espinha enquanto os dedos dele continuavam o desenho circular, admirando a simetria daquele milagre genético.

— Você está perfeita — ele murmurou contra a minha pele, os olhos brilhando enquanto olhava para cima para me encarar. — Cada milímetro seu.

Ficamos ali por longos minutos, imersos em um idílio doméstico fofo e silencioso, antes que a realidade da casa nos chamasse de volta. Tomamos um banho juntos, trocamos de roupa e, de mãos dadas, descemos para a sala de jantar.

A mesa do café da manhã já estava cheia. O clima caótico-sofisticado da nossa família estava em exibição: Tony mastigava uma maçã com os olhos fixos em um livro de figuras; Bree tomava seu chá com o olhar focado no celular; Renée folheava uma revista de moda de Paris; e Felix, impecável em seu terno cinza, digitava rapidamente em seu tablet corporativo.

— Bom dia a todos — Edward cumprimentou, puxando a cadeira para mim com a fidalguia de sempre.

Felix ergueu os olhos do tablet, e a expressão dele era puramente profissional, o que significava que o trabalho havia cruzado a nossa porta.

— Bella, Edward, que bom que desceram — Felix começou, cruzando os dedos sobre a mesa de jacarandá. — O Carlisle ligou de Los Angeles hoje de madrugada. Ele solicitou, ou melhor, exigiu a presença de absolutamente todos os membros da família em uma reunião de emergência na sede da corporação na próxima semana.

Revirei os olhos imediatamente, soltando um suspiro exasperado enquanto me servia de um pedaço de mamão. Eu não tinha a menor paciência para o autoritarismo empresarial do meu pai.

— Felix, faça o favor de responder o e-mail do Carlisle — falei, o tom destilando o meu mais puro deboche aristocrático. — Diga a ele que não poderei comparecer. Invente que... sei lá... estou com uma unha encravada terrível e o médico me proibiu categoricamente de pegar um voo transatlântico.

Renée baixou a revista, lançando-me um olhar severo por cima dos óculos de leitura.

— Bella, por favor. É o seu pai. E é uma convocação oficial.

Edward colocou a mão sobre a minha, apertando-a de leve, tentando fazer o papel do genro sensato que busca a harmonia.

— A sua mãe tem razão, Bells. Relevar a raiva dele por agora pode ser estrategicamente melhor para nós. Não precisamos de uma guerra aberta com Los Angeles enquanto estamos focados no Tony e na bebê.

Felix balançou a cabeça negativamente, olhando para mim com uma seriedade cortante.

— Não é apenas capricho do Carlisle, Bella. Você é a única herdeira legítima da Higginbotham Company. O assunto deve ser a reestruturação das ações ou a sucessão do fundo familiar. Você precisa se fazer presente naquela mesa antes que a nova amante do seu pai coloque as mãos no nosso dinheiro.

Inclinei o corpo para a frente, fixando meus olhos nos de Felix com uma frieza territorial instantânea.

— Do meu dinheiro, você quis dizer, Felix — corrigi na hora, a voz mansa, mas afiada como uma navalha. — O sobrenome na holding é Higginbotham. O sangue é meu. O dinheiro é meu. Não confunda as funções.

Felix sustentou o meu olhar por dois segundos antes de abaixar a cabeça em um aceno sutil de submissão.

— Claro. Do seu dinheiro, Bella.

POV EDWARD

Depois do café, Bella subiu para o quarto com Bree para organizar algumas roupas que Alice havia mandado da França. Eu precisava pegar um documento no escritório de Felix, que ficava nos fundos do corredor da cobertura. Meus passos eram silenciosos por hábito; eu não fazia barulho ao caminhar sobre os tapetes grossos.

Quando me aproximei da porta semiaberta da biblioteca, ouvi vozes baixas, tensas, que não combinavam com o tom corporativo do dia. Era Renée e Felix.

Parei na penumbra do corredor, encostando as costas contra a parede de gesso. Minha mente analítica entrou em modo de captura imediata.

— Você não deveria ter falado com ela daquele jeito, Felix — a voz de Renée era um sussurro ríspido, despido de toda a pose teatral que ela exibia na mesa. — A Bella está grávida, os nervos dela estão à flor da pele. E você sabe o quão territorial ela é com a herança da holding.

— Eu passei a minha vida inteira protegendo o patrimônio que vai ser dela, Renée! — Felix rebateu, e a voz dele, geralmente tão controlada e robótica, vibrou com uma emoção crua, quase violenta. — Eu aguentei o Carlisle bancando o grande patriarca industrial, aguentando as ordens daquele imbecil, vendo ele assinar os papéis como se fosse o dono do mundo. Mas eu não vou ver uma vagabunda de Los Angeles roubar o que pertence aos meus filhos!

Prendi a respiração. Meu cérebro deu um estalo. Meus filhos?

— Cala a boca, Felix! — Renée sibilou, o pânico nítido na voz dela. — As paredes têm ouvidos nesta casa! Se o Edward ou a Bella escutam isso...

— Eles não vão escutar! — Felix deu um passo pesado pelo tapete da biblioteca. — Mas a verdade é uma só, Renée. O Carlisle pode ter o nome nos documentos, mas a Bella e o Emmett não têm uma única gota de sangue daquele homem. Eles são meus. Meus e seus. Nós sabemos o que aconteceu em Madre Linda antes da holding ser consolidada. O Carlisle é estéril, aquela farsa de casamento só serviu para salvar as aparências da elite. Se a Bella descobrir que o homem que ela chama de capataz é o verdadeiro pai biológico dela...

— Ela nunca vai descobrir! — Renée cortou, a voz trêmula. — Isso destruiria a mente dela, Felix. A Bella idolatra a estrutura de poder que o Carlisle representa, mesmo odiando o homem. Se ela souber que a vida inteira dela foi uma mentira de sangue, ela desaba. E você sabe o que acontece quando a Bella desaba. O sangue corre.

O silêncio que se seguiu na biblioteca foi sepulcral.

No corredor escuro, o meu mundo girou em um eixo de choque absoluto. Minhas pupilas dilataram. O que eu acabara de ouvir era um segredo forense de magnitude nuclear. Felix... o homem que limpava os rastros dos crimes da Bella, o segurança, o executor de bastidores... era o pai biológico dela. E do Emmett. O Carlisle era apenas um espantalho corporativo rico.

Processei a informação com a velocidade de um computador quântico. O impacto disso na mente de Bella seria catastrófico. Ela, que se orgulhava de ser a herdeira perfeita de uma linhagem de predadores industriais, descobriria que era fruto de um caso de bastidores entre a mãe e o capataz. A estabilidade doméstica que eu vinha lutando tanto para construir nos últimos dois meses viraria cinzas.

Afastei-me da porta com passos de fantasma, voltando para o quarto principal. Olhei para as minhas próprias mãos. Eu tinha um trunfo gigantesco. Mas, pela primeira vez na vida, o meu instinto não foi o de usar a informação para manipular. Foi o de proteger. Eu amava aquela mulher a ponto de engolir aquele segredo e carregá-lo comigo até o túmulo se isso significasse manter o sorriso dela intacto.

POV BELLA

Na manhã seguinte, o clima de segredos invisíveis parecia ter se dissipado, ou pelo menos nós éramos excelentes em ignorá-los. Edward insistiu em me acompanhar até a clínica ginecológica de elite em Mayfair. Ele parecia estranhamente mais atento, mais protetor, segurando a minha mão com uma firmeza quase desesperada durante todo o caminho, como se eu pudesse quebrar a qualquer momento. Achei que era apenas o efeito da conversa que tivemos na noite em que o Tony foi castigado.

A sala do Dr. Harrison era o ápice do minimalismo médico: paredes brancas, móveis de carvalho claro e um silêncio reconfortante.

Eu estava sentada na cadeira de exames, com a blusa suspensa, enquanto o médico passava o transdutor aquecido pela minha barriga de quatro meses. Na tela de alta definição ao lado, a silhueta da nossa bebê apareceu. Ela estava se movendo devagar, os batimentos cardíacos ecoando pela sala em um ritmo rápido, forte e vital.

Tup-tup, tup-tup, tup-tup.

Edward olhava para a tela com uma fixação quase religiosa. Os dedos dele estavam cravados nos meus, e eu podia sentir o calor da palma da mão dele.

— Muito bem, casal Cullen — o Dr. Harrison disse, limpando o gel do meu ventre com um lenço de papel e pegando uma pasta de couro com os resultados dos exames de sangue laboratoriais da semana passada. Ele abriu um sorriso hígido, profissional. — O resultado da sexagem fetal e dos painéis genéticos chegou. Está tudo absolutamente perfeito. Nenhuma anomalia, saúde de ferro. E, como vocês já suspeitavam... é uma menina. Parabéns, vocês estão esperando a pequena Charlotte.

Uma onda de alívio e uma plenitude indescritível inundaram o meu peito. Olhei para Edward. Ele se inclinou na minha direção, os olhos dele brilhando com uma intensidade que me desarmou por completo. Ele colou a testa dele na minha, ignorando a presença do médico, e sussurrou:

— Nossa Charlotte, Bells... ela está vindo.

Sorri, sentindo que, apesar de Los Angeles, apesar do Carlisle, de Felix e de todas as ameaças do mundo, nós havíamos vencido. O nosso plano estava se concretizando. Uma nova vida, puramente nossa, estava a caminho para herdar o império.

Nós éramos invencíveis. E nada, absolutamente nenhuma mentira do passado, seria capaz de mudar o destino de sangue que nós estávamos escrevendo em Londres.

POV EDWARD

O Porsche de Bella deslizou suavemente até a guia em frente ao prédio de tijolos vitorianos do departamento de literatura. Ela estacionou com a precisão milimétrica que aplicava a tudo na vida. Antes que eu pudesse soltar o cinto, Bella inclinou-se no banco de couro, os cabelos castanhos caindo como uma cascata perfumada. Ela segurou minha nuca com uma firmeza possessiva e me deu um beijo lento, profundo, que carregava o gosto doce do café da manhã e a promessa silenciosa da nossa nova fase.

— Tenha uma boa aula, Professor Cullen — ela sussurrou contra meus lábios, os olhos castanhos brilhando com aquela malícia inteligente. — Estarei te esperando em casa.

— Até mais tarde, Bells — respondi, sentindo um calor genuíno no peito.

Desci do carro e observei o veículo arrancar, sumindo no trânsito de Londres. Respirei fundo, tentando organizar a minha mente. O segredo avassalador sobre a paternidade de Bella e Emmett pesava no meu bolso como uma granada sem pino. Eu precisava canalizar aquela energia intelectual para algum lugar, ou acabaria entregando o jogo antes da hora.

Caminhei até o anfiteatro principal. A sala estava cheia; o eco das conversas dos estudantes cessou no instante em que joguei minha pasta de couro sobre a mesa de carvalho. Ajustei minhas lentes e encarei a plateia de jovens mentes medíocres.

— Bom dia — comecei, a voz projetando-se sem esforço pelas paredes de pedra. — Hoje, deixaremos Dostoiévski brevemente de lado para analisar um texto do início do século XIX. Uma obra rara, um ensaio satírico e analítico de Thomas De Quincey: Do Assassinato Considerado como uma das Belas Artes.

Um murmúrio de curiosidade percorreu as fileiras.

— De Quincey propõe uma inversão estética radical — continuei, caminhando lentamente de um lado para o outro. — Ele sugere que, uma vez que o crime foi cometido, a sociedade deve deixar de lado a moralidade tacanha e julgá-lo como uma obra de arte. O assassino em série, o predador meticuloso, torna-se um artista; o sangue, a sua tinta; o cenário, a sua tela. O que diferencia um homicida comum de um mestre do crime é o design. A capacidade de criar uma obra perfeita, sem rastro, sem falha na composição.

Meus olhos escanearam a sala e, inevitavelmente, travaram na terceira fileira. Katherine Santiago estava lá. Ela usava um suéter de tricô vermelho-sangue ligeiramente caído no ombro e me encarava com uma intensidade felina, a ponta de sua caneta deslizando lentamente pelos lábios inferiores.

Durante os noventa minutos seguintes, destrinchei a mente dos primeiros grandes predadores da literatura e da história forense, sentindo o peso das minhas próprias palavras. Eu conhecia o "design" perfeitamente. Eu vivia com uma artista de elite na minha própria cama.

Quando o sinal ecoou, os alunos começaram a recolher seus pertences. Arrumei meus papéis com calma, ansioso para voltar para a cobertura e para a segurança dos braços de Bella.

— Uma aula brilhante, Professor... como sempre.

Ergui os olhos. O anfiteatro já estava quase vazio, mas Katherine havia permanecido. Ela contornou a mesa com passos lentos, felinos, parando a poucos centímetros de mim. O perfume dela — algo doce e invasivo, completamente diferente do aroma limpo de alecrim de Bella — invadiu o meu espaço.

— Obrigado, Katherine — respondi, mantendo a voz polida, o tom formal do corpo docente. Guardei o último livro na pasta e tentei fechar o zíper, mas ela deu mais um passo, bloqueando sutilmente a minha rota de saída.

— De Quincey estava certo — ela sussurrou, inclinando o corpo na minha direção, os olhos fixos nos meus lábios. — Existem coisas que são violentamente belas. E existem homens que sabem exatamente como desenhar o caos. Você não acha, Edward?

O uso do meu primeiro nome foi uma quebra de protocolo audaciosa. Senti a armadilha se armar ao meu redor. Uma saia justa acadêmica e pessoal. Katherine era argilosa; ela deslizava pelas frestas, tentando encontrar uma rachadura na minha estrutura para se infiltrar. Meu instinto de predador reconheceu o flerte implícito, o jogo de sedução barato. Por um segundo, a antiga vaidade sombria sussurrou na minha mente.

Mas então, a imagem de Bella na nossa cama naquela manhã, o calor da barriga dela sob os meus dedos e a promessa que fiz de lutar pela nossa família piscaram como um farol na minha mente. Nenhuma mente medíocre daquela faculdade chegava aos pés do monstro perfeito que eu tinha em casa.

— Senhorita Santiago — usei o sobrenome dela com uma frieza clínica, recuando um passo milimétrico, restabelecendo a barreira invisível da autoridade. — Sugiro que guarde suas digressões filosóficas para o ensaio final. E mantenha o tratamento profissional. Tenha uma boa tarde.

Peguei a pasta e fiz menção de passar, mas ela não recuou facilmente. Katherine soltou uma risada baixa, os olhos brilhando com uma persistência quase obsessiva.

— Você pode fingir que é um santo de tweed, Professor Cullen... — ela murmurou, a voz mansa, esticando a mão para tocar levemente a lapela do meu paletó antes que eu pudesse desviar. — Mas eu vejo a escuridão nos seus olhos. E eu adoro o escuro.

Retirei-me antes que ela pudesse continuar, deixando-a sozinha no anfiteatro. O flerte dela não era apenas uma distração irritante; era um perigo que eu precisaria eliminar caso ela decidisse cruzar a linha do meu perímetro novamente.

O trajeto de volta para casa foi rápido. Quando a porta eletrônica da cobertura bipou e se abriu, fui recebido por uma cena que congelou qualquer resquício de tensão que a faculdade tivesse deixado em mim.

A sala de estar parecia ter sido invadida por uma nuvem de algodão e sofisticação infantil. Havia caixas de grife espalhadas pelo chão, sacolas de boutiques de Paris e Milão e, no centro de tudo, um verdadeiro mundo de coisas de bebê. Sapatinhos minúsculos de lã branca, mantas de cashmere, bodies com bordados delicados e pequenos brinquedos de madeira de reflorestamento estavam empilhados sobre a mesa de centro.

Bella estava sentada no tapete, com as pernas cruzadas, segurando um macacãozinho rosa-claro com um sorriso genuinamente doce no rosto. Ao redor dela, a família estava reunida em uma cena raramente fofa e doméstica. Bree examinava um par de sapatinhos com um sorriso divertido; Tony tentava empilhar alguns chocalhos de prata; Renée dava palpites sobre a qualidade do algodão francês; e até mesmo Felix estava de pé ao lado do sofá, segurando um minúsculo casaco de frio com uma expressão que, para os padrões robóticos dele, era o ápice da ternura.

— Vejam só, o papai chegou! — Bella exclamou assim que me viu, os olhos brilhando.

Aproximei-me daquela bolha familiar, deixando minha pasta no aparador. Ver a harmonia daquelas pessoas — sabendo o segredo de sangue que unia três delas naquela sala — causou um aperto nostálgico no meu peito. Ajoelhei-me ao lado de Bella no tapete, depositando um beijo rápido em sua têmpora.

— Parece que alguém assaltou as boutiques do Bond Street — brinquei, pegando um dos sapatinhos minúsculos, admirando o tamanho daquilo.

— A Alice não tem limites, Edward — Bella riu, encostando o ombro no meu, exalando aquela paz que havíamos conquistado nos últimos meses.

Tony se aproximou, deixando os chocalhos de lado, e bateu de leve na minha perna.

— Papai, a Charlotte vai ter mais roupas do que eu? — o menino perguntou, com um bico adorável.

— Acho que sim, campeão — respondi, bagunçando os cabelos castanhos dele, sentindo uma onda de afeto puro pelo garoto.

Bella olhou para os lados, observando a família reunida entre as fitas de cetim e as caixas de presente. A expressão dela mudou sutilmente, o deboche da manhã dando lugar a uma determinação firme, calculista e régia. Ela se levantou com a ajuda da minha mão, limpando os joelhos, e olhou diretamente para Felix e Renée.

— Sabe de uma coisa? Eu estive pensando melhor enquanto olhava para essas coisas da nossa menina — Bella começou, a voz melodiosa, mas carregada daquela autoridade inquestionável que definia o sangue Higginbotham. — O Carlisle quer uma reunião de família na próxima semana? Ele vai ter. Nós vamos cancelar o e-mail da unha encravada, Felix. Na próxima semana, nós vamos TODOS para Los Angeles.

Olhei para ela, surpreso pela mudança súbita de estratégia. Felix e Renée se entreolharam, uma faísca de tensão cruzando o olhar dos dois.

— Vamos entrar naquela sala da holding como a família unida e perfeita que eles acham que somos — Bella continuou, um sorriso frio e terrivelmente lindo cruzando seus lábios. — Vamos garantir o que é meu por direito, e ninguém, nenhuma amante ou patriarca decadente, vai se colocar no caminho da herança dos meus filhos. Estamos entendidos?

O círculo estava se fechando. Nós estávamos prestes a levar os nossos monstros de volta para o ninho onde tudo começou. E eu, guardando o segredo que mudaria o destino daquela dinastia para sempre, sabia que Los Angeles nunca mais seria a mesma depois da nossa chegada.

Notas finais
E então...Temos uma Charlotte oficialmente confirmada. 🩷 Temos Edward escondendo um segredo capaz de destruir a família Higginbotham. Temos Katherine Santiago claramente se aproximando cada vez mais do fogo. E, talvez o mais importante de tudo... Temos Bella decidindo voltar para Los Angeles. Vocês sabem o que isso significa, não sabem? Toda vez que essa família retorna para casa, alguém acaba sangrando. Quero saber: 🖤 O segredo de Félix deve ser revelado para Bella? 🖤 Edward está certo em esconder a verdade? 🖤 Katherine está despertando algo em Edward ou ele realmente está mudando? 🖤 E quem está mais preocupado com a viagem para Los Angeles: vocês ou eu? Nos vemos no próximo capítulo. Porque algumas famílias herdam dinheiro, mas os Higginbotham herdam segredos. 🖤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.