AEBA - Ayres Escola de Belas Artes
3 Capítulo 3 - Olívia
Notas iniciais
Beba mais um pouco. Não terá problema.
Relaxa, somos só nós dois aqui.
Curta a noite.
—... Olívia. Olívia, você está me ouvindo? – Perguntou Mamãe, estalando os dedos na frente dos meus olhos.
— Oi? O que a senhora disse?
— Eu perguntei se você não quer de matricular na Ayres Belas Artes. Soube que lá é a melhor das melhores.
Minha mãe balançava nervosamente, e eu sabia o que ela queria. Se livrar de mim.
No final do ano passado, me envolvi em uma grande confusão. Bebi um bocado em uma noite, e bem... Quase morri em um acidente de carro.
De lá para cá, eu estou envolvida com a reabilitação. Mamãe estava sempre de olho em mim, prestando atenção em cada passo meu.
— Não sei... Eu não sei se estou pronta para tentar retomar uma...Vida.
— Eu sei. – Falou mamãe, apertando a minha mão. – Mas se você quiser, eu posso te inscrever amanhã mesmo. Sei que você sempre quis fazer teatro. Mas, se não quiser... Não vou te forçar a nada.
Apertei a mão dela com força.
— Obrigada, mãe. Muito obrigada mesmo.
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— Olívia, você enlouqueceu de vez?! Como você grita para Deus e o mundo que eu era apaixonada pelo Roger, e que isso era recíproco? – Perguntou Maria, minha cunhada, pirando.
Nós estávamos no quarto que eu dividia com Ester – que agora estava na aula de música. – conversando.
— Relaxa, Mariazinha. O Roger nunca teria coragem de se declarar para você. E nem você teria coragem de se declarar para ele.
— Eu não sinto nada pelo Roger! – Esbravejou Maria. – Nunca senti, e não pretendo sentir.
Eu ri, mas antes que eu pudesse respondê-la, meu celular vibrou. Ana, uma velha amiga minha, de Maria e de Ester.
— A Ana tá perguntando se eu vou ao casamento da Sofia com seu pai.
Maria travou.
— Eu não pretendo ir. – Me apressei em dizer.
— Nem eu. Não vou fazer parte dessa palhaçada. Se eu quisesse ver um espetáculo, comprava um ingresso. – Falou a minha amiga, me fazendo rir.
— Ei, não fala assim. Seu amado papai e sua amada madrasta.
— Não sinto amor por nenhuma das partes dali. Por mim, eles vão pro inferno. – Ela colocou a mão na cintura e continuou. – Por falar em Sofia, por quê a senhorita comentou sobre ela com a Felícia hein?
— Era para quebrar o clima.
— Pois você piorou tudo! O clima ficou pior do que antes.
Eu e Maria iniciamos uma pequena discussão, que logo foi interrompida por meu namorado.
Jardim. Cinco minutos.
— Amor! – Gritei assim que vi ele.
Abracei seu pescoço e o beijei. Senti o seu cheiro, e me senti reconfortado. Conheci Tom assim que entrei na escola, e logo nós nos apaixonamos. Estamos juntos há algum tempo, e eu o console quando o pai saiu de casa.
Éramos nós dois, no nosso mundo. No nosso amor.
Desde de que saí da reabilitação, descobri novos ares, e Tom era um dos pontos altos dessa nova fase.
— Você sumiu. – Ele falou, baixinho, enquanto aspirava meu cheiro.
— Tava com a Maria. Ela brigou comigo por causa do lance com o Roger. – Revirei os olhos.
Meu namorado riu, e me abraçou mais uma vez.
— Eu estava pensando. – Ele começou, me beijando. – Que. Ao. Invés. De. Nós. Irmos. Para. O. Casamento. Do. Meu. Pai. Podíamos. Passar. Um. Final. De. Semana. Na. Praia. – Ele falou, entre os selinhos que me dava, me fazendo rir.
Eu e ele nunca tínhamos viajado. Ele já tinha mostrado interesse de passar um final de semana inteiro comigo, mas eu nunca aceitei. Acho que esse era o momento ideal para isso.
O abracei, e o beijei por um longo minuto.
— Mas é claro que eu aceito.
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