Notas iniciais
Espero que gostem!

Chegamos ao castelo e deixamos os cavalos no estabulo. Logo alguns dos nossos homens vieram ajudar a levar o veado para a cozinha. Esse mês teríamos uma boa quantidade de carne para dividirmos com todos.

— Príncipe Edward! – Os homens que guardam as portas me cumprimentam e logo vejo que um deles é um dos homens do rei.

— Ele já chegou? – Pergunto com um frio na barriga.

— Sim senhor. – respiro fundo e me preparo para entrar na sala. Não precisei esperar muito tempo para avistar meu pai andando de um lado para o outro, aparentando estar claramente irritado. Não demorou muito para que ele me visse chegando.

— Eu saio por uma semana e você estupidamente deixa o castelo para mais uma de suas aventuras? – Ele grita se aproximando de mim.

— Papai! – ele para na minha frente e eu logo arrumo minha postura colocando as mãos para trás. — O senhor não voltaria pela manhã?

— Triste porque frustrei seu plano de me esconder sua estupidez? – ele grita novamente apontando para o meu rosto. — Você tem noção do que está em jogo aqui, Edward? O futuro do nosso reino! E você colocou tudo em risco por mais uma caçada.

— Não é só uma caçada, eu precisava sair. – me defendo.

— E eu preciso de você no castelo quando eu não estiver, defendendo nosso reino! – ele então para de gritas e passa a mão na testa dando claros sinais de cansaço. — Edward, você sabe que é importante para o reino que se case com a herdeira de Markab, estamos em tempos sombrios filho. Precisamos proteger nosso povo.

— Mas por que precisa ser eu? E por que casamento? Essa é uma tradição ridícula, ninguém deveria ser obrigado a casar com alguém que se quer conhece. – digo.

— Eu não vou viver para sempre, temos que tomar cuidado. Você será o rei amanha Edward, por isso preciso que seja responsável. – ele encosta-se ao trono. — Agora só temos você filho, dependemos de você!

Logo a raiva volta a me atacar.

— Não teria que ser assim se não fosse por você. – Esbravejo me afastando dele.

— Não vamos discutir isso de novo. – ele pede indo se sentar no trono, e eu o sigo.

— E quando discutimos alguma coisa? – grito. — Você manda e nós obedecemos, como súditos leais que somos.

— Você é meu filho Edward, não qualquer súdito. – ele diz firme me olhando.

— Você não pensou nisso quando resolveu expulsar meu irmão do reino e manda-lo como um espião qualquer para fazer seus trabalhos sujos. – a tristeza e rancor por esse acontecimento ainda permanece em mim.

— Não faça com que eu tenha que brigar com você hoje Edward, não hoje. – Ele pede suspirando.

— Desculpe-me atrapalha-lo. – digo irônico fazendo uma reverencia. — Mas não se preocupe, quando um de nós morrermos você não terá que se preocupar mais com isso, né?

Saio da sala e subo as escadas em direção ao meu quarto furiosamente. Jogo o arco e flecha de qualquer maneira e decido pedir para os serviçais encherem a banheira. Precisava espairecer.

Algumas horas depois eu estava deitado na cama quando Carlisle aparece trazendo consigo uma bandeja suprida de alimentos. Até então eu já tinha conseguido arejar minha cabeça um pouco e me arrependi de ter gritado com meu, apesar de não concordar com nenhuma de suas atitudes recentes.

— Você deve comer alguma coisa, Edward. – ele se aproxima da cama.

— Não estou com fome. – digo cruzando os braços e encostando a cabeça na cama.

— Porque continua insistindo em brigar com seu pai? – ele pergunta colocando a bandeja em cima da cama e me fitando.

— Sabe que não concordo com o que ele fez, Carlisle.

— O rei só quer o melhor para o Acrox, alteza. Não seja tão intragável com ele. – ele percebe meu olhar enfurecido e continua. – O que ele fez ao seu irmão não foi certo. Mas você será o rei amanhã, pode mudar as coisas agora. Mas precisará ter consciência de que toda ação tem consequências, independentemente se achá-la certa ou não.

E novamente o peso de suas palavras pesam em meus ombros. Não deveria ser eu a assumir o trono e sim o primogênito da família. Nunca fui preparado para algo assim e não sei como deveria agir de diante de tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Por que as coisas não podiam ser simplesmente como antes?

— Eu não queria que fosse assim Carlisle. – minha expressão se entristece e consigo ver sua preocupação comigo.

— Eu sei!

Ficamos em silêncio por um tempo e aproveito para comer um pouco da comida que ele trouxe. Sabia que ficaria ainda mais preocupado se eu decidisse não jantar. Já estava quase terminado meu prato quando começamos a escutar alguns barulhos altos no castelo. Levanto da cama alarmado e Carlisle se afasta indo até a porta.

— Fique aqui. – ele diz. – Vou ver o que está acontecendo.

Ele então some pela a porta e eu procuro o arco e flecha jogado no chão, colocando-o nas costas por precaução. Minha preocupação aumenta quando os barulhos ficam mais altos. Algo assim nunca aconteceu no castelo, algo estava absurdamente errada. Ando até a porta rodando a maçaneta para sair mas a mesma estava trancada. Carlisle deve tê-la trancado por fora, então corro até a janela para ver se consigo observar alguma coisa. A noite estava muito escura e estranhamente as tochas que iluminam o palácio estavam apagadas, só era possível ouvir o barulho de espadas se chocando. A maçaneta começa a girar e rapidamente tiro uma flecha das costas colocando-a no arco e deixando-o em posição de ataque. A porta então se abre e um homem de capa e capuz entra no quarto.

— Quem é você? – Esbravejo me afastando e mirando no homem que acaba de entrar. Ele então fecha a porta e se vira para mim ignorando totalmente o arco apontado para sua cabeça.

— Fique longe das janelas! – sua voz e rouca e autoritária. Ele então tira o capuz revelando cabelos incrivelmente loiros e seus olhos verdes, tão parecidos com o meu.

— Emmett? – Pergunto abismado com sua aparição. Abaixo o arco e rapidamente me aproximo dele.

— Arrume suas coisas, só o essencial. – ele passa direto por mim me fazendo parar na metade do caminho e se posiciona ao lado da janela observando. — Estamos partindo.

— Partindo? Pra onde? Por quê? – Pergunto sem saber o que está acontecendo. Pelos últimos três anos eu tentei entrar em contato com ele, mas nunca consegui e sem maiores explicações ele simplesmente aparece no meu quarto.

— O castelo está sendo atacado. – ele responde me olhando, confirmando meu temor.

— Estão temos que ir ajudar. – falo rapidamente já preparando novamente o arco e me dirigindo até a porta. Mas antes que eu consiga, meu irmão está na minha frente impedindo minha passagem.

— A única coisa que vamos fazer é tirar você daqui. – ele é firme e me empurra de leve me afastando da porta.

— Mas eles podem precisar de ajuda. – digo nervoso. Não posso deixar que alguém simplesmente invada o castelo enquanto eu permaneço no quarto.

— Isso não é uma boa hora para brincar de herói Edward! – ele grita firma me assustando com seu tom de voz e tira uma sacola das costas jogando-a em mim. — Agora se troque.

— De quem são essas roupas? – pergunto tirando algumas roupas simples do caso.

— De alguns serviçais da cozinha. – ele esclarece, apontando com a mão que eu deveria vesti-las. — Precisamos passar despercebidos e com essa roupinha real com certeza seria a última coisa que aconteceria.

Eu resolvo não discutir por muito mais tempo e novamente coloco o arco no chão, me trocando rapidamente e jogando as roupas reais no chão. Então novamente escuto barulhos no corredor e me coloco em modo de alerta. Olho novamente para Emmett e ele também percebeu e começa a ir para de trás da porta tirando sua espada do cinto. A porta então se abre e um Carlisle apressado e ofegante entra correndo.

— Edward, precisamos tirar você daqui! O castelo.... – ele diz rapidamente ao me ver e leva um grande susto quando escuta a voz atrás dele.

— Foi invadido, nós sabemos. – Emmett então completa, guardando a espada.

— Emmett? – Carlisle pergunta em um meio de surpresa e felicidade.

— Carlisle! – Emmett sorri e então se aproxima de Carlisle dando-lhe um rápido abraço. Carlisle o olha de perto e parece feliz ao perceber que meu irmão está inteiro.

— Precisamos tirar vocês daqui. – ele então diz sério, voltando ao assunto que o trouxe. Me aproximo dos dois.

— Quantos são? – Emmett pergunta firme, concordando com a fala de Carlisle. Pela feição em seus rostos não parece ser um ataque qualquer, e isso me coloca ainda mais alarmado.

— Pelo menos 300 de Vega e o dobro de Pherkad. – Carlisle nega com a cabeça. — Eu não entendo. Os dois reinos se atritam desde a morte do rei Draconis, como podem ter planejado isso juntos?

Eu o olho abismado. Não era possível que os reinos aliados tenham se virado contra nós, e bem antes da coroação.

— Mas eu entendo. – Emmett diz firme, indo em direção a porta. — Precisamos tirar Edward daqui, agora!

Logo nos colocamos atrás dele.

— O castelo já está tomado. – Carlisle diz.

— Então sairemos pelos tuneis. – ele responde e concordamos.

— Calma. – interrompo. – E os nossos soldados? – pergunto lembrando dos homens do rei, que provavelmente voltaram cansados da viagem. Não sabia como seria o desempenho dele em uma briga dessa dimensão.

— Eles o emboscaram na base de treinamento, tentei chegar antes, mas foi inútil.- Emmett diz penoso. A feição em seu rosto deixa-me claro que foi uma visão realmente terrível. — Foi um massacre.

— Agora precisamos ir. – ele continua e se prepara para abrir a porta. — Pronto Carlisle?

— Sim senhor. – ele responde também preparando a espada em suas mãos.

Se os soldados da base estavam mortos e os do castelos cansados ou feridos, realmente tínhamos que sair daqui o mais rápido possível, mas então eu lembro-me dele.

— E nosso pai? – pergunto rapidamente, ansioso. — Temos que ajuda-lo!

— Alguém já deve ter feito isso, precisamos te tirar daqui. – Emmett diz calmamente colocando a mão em meu ombro. Me afasto rispidamente e caminho para fora do quarto. Ele novamente impede a minha passagem colocando-se na minha frente e eu viro para ele ansioso, a angustia em meu peito aumentando. Por mais que brigássemos, não poderia simplesmente ignora-lo.

— Emmett, não posso deixa-lo aqui! – digo agoniado, tentado contornar seu corpo para seguir adiante.

— E eu não posso deixa-lo se matar. – ele diz firme.

— Por favor Emmett, por favor! – eu imploro pedindo sua ajuda. Mas sua expressão firme deixa claro que ele não tem intenções de me deixar ir atrás do rei. Minha expressão se fecha e minha voz engrossa pela raiva e pela ansiedade. — Eu vou atrás dele e você não pode me impedir. – digo firme me afastando dele e apontando-lhe uma flecha.

— Então eu sinto que tenha que ser assim. – ele diz penoso e então eu sinto uma bancada na cabeça que faz minhas vistas escurecem e a última coisa que vejo é Emmett correr em minha direção.

Notas finais
E então? O que acham que aconteceu? Espero que tenha gostado! Beijocas de luz! ♥