(AB)NORMALITY
2 Starting...
Notas iniciais
Acordei em uma manhã nublada com o som irritante do alarme antigo da tia Ferry.
Bii! Bii! Bii! B-
Desliguei-o o mais rápido que pude. Não suporto esse som. Me levanto da cama e encaro minha imagem refletida naquele velho espelho na parede. Eu estava horrível. Olheiras profundas e arroxeadas. Meu cabelo não estava em seus melhores dias. Decidi me arrumar. Faço o de sempre: banho, dentes, café da manhã e por fim, meu uniforme recém tirado da sacola. Passei 5 anos morando com minha vó no Canadá. O inglês já era uma das línguas sob meu domínio. E, bom, até aí tudo normal. Até que recebi uma oferta para completar meu ensino em Paris. Na mesma cidade onde 'aquilo' ocorreu. Tinha jurado não voltar mais lá. Mas tenho que fazer isso. Por mim. E pela minha avó. Precisamos daquela bolsa. A grande universidade Waterloo. Meu sonho. Se conseguir entrar, posso até alcançar um emprego que pague bem. E assim vou retribuir o esforço da minha avó.
– Bayle, querida, o ônibus chega em 10 minutos! Desça e coma algo antes de ir!
– Já vou!
Desci e comi as famosas panquecas com mel da vovó. E me apressei para me vestir. E bem na hora, o ônibus.
– Já vou, vó!
– Se cuide! Boa sorte!
Corri em direção do veículo amarelo e dei bom dia ao motorista. Sentei-me em uma das últimas poltronas e liguei minha música no último volume.
– Com licença, senhorita. Posso me sentar aqui?- Perguntava um garoto loiro de belos olhos castanhos.
– Claro.
Tirei a mochila para que ele se sentasse.
– Nunca lhe vi por aqui. É nova na vizinhança?
– Sim, quer dizer, mais ou menos. Já morei na cidade alguns anos atrás.
– Se incomodaria se eu perguntasse quantos, exatamente?
– 5.
– Ah. Então foi naquela época. A do incidente.
– Sim.
– Ainda se lembra?
– Supostamente eu deveria. Mas algo me impede de trazer tais lembranças de novo. Alguns relances surgem em sonhos, mas nada além disso.
– Sim...
Quando percebi, já estava na escola. Parecia ser grande. Tinha alunos de todo tipo: jogadores de basquete, músicos, os de jardinagem, nerds, gamers... Fiquei impressionada com a variedade daqui.
– A propósito senhorita, como posso chamá-la?
– Bayle Feige.
– Bayle, me chamo Nathaniel. Qualquer coisa, me procure.
– Obrigada.
Pelo que parece, não iria ser tão ruim assim.
Enfiei a mão na mochila e vasculhei em busca do horário das aulas. Primeiro tempo seria...Biologia.
– Com licença, poderia me informar onde fica a sala de Biologia?
– Como se chama?
– Bayle. Bayle Feige.
– Bayle, sou Alexy. Vamos, essa também é minha aula.
Enquanto íamos em direção à sala, algo me chamou a atenção. Em uma das paredes no fundo do corredor de acesso restrito, percebi uma inscrição na parede. Dizia "O demônio já foi um anjo." Perguntei a Alexy o que aquilo significava.
– Acho melhor não se preocupar com isso. A diretora, por algum motivo, odeia quando tocamos nesse assunto. Me disseram que eram delinquentes que fugiram da prisão e ameaçaram a cidade. Ou algo assim. Mas...não creio nisso. Acho que vai além disso. Não sei bem o quê, na verdade...
– Mas...
– Esquece. Quer chegar atrasada logo no primeiro dia?
E ele me puxou pelo lado contrário. Continuei olhando para a inscrição enquanto me distanciava. Algo naquilo me despertou o interesse. 'Algo além disso...' O que ele quis dizer com isso?
– Atrasado de novo, Alexy.
– Me desculpe.
– E essa deve ser... Bayle, não é?
Algo no olhar do professor me era familiar.
– Prazer.
– O prazer é totalmente meu.- Disse de modo sarcástico.
Por quê?
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