A única certeza

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Yey, voltei com mais uma one desse casal maravilhoso.Fazia muito tempo que estava com ela rondando meus pensamentos e acabei a escrevendo no bloco de notas no celular >A imagem linda de capa não me pertence, se for o autor dela por favor entrar em contato :)Espero que gostem :*

Eu soube que ela já estava na vila por Chouji, o que era estranho visto que eu era seu guia. Caminhei em direção ao prédio do hokage e a encontrei conversando com Shizune.
– Dormiu demais preguiçoso. – ela provocou assim que me viu.
– Yare... Você é quem chegou antes do previsto. – comentei após parar ao lado das duas.
– Acabei tendo que vir antes. – ela explicou.
– O que houve? – perguntei pondo as mãos nos bolsos.
– Alguns documentos que deveriam ser entregues pessoalmente. – ela deu de ombros e eu franzi o cenho; não fazia ideia do que poderia ser.
Shizune pigarreou um pouco alto chamando nossa atenção... Problemático, eu até havia esquecido que ela ainda estava lá.
– Bom, já que Temari – san já está aqui, poderia ajudar Shikamaru com alguns relatórios. – ela sugeriu sorrindo.
– Acumulando trabalho, Nara? – Temari debochou, fazendo-me revirar os olhos.
– São relatórios sobre o próximo exame. – disse simplesmente e ela por um breve momento ostentou uma expressão surpresa.
– Já que é assim, eu ajudo. – ela sorriu de canto.
E assim nós acabamos os dois num escritório lendo relatórios, como eu sabia que levaríamos horas antes de concluir tudo levei algo para comermos.
Com o passar das horas, uma chuva fina começou a cair e logo foi ficando mais forte. A cada cinco minutos Temari explicitava seu tédio; hora suspirava, hora cruzava as pernas e quando eu olhava para ela, a mesma fingia não perceber.
– Já está instalada? – perguntei puxando assunto, ela levantou os olhos na minha direção e assentiu voltando sua atenção para o que estava fazendo rapidamente.
Dois minutos depois ela levantou bruscamente e se dirigiu até uma mesinha – que ficava ao lado da minha – para pegar café.
– Você poderia ter avisado que vinha antes. – disse largando o relatório que tinha em mãos e levantando também.
– Já disse que tive que vir antes. – ela respondeu despreocupada. – Além do que, por que acha que Chouji foi avisa-lo que eu estava aqui? – ela arqueou uma sobrancelha, mais uma vez com um sorriso convencido enfeitando seu rosto. Passei por ela no curto caminho até a mesa. – Está ficando mais lento Nara.
– Ou talvez eu tenha estado ocupado pensando em outra coisa. – eu rebati a provocação dela, deixando o motivo de minha ocupação subentendido.
Ela virou-se para mim rapidamente, perdendo o equilíbrio com o ato. Eu percebi que ela iria cair e quase institivamente inclinei-me para ampara-la, segurando-a pela cintura; ela passou um dos braços por meu pescoço enquanto a outra mão foi delicadamente pousada em meu peito, a xicara prontamente abandonada para cair no chão durante o processo.
Quando ela finalmente olhou em meus olhos, o tempo parou. A conversa de outrora havia sido esquecida. Nós estávamos tentadoramente próximos.
Entretanto três batidas na porta nos ‘interrompeu’, Temari praticamente me empurrou, afastando-se e ajeitando-se rapidamente; senti meu corpo reclamar a falta do calor do corpo dela e aspirei fundo tentando capturar o perfume dela novamente.
Shizune entrou na sala e olhou de Temari para mim e depois para a xicara no chão, corando em seguida. Já não bastasse ter chegado naquele exato momento, ainda fazia a situação ser mais constrangedora do que realmente era.
– Eu... Eu vim apenas entregar esses outros relatórios. – ela explicou-se ainda ruborizada. — Não imaginei que os dois tivessem ficado até essa hora. – antes que qualquer um de nós pudesse dizer algo ela entregou os papeis para Temari e saiu batendo a porta.
Temari olhou para mim e piscou duas vezes ainda atônita, eu fui até a porta e tentei abri-la, mas não consegui, puxei duas vezes e nada.
– O que foi? – olhei para trás e vi que Temari havia voltado ao normal.
– A porta emperrou. – falei coçando a nuca e esperando por alguma provocação dela, que não veio.
– Então estamos presos. – foi tudo o que ela falou, olhando para a janela. E realmente estávamos, já que a chuva havia ficado excessivamente forte.
Peguei alguns relatórios que ela segurava e voltei para a minha mesa começando a analisa-los e ela fez o mesmo com os relatórios que tinha em mãos.
– Estou mais lento, não é? – desta vez foi eu que provoquei, ela olhou para mim com uma expressão indecifrável e depois sorriu cinicamente.
– Aqui está quente ou é impressão minha? – ela falou ignorando minha pergunta e abrindo um pouco do próprio quimono, abanando-se com um dos muitos papeis que estavam em sua mesa.
Não estava nem um pouco quente, pelo contrário, era mais que obvio que aquilo era proposital. Usei toda a força que tinha para desviar meus olhos daquela cena e voltar minha atenção para o relatório que tinha em mãos, uma tarefa agora quase impossível.
– Você não deveria me provocar assim, mulher. – eu falei entredentes sem fita-la e a ouvir rir.
– Ou o quê, preguiçoso? – ela perguntou com a voz arrastada e extremamente sexy e eu não resisti em olha-la, apenas para vê-la cruzar as pernas.
– Achei que você quisesse manter isso em segredo.
– Nós estamos sozinhos agora. – ela respondeu com o mesmo tom de voz e eu suspirei baixando a cabeça para desviar meus olhos dela.
Era errado. Deveria ser errado. Entretanto, era bom. Era muito bom. Aquela sensação de tê-la perto era indescritível. Aquela mulher era indescritível. Eu até havia tentado ser racional e não me entregar, mas ela havia me ganho, de todas as maneiras possíveis.
Quando a olhei de novo, ela inda me fitava descaradamente e então ela sorriu. Não qualquer sorriso, ela me lançou aquele sorriso. E naquele momento eu já estava irremediavelmente rendido sem ao menos ter a chance de lutar ou fugir. Eu não podia lutar e não queria fugir.
Levantei devagar e caminhei até ela, estendendo minha mão em sua direção, convidando-a, a levantar-se também. Ela ficou de pé de frente para mim, eu levei minhas mãos à cintura dela, sem quebrar o contato visual entre nós.
Nós ouvimos um trovão e as luzes apagaram-se, contudo eu ainda podia ver o rosto dela perfeitamente. Levei minha mão até seu rosto e o acariciei, ela sorriu novamente.
– Você consegue acalmar meu coração e acabar comigo ao mesmo tempo quando faz isso. – confessei encostando minha testa a dela, diminuindo ainda mais a distância entre nós.
Senti que os lábios dela trilharam um caminho por meu rosto até o meu ouvido esquerdo.
– Você também. – a voz rouca, porém firme.
Os lábios dela voltaram para os meus. E diferente de toda a agitação dela, seu beijo era calmo. Com uma das minhas mãos eu joguei todos os papeis que havia na mesa dela para o chão, e com a outra eu a ergui o suficiente para deita-la sobre a mesa, agora vazia.
– Quando volta para Suna? – perguntei e ela arqueou uma sobrancelha.
– Tem pressa em me ver longe?
– Sabe muito bem que é o contrário.
– Amanhã. – ela tentou disfarçar a tristeza, mas eu já conhecia cada detalhe dela e seus olhos não me enganaram.
– Bom, ainda temos o hoje. – falei pondo uma mecha de sua franja atrás de sua orelha. Ela sorriu de canto.
– Alguma ideia? – perguntou maliciosa.
– Apenas uma. – olhei em seus olhos. – Seja minha?
– Sempre. – ela respondeu sem hesitação e eu a beijei novamente.
Nós não sabíamos quando nos veríamos novamente, não sabíamos o que aconteceria conosco com o passar do tempo. Era errado para dois estrategistas se negarem a pensar no próximo passo, se negarem a pensar no depois, mas o sentimento que compartilhávamos era tudo o que tínhamos. Para nós o agora era a única certeza que tínhamos e nós não desperdiçaríamos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!