A última armadilha de Katherine Davis
3 Capítulo 3: A proposta
Notas iniciais
A porta se abriu lentamente. Vi apenas uma pequena sombra a deslizar perto da cama. Olhos curiosos me observavam. Notei que ela revirou minha bolsa e jogou tudo o que tinha nela em cima de uma cômoda que havia ao lado. Saiu e prontamente voltou com uma bela mochila, não muito grande, parecia saber meu tamanho ideal.
Pouco a pouco, colocou as coisas na nova mochila, quis muito rir, mas perderia meu disfarce. Logo abriu a porta de um imenso closet e separou algumas roupas. Cuidadosamente, as dobrou e deixou ao lado da mochila, sem nenhuma pressa foi ao aposento ao lado e trouxe no mínimo, uma meia dúzia de pares de sapato, um de cada cor e ali os deixou.
Sem poder olhar muito, mas tive a impressão que sorriu ao sair.
Curiosa, pensei em levantar e ver o que ela havia separado, mas aquela cama macia me fez lembrar de algumas coisas que há muito havia esquecido, sempre que adotava uma senhora em minha longa vida, dormia ou a espiava nos piores lugares possíveis.
A vida de um demônio não é um mar de rosas, nem sempre somos agraciados por uma boa senhora, muitas vezes o desejo pelo poder é tão grande que mudam as pessoas completamente. O poder corrompe as pessoas, as mulheres se tornam cruéis e letais e é por isso que adoro elas. Seu poder destrutivo é imenso.
Fico me perguntando as vezes o que leva as pessoas a tomarem atitudes tão cruéis por poder e status. Perdem o senso de humildade, amizade, sinceridade, confiança, lealdade e principalmente o amor pelas pessoas.
Amam o dinheiro, o carro, as roupas, as joias, se gabam de ganhar ou ter uma boa condição e inferiorizam os outros. Nem os demônios são assim, nós apenas somos reais e passamos as pessoas a verdade, mas não as que elas querem ouvir, mas sim aquelas que realmente dizem a verdade.
A verdade nua e crua. Sim... aqueles que a aceitam vivem bem, e hoje são poucos que vivem assim. Voltando a nossa amiga misteriosa que logo mais se apresentará, fiquei por mais algumas horas na cama, e sem perceber, já havia anoitecido.
A porta se abriu novamente, e delicadamente senti uma mão tocar meu tornozelo e acariciar-me, vendo que não havia mais motivos para ficar ali, decidi me levantar e ver quem me acordava. Gertrudes. Com um sorriso acolhedor estendeu a mão para me ajudar a levantar daquela cama enorme.
— A senhorita descansou bem?
— Sim, claro. E quem é você? E onde estou?
— Muitas perguntas mocinha, me chamo Gertrudes. Parece que minha senhora veio visitá-la. Aconselho a usar o que ela deixou, sabe, ela é muito exigente com seus convidados.
— E ela tem muitos?
— Com a senhora, apenas dois. Ela fica isolada.
— Mas por que?
— Bem, isso terá que perguntar a ela. A esquerda temos o banheiro, peço que tome um banho e troque essas roupas. Minha senhora não gosta de jantar com pessoas...digamos...como está agora.
— Agradeço. Logo irei descer.
Gertrudes me mostrou tudo o que precisava para tirar aquela sujeira que havia na superfície do meu corpo, mas a da alma, ou que havia sobrado dela, nenhum shampoo ou sabonete poderia tirar.
Após um longo e revigorante banho, eu finalmente fui ver o que havia sido designado para aquela noite. Bem, havia realmente muitas opções e que achei mais pertinente á ocasião foi um vestido longo cor de caramelo, aqueles vendidos em lojas. Junto com ele havia adereços de cabelo e sapatos altos, baixos, onde escolhi uma sapatilha delicada. Tinha em mente que deveria fazer todas as vontades de minha futura senhora antes de fazer a proposta.
Finalmente vestida, sai corredores a fora, em busca da famosa senhora da casa.
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