A última Cruzada
1 O princípio
Notas iniciais
Este é o meu primeiro fic original, que partiu de uma inteligente proposta feita no Fórum Pandora’s Box, onde os ficwriters, poderiam escrever acerca de qualquer personagem original que já tinha sido criado por outro ficwriter. Bem, o personagem que eu escolhi foi a forte Celeste, personagem cuja autora é a escritora Juliane chan. Infelizmente não consegui fazer uma pesquisa bem acurada a respeito dos modos e costumes inerentes ao mundo medieval, mas o pouco que eu colhi no que diz respeito às batalhas foram graças filme “Rei Arthur” e Tróia. Espero que tenham gostado desse primeiro (e penúltimo) capítulo e saibam que as críticas construtivas serão muito bem vindas!
Aqueles homens adultos, velhos obstinados e jovens que gozavam o apogeu da juventude, representavam ali, o Segundo Grande Exército da Guerra Santa. Eles eram conhecidos como os Santos Cavaleiros Templários da Ordem da Sagrada Cruz. E o motivo que os fizeram abandonar as suas terras, esposas, filhos e parentes era apenas esse: a tomada definitiva de Jerusalém, que há mais de dois séculos, estava sobre o poder dos mulçumanos, impedindo assim a livre entrada de peregrinos da fé cristã que muitas vezes, eram mortos pela afiada espada oriental, sem ao menos tiverem tido a chance de contemplar, a terra dos filhos de Deus.E esse era o primeiro dia do mês de Março, do ano de 1115 do calendário cristão ocidental.Em meio aos concentrados homens, um rapaz de estatura mediana, pele clara, olhos e cabelos enegrecidos, caminhava apressadamente rumo a uma pequena muralha natural de pedras que terminava dentro do Rio Jordão. Finalmente, ele avistara seu amigo de viagem, que se encontrava sentado de frente ao Rio, com os olhos perdidos em meio às águas cristalinas. Com cuidado, o outro se aproximou e tocou no ombro do que estava sentado com delicadeza, fazendo com que ele se virasse e desse um tranqüilo sorriso. O outro também sorriu.- Jean, graças a Deus que eu te encontrei! Pensei até que você tivesse sucumbido a alguma praga maligna!- Phillip, meu irmão de fé! – Jean se levantou e deu um caloroso abraço em Phillip, de quinze anos. – Por que tanta preocupação?! Deus não me permitirá uma morte tão indecente como a da prostração em uma cama!- Eu sei amigo. Eu sei... Mas o que fazes aqui, alheio a todos os preparativos do primeiro grande entrave?Antes que respondesse, Jean fez um gesto com a mão, convidando o outro a se sentar ao seu lado. Assim que o outro aceitou, ele respondeu então:- Eu estou lembrando... Lembrando dos rostos dos meus que deixei em Saint Christ.- Você veio de lá não foi?- Sim. – ele voltou a sorrir, mas desta vez, com um ar saudoso em seu rosto. – E deixei lá meu pai, o sisudo taverneiro Jeremy, meu grande amigo Amadeus, a minha adorada irmãzinha, Joanne e...- E? – Phillip perguntou travessamente.- E esqueça. Você não tem idade suficiente para entender o que se passa no coração de um adulto. – Jean disse com um ar resignado e imediatamente, se levantou da úmida rocha.- Mas Jean! – o jovenzinho se levantou imediatamente, seguindo o outro que ia rumo a sua pequena barraca. – Eu não sou uma criança! Sou tão adulto quanto você! Hei! Pare de andar tão rápido!- Tão adulto quanto eu? – uma gargalhada solta seguiu a pergunta de Jean que caminhava ainda mais rápido a fim de irritar mais ainda seu amigo.- Claro! – ele respondia entre um bufo de raiva e uma respiração mais profunda. – Você tem dezessete anos não é?!- É.- Então?! Dois anos de diferença não fazem diferença alguma!Jean imediatamente cessou o passo, fazendo com que Philip abalroasse nele e com o impacto, caísse no chão lamacento.- Dois anos fazem muita diferença sim. Quando eu tinha dois anos e andava, você ainda não conseguia nem pensar em ficar engatinhando. – ele respondeu risonho, estendendo a mão para o outro se levantar.- Não mude de assunto Jean!!! – Philip retrucou furioso, enquanto se levantava com dificuldade pela lama escorregadia.- Senhores. – um outro homem de feições mais grotescas e possuidor de uma extensa barba, fala enquanto se aproximava dos dois jovens. – Creio que as brincadeiras infantis devam ser deixadas para trás. Se retirem para seus alojamentos, pois amanhã guerrearemos contra o demônio que se apossou das terras de Nosso Senhor.- Sim, padre Sotero. – Jean respondeu com seriedade. – Vamos Philip.- Sim, vamos.E assim, os jovens Templários saíram rumo as suas habitações provisórias, deixando para trás, o padre que suspirou ao pensar: “Que espécie de homens nós somos? Não permiti que essas duas crianças desfrutassem o que talvez seja o último dia em suas jovens vidas.”...x...x...x...O Sol ainda não havia se insinuado no sul, quando todas as tropas e linhas de batalha já estavam prontamente enfileiradas a cerca de dois quilômetros da grande muralha erguida ainda no reinado do mítico rei Salomão e que servia de limite entre a cidade de Jerusalém e o resto do mundo conhecido. Todos estavam calados e pensativos, apenas esperando a ordem de ataque vinda do conclave de guerra.
Entre os cavaleiros....- Jean, você acha que conseguiremos alcançar Jerusalém ainda hoje?- Eu não sei Phillip. Mas haja o que houver, nunca saia de perto de mim, ouviu bem?- Certo.Próximo a eles, dois outros cavaleiros falavam entre si. O assunto da conversa chamou a atenção dos dois jovens, que apuraram seus ouvidos e ouviram o seguinte trecho:- Será verdade mesmo?- Parece que sim. Os orientais estão sendo comandados pelo próprio demônio! Dizem que ele tem a aparência de um homem afeminado, mas que quando está em meio a uma guerra, ele toma as afeições do próprio belzebu e que mata seus inimigos da forma mais cruel possível! Dizem até que ele bebe em uma taça de prata o sangue dos seus inimigos vencidos!- Minha Nossa Senhora! Isso é o Apocalipse!Phillip não deixou de tremer de medo ao ouvir o nome maldito do inimigo de Deus. Jean por sua vez, continuava sério e disse para o amigo, a fim de acalmá-lo:- Não tema o inimigo de Deus, Phillip! Ele está conosco e nada nos impedirá de vencer o demônio! Tenha fé!- Sim, Jean! Terei fé!O loiro sorriu satisfeito. Mesmo conhecendo Phillip em tão pouco tempo, já tinha pelo rapaz, uma grande afeição. Assim como ele, Philip também tinha o grande sonho de se tornar um grande herói aclamado pelos seus feitos históricos. E agora, o grande momento estava em suas frentes e eles jamais deixariam aquela chance escapar.- Atacar!!!A aclamação de ataque pegou os dois jovens templários de surpresa que vendo a primeira fileira de combatentes avançarem contra as muralhas da Cidade Santa, tomaram as rédeas dos cavalos com mais pulso, dando assim, a ordem de galope aos animais, que avançaram com rapidez.- Phill! Ataque sem temer e não se afaste de mim por nada nesse mundo, entendeu?! – Jean dava essas instruções enquanto galopava rumo a primeira fileira inimiga, que também se aproximava vertiginosamente.- Certo!!! – o outro respondeu alto.Sem demora, templários e mulçumanos se chocaram em uma incrível visão aérea. Logo em seguida, ouviu-se o som vibrante de espadas sendo batidas umas nas outras. A principio, as lutas entre as primeiras fileiras ficaram equilibradas, mas quando os céus foram cortados pela clara luz vinda de enormes bolas de fogo lançadas através de opulentas catapultas pelos cavaleiros, a balburdia instaurou-se entre os sitiadores de Jerusalém.- Avancem!!! Avancem!!! – um dos comandantes do exercito ocidental gritava ferozmente.Todos obedeciam cegamente às ordens gritadas e sem piedade, os Templários cortavam com facilidade a carne e os ossos dos orientais, que apesar de bem armados, não eram possuidores de armaduras tão eficazes como as deles.- Isso é mais fácil que tirar doce de uma criança!!! – um guerreiro dizia aos berros, bastante empolgado.Ainda montados em seus cavalos, Phillip e Jean sorriam satisfeitos: o título de herói que tanto almejavam agora não estava tão longe de ser alcançado. Mas repentinamente...- Recuar!!! Recuar!!!As ordens eram devidas a uma inesperada nuvem enegrecida de flechas que vinham por detrás das muralhas de Jerusalém e que na primeira investida, derrubou centenas de homens que lutavam na primeira fileira. Phi e Jean foram atingidos por pouco, mas seus cavalos sucumbiram contra as ferinas flechas envenenadas e assim, ambos caíram desastradamente contra a terra seca.- Jean! Você está bem? – Phillip perguntava com preocupação ao ver que o amigo aparentemente havia fraturado o braço esquerdo em conseqüência da queda.- Atrás de você, Phill! – o rapaz gritou e antes mesmo que o mais jovem fizesse alguma coisa, Jean o empurrou e um segundo depois, enterrou sua espada estômago adentro de um muçulmano enfurecido. Foi nesse momento então, que puderam perceber que o inimigo estava avançando contra eles de uma forma bastante curiosa, até mesmo, sobrenatural: todos os sitiadores pareciam terem tomado para si, a força de três homens. O mais leve toque das lâminas das espadas nos corpos e nas armaduras dos templários era capaz de rasgar com simplicidade, aço, carne e ossos, os fazendo cair imediatamente ao chão, mortos ou prostrados definitivamente. Parecia até mesmo uma visão de um nítido pesadelo.- O que está acontecendo?! – Phillip se perguntou com horror, mas sua resposta veio na forma de um ataque contra ele que totalmente desnorteado, sacou sua pesada espada e partiu com tudo para cima de dois homens que empunhavam afiadas lanças. Sua luta desvairada o fez se afastar cada vez mais de Jean, que mesmo ferido, continuava a duelar contra um homem bastante corpulento.Não demorou muito até que o ostentoso exército cristão derrocasse por terra e naquele cenário onde antes era ouvido apenas o estalar das espadas, agora passou a se ouvir apenas os gritos desesperados dos que ainda tiveram a preciosa chance de sobreviver.Mesmo assim, os dois cavaleiros – agora completamente ensopados de lama e sangue – continuavam a empregar suas escassas forças na luta contra os sitiadores. Mas era fato que apesar da tremenda coragem que possuíam, seus corpos e suas tenras forças eram apenas, a de adolescentes. E assim, firmou-se a severa lei imposta pela natureza: venceu o mais forte.Após derrubar o oponente que antes de morrer o havia ferido seriamente na região do abdômen, Jean virou-se em direção ao amigo a fim de ajudá-lo, mas foi tarde demais. Seus olhos ainda conseguiram contemplar o exato momento em que uma lança transpassou o corpo de Phill que caiu de joelhos, também olhando o amigo de longe. Não existem palavras para demonstrar o que aquele último olhar de Phillip realmente quis dizer. E fechando seus olhos para todo o sempre, o jovem templário finalmente tombou por terra, sob a risada de seus adversários e sob a frustração de Jean que nada pode fazer.- Phill!!! – Jean gritou em meio às grossas lágrimas que brotaram imediatamente.Percebendo a rápida fraqueza dele, outro inimigo veio por detrás e empunhou uma espada de lâmina curvada, a fim de decepar Jean de uma vez por todas. Porém, uma misteriosa lança vinda de algum lugar desconhecido, cortou o ar pútrido e atravessou o homem que apenas gemeu de dor, dando assim, oportunidade para Jean ver que logo morreria caso aquela arma jogada por algum desconhecido, não tivesse atingido o seu alvo.Assim, antes que a dor do ferimento atingisse o nível de fazê-lo perder a inconsciência, Jean pode presenciar a aproximação de um misterioso cavaleiro que sem nenhuma dificuldade, abatia todos os oponentes que desgraçadamente, se interpunham em seu caminho. Ainda sentiu ser elevado ao chão, mas não teve tempo de concatenar o que realmente estava acontecendo com ele, pois as trevas se fizeram presentes em seu desolado olhar....x...x...x...Sentia sono, mas achou que deveria abrir os olhos. Tentou uma primeira vez, mas suas pálpebras eram teimosas em continuar fechadas. Tentou uma segunda vez, mas desta vez, a clara luz da manhã fez com que sua cabeça doesse ainda mais. Suspirou, e mais uma vez, insistiu em seu intento. Com dificuldade, viu que não estava mais no campo de batalha e sim, em uma pequena cabana, deitado em uma cama acolchoada com feno e que a alguns metros de distância, alguém estava de costas para ele, lavando as roupas que ele estava usando em batalha.O rapaz arregalou os olhos e se viu nu debaixo do lençol grosso que usava. Olhou novamente para o estranho e deu um suspiro de alívio. “É um homem que está aqui”, ele pensou, ao observar que o estranho usava roupas masculinas e que mantinha seu cabelo de cor avermelhada em um corte baixo. Assim, ele falou:- Você... Você foi o cavaleiro que me salvou durante a batalha? – o loiro perguntou. – Se for, serei grato a você por toda a minha vida, my lord...- Primeiro: Não precisa ficar grato por toda a sua vida e segundo – nesse momento, a misteriosa pessoa se virou, fazendo com que Jean tomasse um grande susto. – eu não sou um lord e sim, uma lady, ouviu bem?- O QUE?! Você é uma mulher?!?! – e imediatamente, o rapaz voltou a olhar por debaixo do lençol, ficando ainda mais vermelho. – E você tirou a minha roupa?!- Ai, que lindo! Ainda por cima é tímido! – a mulher respondeu debochada, enquanto jogava para o atônito rapaz, uma calça limpa. – Tome isto. Não é nada bonito um homem sair por aí pelado.Ao pegar a peça de roupa, a mulher saiu da cabana, a fim dele poder se vestir, tarefa que ele executou com dificuldade, visto que o ferimento na altura de suas costelas parecia querer abrir a cada movimento brusco que fazia. Pouco depois, Jean se levantou vagarosamente, e foi até um outro cômodo da pequena casa onde viu a armadura que ela usou quando o salvou daquele campo de batalha. Foi nesse exato momento, que a memória de Jean trouxe à luz, a lembrança de Phill.
- Não deveria ficar de pé ainda. – a mulher de aparência jovial disse por detrás do templário que se virou para encará-la. — Seus ferimentos ainda não estão cicatrizados.- Phill... Ele... Phillip morreu... – ele repetia para si mesmo, enquanto se esforçava para não chorar novamente.- Sim, o rapazinho morreu. – ela confirmou com um olhar enigmático. – Agora volte a se deitar ou senão...- Cale-se! Você não compreende nada do que está acontecendo!!! Não foi seu amigo que morreu! Foi o meu amigo! E ele tinha apenas... Quinze anos.- Quem não está compreendendo nada é você, seu moleque desbocado. Se não estivesse com esse buraco aberto na barriga, eu o faria ir para a cama de um jeito muito doloroso.- Ah, é? E por que não tenta ruiva? – Jean disse em um tom sarcástico que irritou a jovem completamente.- É para já! – e pegando a orelha dele com força, tal qual uma mãe mandona, o fez seguir o trajeto até a cama sob protestos em forma de “ai, ai”. – Agora se deite e fique quieto ou do contrário, seu amigo vai ter o desgosto de ter como companheiro hoje, um moleque sem vergonha como você! – e quando o viu se deitar, ela saiu pisando duro até a porta, onde arrematou. – E o meu nome não é ruiva, é Celeste!!!Fechou a porta com tanta força, que a pequena habitação parecia que iria desabar de uma vez só. Jean ficou irado com a atitude nada educada de seu salvador que para sua maior sua maior surpresa, se tratava de uma mulher. Uma mulher no mínimo excêntrica – por ostentar uma curtíssima cabeleira ruiva, tal qual um homem -, entretanto, muito bela, o que logo chamou a atenção dele ao vê-la pela primeira vez. Mas sem dúvida nenhuma, Celeste tinha algo mais além do que a sua enorme força física e seus únicos olhos cor de ouro: ela lhe trouxe à mente, a doce lembrança que seu jovem coração jamais poderia deixar morrer. A da bela dama de Saint Christ. E tendo essa saudosa imagem em sua mente cansada e sofrida pela dor da perca, Jean se deixou dormir mais uma vez.CONTINUA...
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