A Única Exceção do Rei
12 Proposta Indecente
Notas iniciais

Sentir os dedos de Thranduil acariciando minha pele era encantador. Um rei prostrado perante mim, deslumbrado pelas curvas do meu corpo não estava nem nos meus mais belos sonhos. Afinal, um homem como aquele, como ele mesmo dissera, era rude e frio, cheio de ódio em seu coração e não se entregava aos prazeres da carne.
Entrementes, ali estava ele. Não retirou seus belos olhos azuis gélidos de minhas pernas que brilhavam douradas por causa da luz do sol e macias por tantos cuidados vindos de Freeda.
Senti um leve toque de seus lábios em minha panturrilha. Sua boca tocava-me suave e cautelosa, levando um arrepio dos pés à cabeça me atentar ao seu jogo de sedução. Ele era um homem sedento por dentro, era de se notar. Talvez as longas noites solitário e a vida de um rei rígido tivessem tomado conta de seus dias a ponto de ele ignorar o desejo carnal. Mas eu não o via como o meu regente ou senhor. Thranduil não passava de um elfo de beleza extraordinária cuja vida era um desalento tão desgostoso de se ver ou ouvir. Estava prestes a cair em tentação por causa de uma reles humana, uma criatura que em sua opinião era de uma raça totalmente inferior à sua e que possivelmente deveria se curvar perante os elfos.
Mas não era isso o que estava acontecendo naquele momento.
As suas mãos foram travessas trilhar um caminho entre minhas coxas desnudas. Afinal, descobrira para que existiam peças de roupas íntimas excessivas: não deixar os homens caírem em tentação.
Era tão fácil! Um corpo nu, limpo e cheio de curvas faziam até mesmo os deuses caírem aos pés de uma moça, e com o rei da Floresta das Trevas não era diferente.
Sorri perante aquilo, um sorriso tão malicioso quanto os apertões que o rei dava em minha derme como um predador sedento prestes a atacar a sua presa.
Contudo, não era de minha vontade me entregar a ele. Minha pureza não deveria estar em jogo quando o assunto é minha liberdade. Aquele elfo rude e cheio de manias controversas estava em posse de uma coisa, deveria ter a outra?
Não. No fim, eu poderia muito bem perder ambas, afinal, o elfo poderia fazer de mim sua concubina, prendendo-me pelo resto dos meus dias e me fazendo de escrava sexual para todo o sempre.
Muito me agradava os seus beijos, mas não eu não cairia em tentação. Thranduil jamais me faria sua.
Encarei-o ali junto à fonte. Sua capa finíssima e cheia de pedras estava no chão. Sua voz grave era uma lembrança. Pedi calma a mim mesma antes que tomasse alguma atitude brusca, afinal deveria agir com cautela dessa vez.
O que eu mais queria era partir. Mas naquele momento, sentindo sua língua encostar voraz entre as minhas coxas estava começando a sentir a vontade se esvair entre meus dedos e os seus beijos. Ele era quente, sedutor, malicioso, e vinha com uma paixão inexplicável entre os seus lábios que me fez esquecer quem eu era por um segundo.
— O que pretende fazer? – A frase era para sair firme, mas soou como um gemido. Ele estava chegando em minha virilha e, antes de qualquer coisa acontecer, retomei a sua atenção para minha face.
O rei me fitou um pouco confuso. Seu rosto estava visivelmente constrangido, quente e cheio de perguntas no olhar.
— Questiono o mesmo, senhorita. Fazes este jogo de sedução para comigo para quê? – O elfo perguntou colocando-se frente a frente perante mim.
O que deveria responder? Eu só estava tentando ver até onde ele iria, só não imaginava que seria tão longe.
— Não pretende possuir uma humana, não é? – Sorri para ele, relembrando de quem eu era. Sabia que funcionaria quando percebi sua face se tornar cinza novamente.
Não esperava por aquilo. Sem avisar, Thranduil puxou meu corpo num ato brusco. Meu dorso doeu com o nosso encontro, seu peitoral era firme e duro como pedra. Toquei em seus ombros, engolindo em seco, pensando no pior que poderia acontecer naquele momento. Eu o irritava, e a cada provocação nova tinha o mal pressentimento de que ele iria me jogar de novo em cativeiro.
Contudo, seus lábios se encontraram com os meus num beijo sedento e cheio de prazer. Eu deveria temê-lo, mas me entreguei a ele, deixando me levar entre as investidas de sua língua voraz. Meu peito arfou em falta de ar enquanto minha cintura era segurada com firmeza. Nem se eu quisesse conseguiria escapar.
Toquei em seu rosto e após em seus macios cabelos enquanto sentia minha boca praticamente ser engolida por ele, segundo por segundo, fazendo meus pés tremerem na posição de longo tempo. Confesso que neste instante nada mais passava em minha mente a não ser continuar sentindo aquela sensação incrível que era os seus lábios nos meus.
Thranduil soltou-me conforme foi perdendo fôlego também. Sua face novamente vermelha me fazia acreditar que existiam dois dele: um que era a personificação da luxúria, e o outro que era o rei frio, rude e cheio de rancor que governava a frias mãos.
Me encarou por um segundo, enchendo o peito de ar e recuperando o auto controle. Seus movimentos eram pesados e ele parecia desmoronar por um momento em meus olhos, praticamente esclarecendo o quanto ele necessitava daquilo: um pouco de atenção, de prazer. Sua vida sempre esteve relacionada com governanças, e sabia, seus problemas pessoais nunca eram pauta em discussões com o conselho. Não tinha amigos em quem confiar, perdera a sua esposa e o relacionamento com o seu filho era estreito. Ele guardava tudo para si, pois tinha uma reputação de rei impiedoso a zelar. Mas por qual motivo?
Gostaria de continuar desvendando aquele elfo arrogante e excêntrico, mas a minha jornada pelo mundo estava só começando. Guardaria minhas perguntas dentro de mim e prosseguiria o meu caminho. Afinal, sabia que alguém como eu não era nem um pouco valiosa para um ser superior e imortal como ele.
Coloquei seu rosto entre minhas mãos e o fiz me fitar novamente. Sorri terno para ele, confortando-o.
— Majestade. – Balbuciei com a voz mais doce que existia dentro de mim. – É uma tentação o beijar. Entretanto, fazes com muita sede. Gosto de calmaria, dessa maneira.
Tomei seus lábios novamente e os suguei com leveza, dando um beijo calmo e terno nele. O senti aceitar, enroscando nossas línguas com doçura também. Soltei sua boca e entrelacei minhas mãos em seus ombros, aparentando um pouco mais feliz do que realmente estava.
— Viu? – Sorri novamente, sendo o encanto de moça que ele gostaria que eu fosse.
— Parece-me uma virgem beijando. – Ele comunicou. Soltei os seus ombros e senti minha face esquentar-se por completo em minha vergonha.
— Eu sou virgem. – Esclareci com a voz mais baixa do que pretendia, falhando-a na entonação final.
O elfo franziu a testa surpreso. Ora, aquilo não era óbvio?
—É? – Questionou, dando dois passos para trás. – Ora essa, imaginei que já havia se deitado com alguém. Comporta-se como uma meretriz!
Nunca fui tão ofendida em toda a minha vida!
— Pois saiba que jamais me deitei com homem algum. E não pretendo fazê-lo com o senhor! Pareces uma múmia. – Gritei um pouco mais alto do que pretendia, revelando o meu ódio que voltara de repente a tomar conta do meu ser.
— Pois saiba que não se deitará com ninguém mesmo, porque ficará trancafiada aqui pelo resto de seus dias! – O elfo bradou e tomou marcha para a porta, me deixando desesperada e ainda mais desesperançosa. Maldito!
A luz do palácio clareou os jardins por um segundo quando ele abriu o imenso portão e o ambiente tornou com sua típica luz dourada quando a figura de Thanduil sumiu de minhas vistas.
Suas últimas palavras ecoavam em minha mente e eu queria arrancar aquelas paredes com minhas próprias mãos e fugir dali.
Maldito seja!
*
Thranduil sumira por cinco dias. No último era o meu aniversário de dezoito anos e eu passei sozinha, tendo apenas as minhas lembranças de uma época feliz como companheira. Chorei por um bom tempo e meus olhos estavam inchados e vermelhos quando Freeda viera trazer comida para mim e novas roupas. Estava desolada com a minha nova realidade e vendo-me definhar naquela casinha no meio das flores, servindo como deleite para o rei.
Não contara para ela sobre o meu dia especial, afinal não tinha nada para comemorar. Estava longe da minha família, da minha casa, dos meus amigos e da minha liberdade.
— Por que ele ainda me veste? – Perguntei para mim mesma, vendo aquele vestido vermelho sangue cheio de rubis adornando o busto. Era tão lindo! Parecia digno de uma rainha.
— Talvez porque goste de vê-la tão formosa nesses modelos. – Freeda riu, alisando a peça e parecendo sonhar com a sua beleza. – Tenho certeza que o rei muito se agrada da sua formosura. Não há sequer uma donzela por aqui que é da realeza, e nenhuma delas usa algo tão sublime.
— Também acha que ele gosta de me vestir feito uma princesa? – Questionei para a criada também. Aquilo não fazia sentido algum.
— Sei que ele a mantém aqui porque... – ela começou, mas logo abaixou a voz num sussurro, chegando mais perto – gosta da senhorita. Talvez ele esteja a preparando para o filho?
— Não, definitivamente. – Esclareci. – O rei jamais deixaria uma humana sem posses como eu se casar com o seu herdeiro.
Freeda deu de ombros. Ela e Tauriel tinham teorias sobre as intenções do rei que, para mim, eram infundadas.
Me banhei naquele dia e coloquei o vestido um pouco mais feliz. Pelo menos passaria meu aniversário bem vestida e adornada num belíssimo vestido cheio de rubis. Rodopiei pela sala quando a elfa foi embora, experimentando a leveza dos movimentos, dançando um ritmo frenético sem música.
Quase me colidi com o elfo quando perdi o senso de direção. Assustada, me deparei em seus braços, que me seguravam firmes e um pouco surpresos por causa da minha brincadeira infantil.
— Senhorita. – Me colocou firme em sua frente. Senti um desconforto por causa de sua presença repentina. – Vejo que ainda mantém hábitos um tanto imaturos.
Revirei os olhos e os senti rodar por causa dos movimentos anteriores. A barriga reclamou a comida que havia ingerido pouco tempo antes.
— Como vai, majestade. – Cumprimentei-o com uma reverência bem-feita. – Não esperava pelo senhor.
— Claro que não. – Andou de um lado para o outro pelo cômodo um pouco mais ansioso do que costumava ser. – Venho lhe fazer uma proposta.
Franzi o cenho curiosa. Ele estava com aquela postura rígida e fria costumeira. Quando era assim, eu o temia. Mas foram essas mesmas que me fizeram desvendá-lo tantas vezes.
— Pois não?
— Vou logo ao assunto, sem rodeios, pois não tenho tempo para desperdiçar. – Comunicou, me deixando ainda mais apreensiva. – Eu, como sabe, há muito estou viúvo. E ultimamente tenho tido atitudes questionáveis perante si, advindo da minha falta de... sexo.
Arregalei os olhos surpresa, mas o deixei continuar.
— Pensei que poderia me satisfazer ao seu lado, contudo tem se mostrado um pouco mais difícil do que eu esperava. – Me senti completamente ofendida novamente. – Agora entendo o porquê: és vendë, intocada. – Assenti com a cabeça num movimento. Thranduil deu uma volta por um segundo e colocou a mão direita em sua boca, pensando com cautela antes de prosseguir. – Por isso tenho uma proposta irrecusável para você: Uma noite em troca de sua liberdade.
Senti meus pés se paralisarem estáticos e meu corpo gelar. Ele estava falando sério?
— Dou sua liberdade no dia seguinte, algumas provisões, um cavalo e escolta. Em troca quero o seu sigilo e, claro, quero me deitar com a senhorita. Uma noite apenas.
Thranduil levantou o dedo indicador demonstrando um número e se calou. Suspirei e me forcei a voltar a mim. É claro que aquilo estava acontecendo, todos os meus atos me levariam a algo assim. Eu já estava esperando.
— Como sei que cumprirá com a sua palavra? – Questionei inquieta, suando frio. Aceitar aquilo seria inescrupuloso, mas estava disposta a qualquer coisa para sair daquele inferno.
— Faremos um pacto. – Me surpreendi novamente com as suas palavras quando ele disse. – Um pacto de sangue entre nós. Poderoso, que nos faça definhar caso não cumpra com a sua promessa.
Senti os pelos do meu corpo se eriçarem. Aquilo não era muito extremo? Contudo, seria perfeito para me calar perante todo o resto da minha vida quando a mínima lembrança repousasse em minha mente.
— Eu aceito. – Desconfortável e cheia de dúvidas levantei minha mão para ele. Thranduil encarou aquilo como se não entendesse. – Segure a mão e aperte para eu saber que estamos de trato feito, majestade. É assim que humanos o fazem.
Senti a sua palma apertar a minha. Sorri fraco para ele, enquanto seu rosto permanecia irredutível.
— Para o seu próprio bem, espero que não seja mentira. Venho esta noite. – Anunciou, dando passos até a porta.
Me assustei.
— Mas, já?
— Quanto antes me livrar de você, melhor. Tenho pressa em voltar para a minha vida normal, e enquanto estiver por aqui não conseguirei.
O rei saiu deixando aquela última frase me atingir em cheio. Sabia que eu era uma pedra em seu caminho, mas era uma pedra que ele mesmo deixou permanecer por muito tempo.
Eu tinha poucas horas até o anoitecer. O que deveria fazer? Nada ali podia me ajudar e sair dessa de forma digna.
Tentei não pensar, contudo não estava dando certo. As minhas mãos tremiam suadas e meu coração estava acelerado. Não poderia ter medo disso, pois a situação ficaria ainda pior.
Eu não amo Thanduil. Apesar de enlouquecer em seus braços, não gostaria que a minha pureza fosse tirada por ele daquela forma. Nunca sonhara com esse momento em especial, mas jamais imaginei que seria tão constrangedor e em troca de algo que me fora tirado por ele. O rei estava sendo irracional, mas eu não conseguia demonstrar isso sem lhe causar mais ódio.
Tomei tantos goles de água na tentativa falha de me acalmar que, no final, minha barriga pesou. Antes da noite cair, tirei o vestido e me banhei novamente, me sentindo suja, mesmo sem ainda ser tocada por ele.
Coloquei-o novamente e aguardei mais ansiosa do que gostaria. Freeda não apareceu novamente. Era melhor assim, não queria que ela me visse naquele estado e me enchesse de perguntas.
Quando o portão abriu, eu já estava com a atenção voltada para ele há mais de uma hora. Minha cabeça começava a latejar de tantos pensamentos inoportunos ao mesmo tempo.
A figura do rei apareceu calma e num traje simples logo após, trazendo em suas mãos uma caixa de madeira trancada com um cadeado. O elfo tinha lá seus mistérios, e confesso que me sentia atraída por eles muito mais do que gostaria. Entrementes, nada daquilo me agradava pois, estava em jogo duas coisas que me eram muito preciosas.
— Senhorita Melrise. – Ele cumprimentou com um aceno, fitando meu olhar desesperado no escuro do seu jardim. – Entremos, por gentileza.
Me levantei da beirada da fonte e caminhei ao seu lado até seus aposentos. O rei trancou a porta logo atrás de nós, garantindo que ninguém pudesse entrar ali e ver o que estava para acontecer.
Rumamos para o quarto. Logo após acender algumas velas, o ambiente ficou iluminado e aconchegante. Suspirei e inspirei algumas vezes para controlar meu nervosismo, falhando miseravelmente.
O elfo abriu a caixa misteriosa e de lá retirou um punhal de prata, colocando-o à minha frente, mostrando-me que ele brilhava mais do que qualquer iluminação local.
— É com ele que faremos o pacto de sangue. – Informou baixo, quase num sussurro gélido que me arrepiou a espinha. Aquilo estava parecendo um ritual sinistro e assustador.
— Tudo bem. Mas irá me machucar? – Questionei, imaginando de onde ele poderia tirar o meu sangue antes do ato sexual.
— Só um cortezinho nas mãos de cada um. – Respondeu tão calmo que me fez ficar um pouco mais irritada. Só? – Você precisa colocar a mão sobre ele antes e dizer o que está compactuando. Coloque.
Pus minha mão direita sobre o objeto. As de Thranduil já o segurava.
— Agora repita comigo: Estamos de comum acordo com o ato sexual que se seguirá após o sangue correr por esta lâmina. – O rei clamou em bom som dessa vez, e logo após eu repeti. – E, em troca do mesmo, o elfo presente, rei Thranduil Oropherion, concederá a sua liberdade à humana presente. – Novamente repeti, sentindo minhas mãos tremerem. Segurei firme e não deixei o elfo perceber. – Também é de comum acordo nenhuma das partes falar sobre o ocorrido. Caso contrário, sentirá seu ser definhar sobre a terra, e nenhum remédio servirá como cura.
Essa parte era a que me deixava mais nervosa, contudo, eu conseguia guardar um segredo muito bem.
— Eu, Melrise... por favor, você precisa falar o seu nome para valer. – Ele esclareceu e eu me surpreendi. Aquilo era uma forma fácil dele descobrir quem eu era. Contudo, estaria livre na manhã seguinte, não tinha mais porque teme-lo.
– Eu, Melrise Phalnn... – Thranduil franziu o cenho por um segundo e continuou.
— E eu, Thranduil Oropherion... Aceito os termos aqui apresentados. – ele completou a frase e logo após eu a repeti.
O rei retirou minha mão e, com destreza, apertou a lâmina afiada do punhal, cortando mais ou menos um centímetro em sua palma. Seu rosto não mudara enquanto ele fazia aquilo, Thranduil permaneceu com a face dura e intacta. Após isso, assistiu a gota de sangue descer lenta pelo mesmo, que a sugou segundos depois para dentro de si.
Ele segurou a minha logo após firme para eu não vacilar. Engoli em seco quando senti o fio gelado encostar em minha pele, e me contorci quando perfurou-a sem piedade. De todas as coisas bizarras que aconteceram em minha vida, aquela era, sem dúvida alguma, a mais estranha.
O meu sangue desceu, tomando o mesmo rumo que o dele e também foi sugado. Quando isso aconteceu, o brilho excessivo da peça de prata sumiu, fechando aquele pacto.
O rei guardou o mesmo novamente em sua caixa e a lacrou com o cadeado, deixando-a do lado da cama onde cumpriríamos a primeira parte do acordo.
Ele se virou repentinamente e me beijou, tomando-me pelos braços mais uma com um apetite voraz que parecia consumir o seu corpo. Eu, em todos os outros momentos, adorei aqueles beijos como nunca em toda a minha vida. Porém, naquele instante, sentia um nojo dele e de mim que não conseguia mensurar.
Tocou em minha cintura e a apertou forte. Senti seu corpo rijo e másculo, com uma vestimenta mais leve dessa vez que ressaltava os seus contornos. Pude notar o seu membro crescer entre minha barriga, deixando o espaço desconfortável.
Eu estava tão desgostosa que sentir aquilo pela primeira vez me causara repulsa ao invés de desejo.
O rei desceu seus lábios pelos meu pescoço e colo, depositou alguns beijos ali e tateou até os botões do meu vestido afim de me despir. Eu queria terminar logo com aquilo, então me virei para deixa-lo retirar a peça escarlate que me vestia naquele dia.
Aquele era o meu aniversário. Uma data que deveria ser memorável estava se tornando o pior dia da minha vida. Sentir o desejo cruel do rei impiedoso estava me consumindo por dentro, porque por mais que eu o tentasse até aquele momento, eu não o queria.
Não consegui conter as lágrimas que brotaram infelizes em meus olhos. Estava sentindo-o conseguir me despir aos poucos, e meu corpo começara a tremer violentamente, confuso, medroso, sem controle. Thranduil me virou para si para ver o que estava acontecendo e se deparou com uma Melrise debulhada em lágrimas de desespero.
— O que foi? – ele sussurrou, seu peito arfando e sua pele quente. Sua pupila dilatada, sua boca vermelha e úmida que momentos antes me beijava com fulgor.
— Eu não consigo. – Esclareci, recolocando as mangas do vestido que estavam abaixadas a esta altura. – Me perdoe.
Ele ficou ali por alguns segundos me assistindo chorar, confuso.
— Se você não colaborar, Melrise, será pior. – Comunicou, tocando em minhas mãos trêmulas.
— Pode me trancafiar pelo resto de meus dias, majestade. Pode me jogar nas masmorras. Pode me matar. Mas eu não quero me deitar com o senhor em troca de minha liberdade. – Falei rouca, lutando contra os soluços que apareceram de repente. – Confesso que adorava o provocar, e se não fossem nestes termos... – engoli um pouco de ar e suspirei tentando me controlar. – Eu não consigo, me perdoe. Se prosseguir, será contra a minha vontade.
Foi tudo o que saiu de minha boca antes de recomeçar a chorar desesperadamente. O rei arregalou os olhos com a minha atitude, assustado.
Sentei-me na cama e ele sentou-se ao meu lado. Esperou o ataque novamente se acalmar e só então falou.
— Não posso possui-la sem a sua aprovação, mesmo que tenha jurado perante o pacto de sangue comum acordo do ato sexual. – Comunicou, assistindo minhas lágrimas molharem o belíssimo busto cheios de rubis. – Estupros são coisas abomináveis para nós, elfos. São atos imperdoáveis. Morremos de desgosto se tal coisa acontecer conosco, e não gostamos de fazê-lo com ninguém.
O encarei surpresa com aquela declaração. Era honrável, pelo menos.
— Pode me matar. Eu estou pronta. – Assegurei, conformada com o meu fim.
— Matá-la? Eu nunca pretendi isso. – Sua voz saíra um pouco terna, quase reconfortante. – És uma belíssima mulher. E não digo que não a mataria por causa de sua beleza, mas sim porque sei que não fez nada de errado.
Meu coração palpitou feliz com aquela declaração. Finalmente ele via que eu estava certa. Sorri para o rei um pouco mais alegre.
— Eu lhe darei a sua liberdade. – Concluiu com um olhar pesaroso. – Não se preocupe, não precisa se deitar comigo.
O elfo se levantou e foi de encontro com o baú que trouxera com o punhal. Rumou para a porta, olhou para trás e me encarou.
— Em pouco tempo alguém virá procurá-la. Então partirá.
E sumiu mais uma vez do meu campo de visão, me deixando completamente surpresa.
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