Notas iniciais
Boa noite genteeee ♥ cá estou eu quase meia noite e meia postando uma oneshot sendo que vou ter que levantar cedo kkkk fazer o que, é a vida :)

Prometi que voltaria e estou aqui! com mais essa história para vocês, e espero de coração que gostem ♥

Em breve trarei mais conteúdos, prometo ♥ só preciso conciliar um pouco melhor meu tempo com o trabalho e afazeres, mas prometo que não demoro ♥

Sem mais delongas, boa leitura a todos vocês anjinhos ♥

Sehun já não se recordava mais desde quando ele havia começado a ir naquela delicada — porém sofisticada — cafeteria de esquina, que ficava de frente para o seu prédio e a caminho do seu trabalho na agência de telemarketing, por conta disso, sempre aparecia por lá bem vestido, com seus elegantes e enormes casacos colocados por cima das roupas sociais, todos em tons marrons e raramente alguns cinzas. Mas de uma coisa o moreno tinha a absoluta certeza, ele não ia até aquela cafeteria porque o café era bom — não que fosse ruim, mas já provara vários bem melhores, era um adorador do líquido matinal escurecido, adorava o cheio que ele provocava no ambiente logo quando o sol dava as caras em torno das cinco e meia da manhã, portanto tinha suas exigências, preferia um mais forte e com apenas dois cubinhos pequenos de açúcar, aquele sim ficava excelente para seu paladar um tanto quanto requintado — também não ia pelo ambiente — apesar de realmente gostar da iluminação que batia naquele estabelecimento graças as grandes janelas de vidro, e adorava o cheiro das plantas que eram sempre bem cuidadas por lá — o verdadeiro motivo pelo qual aquela cafeteria tinha virado sua rotina desde muito tempo, era por aquele garoto, o funcionário do turno da manhã. Ele não sabia seu nome, mas já conhecia praticamente tudo sobre o jovem, uma vez que ele era seu foco naquele lugar.

O moreno era fascinado pela angelical — e um tanto engraçada, por sinal — ingenuidade daquele garoto. Sehun sempre levava um livro consigo até a cafeteria para disfarçar quando espiava por cima dele para poder enxergar o que o jovem fazia. Se divertia sempre quando ele errava e se atrapalha com os pedidos, ou quando colocava os doces da vitrine no lugar dos salgados, que tinha uma temperatura mais elevada, fazendo-os derreter. Aquele garoto dos cabelos cor de mel era atração principal de todas as manhãs de Sehun. Observava quando ele limpava o chão com aquele esfregão velho e quando parava para enxugar o suor de sua testa depois de atender uma boa quantidade de clientes, o moreno não se conformava como aquele uniforme rosado realçavam absurdamente as cores dos fios dourados de seus cabelos, e ele sempre levava seu pequeno bloco de notas e uma caneta no bolso do lado direito da camiseta, para poder anotar os pedidos.

O jovem por sua vez já sabia o que Sehun pediria, antes mesmo do pedido ser feito, isso porque era sempre a mesma coisa: uma xícara de café americano com um pouco de chantilly e dois cookies com gotas de chocolate branco por cima — a maioria das pessoas preferiria as de chocolate meio amargo, mas o moreno não gostava do óbvio, sempre buscava as opções menos pedidas em todos os lugares — e logo o garoto trazia tudo em uma bandeja de alumínio, com um sorriso bobo no rosto e as bochechas coradas, já fazia parte de sua rotina encontrar Sehun por lá todas as manhãs também, e acabara que depois de mais ou menos cinquenta dias seguidos, aquilo começava a deixar o garoto um tanto envergonhado, mesmo sem saber o motivo.

— Obrigado. — diz o moreno, curto e grosso.

— Não precisa me agradecer, moço. — sua voz era doce e agradava os ouvidos de Sehun, que já estavam fartos de tanta barulheira do apartamento ao lado do seu.

E seu olhar ainda era voltado para o funcionário quando ele sai de perto da mesa onde estava sentado, indo em direção a cozinha, onde o chefe — e dono da cafeteria — ficava. Sehun continua a rir vendo seu patrão novamente chamando sua atenção, dessa vez era porque o garoto havia colocado os ovos no freezer, fazendo-os congelar por completo. Ele ficava todo encolhido no canto da parede com a cabeça baixa e as suas mãos entrelaçadas, apenas escutando o sermão. Sehun achava extremamente fofo o modo como ele ouvia tudo calado e se desculpava milhares de vezes seguidas, isso em todos os dias da semana, desde quando o moreno começara a frequentar aquele lugar.

Aquele jeitinho único de ser do jovem havia despertado algo em Oh Sehun que nem mesmo ele sabia do que se travava, só que tinha a necessidade de ver um pouco daquela ingenuidade todos os dias, aquilo fazia da sua rotina e de seu trabalho menos cansativo, mostrava que ainda existiam pessoas puras naquele mundo assustador e repleto de pessoas com más intenções, um mundo completamente sem cor e que cada um só se importava com o próprio umbigo.

Tudo parecia normal naquela pacata manhã de segunda feira — os sons altos dos motores dos caros, os cachorros latindo sem parar, os comércios começando a abrir, a senhora do prédio vizinho regando as suas mais várias plantas da varanda — nada fora do que o moreno estava acostumado a ver todos os dias. Sehun estava na mesma mesa que costumava sentar desde a primeira vez que resolvera entrar naquela cafeteria — aquela do lado direito perto do balcão, para poder ficar perto do funcionário de uniforme rosado — já tomava sua xícara de café e um dos cookies já estava com duas marcas de mordidas. O moreno dessa vez lia um romance — ou pelo menos fingia ler, tudo para poder mirar seus olhos no garoto — se chamava Emma, da proeminente escritora Jane Austen, ainda estava nas primeiras páginas então não sabia ao certo do que o esperava pela frente na leitura. Ao fundo — deixando aquele momento ainda mais sereno e atraente para Sehun — uma bela e calma música tocava bem baixinho, era quase imperceptível. Ele não sabia ao certo de qual se tratava, mas aqueles leves toques de violino, estilo espanhol, agradavam seus ouvidos e o acalmava por completo, todo o estresse parecia ir embora toda vez que uma boa música estrangeira tocava naquela cafeteria. O garoto — em meio a música — era quase como a atração principal aos olhos do moreno, que seguiam acompanhando-o por cima do livro que lia. Ele adora o modo como ficava com um sorriso bobo no rosto ao atender os clientes e anotando os pedidos, enquanto se atrapalhava todo com as anotações. Nada fora do normal acontecia, mas para infelicidade do jovem, isso mudaria...

Pela primeira vez, ele não derrubara nenhuma bandeja no chão como quase todos os dias, ou nem mesmo quebra uma xícara enquanto lavava a louça, seu chefe não precisou chamar sua atenção aquela manhã por nenhuma dessas situações que o jovem quase sempre se metia. Tudo começou quando um cliente se levanta de uma mesa distante de repente — até então ele havia bebido metade do chá que havia pedido, mas olhava o ambiente como se estivesse planejando algo — o senhor caminha em direção ao balcão, o qual o garoto estava do outro lado preparando os pedidos que havia acabado de receber. O homem de cabelos grisalhos quase quebra a xícara de tão forte que a maia em frente ao funcionário, que leva um grande susto com o barulho — derrubando até mais pó de café na maquina do que deveria.

— Eu não consigo acreditar em tamanha porquice! — exclama o homem. — Onde já se viu tamanha barbaridade? — continua.

Nesse momento, o dono do estabelecimento vai ver o que está havendo.

— O que foi senhor? Alguma coisa errada? — pergunta o garoto ainda assustado com a atitude grosseira.

— Está tudo errado! Veja isso bem aqui na minha xícara de chá, é uma mosca! Eu jamais imaginaria que passaria por algo desse tipo, vou denunciar agora mesmo.

— Meu deus! — o jovem fica envergonhado com a situação. — Eu sinto muito, muito, muito mesmo senhor. Por favor, não faça isso. — implora.

— Isso é um absurdo, ainda terei que pagar por uma bebida com uma mosca nadando no meio dela... Não vejo outra opção.

— Imagina, é claro que não vai ter que pagar. — interrompe o chefe. — Isso é um pedido de desculpas da cafeteria! Prometo que não vai se repetir.

— Isso é o mínimo que poderiam fazer. — o tom de voz do homem é ignorante. — Nunca mais volto nessa porcaria.

Nesse momento, em súbito, Sehun se levanta da mesa e vai em direção ao balcão, com uma expressão séria — até mais do que o normal — lentamente, apenas observando aquele homem grosseiro.

— Com licença. — o moreno interrompe. — Sei que não é nem um pouco educado entrar no meio da conversa assim, mas esse senhor está mentindo.

— O que? — o acusado se espanta.

— Eu estava lendo, mas vi muito bem quando o senhor colocou esse inseto na xícara depois de tomar praticamente todo o chá. Esse é um truque velho para sair dos lugares sem pagar, chega a ser um ato nojento e sem escrúpulos. — diz Sehun olhando fixamente nos olhos do homem.

— Mas que barbaridade é essa que você está falando? — ele começa a se desesperar por ser pego na mentira. — Eu vou sair desse lugar antes que ouça mais baboseiras como essa... — o homem apenas sai bufando e com a sobrancelha franzida pela porta de vidro da entrada sem ao menos se desculpar pelos seus atos.

— Sinto muito por toda essa confusão chefe! — o garoto se inclina para pedir perdão.

— Por incrível que pareça, não foi sua culpa dessa vez. Eu sabia que aquele homem mentia. Mesmo assim muito obrigado jovem... — o chefe para de falar e olha para o moreno, como se estivesse esperando ele dizer o seu nome.

— Ah! Me chamo Sehun, senhor. Oh Sehun. — diz para respondê-lo.

Após a confusão, o moreno retina do bolso esquerdo de sua calça social, a carteira de couro preta, pegando o dinheiro em seguida e entregando para o funcionário a quem ele tanto gostava de observar.

— Perdão... Mas acho que houve um engano. — o garoto grita para parar Sehun antes dele ir embora da cafeteria. — Você me entregou dinheiro a mais do que a sua conta final.

— Eu sei... — diz com a voz séria. — Isso é para pagar os gastos daquele homem. Eu sei que se não fizesse isso, o dinheiro iria acabar saindo do seu bolso, mesmo não tendo culpa.

— Mas, eu não posso aceitar algo assim...

— Apenas aceite! É um presente pelo ótimo atendimento que tive todo esse tempo desde que comecei a frequentar aqui. — o moreno volta seu olhar no do garoto e sorri, deixando-o com as bochechas coradas.

— X —

Naquele mesmo dia — em seu trabalho no escritório da empresa de telemarketing — Sehun só conseguia pensar naquela expressão um tanto quanto fofa do garoto – segundo ele essa era a descrição perfeita. Aquele fora o primeiro contato dos dois desde a primeira vez que o moreno conheceu a cafeteria, portanto não saía da sua cabeça e sinceramente, não queria mesmo que saísse.

O dia demora a passar — parecia ainda mais demorado do que os outros — Sehun só queria saber de voltar a ver o garoto o quanto antes, mesmo que soubesse que teria de esperar até a próxima manhã. O moreno era um funcionário excepcional e renomado na empresa — vários tinham inveja do favoritismo do chefe por ele — e nunca se distraía do seu dever, mas foi diferente dessa vez, tudo que vinha em sua mente era aquele jovem cujo nem mesmo o nome sabia ainda.

— X —

A luz do sol bate forte do rosto do moreno por uma pequena fresta na cortina de cetim dourada de seu pequeno quarto, mas seus olhos se relutavam em abrir, até o despertador tocar minutos depois — então ele não tinha mais uma desculpa para não pôr os pés fora da cama. Seu apartamento era o sétimo, então os raios eram fortes lá em cima.

Sehun logo se anima — ao lembrar que em breve estaria vendo novamente o rosto do funcionário da cafeteria — e vai logo se vestir. Ele pega a calça que estava jogada em cima da cômoda que ficava ao lado direito de sua cama, com os mais variados livros empilhados, e as meias estavam penduradas no abajur. Apesar de responsável e bem formado, o moreno tinha a organização como seu único ponto fraco — digamos que seu quarto poderia ser muito bem confundido com um brechó — mas ele preferia assim, achava suas coisas mais fácil, esse havia sido o motivo para dispensar a faxineira meses atrás. Então o jovem vai até seu guarda-roupa — que ficava ao lado da porta — e retira um de seus casacos de lá de dentro, e dessa vez era um mais acinzentado, para variar um pouco.

Ele desce as escadas do seu prédio empolgado — não gostava de usar elevadores, mesmo que fizesse um esforço maior tendo que subir e descer aqueles degraus todos os dias — e logo já vai em direção a cafeteria — que incrivelmente — não estava tão cheia naquele dia, como era de costume.

O garoto estava feliz — logo que Sehun entra, já pode ver aquele olhar e sorriso gracioso vindo dele — e cantarolava alguma música conforme passava anotando os pedidos nas mesas dos clientes. E então, chega a vez do moreno.

— Bom dia! — exclama feliz. — Qual livro vai ler hoje? — pergunta como se os dois já conversassem a tempos, mas aquela era a primeira vez que o jovem falava algo a mais do que apenas “O que deseja pedir, senhor?”

— É...? — resmunga Sehun confuso e pasmo com o questionamento inesperado. — Hoje eu esqueci de pegar um livro antes de sair, estava ansioso para... — ele finalmente responde, mas para de repente, para pensar no que iria falar antes que arruinasse sua conversa. — Estava apenas ansioso por essa xícara de café.

— Nossa, que nome grande para um título de livro! — o garoto fica espantado. — Fiquei curioso, vou na biblioteca mais tarde procurar por ele.

— Não, não! Acho que você entendeu erra... Apenas esqueça. — o moreno desiste de tentar explicar.

— Mas então, o que gostaria hoje senhor? — ele sorri graciosamente mais uma vez, seus olhos refletiam a luz que passava pelo vidro, deixando seu olhar ainda mais belo. — Ah! Não precisa nem dizer, como sempre uma xícara de café americano e dois cookies de chocolate branco, estou certo?

— Sim... É isso! — afirma retribuindo o sorriso.

Sehun não sabia o motivo, mas seu coração esmurrava sua caixa torácica como nunca havia feito antes, até pensou por um breve momento que provavelmente enfartaria ali mesmo.

O moreno observa o garoto preparando seu pedido atrás do balcão todo cativante, ainda escutando e cantarolando a música que saia do seu fone de ouvido, que estava conectado em seu celular no bolso direito da sua calça e colocado apenas de um lado da orelha.

Quando percebem, ambos já haviam colocado um sorriso bobo no rosto.

Depois de alguns minutos — caprichando no desenho de flor de lótus feito com o chantilly na xícara de café — o jovem se prepara para levar o pedido de Sehun até ele, colocando a bebida quente e os cookies em uma bandeja, e logo a erguendo na altura do queixo, como um verdadeiro garçom dos buffets de festas de casamento.

Ele caminha em direção a Sehun com aquele mesmo olhar intenso, mas ao mesmo tempo ingênuo, e o moreno não sabia como alguém podia conciliar tão perfeitamente essas duas características assim. Até que o pior acontece, de repente...

Um jovem estudante — acompanhado de mais um bando de colegas rebeldes — resolve aprontar algo para chamar a atenção e fazer os amigos rirem. Ele coloca seu pé esquerdo para fora da mesa, impedindo a passagem do funcionário de cabelos cor de mel, fazendo-o tropeçar de uma maneira impossível de evitar o acidente.

Toda a bebida fervente acabada sendo derramada nas vestimentas acinzentadas de Sehun, enquanto um dos cookies vai parar em sua cabeça, e o outro bem distante dali, quase na porta do estabelecimento, embaixo de uma outra mesa onde um velho senhor tomava uma xícara de chá verde aquietado.

— Ai, ai, ai, ai, ai! — o garoto sempre resmungava assim quando algo dava errado, e o moreno sempre achava completamente fofo, mas não naquela situação. — Mil desculpas por isso! Sinto muito, muito mesmo! — ele não parava de se inclinar pedindo perdão.

Sehun apenas ignora o jovem e se levanta com o cenho franzido, olhando raivoso para os meninos que riam de toda aquela desgraça que havia acabado de acontecer. O jovem que havia colocado o pé na frente mantinha uma expressão orgulhosa e um sorriso sarcástico no rosto.

— Você! — aponta para o pregador de peças. — Por que fez isso? Acha mesmo engraçado fazer os outros passarem por essas situações? Não recebeu pelo menos o básico de educação em casa? Deixa que eu mesmo respondo essas perguntas... Não! Você deve ser um daqueles garotos mimados que o papai compra tudo o que quer e não precisa trabalhar para conseguir as suas coisas, e que a mamãe leva comidinha na cama até hoje e se despede com um beijinho no rosto... Estou errado? Pirralhos como você jamais saberão como é a vida adulta. Vê se cresce, antes de te derrubarem no lugar dessa pessoa que você derrubou hoje... Seu babaca! — após terminar de argumentar, Sehun dá as costas ao jovem que cora suas bochechas de vergonha quando seus amigos começam a tirar sarro.

Ele olha para o garoto que ainda está estava de joelhos, caído no chão.

— Eu... Eu... — o jovem não sabia o que dizer do ato de Sehun.

— Vamos, levante-se. Não deixe as pessoas agirem assim com você, nem todos são bons nesse mundo. — diz o moreno enquanto estende a mão para ajudar. — Eu não quero ver ninguém te machucando, você é precioso para mim, esse seu jeito único tem que ser sempre assim... — as palavras saiam da boca de Sehun sem que ele pudesse se controlar. Depois de dizer, ele logo envergonha-se.

— Obrigado... Eu nunca achei que alguém achasse isso de mim. Eu sempre fui o motivo de risadas e chacotas desde a época do colégio. — ele sorri quase como um verdadeiro anjo, e seus olhos enchem de lágrimas, eram perceptíveis mesmo sem escorrerem pelo seu rosto. — Deixe-me ajudar a secar as suas roupas, veja só essa macha, eu nem sei como me desculpar...

O garoto em súbito pega o guardanapo preso em sua cintura e passa perto da virilha do moreno, tentando secar mais rapidamente o líquido derramado, mas Sehun recua repentinamente, se envergonhando da situação.

— Acho melhor eu colocar roupas novas! — exclama. — Moro no prédio aqui em frente, vai ser rápido.

— Ah, ótimo! Então eu vou com você! — diz o jovem sorridente, já deixando seu avental de lado, em cima do balcão e indo em direção a porta.

— O que? Mas você pode sair assim desse jeito? — pergunta confuso.

— Vai ser rápido! Meu chefe nem vai sentir minha falta, ele vai até agradecer. É menos risco de um preto ser quebrado na minha ausência. — ele fala isso em um tom sério, realmente não era apenas uma brincadeira.

Os dois garotos então sobem até o sétimo andar e entram no apartamento de número trinta e oito. O jovem de cabelos cor de mel se espanta um pouco — ou muito, no caso — com a incrível falta de espaço e organização daquele lugar. Latinhas de refrigerante e pedaços de pizza estavam espalhados por toda a sala, enquanto na cozinha meias e cuecas jogadas pelo chão, e o garoto rezava para não estarem usadas.

— Desculpe pela falta de organização. — diz acanhado em meio a vergonha que sentia. — Não tive tempo de arrumar nada, hehe. — solta uma risadinha no final para descontrair.

— Imagina! — exclama também rindo. — Ela é bem... Única. — demora para falar.

— Bem, eu vou até meu quarto trocar essa calça e o sobretudo, pode fazer o que quiser enquanto isso. Tenho suco de limão na geladeira.

— Quer ajuda?

— Que? — pergunta assustado.

— Pra trocar a roupa, ué. — o garoto não entende o espanto do outro.

— Na verdade, pode deixar que faço isso sozinho, acho melhor. — ri no final para não parecer grosseiro.

— Ok, acho que vou tomar o suco então... — ele abre a geladeira e coloca um pouco da bebida cítrica num copo que estava em cima da pia de mármore desenhado.

Depois de alguns minutos esperando, o jovem finalmente ouve a maçaneta do quarto de Sehun girar e a trava da porta se abrir. Agora ele vestia uma calça mais clara com pequenas listras brancas na vertical e seu sobretudo era novamente um marrom, quase da cor de café.

— Pronto, já estou cem por centro outra vez! — murmura enquanto se olha no espelho da sala, que ficava ao lado do sofá e perto da pequena varanda do apartamento, que a propósito era rodeada por flores, todas amarelas. Pelo menos disso o moreno sabia cuidar e organizar. — Devemos voltar, estou atrasado para o meu trabalho e tenho certeza de que você também não pode ficar muito tempo fora do seu serviço, afinal os cafés não vão ser feitos sozinhos, não é?

— Sim, tem razão... Nessa altura o chefe deve estar me procurando até na lata de lixo... — pensa alto.

— Você é muito bobo. — brinca sorrindo.

— E você é muito sério! — exclama. — Desde que começou a frequentar a nossa cafeteria sua cara não muda. Parece até que você é um daqueles seguranças da casa branca que tem que ficar com os braços cruzados e a cara de mau.

— Cara... Agora eu entendi o motivo de zoarem tanto com você, é realmente um garoto muito ingênuo.

— Era o que minha avó me dizia! — responde com um sorriso de ponta a ponta no rosto. — Mas acho melhor você me respeitar, vi na sua identidade ali em cima da mesinha de centro da sala e eu sou mais velho que você. — levanta o cenho em sarcasmo.

— Não acredito, sério? — ele se espanta. — Você parece quase um bebê. — brinca.

— Minha vó dizia isso também. — esfrega as mãos no cabelo enquanto ria do comentário do outro.

— Mas será que eu poderia saber o seu nome? — pergunta meio acanhado.

— Claro que pode! Me chamo Baekhyun. Byun Baekhyun! — diz todo confiante.

— Gostei. — murmura bem baixinho. — Meu garoto ingênuo, Baekhyun... — repete várias vezes para si mesmo.

— X —

Finalmente agora Sehun sabia o nome do garoto por quem tanto se interessava observar, seja lá por qual motivo. Agora eles já não eram mais desconhecidos, o garoto considerava-o um melhor amigo, enquanto o moreno só sentia algo ainda mais forte a cada dia que passava.

Sehun acordava todas as manhãs animado para poder ver Baekhyun fazendo suas bobagens, enquanto o garoto não via a hora de poder conversar sem parar com o moreno. O laço daqueles dois havia se tornado algo inseparável, algo que nenhum dos dois sabia direito explicar...

— X —

Ele estava sentado na sua cadeira e trabalhando em seu laptop aquela manhã, como todos os dias. Quando se concentrava no que tinha que fazer, era como se tudo ao seu redor desaparecesse, desde os sons dos pássaros ecoando pela fresta da janela aberta, até a gota de água que vivia pingando no bebedouro do escritório. Cada funcionário tinha uma mesa para cuidar de suas respectivas funções, elas ficavam lado a lado, mas eram separadas por uma espécie de taboa, assim cada um tinha a sua própria privacidade.

O moreno adorava o seu chefe — que era magrelo e um tanto alto, também possuía cabelos grisalhos — nunca nem cogitava em trabalhar com outro. Era atencioso e completamente compreensivo. No fim do mês ele até comprava donuts para todos na lojinha de conveniência ali perto, cada um de acordo com o gosto de seus funcionários. Ele viva sorrindo e mesmo que o dia fosse exaustivo, nunca demonstrava estar cansado ou estressado. Pode-se dizer que no quesito de chefe, Sehun tinha ganho na loteria.

Então, de repente, ele se levanta e vai em direção a mesa do moreno — com aquele mesmo sorriso cativante de sempre — trazia consigo um monte de papeladas, então o jovem já deduzia que teria que carimbar ou tirar cópias de todos aqueles documentos.

— Bom dia chefe! — exclama quando o mesmo chega perto de sua mesa. — Como posso ajudar o senhor? Quer que eu carimbe esses papéis?

Ele sorri, como se estivesse recebido uma ótima notícia.

— Na verdade, Sehun, essa papelada toda é para você assinar.

— O que quer dizer com isso, senhor? — pergunta completamente confuso.

— Eu tenho a honra em te dizer que você foi promovido, eu não poderia escolher outra pessoa em seu lugar.

— Senhor? É uma brincadeira, certo? — o moreno se espanta e todos os outros funcionários voltam seus olhares para os dois. Eram curiosos.

— Por que o espanto? Você sempre se dedicou ao seu trabalho e faz as coisas da melhor maneira possível, é claro que isso um dia ia acontecer. Agora vai de você se quer assinar esses papéis e ir para a cede da empresa no Canadá.

— No Canadá, senhor? — ele muda sua expressão totalmente, agora parecia preocupado.

— Sim, por que? Tem algo que te impeça? Arrumou uma namorada? — ele adorava conversar com seu funcionário sobre todos os tipos de assuntos.

— Não é isso... É que... — ele se recusa a dizer que estava chateado só de pensar na possibilidade de ficar longe de Baekhyun.

— Bom, de qualquer maneira, você pode me dar a resposta até amanhã. Pense com cuidado. — ele aconselha e da dois tapinhas de leve nos ombros do jovem, que nem consegue agradecer por tudo aquilo, de tantas coisas que passavam em sua cabeça naquele momento.

— X —

Durante a noite, o moreno não conseguia sequer pregar os olhos, tudo aquilo tinha vindo tão de repente em sua vida, e justo agora que finalmente ele havia criado um sentimento ainda mais forte com Baekhyun. Sehun não sabia qual decisão tomar, era seu futuro no trabalho e seu coração em jogo. A essa altura ele já havia entendido seus verdadeiros sentimentos pelo garoto da cafeteria, nunca seu coração palpitara tão forte assim por alguém, e ele não queria perder isso.

Ele apenas espera amanhecer, olhando para o teto branco de seu quarto e remoendo as alternativas que tinha — que infelizmente não eram muitas.

— X —

Baekhyun vê o moreno chegando pela porta, e logo abre um sorriso bobo no rosto, contava os minutos até ele chegar, todas as manhãs. Mas dessa vez ele não estava com aquela expressão séria que o garoto tanto achava engraçada, não estava nem mesmo com um livro em suas mãos... Seu rosto era vazio e claramente estava triste com algo. Logo o jovem vai ver o que se passava com ele — que já estava sentado naquela mesma mesa de sempre.

— Bateu o dedinho na quina da cama não foi? Eu sempre fico na bad quando isso acontece comigo também, então te entendo.

— Baekhyun... — ele murmura.

— Eu?

— Poderia se sentar? Ou seu chefe vai achar ruim se fizer isso?

— Que nada! Já acostumei ele chamando minha atenção. Vamos lá, desabafe. — ele pisca os olhinhos como se estivesse curioso, mas logo percebe que o assunto era algo realmente muito sério.

— Eu estou... Meu coração... Ele dói. — as palavras saiam confusas da sua boca. — Não quero ficar longe de você. Sei que isso tudo é loucura, mas eu não consigo mais viver sem te ver todas as manhãs...

— Ah! Fica tranquilo, eu jamais vou sair daqui. É uma promessa. — ele se levanta em súbito e mostra o dedinho da sua mão esquerda, como se quisesse mostrar que aquilo realmente era um juramento.

— Sou eu... Eu que vou para longe... — sua expressão fica ainda mais abalada.

— Como assim, Sehun? — o garoto fica deveras confuso.

— Ontem eu fui promovido no meu emprego. — diz murmurando.

— Sério? Isso é incrível! Vai poder pedir mais do que uma xícara de café e dois cookies agora. — brinca.

— Não... Não é incrível. — ele olha fixamente nos olhos do garoto, com os seus já cheio de lágrimas. — Vou ter que me mudar para o Canadá. — finalmente diz o que queria.

Nesse momento, Baekhyun fica totalmente sem reação, mas abalado com a notícia — tanto ao ponto de serrar os punhos e colocar um sorriso falso no rosto, pela primeira vez em sua vida.

— Que legal! Canadá... — o garoto muda sua voz completamente e dispersa o olhar, mirando seus olhos em todos os cantos daquela cafeteria para tentar disfarçar sua preocupação. Não era mais aquele tom animado e ingênuo de sempre, estava tremulo e saia lentamente de seus lábios rosados.

— Eu não quero te perder. Não posso ficar se te ver todas as manhãs.

— Você não pode e nem deve recusar uma oferta dessas Sehun. Podemos nos ver de vez em quando, nas suas férias. E fazer ligações de vídeo, prometo te ligar sempre para olhar a cafeteria e...

— Por que? Por que isso teve que acontecer justo agora... Baekhyun eu sei que isso vai soar estranho e pode ser chocante para você, mas eu não tenho escolha e não ser te contar de uma vez. Finalmente pude entender meus sentimentos, o verdadeiro motivo de sentir a necessidade de vir aqui todas as manhãs... É porque eu te amo. — o moreno deixa suas lágrimas escorrerem pela primeira vez diante do garoto depois que termina de falar e confessa o que sentia. — Eu sei que posso ter estragado tudo agora, mas por favor, me conceda um último desejo antes de eu partir, já que terei que ir amanhã mesmo...

— Amanhã? — mesmo estando assustado e tentando absorver tudo aquilo que ele havia acabado de escutar, Baekhyun se assusta quando descobre o dia da viagem.

— Me deixe ficar com você uma última vez... Me deixe tomar uma última xícara de café ao seu lado? Eu imploro. — ele abaixa a cabeça em meio a dor momentânea que sentia.

— Sim! — o garoto sorri, agora verdadeiramente. — Eu aceito seu convite, vou preparar as bebidas. — diz enquanto enxuga as lágrimas com a manga de seu uniforme rosado.

Sehun só conseguia ficar observando o garoto fixamente, sem tirar os olhos dele por um minuto sequer, queria aproveitar cada segundo ao seu lado o máximo possível. Ele preparava o café ainda com um olhar triste e confuso, e o moreno entendia, afinal era uma notícia triste seguida de outra bombástica de uma só vez.

Baekhyun senta novamente na mesa após colocar as xícaras no centro dela. Dessa vez era um cookie com chocolate branco e um meio amargo, já que o garoto preferia o tradicional. Ambos se encaram fixamente, e o moreno parecia estar cada vez mais abalado por saber que provavelmente não veria mais o amado pessoalmente por um longo tempo. Ele aprecia cada detalhe do jovem, desde seus fios em tom de mel até os lábios rosados, mas o que ele mais observava era aquele olhar ingênuo pelo qual se sentia na obrigação de proteger. Para Sehun, aqueles olhos eram únicos.

Infelizmente o tempo — que estava nublado e tanto quanto frio — prefere pregar uma peça e parece passar mais rápido do que o normal aquele dia.

— X —

O garoto espera Sehun aquele dia na cafeteria, mas ele não aparece. Não conseguia nem mesmo fazer um desenho decente com o chantilly no café, só pensava que o moreno provavelmente estaria partindo naquele instante. Nem mesmo reage quando seu chefe chama sua atenção por entregar os pedidos errados — erro que ele nunca cometera antes — e é nesse momento que ele para e percebe, Sehun não era o único que sentia algo a mais do que apenas amizade...

— Aonde você vai garoto? — grita o chefe de dentro da cozinha quando vê Baekhyun saindo pela porta de vidro.

Logo o táxi para em frente ao garoto, que sobe no veículo logo em seguida e rapidamente ele pede ao motorista para que o leve até o aeroporto o mais rápido possível. Ele não parava de olhar em seu relógio de pulso prateado que havia ganhado de presente de aniversário da sua avó, rezando para conseguir alcançar o moreno a tempo, antes dele embarcar.

Assim que o carro para, Baekhyun entrega uma nota alta ao senhor do táxi, e nem mesmo espera pelo troco, jogava contra o tempo naquela situação, então qualquer segundo era valioso.

O garoto nunca havia corrido tanto em sua vida como naquele dia. As pessoas ao redor dele acabavam se tornando meros vultos de cores diferentes, graças a velocidade que ele estava. Olhava de um lado para o outro, subia e descia as escadas rolantes daquela gigantesca e antiga construção — visivelmente precisava de uma reforma, afinal era a segurança das pessoas ali dentro — mas nada do Sehun por lá. Ele então resolve ir até uma das atendentes do caixa onde compravam as passagens, o garoto passa na frente de todos da fila, o que causa um enorme tumulto, mas naquela altura, era a última coisa com que ele iria se importar.

— Por favor, o voo para o Canadá, quando sai? — pergunta esbaforido.

— Me desculpe meu jovem, mas os passageiros estão embarcando nesse exato momento. — diz a moça de cabelos loiros antes de um dos seguranças do aeroporto retirar Baekhyun dali e arrastá-lo novamente para a sala de espera.

Ele não tinha mais esperanças, só queria que as lágrimas parassem de escorrer e que aquele sentimento ruim fosse embora, mas Sehun era a única coisa que vinha em sua mente e nada mais importava.

A caminhada de volta, até a saída do aeroporto foi dolorosa, ele mantinha sua cabeça baixa e não conseguia acreditar que não veria mais o seu amado por um longo tempo. Estava chateado consigo mesmo por não entender dos seus sentimentos antes de tudo aquilo ter acontecido.

Até — que por obra do destino — ele ouve alguém chamando baixinho e confuso o seu nome, como se estivesse na dúvida de quem era.

Baekhyun se vira com aquela empolgação que era única dele, daquele garoto ingênuo e cheio de energias positivas para o mundo que não era as mil maravilhas. Aquela voz era inconfundível, mesmo assim era difícil de acreditar.

O garoto pula no colo de Sehun animado, abraçando-o e enganchando suas pernas nas cinturas do outro. Ele fecha os olhos e agarra ainda mais forte e parecia não querer soltar.

— Por favor, se isso for um sonho não me deixe acordar. — ele repetia inúmeras e incontáveis vezes.

— Seu tonto, eu sou real! — exclama o moreno contente. — Mas o que você está fazendo aqui?

— Eu que te pergunto, o avião não está decolando nesse exato momento? — pergunta agora se desprendendo do corpo dele.

— Eu não poderia te deixar para trás, você se tornou alguém importante para mi... — o moreno não consegue terminar de falar.

Byun Baekhyun, em impulso, leva seus lábios até os de Sehun, esticando seu corpo para alcançá-lo e colocando seus braços para trás, entrelaçando as mãos em seguida. Era como uma verdadeira cena de algum filme clichê da Disney.

— Eu vou com você! — diz animado.

— O que? Vai para onde? — o moreno se assusta com a fala repentina do outro.

— Vamos para o Canadá juntos! Sei que pode parecer loucura, mas eu não estou nem aí, quero me aventurar com você até o fim, Oh Se-hun. — seu sorriso era como o de um anjo e o brilho no olhar confirmava o que o moreno já sabia... Ele era o homem de sua vida.

— Alguém já te disse que você é muito ingênuo? — ri baixinho brincando, reforçando as palavras.

— Já sim! Mas agora tenho alguém do meu lado para me proteger do mundo lá fora. — continua sorrindo ao murmurar suas palavras. — Mas antes de irmos, podemos tomar uma última xícara de café? — seus olhares se encontram em meio ao sentimento intenso que ambos sentiam.

Agora a última xícara de café representava um novo recomeço. A última acabara de se transformar na primeira de uma longa jornada que fariam juntos. Até o fim.

Notas finais
é isso :)

espero imensamente que tenham gostado e se puderem deixem seu feedback para saber se está legal ou o que posso melhorar ♥

tenham uma boa noite e até a próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!