A Última Vítima
1 One Shot
Notas iniciais
Quando pôde abrir os olhos, Alice finalmente observou onde estava. Era um cômodo mal iluminado, totalmente vazio, exceto pela cama de casal em que haviam a deitado. Higiene não era o ponto forte daquele lugar, mas nada que a faria vomitar de nojo.
- Mãe! — Alice chamou.
- Tentativa falha, minha querida. — Um homem de cabelos escuros alinhados do lado direito da cabeça, pele clara e óculos foi até a garota.
- Quem é você? Eu quero sair daqui! — ela pediu.
- Nem tudo é do jeito que você quer meu amor. — ele disse irônico. — Se bem que a senhorita amou esse lugar, assim como também me amou!
- O quê está dizendo? — Alice se levantou devagar esperando alguma reação do desconhecido, que ameaçou se aproximar mais, mas logo se afastou. — Está doido?
Após dois passos, ela parou, pois percebeu que em seu pé havia uma corrente presa à uma barra de ferro fixada no chão que a impedia de continuar.
- Taylor. — Ele, sabendo qual seria a próxima pergunta de Alice, respondeu. — Agora se deite e descanse, vou preparar um lanche delicioso.
"Se sabe que não pode vencer o inimigo, toque no ponto mais fraco dele e, talvez, terá uma chance.", Alice pensou na frase que Rachel havia lhe dito dias atrás. "Quando se trata de um homem, sabe como usar sua feminilidade, não é?!".
- Tay. Posso te chamar assim? — a garota sorriu tímida.
- Bem, isso é um pedido de amizade? — Taylor se virou e saiu do cômodo. — Queria ser tão inocente quanto você é. — Ele sussurrou.
Não importa o que estava prestes a acontecer, Alice precisava sair dali. E logo.
Ela observou cada centímetro das paredes esbranquiçadas, inspecionou a cama onde deitara minutos atrás, revirando as colchas e cobertores a procura de uma arma qualquer para usar contra o maníaco. De repente, quando se agachou para ver se encontrava uma esperança debaixo do móvel, avistou um reflexo que invadiu de imediato a sua retina e a fez querer mais e mais saber o que era aquilo.
Alice se esticou um pouco e alcançou o tal objeto. Quando finalmente o teve nas mãos, notou que o mesmo encaixava perfeitamente entre os seus dedos, o que lhe possibilitou de o esconder.
- Foi o melhor que eu pude fazer. Como a minha última empregada não deu conta de mim resolvi dar-lhe umas férias. Então, espero que goste. — Taylor deixou a bandeja com o lanche na cama, logo após completou: — Aqui está o açúcar, caso queira colocar no suco. — e a entregou o suco, que Alice quis experimentar.
- Está maravilhoso. — ela fez questão de dizer.
- Preciso ver o que vou fazer com você, apesar de já ter decidido, mas... — ele comentou com um sorriso simpático e se aproximou da garota, que recuou medrosa. Ele colocou as mãos na nuca de Alice, seu rosto foi avançando ao encontro da face dela. — Tem alguma coisa que me faz não querer toca-la, não querer machuca-la de modo algum.
- Taylor... — ela ousou falar.
- Me deixe provar, eu quero prová-la.
Aquilo invadiu os ouvidos de Alice, seu coração batia mais forte, seus olhos encaravam os olhos dele. Ela não podia acreditar que o homem que tanto temia só queria beijá-la. Se isso ajudasse à concretizar sua tentativa maluca de fugir, ela iria fazê-lo.
Alice levantou lentamente a sua mão direita até ela encostar-se aos fios de cabelo pretos e, agora, bagunçados de Tay, que pareceu gostar. Os olhos do garoto se fecharam, um sorriso travesso apareceu de repente de ambos os lados e ele pôde sentir o que nunca havia experimentado: amor. Alice tentou demonstrar o mais verdadeiro amor, que, sim, ela estava começando a ver o que Taylor realmente precisava.
"I gonna give all my secrets away", ele sussurrou para ela.
- Tay... — Ali negou com a cabeça.
- Eu quero você! — ele exclamou mais uma vez.
Os dedos daquele homem caminharam pelas costas de Alice, fazendo seu corpo estremecer. Ele sorriu novamente e finalmente, selou seus lábios ao dos da garota, que ansiava por aquilo.
Alice estava com os sentimentos confusos e a flor da pele, ela queria confiar nele, mas tudo o quê ela se perguntava era "Pra quê?" "Para transar comigo?".
Foi então, quando sentiu o perfume, o cabelo, o coração acelerado e a boca de Taylor, que as lembranças da noite passada rolaram em sua mente. O modo como as palavras encantadoras dele completavam seu coração farto de tanta coisa vivenciada em sua casa e as verdades que Alice queria tanto dizer a Rachel, lhe fazia derreter o corpo todo.
Um, dois, três copos de vodca depois, Alice pôde ver-se deitada ao lado do rapaz que lhe dissera tantas palavras bonitas e conseguiu tocar a ferida que há tempos não tocava, sentia que a felicidade havia chegado finalmente.
Os beijos de Taylor eram calmos e doces. Nada assustador, mas nada normal demais. Algo que Alice gostava de desfrutar.
A moça ficou aterrorizada no começo. "Como alguém pode te jurar de morte e depois querer te beijar? Está certo isso produção?". Porém ficou firme com a decisão de que não importa o que acontecesse, ela iria lutar pela sua vida.
- Alice? — Taylor a observou confuso. — Não posso acreditar que...
Alice o interrompeu com mais um beijo; mais um beijo que Tay, por sinal, adorou ter ganhado. Ele voltou a sua mão para a nuca dela, lhe desejando ainda mais.
Taylor se apressou, tirou a camisa e a calça jeans. Jogou os óculos para algum canto da sala e vendo que Alice tinha dificuldade com a camisola que ele mesmo tinha colocado nela, se aproximou mais, a beijando e levando a sua mão até o nó feito atrás da roupa.
Alice foi rápida, atacou contra o pescoço de Taylor com a adaga que havia encontrado e ainda permanecia em sua mão. Ele desviou, mas não o suficiente para evitar que a lâmina perfurasse sua pele e acertasse, exatamente, dois centímetros de sua jugular.
- Alice... – Tay disse colocando a mão no pescoço verificando toda sua perda de sangue.
- Como posso te amar sendo que fico com medo a cada toque seu? Medo da sua bipolaridade? – ela se levantou, afastou a mecha de cabelo que havia grudada em seu rosto e olhou para Taylor novamente. – Você é um psicopata. Ninguém ama um psicopata.
- Ali... não me deixe aqui. – ele suplicou.
- Não se preocupe querido. – Alice não ousou tirar a faca do pescoço de Taylor. Ela queria que a ferrugem da lâmina penetrasse nos músculos dele e mesmo que sobrevivesse, a infecção causada por essa ferrugem irá ser tão grande que nem com todos os tratamentos e medicamentos do mundo será suficiente para curá-lo. – Você não vai ficar aqui. Aposto que o diabo cuidará bem da sua alma e do seu corpo.
A garota correu exasperada, subindo por uma escada e entrando no que parecia ser a cozinha. Ela avistou um telefone pendurado na parede e não pensou. Seus dedos discaram o número da policia e esperou até uma mulher atender. Ela contou toda a história rapidamente e contou, também, que Taylor estava ferido e precisava de ajuda.
Alice continuou andando ao encontro da porta de entrada. No corredor onde passava um cômodo, em especial, a chamou a atenção. Era só iluminado por um abajur que estava em cima de uma cômoda. Ela abriu a primeira gaveta e observou diversas roupas, que incluíam camisetas, calças, até mesmo, peças intimas. O estranho era que tudo aquilo parecia ser de mulheres. Curiosa, ela abriu a segunda gaveta. Lá, estavam outras roupas. Peças muito bem passadas e dobradas.
Ela fechou ambas as gavetas e só pensou em correr.
As luzes dos carros policiais invadiram as janelas e Alice pode ouvir um homem gritar:
- Se estiver atrás da porta, se afaste!
Em uma explosão, a porta veio a baixo.
- Você está bem? – o tal rapaz perguntou.
— Si-si-sim. Tem uma entrada... na cozinha... que leva à uma escada... – Alice tentava explicar, mas o seu medo misturado com esperança, não a deixava.
- Pode se acalmar. Nós acharemos. – o policial a tranquilizou.
- Ele está ferido. – ela avisou.
Duas semanas depois, após Alice sentir fortes dores no abdômen e enjoos matinais, ela procurou um médico, que a examinou e concluiu: Alice estava grávida.
“Grávida de um psicopata... Um psicopata morto.”
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