A Última Serafim
1 O Fim Da Espaço A Um Novo Começo
Notas iniciais
O que esse humano tem de tão especial para você ir tão longe só para encontrá-lo?
Essa pergunta ainda permanecia na cabeça de Íris. Mesmo sem ter uma resposta convincente para ela, a jovem anjo sabia que precisava encontrar aquela criança que via em seus sonhos, nem que, para isso, tivesse que atravessar o universo sozinha.
***
Após devidamente trancar a porta da loja onde trabalhava, Nathan começou a trilhar seu caminho para casa. O sol já ia se pôr, e as últimas lojas em funcionamento já se preparavam para fechar suas portas. Uma brisa gelada dançou pelo ambiente, fazendo o rapaz subir o cachecol de seu pescoço para cobri-lo e depois guardar suas mãos nos bolsos do casaco. O inverno desse ano estava sendo bastante rigoroso.
Quando chegou na primeira esquina, Nathan escutou uma voz feminina chamar seu nome. Ele parou de andar e esperou enquanto sua amiga, Isa, vinha até ele. Era uma garota de cabelos cor de mel que mantinha um belo sorriso. Estava também agasalhada, com um suéter felpudo preto e branco. Parecia até que estava fantasiada de panda. Usava também uma imensa touca de tricô.
Ela trazia consigo um copo em cada mão, dos quais escapava um pouco de vapor. Ao chegar até Nathan, a garota lhe ofereceu um dos copos.
— É cappuccino sem açúcar, como você gosta — disse ela, vendo-o pegar a bebida. — Não sei como você consegue beber esse negócio amargo.
Nathan deu de ombros e bebeu um pequeno gole de sua bebida. A garota fez uma expressão rápida de nojo, mas recompôs seu sorriso e colocou-se ao lado dele, assim ambos continuaram seguindo em silêncio pela calçada.
Providenza é um dos maiores e mais influentes impérios do mundo. Porém, não é seu diversificado comércio ou seus bons padrões de vida que chamam mais a atenção. Esse reino é o único no mundo que tem leis igualitárias para todas as raças, sejam humanos, elfos, homens-fera e mesmo híbridos, dando direitos e deveres iguais à todos.
É claro que nem todos veem essa unificação com bons olhos. O preconceito entre raças ainda existe, e provavelmente sempre irá existir. São cicatrizes de guerras passadas que não irão desaparecer facilmente. Entretanto, colocar muitas raças diferentes em um só lugar e fazê-las conviver sem conflitos já é um feito extraordinário. O preconceito é apenas um obstáculo que, aos poucos, vai sendo superado.
— "Como foi no trabalho hoje, Isa?" — A garota tentou imitar a voz de Nathan, sem muito sucesso. — Ah, foi meio parado. Teve bem menos clientes do que de costume. Obrigada por perguntar.
Olhando de canto para a garota, não pôde conter um pequeno sorriso ao vê-la inflando as bochechas como uma garotinha birrenta. Já estava acostumado com a personalidade da garota. Afinal, eles se aturavam há vários anos.
— Houve pouco movimento na Furukawa hoje. Deve ser por causa do novo cassino na zona norte da cidade — comentou Nathan, a fim de estender a conversa.
A cidade de Vanguard é conhecida dentro do império e no também exterior por seu diversificado centro comercial, que atrai vários turistas e empresários. A avenida Tiago Furukawa, a mais importante e movimentada da cidade, neste momento estava com menos da metade de seu fluxo normal de pessoas. Esse fenômeno se dá à inauguração de um novo cassino ou algo parecido, que nada mais é que uma armadilha para turistas.
Aproveitando o lado bom do baixo fluxo de transeuntes, Isa e Nathan conseguiram ir sentados no metrô que os levou até a zona leste da cidade, onde ficava a área residencial de classe média de Vanguard. Após descerem na estação, os dois seguiram algumas quadras até pararem na porta da casa onde Isa morava com seu pai.
Ao invés de fazer como de praxe, que seria se despedir de Nathan e entrar, Isa permaneceu parada, hesitando em entrar. Estava um pouco inquieta e ficava subindo e descendo da ponta dos pés. Como ainda tinha que pegar um ônibus para chegar em casa, ele não podia ficar muito tempo. Quando o rapaz ia abrir a boca para se despedir, Isa pareceu tomar coragem e perguntou, desviando o olhar:
— Você... vai fazer algo sábado à noite?
Era raro para ele ver esse lado mais tímido da garota. Isso o fez se lembrar de quando a encontrou pela primeira vez, por volta dos dez anos de idade. Alguns garotos mais velhos estavam à maltratando por conta de uma “má fama” que havia herdado de sua mãe, e depois de ter comprado briga sozinho com eles, e apanhado um bocado, passou a ser admirado por Isa.
Quando ela tentou pedir desculpas e o perguntou porque tinha se envolvido, a resposta que recebeu não saiu mais de sua mente: “Quando fazemos algo por alguém, esperamos um sorriso em troca, e não um pedido de desculpas. Se você sorrir, tenho certeza que as coisas ruins vão fugir para longe, pois nenhuma sombra gosta de luz, não acha? ”.
Ver Isa acanhada daquele jeito era, de certa forma, nostálgico para Nathan, pois, naquele dia, sem nem saber ao certo, ele havia salvo o sorriso dela, o mesmo sorriso que esboçava sempre que o via.
Voltando ao presente, ele respondeu que estava sim livre no final de semana. Afinal, sua rotina atual era trabalhar, comer e assistir TV até o sono chegar.
— Eu estava pensando... se você gostaria de ir comigo ao festival no templo de Japheth desse ano. — Isa desviou mais ainda o olhar parar esconder suas bochechas coradas.
Ao ouvir sobre o templo, o olhar de Nathan vacilou um pouco, mas logo tratou de recompor seu semblante sério habitual.
— Você vai ir de Yukata?
Ainda de rosto abaixado, Isa se permitiu exibir um sorriso travesso.
— Quer me ver em um vestido justo? Seu pervertido — brincou, mais corada que antes.
— É só pra saber se terei que ir com uma roupa casual ou algo mais tradicional.
— Então você vai! — Isa ergueu o olhar rapidamente, alegre demais para pensar em esconder sua timidez.
— Eu sei que se eu não for, você não vai. E também sei que você adora esse festival — respondeu, rindo um pouco da cara de desentendida da garota.
Após acertarem o horário que Nathan passaria para pegá-la, os dois se despediram e o rapaz apressou o passo para chegar a tempo para pegar o ônibus. Enquanto andava, alguns pensamentos relativos a problemas pendentes começaram a ressurgir em sua mente.
Como será que o pessoal da Academia de Cavaleiros me receberia se me encontrassem no festival? Pensou, lembrando de seus antigos companheiros de classe. Com certeza não fariam uma festa.
Nathan se sentiu um pouco mal com seu último pensamento. Era fato que havia feito coisas horríveis. Entretanto, não foi sua escolha entrar na academia para início de conversa. A Academia de Cavaleiros da Ordem treinava os mais fortes para se tornarem aqueles que prezariam pela paz e a ordem de Providenza. Mesmo com um pouco de talento e sorte, ele não conseguia imaginar um humano dentre os formandos da academia.
Por estar muito distraído, acabou trombando em alguém, o trazendo de volta à realidade. Após pedir desculpas, percebeu que estavam em dois, um homem com olhos de cores diferentes, um marrom-claro e outro amarelo com a pupila mais dilatada, o dando um ar ameaçador, e outro, com o qual Nathan esbarrou, era uma criatura humanoide com rosto e pele de lagarto, com o corpo esguio e curvado e uma longa cauda que ia de um lado para o outro.
— Presta atenção por onde anda, humano — disse o homem lagarto em um tom arrogante, passando com pressa por Nathan.
Não haviam tantos homens lagartos em Providenza, e essa raça costuma ser mais omissa e respeitosa com as outras, devido à suas origens em povoados mais pequenos e isolados. Ver um deles falar com ele em tom de superioridade deixou ao menos uma pequena ponta de curiosidade em Nathan, e o outro homem também lhe pareceu suspeito.
Droga, se eu não me apressar vou perder o último ônibus. Pensou Nathan, tentando se convencer a não ir atrás deles. Não deve ser nada. Só estou ficando paranoico mesmo.
Nathan continuou seu caminho, mas quando ia atravessar a rua, um carro em alta velocidade passou por ele, por pouco não o atropelando. O rapaz quase teve um infarto, colocando a mão no peito e respirando ritmicamente para se acalmar.
Ao olhar para o lado que o carro foi, viu que ele parou em frente a um beco, e aqueles dois homens de antes estavam ao lado dele. Após um deles falar com o motorista, ele e mais dois outros homens suspeitos entraram no beco, correndo.
Não deve ser nada. Um bando de caras mal encarados entrando apressadamente em um beco, perfeitamente normal.
Depois de algum tempo de conflito interno, Nathan deu um suspiro pesado e se colocou a caminho do beco onde aqueles homens entraram. Algo o dizia que ele ia acabar se dando mal com essa decisão. Mas, infelizmente, era como Isa sempre dizia para ele: “É impossível controlar esse seu vício em procurar algo que coloque sua pele em risco.”
Se esgueirou por aquele beco inóspito, sem qualquer sinal de movimentação. O sol já havia se escondido no horizonte, e a única luz que iluminava aquele lugar sujo provinha da rua atrás de si. Enquanto andava, tentava fazer o mínimo de barulho, desviando de algumas caixas e entulhos espalhados pelo caminho, até que ouviu algumas vozes que vinham de uma entrada à esquerda mais à frente.
Assim que chegou na entrada, com cautela, colocou metade do seu rosto para ver o que estava acontecendo, e a cena que viu o chocou de imediato. Um homem bem grande e robusto com cabelo comprido estava chutando e espancando uma garota de uns catorze anos de idade de cabelos longos e brancos. Aqueles quatro caras de antes estavam ali também, assistindo a cena sem dizer nada.
Aquele de cabelos longos deu mais um chute no estômago da garota, a fazendo vomitar um pouco de sangue. Antes que pudesse dar outro, o homem com os olhos heterocromáticos colocou a mão em seu ombro e disse algo bem baixo para ele, o fazendo parar de bater na garota.
— Essa merdinha quase arrancou um pedaço do meu braço. Ela tem que aprender a hora de parar de resistir — disse o homem de cabelos longos, mostrando seu antebraço que tinha uma marca bem visível de mordida que ainda sangrava.
— A culpa é sua por não conseguir conter uma simples garotinha, Noah. De que vale todos esses músculos se não consegue simplesmente pensar em amordaçá-la? — falou o homem lagarto, debochando do companheiro.
— O quê? Tá querendo descobrir se seu rabo cresce de novo? Pois eu não ligo de arrancar ele, não, lagartixa mutante — retrucou o tal Noah, já sem paciência alguma.
— Já se esqueceu que temos que levá-la viva para o chefe? Se ela acabar morrendo de hemorragia interna, você vai ver a grama nascer pela raiz na hora — complementou o homem lagarto, e Noah apenas respondeu com um grunhido e se afastou da garota.
O homem de olhos com cores diferentes começou a caminhar na direção da garota, mas de repente ele percebeu que havia alguém atrás deles. Assim que se virou pôde ver Nathan já imobilizando um dos homens com uma gravata e o deixando inconsciente.
Outro homem, que parecia ser um elfo ou algo assim dado pelas orelhas pontudas, se lançou sobre Nathan que, com um movimento sutil, desviou do soco dele e o finalizou com um golpe na parte de trás de seu pescoço, o fazendo cair no chão agonizando de dor.
— O que você...
O homem lagarto não teve tempo de terminar, pois Nathan passou correndo por ele e foi em direção àquele que estava mais próximo da garota. Assim que chegou próximo à ele, se preparou para tentar acertar um cruzado de direita nele, o qual foi desviado sem muita dificuldade e, para o desespero do rapaz, seu oponente sacou um revólver de sua cintura.
O som do disparo ecoou por todo o beco. Foi um tiro a queima roupa no peito de Nathan, que estava paralisado sentindo uma dor enorme na região do seu peito. O movimento que o homem fez foi tão simples que, se não tivesse sido feito em frações de segundo, poderia ter sido facilmente evitado.
— Isso é o que acontece quando alguém tenta bancar de herói — zombou Noah, se divertindo com a situação do rapaz.
Ao ouvir isso, Nathan não conseguiu se segurar e deu uma breve risada. Nenhum dos agressores estava mais entendendo direito qual era a dele. Quando o homem de olhos heterocromáticos afastou seu rosto, acabou por levar uma cabeçada direto em seu nariz, que o fez se desequilibrar, permitindo assim que Nathan agarrasse seu braço e aplicasse um golpe de Taekwondo, fazendo um movimento giratório e o jogando com força contra o chão.
Depois disso, se afastou do homem e se colocou próximo da garota. Levou a mão até o lado esquerdo de seu peito, de onde jorrava uma quantidade alarmante de sangue, e depois olhou para os dois que ainda restavam, mas estavam parados, apenas observando-o.
— Mesmo depois de um tiro a queima roupa ainda está de pé? — falou o homem lagarto, incrédulo com o que via. — Quem é você?
Se não fosse o feitiço Espírito de Luta eu não teria conseguido revidar depois do tiro. Mas agora não tenho mais Mana para conseguir usar magia de cura no meu ferimento. Pensou, reavaliando suas ações, mas então olhou para a garota. Se eu não tivesse feito isso, eu já estaria fora de combate nessa altura. Acho que foi a melhor decisão que eu podia tomar nessa situação.
Usada como recurso em combates corpo a corpo, Espírito de Luta permite que o corpo do alvo continue lutando mesmo que tenha levado golpes fatais ou perca a mobilidade de seus membros. Porém, durava apenas poucos minutos.
— Humpf! Não deve passar de um estudante da Academia de Cavaleiros que acha que é o maioral — zombou Noah, vendo Nathan começar a ficar pálido devido à perda de sangue. — Tenho certeza que nunca levou um tiro antes, não é?
Droga, tá começando a doer pra caramba! Não é igual à TV que o cara leva um monte de tiro e mesmo assim sai dando porrada em todo mundo. Ciente de que, mesmo ainda possuindo a mobilidade de seu corpo, o feitiço não reduz em nada a sensação de dor e a fadiga do alvo, o rapaz tentava bolar algum jeito de acabar logo com aquela situação. Mas eu não posso desmaiar agora. Esses covardes não vão sair por cima de jeito nenhum.
O homem que havia levado o último golpe de Nathan se levantou com as mão sobre rosto. Seu nariz sangrava muito e parecia ter quebrado. Nesse momento, seu olhar exibia fúria, como uma fera que passava dias sem se alimentar, e encarava o rapaz como sua tão cobiçada presa. Apontou sua arma para ele, e os outros dois também sacaram seus revólveres e fizeram o mesmo.
Por que eu não posso simplesmente ter uma vida normal? Sempre tem uma arma ou lâmina apontada pra mim. Acho que é o carma, só pode. Nathan olhou para a garota no chão atrás dele. Ela parecia estar rezando ou algo parecido em posição fetal. Acho que devia seguir o exemplo dela. Só um milagre nos salva agora.
Voltando-se para os seus inimigos, viu que eles se preparavam para puxar o gatilho. O homem de olhos heterocromáticos esboçava um sorriso tenebroso, parecendo gostar de ver Nathan se contorcer com a dor da bala que ele disparou.
— Se ficar no caminho do lorde Kernunnos, tudo que receberá será dor e sofrimento — disse o homem, aumentando ainda mais seu sorriso insano, e finalmente puxando o gatilho de sua arma, seguido de seus companheiros que fizeram o mesmo.
Para a surpresa de todos, as balas não chegaram até o rapaz, mas ricochetearam em um tipo de barreira transparente em forma de bolha. Nathan olhou para a garota atrás de si e viu que ela estava com uma de suas mãos erguidas com um símbolo mágico nela.
Então ela estava conjurando um feitiço? E um de nível A. Talvez ela seja aluna da academia também. Nathan estava admirado com a força de vontade da garota que, mesmo toda machucada, ainda conseguia se concentrar o bastante para fazer um feitiço daqueles.
O homem de olhos com cores diferentes parecia inconformado com a situação, pois estava tremendo e com os olhos arregalados. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, foi interrompido pelo lagarto humano.
— Ei, Neko, é melhor a gente sair daqui. Alguém com certeza vai chamar a polícia depois de ter ouvido esses disparos.
O homem se recompôs na hora, e então guardou sua arma em sua cintura e apenas deixou o local, seguido por seus comparsas, os quais dois deles tinham que se apoiar em Noah para conseguirem andar.
Só depois de ouvir a arrancada do carro foi que a garota baixou a barreira de proteção. Nathan suspirou profundamente em alívio, porém a dor em seu peito estava ficando cada vez mais insuportável e as forças do seu corpo estavam se esvaindo de forma assustadora.
Com dificuldade, caminhou até a garota. Ao chegar até ela, se ajoelhou ao seu lado e constatou que estava muito ferida e parecia também um pouco magra, talvez por sofrer algum tipo de mau trato. Ele então pegou seu celular e enviou sua localização por mensagem para o seu irmão, que sabia que viria imediatamente em seu socorro.
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem agora — disse Nathan à garota, com a voz bem mais falha do que gostaria — Aguenta só mais um pouco, a ajuda já está a caminho.
Mesmo em estado grave, a garota se esforçou para tentar dizer algo, que saiu como um sussurro — Me... Me prometa.
— Prometer o quê?
— Que não vai... morrer por minha causa também...
Depois disso, a garota ficou inconsciente. Alguns pingos de chuva começaram incomodar Nathan e, em seu último ato antes de ficar sem forças, ele retirou seu casaco e colocou sobre a garota, que estava usando apenas um vestido azul claro sem mangas.
De repente, ele perdeu completamente o controle sob seu corpo, indicando que o efeito de seu feitiço havia acabado, e seu rosto foi de encontro ao concreto. Mesmo com gelados pingos de chuva caindo diretamente em sua pele, Nathan continuava com uma estranha sensação de calor em seu corpo. Ao descer um pouco seu olhar, viu uma poça com um líquido escarlate que começava a se misturar com a água da chuva.
Droga! Nunca pensei que meu fim seria assim. E ainda mais que quem me matasse seria alguém com o nome “gato” em Japonês.
Com a visão enevoada, ele deu uma última olhada na garota, cujo rosto estava a menos de dez centímetros do dele. Seu rosto era belo e delicado, e sua pele era branca como papel. O rapaz ainda conseguia ouvir a respiração um pouco pesada da garota, o que, de certa forma, o confortava.
— Me desculpe, mas acho que isso é algo que eu não posso prometer. — A voz de Nathan saiu como um sussurro, provavelmente impossível de ter sido ouvido pela garota.
Depois disso, Nathan apagou por completo.
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