Notas iniciais
Pra quem não viu, postei um capítulo essa semana, e pra quem já o leu, aqui está outro:

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•PONTUALMENTE, AS TRÊS DA TARDE•

A campainha ressoou pela casa.

—Você poderia, por favor, atender à porta! ? –gritou Max do banheiro.



Liesel podia ouvir o barulho do chuveiro como plano de fundo. Levantou do sofá –onde estivera lendo por longos minutos— e abriu a porta sem muito ânimo, deparando-se com a senhora Heeger.



Chamava-a de senhora para sentir-se mais confortável, pois a verdade é que faltavam alguns pares de anos pra ela começar a ser uma senhora. A verdade é que Liesel sentia-se ameaçada. Ameaçada por quê? Ecoava sua mente. Tinha medo da resposta, parou de pensar no motivo quando percebeu que Eva estava esperando ser convidada para entrar.



A roubadora de livros saiu da frente, dando passagem para a ruiva, que entrou sem sequer dirigir uma palavra à Liesel. Apenas esboçou uma reação –um mínimo sorriso— quando viu Max saindo do banheiro, com apenas uma toalha enrolada no corpo.



Ao perceber o olhar de Eva, Max corou.



—Já volto. –passou rapidamente pelo corredor, entrando na primeira porta à direita, seu quarto.



—Sente-se. –Liesel falou pela primeira vez e enrubesceu ao perceber o quanto seu tom de voz parecia inseguro.



Eva notou. Resolveu puxar assunto:



—Obrigada, querida. –sorriu falsamente. —E então, conte-me qual é a sensação de ter um pai candidato a prefeito.



A palavra pai atingiu a garota como uma facada. Mas Liesel já estava percebendo as intenções de Eva, então não deixou transparecer seus sentimentos:



—Oh, na verdade é uma sensação maravilhosa. Principalmente quando temos certeza de que ele irá ganhar apesar do que aconteceu.



—Apesar do que aconteceu? –ecoou a mulher. —O que aconteceu, Liesel?



.

•ALGUNS DETALHES MINUCIOSOS•
que talvez, caro amigo, você não tenha percebido.
Eva Heeger era uma investigadora de alto escalão, requisitada
em várias empresas de âmbito internacional.
Mas lembre-se disso:
Nenhum ser humano é perfeito.
Eva cometeu um pequeno deslize, mas foi o suficiente
para a garota desconfiar dela:
Até o momento, Liesel não tinha dito seu nome.


.

Como se tivesse captado o pensamento alheio, Eva completou:



—Sabe, tenho conversado muito com meu filho. Já sei o nome de quase todos por aqui. Apesar de tudo, você sabe, é uma cidade pequena.



Liesel não comprou a história. Podia ter a metade –ou até menos– da idade de Eva, mas não era ingênua.



Fazia menos de três horas que Eva tinha ido buscar Klaus, se estavam separados a tantos anos como ela mesma dizia, o garoto teria muito o que contar de sua vida – E uma garota que conheceu a menos de um mês não fazia parte dela.


Antes que Liesel pudesse questioná-la, Max voltou à sala, –com roupas dessa vez– e interrompeu o assunto:



—Desculpem-me pelo traje anterior. –riu nervosamente. —Havia esquecido de pegar minhas roupas.



E havia esquecido que agora moro com uma garota, completou mentalmente.



As bochechas de Max apresentavam-se levemente coradas, em contraste com a blusa branca que trajava.



A ruiva não se preocupou em esconder o sorriso que lhe estampou o rosto:



—Eu ainda prefiro o anterior. –deu uma piscadela para Max, que fingiu não notar que Liesel a fuzilava com os olhos. —Mas infelizmente, não estamos aqui pra isso. Eu estou realmente muito preocupada com o meu menino. Sabe, ele nunca foi dos mais inteligentes, mas continua sendo meu filho. Soube que ele tem dificuldades na escola, e gostaria de contar com a sua ajuda, senhor Vandenburg.



—Estou à disposição. –Max parecia entediado. —Mas garanto que seu filho não tem problema algum na escola. Eu até arriscaria dizer que é um dos mais inteligentes da sala.



Eva pareceu desconcertada. Não tinha mais desculpas.



—Será que eu poderia conversar com você a sós? –olhou para Liesel. —Talvez não seja adequado para as crianças ouvirem conversa de adulto. Pode ser prejudicial para sua inocência.



Max iria protestar, mas deixou Liesel ir. Assim que a porta fechou-se atrás da menina, Eva adquiriu um tom de voz baixo e rouco, do tipo que sempre usara para convencer as pessoas:



—Sabe, Max... –inclinou-se persuasivamente para frente, deixando à mostra o decote que o judeu não tinha reparado que existia, até agora. —Você e eu sabemos que eu não vim aqui por causa do Klaus. Ambos temos consciência de que é um garoto perfeitamente normal, sem qualquer tipo de problema emocional ou intelectual.



—Sim. –O rapaz assentiu. —Nós dois sabemos, investigadora Heeger, o que você veio fazer aqui.



O sorriso de Eva alargou-se.



—Achei que você nunca fosse perceber.



—Sou judeu, não burro. –debateu Max. —Sabe, sua fama não é a das mais ocultas por aqui. Portanto diga logo o que quer saber, não tenho tempo a perder com seus jogos.



—Perguntar? –Ela revirou os olhos. —Acho que você é mais lerdo do que eu pensei. Sim Max, estou no caso dos homicídios. E sim, você é considerado suspeito. Mas já ouviu falar do termo extra-oficial? –Eva foi se aproximando. —Não estou aqui a trabalho.



Quando os lábios de Eva estavam a centímetros dos de Max, enojada, a roubadora de livros afastou seus olhos da fechadura da porta.




Sentou-se na ponta da cama e começou a tremer. Não de frio, mas de raiva.



Censurou-se mentalmente por ser curiosa. Mas se não tivesse visto essa cena, alimentaria pra sempre sentimentos que nunca seriam recíprocos. Talvez fosse melhor desse jeito.



.


•O QUE LIESEL TERIA VISTO SE CONTINUASSE OLHANDO•
Max afastou Eva.
Ao contrário do que qualquer homem
daquela cidade Alemã teria feito,
ele não a beijou.

.

Eva sentiu um choque percorrer todo seu corpo. Sem reação, riu.



Era uma mulher exótica, linda. Todo homem a desejava, ela poderia escolher qualquer um e o teria com um estalar de dedos. –Não era de hoje as suas aventuras extraconjugais.– Mas porque Max não a queria?



O rubor tomou conta de seu rosto e lágrimas de frustração escorreram do canto de seus olhos.



—Você vai se arrepender, Vandenburg. Juro que vai.

Notas finais
Essa fic tem 55 leitores. Apareçam!
Gostaram, odiaram, mudariam algo? Comentem, beijos e até o próximo.