A Última Lágrima.
6 Adeus.
"Ás vezes temos que ir além de nos mesmos, ser quem nunca pensamos que seriamos. É preciso mudar, e ás vezes, para melhor.''
Mary La Rue.
§§
Ainda faltava meia hora para que eu precisasse levantar e não demorei para começar a despertar. Havia acordado com o meu celular tocando minha música favorita, atendi o telefone bocejando.
— Oi. — disse sonolenta, vendo que era Caroline.
— Bella? — indagou a mesma.
— Pode falar.
— É o John. — ela começou chorar. Despertei facilmente, com um sentimento estranho.
— O que aconteceu com ele?! Ele está bem?
— Ele morreu. Por favor, eu não sei o que fazer. Ele é meu melhor amigo! — ela falava sem conseguir controlar o soluço e o desespero, pulei da cama e segurei as lágrimas.
— Você está em casa? — indaguei enquanto pegava uma blusa qualquer e uma calça jeans.
— Não, minha mãe está me levando para a escola mais cedo. — ela voltou chorar. — Quero saber o que aconteceu.
— Okay. Já estou indo para aí! — afirmei.
— Vem logo! — ela desligou.
Coloquei a roupa e um tênis, chovia lá fora. Corri para o banheiro e lavei meu rosto, deixando a água me acordar. Me olhei no espelho, minha face caída e cansada, por que estava acontecendo aquilo novamente? Por que as pessoas que eu gosto morrem?
Senti a água gélida deslizar sobre meu rosto, limpando meus poros e me deixando aliviada. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e peguei minha bolsa de escola. Desci as escadas sem medo.
— Aonde você vai com essa pressa?
— Problemas mãe, te conto mais tarde.
Abri a porta e tirei a chave do carro do bolso, a chuva começou me molhar então corri. O carro estava frio, mas não me importei. Liguei o carro e sai, sem correr muito pois a pista estava molhada e escorregadia, mas firme e sem distrações.
[...]
Estacionei sem muito detalhismo, peguei meu casaco enquanto encarava a água deslizar pelas folhas das árvores e pelo vidro embaçado do carro. Caminhei pela grama molhada e entrei na escola rapidamente, o corredor de entrada estava movimentado. Andei até a sala de história, com certeza Caroline estaria lá, porque seria a primeira aula do dia.
Assim que entrei na sala, assustada e ansiosa por notícias, vi Caroline levantar o olhar para mim. Ela suspirou e chamou meu nome.
— Bella.
E eu a fitei: triste, com os olhos fundos e cansados, as lágrimas cada vez mais castigando seu coração, seu jeito mal arrumada. Aondo estava a sua vaidade?
— Ele? — indaguei vendo sua tristeza.
— Sim. Foi nessa noite. Foram cruéis.... — ela soluçou e se levantou. — Não sei porque fizeram isto... ele sempre foi tão amigo.. . — ela falava e se aproximava de mim.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu lutei o quanto pude, até vencê-las.
— Vai ficar tudo bem. — menti. Eu sabia que nada disso iria acontecer.
— Eu estou com medo. — ela me abraçou, aninhando se em meu colo. Como eu estava á dias, com minha mãe.
— Vai dar tudo certo. — menti com um sorriso ouvindo seu choro.
[...]
— Eu quero dizer que John foi sempre uma pessoa muito feliz e com muita saúde. — ele afirmou com um sorriso amarelo. — Pode parecer irônico, agora. — ele deu uma pausa. — Mas, ele não gostaria que nós ficássemos sofrendo. Ele gostaria que nós se conformassem e seguisse em frente. — ele limpou uma lágrima com a mão. — Vai ser difícil, brother, mas vamos tentar. E aonde você estiver, pode ter certeza que isso não vai ficar assim!
Estávamos todos com roupas escuras. Minha mãe não pode me acompanhar por causa do trabalho, mas comprou flores. A família de John estava inconsolável, cada um inexpressível. Ele só tinha seus amigos e seus dois irmãos, Mary e Barry . Caroline o conhecia desde criança, sua mãe ajudou muito na criação de John, era como se eles fossem irmãos. Fui forte e não chorei muito, fiquei com aquilo preso na garganta.
Estava com uma enorme vontade de gritar e chorar, mas me controlei. Precisava ser forte para ajudar todas aquelas pessoas, aquelas pessoas que me acolheram e me ajudaram quando precisei e ainda me ajudam.
John estava sem expressão, como se estivesse em sono profundo. Pálido, sem seu sorriso perfeito e seu jeito fofo. Estava lá, sozinho, vazio. O enterro foi silencioso, todos já não tinham mais lágrimas para derramar. Já era noite e todos foram embora, consolados por parentes.
E eu sai, no meio da escuridão neblinada.
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