A Última Lua
3 Doubt Truth to Be a Liar
Notas iniciais
QUARTO DE STEPHANIE/RIO DE JANEIRO
As palavras do diário a atravessam como facas de um samurai, e a faz tremer inteira. Tina tenta se recompor e respira fundo, precisava continuar a ler. Na verdade, precisava reler aquela frase, para ter certeza no que tinha acabado de por os olhos.
Ela agacha e pega o diário, o abrindo novamente no dia 26 de março. O mesmo titulo se encontrava carimbado na página.
Ela começa a ler as palavras na letra de Stephanie em voz alta:
“Hoje, me livrei de mais uma inimiga. Caroline, que no sétimo ano sempre me irritou. Daqui a alguns dias ela estará a sete palmos da Terra. E que assim seja. Enfiei a agulha de sangue por sua veia, enquanto ela gritava de desespero...”.
Ela continua lendo, partindo para o dia 27 e 28 do mesmo mês – porém não encontra mais nada revelador. Seus dedos folheiam mais o pequeno caderno, porém parecia imóvel há um bom tempo. Stephanie não escrevia mais.
Tina não entendia nada, não conseguia conciliar na sua mente o que era uma pessoa carimbada e o que isso tinha a ver em relação ao sangue que havia encontrado na geladeira. Sentia-se em um filme de mistério, onde a cada passo encontrava algo para a sua destruição mútua.
A loira levanta da cama e guarda o diário do mesmo lugar aonde havia pegado. Precisava fazer algumas pesquisas...
Tina sai do quarto, fechando a porta.
*
— Você tem certeza... – ela começa a apertar o peito dele – calma, daqui a pouco o brinquedo volta ao normal! (Jojo)
Edgard não responde, exalava o ar com dificuldade. Onde estive com a cabeça quando entrei nisto, pensa ele.
Jojo grita por socorro.
— TEM UM HOMEM PASSANDO MAL AQUI – ela olha para baixo – SOCORRO! (Jojo)
A movimentação lá em baixo era tamanha, era visível alguns técnicos mexendo no interior do brinquedo, para concerta-lo.
— Eu... Acho... Que... Vou... Ter... Uma... Parada... Cardíaca... (Edgard)
Joanna olha para ele desesperada.
— Mas eu não sou médica... – ela começa a abanar ele – Calma... (Jojo)
Joanna pega a sua mão, que estava tremendo diante o pânico. Seus dedos entrelaçavam perfeitamente, e a pele macia dele a proporcionava uma boa sensação. Se não estivesse nesta situação, teria sido um bom momento.
— Eu acho que é carma, sabia? – ele começava a se acalmar – só por que entrei, acontece isso... (Edgard)
Jojo sorri para ele. Ate ela própria estava começando a ficar tranquila.
Os dois se olham nos olhos, que brilhavam. Jojo percebe seu globo ocular, que era cinza como um dia chuvoso, repara também sua barba por fazer, e as covas que formavam em sua bochecha cada vez que sorria, como dois sóis se pondo na costa leste.
O brinquedo volta a funcionar, descendo os dois. Edgard suspira aliviado.
— Viu só? – ela dá uma risadinha – foi rápido... E você sobreviveu! (Jojo)
Ele volta a sorrir para ela.
— Por sua causa... (Edgard)
Eles continuam se fitando, sem dizer nada, até quando a cabine estaciona para eles descerem. Ainda de mãos dadas, eles saem pela escada de alumínio, e como já se conhecessem, começam a andar pelo parque.
*
BAR/ GRAJAÚ/ RIO DE JANEIRO
Giovanna se aproxima da mesa de Romeu, que a fitava com seus olhos azul feito o céu ao meio dia. Giovanna sempre achou o garoto o mais bonito que ela já havia visto, com seus olhos e seu cabelo louro, a barba por fazer, chamava a atenção de muitas garotas – e garotos do Grajaú.
— O que você está fazendo aqui...? (Romeu)
Ela dá uma risadinha e olha para a loura ao lado dele, que parecia confusa.
— Eu é que pergunto... – ela suspira por dentre as lágrimas que queriam descer – o que o meu namorado anda fazendo com outra garota, num bar... (Giovanna)
Ele a interrompe
— Eu e ela somos apenas amigos... (Romeu)
A garota que parecia uma modelo olha para ele ofendida.
— Amiga? (Ketlin)
— Amigos por acaso trocam selinho? – ela dá uma risadinha abafada – ainda mais quando esse “amigo” – ela interpreta as aspas com os dedos – tem namorada? (Giovanna)
— Ele é o seu namorado...? (Ketlin)
Giovanna a fita com seus olhos escuros e afirma com a cabeça, pelo que parecia, a loira havia sido enganada também.
— Você me disse que era solteiro – ela pega sua bolsa e bate no garoto – CANALHA! (Ketlin)
Ketlin levanta da cadeira com suas coisas e parte do bar furiosa, deixando apenas Romeu e Giovanna – e mais centenas de clientes observando a discussão.
— Você é completamente sem noção... (Romeu)
As lágrimas de Giovanna descem, estava indignada com o caráter peculiar de Romeu. Um dia, se mostrara para ela um príncipe, que moveria o céu e as estrelas para estar ao seu lado. No outro, era um vilão que pretendia transformar a sua vida num inferno. Todos usamos máscaras por diferentes motivos. Usamos algumas máscaras por que é o que queremos ser. Outras usamos, para não encarar o que está por baixo, ou por que é o que alguém precisa que sejamos. E algumas máscaras usamos para nos esconder. Mas este é o problema de usar máscaras, elas podem cair a qualquer momento.
— Eu sem noção? – ela gagueja – foi você que está me traindo... Eu sei que já agi errado com você, mas isso... (Giovanna)
— Você sempre age errado, Giovanna – ele a interrompe – na verdade você é toda errada. Você é maluca de pensar que um cara como eu iria querer namorar alguém como você... (Romeu)
Ele possuía um semblante frio, e falava suas palavras com veracidade.
— Como assim? – a morena sorri chocada – como assim eu sou maluca? Você me pediu em namoro... (Giovanna)
Os dois namoravam fazia cinco meses, antes disso, Romeu havia “pegado” Giovanna algumas vezes para passar o tempo.
— Para fazer ciúmes para a minha ex-namorada... – ele engole em seco – e escondido dos meus amigos, por que não tem queimação maior do que pegar a periguete doida que o Grajaú inteiro já passou a boca... (Romeu)
Giovanna estava destruída. Sentia-se um tapete para Romeu, e tentava conter as lágrimas que insistiam em descer a cada palavra dele.
— Esse é o problema? – ela grunhe – por que se fosse... (Giovanna)
— Não, o problema é você mesmo Giovanna – ele aponta para ela – você é o problema. Você é o tipo de garota que eu pego na noite e falo o nome falso pra não ter risco dela encontrar o meu número de celular, rede social... (Romeu)
Giovanna estava sem palavras, estava realmente sem chão. Seu delineador espalhava-se pelo rosto, enquanto todos os do bar os olhavam. Mulheres e – alguns – homens olhavam para ela com pena, mas nada podiam fazer. E ela odiava ser olhada com pena.
— Você é chata, grudenta, patética... – ele pensa – você é um Vodu. (Romeu)
— VOCÊ É UM GROSSO, UM MONSTRO – ela limpa as lágrimas na manga da blusa – você não podia ter me iludido assim... (Giovanna)
Romeu dá uma risadinha irônica.
— Você se iludiu sozinha! (Romeu)
Giovanna se recompõe, precisava ir embora dali para não ser mais pisada.
— Você vai pagar caro por isso... – ela começa a andar para trás – (Giovanna)
Ele sorri ironicamente para ela.
— Posso fazer um cheque? (Romeu)
— Eu to te avisando... (Giovanna)
Assim, a garota corre para fora do bar, destrancando e entrando em seu carro. No banco, começa a desabar em lágrimas. Pega o celular e disca o número da amiga.
XV: Alô? (Dayane)
XV: Você precisa me encontrar em casa... – ela funga — vai pra lá agora! (Giovanna)
XV: O que foi? – ela percebe o desespero da amiga — o que aconteceu? (Dayane)
XV: Só me ouve e vai pro meu apartamento... Eu te conto tudo lá (Giovanna)
Ela desliga o celular, e respirando fundo, parte com o carro em alta velocidade para seu lar.
*
Tina entra no bar e procura Ronaldo, e logo o encontra. Caminha até ele com suas longas e grossas pernas de fora. Estava com uma saía curta colada na perna, e um top. Nem de longe desconfiariam que tivesse 40 anos.
Pensara em cancelar o seu encontro com Ronaldo depois do que leu no diário de Stephanie, mas decidiu ir para acalmar a mente. Ele se levanta da cadeira e beija o rosto da mulher, que senta a sua frente logo em seguida.
— Tudo bem? (Tina)
— Tudo melhor agora... (Ronaldo)
Eles se olham. Ronaldo estava excitado, Tina era muito mais gostosa pessoalmente.
— Você está espetacular... (Ronaldo)
Tina dá uma risada sem vergonha e olha para o chão. Estava realmente interessada nele, que parecia ser muito elegante e gente boa.
O garçom chega com dois copos de cerveja e põe na mesa. Deixando-os a sós novamente.
— Pedi a sua bebida, caso não se importe... – ela sorri e diz “tudo bem” – acabou de ter uma discussão aqui no bar... Uma garota humilhada por um garoto, senti dó dela. (Ronaldo)
— EU JAMAIS ME DEIXARIA SER HUMILHADA – ela fala isso com um tom de voz alto, fazendo outros olharem para os dois – sou segura de mim mesma. (Tina)
— É mesmo? – ele sorri – desde que minha esposa me largou, tive um pouco de dificuldade de me relacionar... (Ronaldo)
— Você foi casado, né? – ela beberica a cerveja – e tem uma filha? (Tina)
— Sim, Cate – seus olhos brilham falando da filha – eu amo essa menina, é a razão do meu eu! (Ronaldo)
— Eu tenho uma enteada – ela revira os olhos – enjoada que só! (Tina)
Ronaldo ri levemente e Tina o acompanha. Estava interessada em cavalgar nele a noite inteira. Seus pelos se eriçavam só de pensar na possibilidade disso acontecer – seria breve.
— Você parece ser bastante experimente... – ela movimenta as mãos – digo, parece ser bem sucedido. (Tina)
— Eu sou – ele mente, estava mais falido que saco de batata – tenho até um jatinho, amo viajar com ele! Posso te apresentar depois. (Ronaldo)
Tina sorri – Com certeza, teremos várias oportunidades... (Tina)
Por de baixo da mesa, as mãos de Ronaldo tocam as pernas de Tina, que arqueia, mas se deixa ter a sensação. Estava interessada em como a sua noite acabaria. O pesadelo sobre o segredo de Stephanie virara apenas uma lembrança distante.
*
PARQUE DE DIVERSÕES/ BARRA DA TIJUCA/ RIO DE JANEIRO
Jojo e Edgard caminham rindo, tinham se divertido bastante até agora indo no carrinho bate-bate e no carrossel. Em breve o parque fecharia.
— Devo ser bastante criança por estar me divertindo tanto num parque de diversões... (Jojo)
Ainda continuavam de mãos dadas. Edgard gostara da eletricidade que sua pele e da garota proporcionava cada vez que se tocavam.
— É um programa diferente... – eles sorriam enquanto se olham – (Edgard)
Apesar de se conhecerem em apenas 1 hora, gostara de conversar com a garota.
— Sim, é um programa super diferente... – eles caminham lado a lado – é que sei lá, faz tanto tempo que eu não venho num parque... Meus pais me traziam muito quando eu era pequena, mas depois que eu cresci, nunca mais! (Jojo)
Edgard dá uma risadinha abafada.
— Me diz a verdade, você me acha muito criança por estar amando estar aqui? – eles mexiam as mãos dadas de frente e para trás – (Jojo)
— Nós sempre temos um lado criança – ele para e a fita de frente – a gente passa a vida toda fingindo que não tem, que quer ser adulto sério, mas é tão bom a gente se sentir criança... (Edgard)
Edgard próprio não estava se reconhecendo, jamais fora poético com Stephanie. Claro que a tratava super bem no decorrer do tempo que namoravam, mas depois do término, não aguentou a pressão da distância e insistiu e chantageou a presença da garota sob por sua vida.
Ela fita o chão. Com seu dedo indicador, ele a toca no rosto.
— O que foi? (Edgard)
— Nada... – ela sorri – eu achei lindo o que você disse... (Jojo)
— Às vezes eu queria nunca ter crescido, sabia? – eles voltam a caminhar – pra não ter de lidar com essas chatices da vida adulta; trabalho, grana... Queria muito voltar a soltar o meu lado sentimental. (Edgard)
— Eu também queria voltar a soltar o meu lado sentimental – ela o fita com seus olhos azuis – (Jojo)
— Aé? (Edgard)
— É – ela ri – (Jojo)
Edgard olha ao redor e a puxa na direção esquerda dela.
— Vamos à montanha russa? (Edgard)
— O que? (Jojo)
Eles param na frente do brinquedo, e o atendente bota os dois no ultimo carrinho que havia sobrado. Jojo relutava, mas vai do mesmo jeito.
— Estou com o coração acelerado de tanto medo... (Jojo)
As trilhas do brinquedo eram enormes, e davam uma volta praticamente no parque inteiro. Edgard coloca os braços por cima de seu pescoço.
— Não precisa ter medo... – ele a olha com intensidade – (Edgard)
Sem delongas, Joanna deita no peito dele. Não conhecia sua personalidade, nem o seu paradeiro, mas algo dentro dela lutava em crescer toda vez que aquele garoto sorria. Ele olha para ela de canto.
— Ta com medo ainda? (Edgard)
— To me sentindo mais segura... (Jojo)
— É? – ela assente com a cabeça – se a gente cair, a gente cai junto... (Edgard)
Os dois riem, enquanto o brinquedo começa a subir. A vida é mesmo uma montanha russa e depois que se entra no carrinho, não tem mais como fugir. Só nos resta escolher se gritamos de olhos fechados e perdemos essa grande aventura ou se levantamos os braços e curtimos o vento no rosto.
*
QUARTO DE GIOVANNA/ GRAJAÚ/ RIO DE JANEIRO
Dayane entra no quarto de Giovanna, que estava sentada na cama olhando pela janela os carros passar na avenida. Via-se como um carro, e a vida como uma curva, que a cada piscar de olhos, poderia causar um grande desastre.
A morena senta ao lado da melhor amiga na cama e toca o seu ombro.
— Giovanna? – ela suspira – o que houve? (Dayane)
— O Romeu... – suas lágrimas desciam – ele nunca quis nada comigo, jamais me quis... (Giovanna)
Ela fita o colchão.
— Tudo que ele fez, foi pra fazer ciúmes pra ex-namorada dele... – ela volta a olhar para a amiga – ele me esculachou, disse que eu não era nada! Eu quero sumir, eu quero morrer. (Giovanna)
Dayane reprova com a cabeça.
— Não fala assim, para... (Dayane)
— Mas eu vou me vingar... Eu não vou deixar barato o que ele fez comigo, e eu já tenho até uma ideia. (Giovanna)
— Eu tenho medo das suas ideias... (Dayane)
— Eu amanhã mesmo vou ligar para a minha prima, Leslye – Giovanna funga – ela esta só esperando uma oportunidade de vir pra cá, espero que aceite a minha proposta! (Giovanna)
– Mas o que você vai fazer? (Dayane)
Giovanna apenas fita a amiga com seus olhos fundos de tanto chorar.
— Isso você e ele vão descobrir em breve! O meu fim vai se tornar o fim dele. (Giovanna)
Ela volta a abaixar a cabeça para afagar as lágrimas, mas Dayane a impede segurando o seu rosto com as mãos.
— Pode parar de chorar e levanta essa cabeça, esse idiota não vai te deixar mal! (Dayane)
As duas se abraçam e Giovanna se sente acolhida pela primeira vez no dia diante da solidão que o seu coração estava sofrendo. Embora a maioria ache que o cérebro controla nossas ações, normalmente é o coração que se encarrega deste trabalho; ele nos leva a fazer as coisas mais loucas, mas também nos faz embarcar em novas aventuras.
*
RUA DA MANSÃO COSTA/ BARRA DA TIJUCA/ RIO DE JANEIRO
Tina desce do táxi, depois de pagá-lo. Já era quase meia noite, e tinha bebido bastante no bar com Ronaldo. Infelizmente, não rolou nada mais que apenas beijos e toques.
Ela estranha a movimentação na porta de casa, e estranha mais ainda quando vê um carteiro parado diante da porta.
— Pois não...? (Tina)
Nunca tinha visto carteiro trabalhar à noite.
— A senhora é Tina França? (Carteiro)
Tina assente; sua cabeça latejava de tanta dor, não estava com paciência para ficar conversando.
— Sou eu sim, por quê? (Tina)
O moço se encontrava com uma carta na mão. Por que não poderia ter entregado no dia seguinte?, Pensa ela.
— Poderia me mostrar seus documentos? Foi me solicitado pra que só desse esta carta nas mãos do destinatário, ou seja, você. Preciso confirmar. (Carteiro)
Tina revira os olhos e mexe em sua pequena bolsa preta, até achar o seu RG, o entregando ao carteiro.
— Tudo certo – ele entrega a carta acompanhada do RG para ela – desculpe o horário, o remetente mandou entregar com urgência. (Carteiro)
Tina estava apreensiva. Quem poderia estar contatando ela com tanta urgência? Ela sorri para o carteiro.
— Sem problemas... – Ele assente em despedida e ela entra na mansão, indo diretamente para a porta de entrada da sala –
Ao entrar no cômodo, ela se joga no sofá e abre a carta ansiosamente. Ao abrir, começa a ler às palavras que haviam sido escritas a mão. Uma escrita desconhecida.
*
Elenice entra rapidamente na casa de Tina, que a havia ligado desesperada solicitando sua presença.
— Amiga o que houve...? (Elenice)
Tina sentava no sofá com um copo de água e a carta na mão, olha com os olhos arregalados para a mulher parada a sua frente.
— Eu recebi – ela gagueja – essa carta... (Tina)
— O que tem essa carta? (Elenice)
Ela senta ao lado da mulher, que parecia suar frio.
— É uma mensagem – ela arqueja – uma mulher solicitando minha presença. Elenice, ela sabe quem matou o Gael. E ela me prometeu contar. (Tina)
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