A Última Família Faraónica
4 Capítulo 4 - A morte das rainhas.
Notas iniciais
— Majestade, a sua filha está ali.
— Mas o que ela veio fazer aqui?
Akhenaton foi ver o que se passava com a filha e esta abraçou-o.
— Pai, a mãe morreu.
— Como? – perguntou o faraó assustado.
— Foi assassinada, jogaram-na da janela.
O faraó chorou bastante. Juntos, foram para o palácio, os filhos já os esperavam lá. Nefertiti foi para a sala de processo de mumificação.
— Ay, avisa Meritaton e Semenchkare que preciso de fazer uma reunião na sala.
— Sim, senhor.
Eles foram avisados e se dirigiram para a sala.
— Pai… — disse Meritaton.
— Quem de vocês viu o que aconteceu? – perguntou o faraó.
— Ninguém, só vimos o corpo da mãe no chão… — respondeu Meritaton.
— Não é possível!
— Pai, acalma-te! – pediu Meritaton.
— Acalmar-me?
— Sim! A mãe acabou de morrer.
— E-u s-e-i.
— Então acalma-te se faz favor.
— Meritaton…
— Sim?
— Tu vais ser a minha noiva, a segunda rainha. A Kiya será a primeira. – disse o faraó.
Meritaton ficou incrédula.
— O quê? Eu não ser tua mulher.
— Vais sim.
— Não vou. Até porque vou casar com Semenchkare. – dizendo isso, abraçou Semenchkare.
— O quê? – perguntou o faraó virando-se para trás.
— É isso mesmo que ouviste. Irei casar-me com ele porque eu o amo, terei filhos com ele, e serei rainha do Alto e Baixo Egito, e ele, o meu faraó.
Akhenaton agarrou o braço da filha.
— És uma vergonha.
— Igualmente. – respondeu a filha.
O pai largou-lhe o braço e retomou a reunião.
— Onde vamos enterrá-la?
— Achei que já tinham feito o túmulo dela. – disse Semenchkare.
— Não, não fizeram. Apenas fizeram o teu, no Vale dos Reis.
— Ok, mas…não há nenhum no Vale das Rainhas? – perguntou o rapaz.
— Não. – disse Akhenaton.
— E agora? – perguntou Meritaton.
— Ela será enterrada no Vale dos Reis, no túmulo de Semenchkare.
— O quê? Ela não pode!
— Ninguém vai saber, Semenchkare. Aquela mulher só me deu desgotos, traindo-me com o meu irmão…
— E tu também não foste melhor, traíste-a com a estúpida da Kiya. – disse Meritaton.
— Não fales assim de mim e da Kiya!
— Eu falo como eu quiser! E queres saber mais?! Eu vou proteger Semenchkare para que aquela doida não o tente matar como fez com a minha mãe, porque eu sinto que foi ela. Semenchkare será o faraó. Eu zelarei pela vida de Tutankhamon, uma pobre criança amaldiçoada por tua culpa! E quando ambos morrerem, EU vou amaldiçoar-lhes o túmulo para que nenhum dos teus capangas venham atrapalhar-lhes o sono eterno.
— Cala-te estúpida!
— Não me calo! – dizendo isso, Meritaton saiu da sala.
— Odeio aquela filha. A pior de todas.
— Devo discordar. – disse Semenchkare saindo da sala também.
Depois da discussão, Akhenaton decidiu que Meritaton iria casar com Semenchkare, e Meketaton seria sua esposa.
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Os anos se passaram, Meritaton casou-se com Semenchkare, Meketaton casou com o faraó, e as outras filhas cresceram, saudáveis. A maioria das meninas já estavam na adolescência, e já eram muito espertas, muito mesmo…
Estavam todos em uma sala, na sala de reuniões, a decidir o futuro do reino.
— Acho que devíamos fazer mais obras no templo de Aton.
— Eu acho que está bom assim, Akhenaton. – respondeu Meritaton, a partir do dia daquela discussão, Meritaton não chamava mais Akhenaton de pai.
Anchesenpaaton estava nervosa, e todos notaram isso.
— Anchesenpaaton, o quê se passa? – perguntou Meketaton.
— Nada de mais.
O vizir Ay notou que a menina tinha a mão na barriga.
— Estás com dor de barriga? – perguntou o vizir.
— Não…
— Anchesenpaaton, vem comigo ali se faz favor. – pediu Meritaton.
— Não acho necessário interromper a reuni… — disse Akhenaton contrariando.
— Eu sei o que faço, faraó.
Passados dois minutos, as irmãs voltaram. Meritaton sentou na cadeira com um ar chocado.
— O que se passa? – perguntou Semenchkare.
— Anchesenpaaton foi violada…ela está grávida.
Todos ficaram chocados…exceto o faraó.
— Não dizes nada, faraó?
— Ela está grávida de mim.
Meritaton e Meketaton levantaram bruscamente de seus assentos.
— O QUÊ? Como foste capaz?! Ela é uma menina, não uma mulher! Seu nojento, odeio-te! – disse Meritaton.
— Tenho nojo de ti. – disse Meketaton.
O vizir Ay estava incrédulo, e Semenchkare também.
— Espero que consideres as atitudes das tuas filhas. Agora terás que nomear Anchesenpaaton como tua esposa.
— Eu sei, eu sei. Parem de julgar-me! Seus infelizes!
— Nós que somos infelizes, faraó?! Já agora, alguém tem mais alguma revelação para nós? – perguntou Meritaton.
O vizir aproximou-se, e Kiya, que estava lá quieta e chorando, olhou-o.
— Eu tenho. – disse o vizir.
— Diz. – disse Meketaton.
— Kiya matou Nefertiti, eu vi com os meus próprios olhos.
Kiya levantou-se e nisso, Meketaton levantou-se e deu um tapa na cara dela.
— Sua cabra!
— Meketaton!
— Cala-te pai! Já não aguento te ouvir.
— Olha o respeito, estúpida. Ay, Horemheb, executem-na.
— A quem? – perguntou o guerreiro Horemheb.
— A Kiya, óbvio.
Meketaton sentiu um certo alívio.
— E a Meketaton também.
— O quê? Pai não faças isso. – pediu Meritaton.
— Agora já me chamas de pai. Matem-nas.
Horemheb, a chorar, agarrou em Meketaton.
— Como queres morrer, filha ? – perguntou o faraó.
Meketaton, chorando, respondeu.
— Joguem-me nas escadas. Assim não sofrerei.
— Façam-no.
Enquanto Semenchkare, Meritaton e o resto dos filhos tentavam impedir que isso acontecesse, Ay agarrou em Kiya e pegou na sua pequena espada.
— Diz as últimas palavras, cabra.
— Tutankhamon reinará! – gritou Kiya.
Depois de dizer isso, Ay cortou-lhe a garganta, e Kiya morreu. Tutankhamon chorou junto do corpo de sua mãe. Horemheb estava com Meketaton no início das escadas.
— Diz as tuas últimas palavras. – pediu o faraó.
— Maldito seja o filho que Anchesenpaaton carrega na sua barriga.
Depois de dizer essas palavras, Horemheb largou-a, todos taparam os olhos, menos Meritaton, que chorava, e o faraó, que continuava sério. E assim foi, Meketaton, Nefertiti e Kiya, as rainhas que morreram. Akhenaton mandou todos os conselheiros, sacerdotes apagarem o nome de Kiya e Meketaton da história.
Anchesepaaton, infelizmente, não teve o seu filho, este morreu no parto. O faraó decidiu que, como a filha estava amaldiçoada como Tutankhamon, mudou o nome dela para Anchesenamon, e então, ela tornou-se a esposa de Akhenaton.
— Faraó, eu me pergunto, porquê tu mandaste matar Meketaton, e não Meritaton, a filha que não te respeita? – perguntou o vizir.
— Porquê eu sinto que Meritaton terá um destino importante nesta história. Quando ela acabar a sua missão nesta vida, que é proteger Tutankhamon, tu podes matá-la. Meketaton não servia de nada para esta história.
— Sim, senhor.
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