A Última Dança
1 Capítulo Único - Dernière Dance
Notas iniciais
Novamente, te desejo uma ótima leitura!
Emma,
Eu sei que não sou a mais perfeita das pessoas. Existem muitas coisas que eu fiz, mas me arrependo de todas elas. Inclusive das que fiz antes de te conhecer. Sobretudo, as que fiz depois que conheci você. Veja, existe tanto arrependimento, mas o remorso me atinge de maneira tão violenta quando se trata de você. E tentei de tantas formas entender os motivos que me fragilizam diante de você. Quando vislumbro tais razões, recordo de sentimentos há tantos anos esquecidos. Sentimentos os quais mal posso contar nos dedos. Percebo que o amor que habita em mim me faz sofrer, ao mesmo tempo. Quando entendo que as razões para me sentir fraca ao seu lado não ultrapassam os limites do amor que sinto por você, percebo que meu coração me engana, me enchendo de sentimentos tão reais que saber que você não pode estar comigo neste momento parece um pesadelo distante. Ainda assim, percebo que tais razões me transformaram. Hoje, diante da sua eminente ida, eu fujo de tudo o que possa me lembrar você. No entanto, não é suficiente. Você é o meu propósito. Você é tudo o que eu vejo. É o que me dá fôlego para enfrentar toda essa loucura cuja única culpada culmina em minha pessoa. Como poderia eu estar bem ao seu lado e ainda assim tão distante? E na sua ausência, como posso eu me sentir tão próxima de você? Você pode se perguntar de onde eu poderia tirar toda essa tolice. Mas quando você chegou, eu me encontrei em você. E tantos anos depois, me enxergar novamente mexeu comigo. E eu não quis aceitar o fato de que você é tudo o que eu quero e tudo o que eu preciso. Se houvesse algum motivo, de todos os que poderiam acarretar na sua estadia, eu poderia estar em alguma dessas possibilidades? E ainda que eu não pudesse ser um bom motivo para você ficar, me concederia uma última dança? Uma última chance de olhar nos seus olhos e inutilmente afagar a dor da sua ida? Por favor ignore esses pedidos. São escritos que você nunca tomará conhecimento, uma vez que você já deve ter partido a uma hora dessas. Mas eu preciso te escrever, eu preciso compartilhar essa mágoa com um mero papel para poder ter a ilusão de que você está ciente de tudo isso. Eu só preciso afastar essa lembrança dos seus olhos vazios fitando os meus como se eu fosse qualquer pessoa. Permita à minha alma esta última felicidade e, ainda assim, obrigada por ter encantado a minha vida.
A morena ainda podia se lembrar das palavras tolas ditas num mudo papel. Sentia-se como uma garotinha revelando seus segredos mais profundos nas folhas de um diário. A cada segundo arrependia-se de ter deixado aqueles dizeres em cima da mesa da ex-xerife. Ela poderia fingir que não estava mais nem aí pra o fato de que Emma estava indo embora. Mas o seu coração não. Este lembrava cada palavra como uma prece feita para o primeiro deus que pudesse ouvir seus votos desesperados. E então envergonhava-se de si por não expor seus sentimentos e a culpa lhe punia porque se mantinha inerte dentro daquele mausoléu, aguardando aquele dia passar o quão rápido pudesse e assim, também pudesse esquecer que um dia aqueles olhos verdes surgiram bem na sua frente, irritantemente despretensiosos.
Uma energia percorreu todo o seu corpo. Aquilo precisava ser posto para fora. De repente, apenas se deu conta de suas mãos atirando a taça de sidra no grande espelho à sua frente e lhe forçando ver a sua própria realidade: uma Regina quebrada, em pedaços. Por mais que gritasse, toda a raiva que sentia de si parecia não sair de dentro do seu corpo. Ali mesmo, no meio daquela sala, desabou sobre o chão de pedra, em choro. Como o amor poderia ter-lhe virado as costas novamente? Ela já não tinha mudado? Esforçava-se para praticar o bem e assim ele lhe retribuía? Pensava como poderia ter sido tão inocente a ponto e acreditar que o amor era para uma pessoa como ela. Seu coração havia lhe enganado com a falsa promessa de felicidade.
Estava tão só em um silêncio demasiadamente ensurdecedor e em uma escuridão que mal pode perceber aquela mão tocando-lhe o braço. E então o único som que há pouco desejava desesperadamente ouvir.
- Regina... Você sempre foi a única possibilidade...
Notas finais
Grande abraço!
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