- A Ultima Caminhada –

19 de maio de 2013... era pra ser mais um dia normal, um dia comum na minha vida... mas não foi. A partir dali, meu maior pesadelo iria começar. Meu nome é Rafael, um adolescente de 16 anos e simplesmente fissurado em coisas relacionadas a zumbis. No começo sempre tive medo dessas coisas, confesso. Mas de tanto ler, assistir e até mesmo jogar, eu criei uma paixão imensa por isso. E como todo fanático por isso, sempre me imaginei em um Apocalipse Zumbi, tendo de sobreviver em meio a um caos imenso com pessoas morrendo para aquilo que muitos chamam de monstros e eu apenas de zumbis.

Cheguei a casa como sempre no mesmo horário, às 5h20min da tarde. Mas eu havia presenciado uma cena um tanto quanto curiosa antes de tomar meu ônibus e voltar para a casa. Vi um homem já com certa idade passando mal e aparentava ser algo diferente de uma doença comum. Ele tinha alguns machucados nos braços e o rosto tinha um do qual aquilo corroía o rosto do homem. Acabou sendo levado para o hospital e como sempre, as pessoas dentro do ônibus comentaram sobre isso pensando ser alguma doença comum. Eu já comecei a suspeitar de não ser nada comum mesmo.

Assim que cheguei, precisei comprar algumas coisas para minha mãe. No caminho para o mercado, vi três pessoas correndo e puxando outra que aparentemente parecia morta. De certa forma, fiquei incomodado com aquilo e aquela imagem me perseguiu durante todo o trajeto de volta pra casa. Mas o pior estava por vir. Sabe-se lá o motivo, a energia acabou de repente no bairro, sendo que isso só acontece em dias de forte chuva ou quando há troca de algum poste ou coisas do gênero. Infelizmente tive de voltar em meio aquela escuridão.

Chegando à rua de casa, eis que ouço um grito de uma mulher correndo desesperadamente pra fora de casa e um homem andando de forma estranha, gemendo e depois de uma boa olhada, estava seriamente ferido. Ele continuava a persegui-la. Só havia uma conclusão: aquilo era um zumbi. Considero-me um fraco nesse momento em que o vi... Eu simplesmente corri e não ajudei aquela mulher. Corri desesperadamente pra casa e chamando minha mãe para ver se tudo estava bem

“Mãe! Mãe!” – entrei em casa gritando, mas não obtive resposta dela.

Eis que a energia voltou e aquilo me deu certa tranquilidade. Tranquilidade que durou poucos minutos, ou até mesmo segundos. Cheguei a cozinha e encontrei ela no chão.

“Mãe!”

Ela soltou um gemido estranho

“Mãe?”

Ela se virou e simplesmente aquilo não era minha mãe. Sim, ela havia se tornado um monstro, um zumbi, que agora queria apenas me matar. Olhando para aquilo, eu realmente não tinha muito que fazer.

“Terei de mata-la. Não é possível!” – pensei comigo mesmo.

Eu tinha de mata-la. Peguei qualquer objeto por perto e atirei contra ela, mas pareceu ser inútil. O negócio então foi correr pra algum lugar da casa e procurar por algum objeto que eu pudesse usar para elimina-la. Corri para meu quarto e bloqueei a porta para ter tempo. Dei de cara com o meu violão e sim teria de usa-lo. Deixei a porta aberta e esperei para que ela viesse em minha direção. Foram os últimos 10 segundos dos quais eu pude ver minha mãe viva. E então, segui a regra básica de zumbis: mire na cabeça. Com uma pancada, a cabeça dela explodiu no ar juntamente com muito, mas muito sangue.

Foi isso. Ali estava. Eu parado com minha mãe ali, morta e sem cabeça. Não conseguia pensar em mais nada, mais nada mesmo. Em como seria minha vida dali pra frente, como eu iria conseguir viver. Simplesmente eu estava sem reação alguma. Fiquei assim por uns 5 minutos e logo depois resolvi ligar a televisão e ver se essa praga tinha se espalhado. A resposta foi rápida.

“Parece que um vírus se espalhou por todo o país e várias pessoas estão sendo infectadas. Elas perdem os sentidos e apenas querem matar quem veem pela frente. A polícia recomenda que os sobreviventes fiquem em casa e não saiam para fazer nada. Reforços serão mandados para áreas mais afastadas em um dia.”

“Um dia? Eles só podem estar de brincadeira, não tem como. Muitas pessoas não sabem como sobreviver a isso.”

E eu realmente estava certo, pois praticamente 99% das pessoas não sabe sobreviver a um Apocalipse Zumbi ou sequer ouviram falar do mesmo. Simplesmente a atitude do governo foi ridícula e eu não iria segui-la, mas nem que me pagassem.

Rapidamente peguei tudo aquilo que fosse de útil e que estivesse ao meu alcance em casa e resolvi partir. Não poderia sair pela frente, porque a rua já tinha se tornado uma bagunça. Carros, motos, caminhões e pessoas. Tudo junto em meio a explosões e gritos. Restava-me então, fugir pelos telhados e a maneira mais próxima foi o quintal de casa.

Enfim, cheguei ao telhado e consegui fugir do meu bairro, que antes era um lugar calmo e legal de se morar, e agora tinha se tornado a ponta do inferno. Sabe por quê? Porque o inferno estava espalhado pelo país inteiro. Eu precisava dar um fora do Brasil...

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