Lord Voldemort ordenara que Hogwarts lhe entregasse Harry Potter. ''Entreguem-me Harry Potter, e não tocarei na escola. Entreguem-me Harry Potter, e serão recompensados''. No entanto, os professores, funcionários, fantasmas, alunos, todos se uniram para enfrentar Voldemort.

Porém, algo o incomodava: grande parte da Sonserina se recusou a lutar. Salazar morreria de vergonha, ele pensou, se estivesse aqui agora para ver tanta covardia. Pansy Parkinson disse:

— Mas ele está ali! Potter está ali! Agarrem ele!

Os grifinórios, seguidos pelos corvinos e lufanos, se levantaram, encarando não Harry, mas os colegas da Sonserina.

Blaise subiu na mesa da Sonserina e gritou:

— O que Salazar Slytherin diria agora, se aqui estivesse?! Como ele se sentiria, vendo que, diante da ameaça à escola que ajudou a fundar, nada fizemos, e ainda nos propusemos a esse papel vergonhoso?!

No entanto, de nada adiantou. Excetuando ele, os sonserinos preferiram recuar, mesmo os que não eram filhos de Comensais da Morte.

Ele ainda continuou tentando convencer alguns colegas, mas suas tentativas foram infrutíferas. Não concordava com a obsessão pelo purismo, e já vira como o julgamento de pessoas por raças causava guerras, preconceito e sofrimento, no mundo bruxo e no mundo trouxa.

Sendo um jovem negro em um local de maioria branca, já sentira olhares atravessados para ele, não somente na Inglaterra, mas também em outros países, em locais de bruxo e de trouxa, nas viagens que fazia com sua mãe ou outros familiares.

Mesmo triste, ergueu a cabeça e foi para junto de McGonagall, que estava montando as barricadas e ordenando os postos de cada um na batalha que se iniciava.

— Professora, eu também quero lutar por Hogwarts.

Muitos alunos o olharam da cabeça aos pés, a surpresa estampada em seus rostos.

— Não somos Comensais da Morte, Zabini, respondeu Neville.

— Caso não tenha notado, eu sei muito bem disso, Longbottom.

— Sendo maior de idade, interviu Minerva, pode lutar. Não podemos julgar alguém a priori, ainda mais nesse momento.

Os murmúrios percorreram a fileira, mas nesse momento, uma voz aguda e fria, vinda das paredes, encheu o castelo e instilou o medo nos combatentes.

— Eu lhes disse para me entregar Harry Potter, e vocês não o fizeram. Eu tenho grande respeito pela Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas nem mesmo vocês podem desobedecer a uma ordem de Lord Voldemort sem sofrer as consequências.

E a batalha começou.

Ele seguia para o posto que lhe fora designado, sozinho, quando Luna o alcançou.

— Espera, vamos juntos.

— Você confia em mim?! Nem por um instante pensou que eu possa estar mentindo?! Ele questionou, surpreso.

— Porque? Dá para ver claramente nos seus olhos que você não é arrogante como se mostra.

— Sério, Lovegood? Blaise perguntou, ironia escorrendo de seus lábios. Você fala como se a gente se conhecesse há anos.

— Verdade, só conversamos poucas vezes no ano passado, mas isso e o fato de você ter tentado impedir que Miguel Corner fosse pego enquanto soltava o garoto do primeiro ano me mostraram o verdadeiro Zabini.

— Como você...?

— Ele me contou.

— Achei que ninguém soubesse.

— Vamos. Agora é Hogwarts que precisa de nós.

A batalha já se instalara no castelo, por toda parte, professores, alunos, membros da Ordem da Fênix e Comensais da Morte duelavam. Os professores haviam mandado os menores de idade para o Cabeça de Javali através da passagem, mas alguns voltaram escondidos.

— Maldito! Blaise gritou ao ver um Comensal encurralando Colin Creevey. Antes que o Comensal olhasse na direção da voz de Blaise, Luna o colocou fora de combate com um Feitiço Estuporante.

— Garoto, Luna disse a Colin, você devia voltar.

— Não. Tenho que lutar.

— Tenha cuidado.

— Olha quem vem lá... O bêbado e a lunática, disse Aleto Carrow.

— Eu me pergunto se Voldemort escolhe qualquer um na esquina para ser seu capanga, Carrow, porque até uma criança saberia que eu só fiz tomar um gole de uísque de fogo e derramar o resto na roupa, mas como você e seu irmão são dois idiotas, não notaram.

— É, mas isso não nos impediu de torturar seu colega, impediu?!

— Estupefaça!

Aleto desviou e revidou com uma Maldição Cruciatus, que passou raspando na perna de Luna. Luna gemeu de dor, e Amico aproveitou para prendê-la: cordas saíram de sua varinha e a amarraram da cabeça aos pés.

— Agora é sua vez, garoto. Relaxo!

— Protego!

Amico caiu. Aleto apontou a varinha para ele, mas Blaise foi mais rápido.

— Crucio! Isso, ele continuou, ao ver a Comensal gritando e se contorcendo de dor, é por todos os que você e seu irmão torturaram. — Você não ensinava Estudos dos Trouxas?! Pois tem um ditado trouxa que diz assim: Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

— Luna, eu já vou te sol...

— Foi fácil. Só a minha perna que tá doendo um pouco. Ai! Retiro o que disse, tá ardendo, e parece que tem agulhas na minha perna!

— Vulnera Sarnentum! Melhorou?!

— Sim, a dor diminuiu.

— Ótimo. O que foi?! Blaise perguntou quando Luna começou a correr para o lado de fora. À frente, ele viu Neville e Gina, e mais a frente, três pessoas, que não conseguia identificar, cercadas por um dos gigantes de Voldemort. Mas, quando chegaram ao lado de fora do castelo, Travers e Dolohov os cercaram.

— Dêem licença, ela é minha prisioneira, ele disse, agarrando Luna e colocando a varinha no seu pescoço.

— Porquê deveríamos acreditar nisso?!

— Porque ela é a namorada de Potter, Travers. Nós pegamos a namorada de Potter, e ele aparece. Aí, nós o entregamos para o Lorde das Trevas.

— É, parece um bom plano.

— Foi fácil agarrá-la, nada que a Maldição Imperius não resolva.

Ao ouvir isso, Travers e Dolohov relaxaram, fazia sentido o que Zabini havia falado, além do que, muitos Comensais foram alunos da Sonserina, como Zabini era. Quando viram que eles estavam mais calmos, Blaise e Luna atacaram.

— Estupefaça! O feitiço de Luna atingiu Travers no rosto e o fez bater contra uma parede, mas outro comensal apareceu e começou a duelar com Luna.

— Avada Kedavra!! Irado, Dolohov quase acertou os dois com a Maldição Imperdoável, mas Blaise e Luna se jogaram no chão no exato momento que ele os atacou.

— Traidor! Gritou o Comensal da Morte. — Vou lhe mostrar o que acontece com traidores como você, Zabini!

— Eu, traidor?! Nunca fui um Comensal, não concordo com essa obsessão idiota por pureza de sangue — sem contar que hoje não existem mais tantos bruxos de sangue puro.

— O Lorde das Trevas é o herdeiro de Sonserina!

— Ah, então, por ser sonserino eu devia estar ao lado dele?! Blaise riu.

— Crucio! Crucio!

Blaise gritou de dor, sentia como se arrancassem suas entranhas, nunca sentira tanta dor em sua vida, mesmo já conhecendo a Maldição Cruciatus.

— Mal... dito...

— Cadê o seu riso agora?! Já volto para terminar com você, agora é a vez da moça. Luna havia vencido o outro Comensal da Morte, mas não conseguira atacar Dolohov.

— Incarcerous!

— Protego! O feitiço de Luna se voltou contra ela, e mais uma vez ela estava amarrada da cabeça aos pés.

— Acharam mesmo que duas crianças, continuou o Comensal, iriam nos derrotar?!

— Dolohov... Venha me enfrentar.

A custo, Blaise conseguiu se pôr de pé. Mas não precisou se esforçar novamente, pois logo em seguida, o comensal começou a sangrar e a varinha caiu de sua mão, alguém lhe lançara um feitiço que o atingira no braço direito, até o osso.

— Nott?!

— Blaise, você tá legal?!

— Não, recebi duas Cruciatus. E estou surpreso.

— Meu pai é um Comensal da Morte. Não eu.