A Última Aurora

7 O Perdão Aprende a Respirar


Deixaram o Santuário ao amanhecer. O mundo parecia diferente não mais leve, mas mais honesto. Caminharam durante horas sem falar, até chegarem a uma elevação de onde se via Nightreign estender-se até ao horizonte.

A Recluse parou.

— Podes odiar-me… — disse. — Ainda assim eu ficarei.

O Guardian voltou-se para ela.

— Odiar seria mais fácil…

Aproximou-se lentamente, pousando-lhe as mãos no rosto. Ela não recuou.

— Mas o ódio não devolve aquilo que foi perdido — continuou. — Apenas cria mais vazio.

Beijou-a. Não foi um beijo urgente, nem desesperado. Foi firme, consciente, cheio de dor e escolha. Quando se separaram, a testa dela repousou na dele.

— O perdão não apaga a ferida — disse ele. — Mas permite que ela feche, lentamente.

Mais tarde, regressaram à Roundtable Hold. O quarto do berço aguardava-os. A Recluse aproximou-se do bebé com passos hesitantes. O Guardian observou-a em silêncio.

— Ele vai crescer num mundo imperfeito — disse ela. — Como todos nós.

O Guardian colocou a mão sobre a dela, ambos a tocar no berço.

— Mas não sozinho.

A Recluse virou-se para ele, os olhos cheios de algo novo. Esperança, talvez. Ou apenas descanso.

Naquela noite, deitaram-se juntos novamente. Desta vez, não houve medo. Apenas corpos que se conheciam profundamente. O toque era lento, quase reverente. Cada beijo era uma confirmação silenciosa: ficamos.

— Obrigada — sussurrou ela, já meio adormecida.

— Não me agradeças — respondeu ele. — Apenas caminha comigo.

A Noite observou-os, imóvel. Pela primeira vez desde a sua criação, parecia não exigir nada em troca.