A Última Aurora
5 As Fendas no Silêncio
Chegaram ao Santuário, um local antigo onde as Remembrances se manifestavam de forma instável. O ar vibrava com energia contida. O Guardian sentiu imediatamente a presença do passado a pressionar-lhe o peito.
— Aqui, a verdade parece não se esconde — disse ele.
A Recluse ficou tensa.
— Então não fiques demasiado tempo.
Exploraram o santuário juntos, mas cada Remembrance que surgia parecia aproximar-se perigosamente de algo que ela temia. Fragmentos de rituais, círculos de runas, uma figura feminina sempre de costas.
O Guardian notava o desconforto dela.
— Porque evitas olhar? — perguntou.
— Porque há memórias que não precisam de ser revividas para continuarem a doer.
Mais tarde, enquanto descansavam num átrio aberto, ele aproximou-se por trás e pousou-lhe os braços à volta da cintura. A Recluse estremeceu, mas não se afastou.
— Quando faço isto… — disse ele — sinto que o mundo abranda.
Ela pousou as mãos sobre as dele.
— Eu sinto que o mundo me pede contas.
Virou-se para ele, os rostos a poucos centímetros. Beijaram-se devagar, um beijo profundo, carregado de necessidade e medo. Quando se separaram, a testa dela permaneceu encostada à dele.
— Se a verdade nos separar… — começou ela.
— Então enfrentamo-la juntos — respondeu ele, sem hesitar.
A Recluse fechou os olhos. Uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto.
— Promete-me — disse — que, aconteça o que acontecer, vais ouvir-me até ao fim.
— Prometo.
Nesse momento, uma nova Remembrance começou a formar-se ao fundo do santuário, pulsando com uma intensidade diferente. A Recluse sentiu-o imediatamente.
O fim aproximava-se. E com ele, a escolha mais difícil de todas.
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