A Última Aurora
2 A Mesa Onde a Verdade Dorme
No Roundtable Hold acolheu-os num silêncio respeitoso. As chamas tremeluziram quando a Recluse entrou, como se o próprio lugar a reconhecesse. O Guardian notou, mas não comentou.
Os dias passaram entre batalhas e Remembrances. Cada visão mostrava fragmentos do passado do Guardian: a transformação do seu povo, o medo, a resistência inútil. A Recluse permanecia sempre próxima, às vezes demasiado.
Certa noite, encontrou-a sentada sozinha, de joelhos recolhidos, com o olhar perdido.
— Estás a afastar-te — disse ele.
— Estou a tentar não te perder.
A honestidade inesperada deixou-o sem palavras. Aproximou-se, sentando-se ao seu lado. Os ombros tocaram-se. Nenhum se afastou.
Após uns minutos ambos levantaram-se, explorando uma ala esquecida, encontraram o quarto. O berço. O bebé.
A Recluse caiu de joelhos, com as mãos a tremerem. Aproximou-se, tocando de leve no rosto da criança.
— Ele é a razão — murmurou.
O Guardian ajoelhou-se atrás dela, sem a tocar. Respeitou o momento.
— Sacrifiquei tudo para que ele tivesse um mundo — disse ela. — Mesmo que nunca me perdoe.
O Guardian pousou-lhe a mão nas costas, firme, presente. Ela encostou-se a ele, onde ela chorou.
Naquela noite, dormiram juntos pela primeira vez. Não houve palavras grandiosas. Apenas braços entrelaçados, respirações sincronizadas e a certeza silenciosa de que, naquele mundo quebrado, tinham encontrado abrigo um no outro.
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