A Órfã Doce

17 Uma boa sorte


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Eu to com um sono gigantesco, mas ainda acho que dá para postar mais capítulos para a nossa "maratona" -q Boa leitura.

Ao abrir vi que era Kentin, ele estava com meu rifle na mão.

– Seu maluco! – exclamei esbugalhando os olhos. – As pessoas te viram com isso?

– E daí se viram? – ele suspirou sem dar a mínima importância. – Esqueceu seu rifle no carro, por sorte o Castiel nem percebeu. Disse que ia te dar mais munição. Foi a desculpa que eu usei. – ele estendeu o rifle pra mim. – Vê se não esquece mais. Ele é muito dramático com o modo que as pessoas consideram os presentes que ele dá.

Agarrei o rifle e assim que Kentin virou as costas eu bati a porta.

“Agora eu sei o porquê de ninguém estar praticando lá na base”. – pensei. – “Hoje é domingo”.

Suspirei aliviada me jogando na cama. Olhei para a parede e fiquei pensando umas coisas. Seria legal fazer um suporte para meu rifle, como aqueles caçadores fazem com as espingardas.

No outro dia, fui trabalhar no Culinária Mágica. Ao chegar vi as portas fechadas.

– Lana? Cristal? – as chamei batendo na porta.

Lana abriu a porta para mim com uma cara meio sem graça.

– Estamos com problemas. – Lana falou fazendo um gesto para que eu entrasse, logo fechou a porta.

– Que tipo de problemas? – perguntei assim que entrei.

– Ratos bobocas! – ouvi um grito da tia Cristal vindo da cozinha.

Não demorou muito e ela apareceu toda descabelada com a vassoura na mão batendo no chão enquanto um rato andava em nossa direção.

Um fato é que: Você pode ser a mulher mais “testosterona” do universo, mas se aparece um rato ou barata, o medo e os gritinhos são inevitáveis. Eu e Lana subimos em cadeiras próximas enquanto Cristal saía tentando matar os ratos com a vassoura.

– Ah meu Deus! – Cristal exclamou colocando a mão na testa, parecia estar desesperada. – Não podem saber que o restaurante está infestado de ratos.

Cristal teve a ideia de por veneno para os ratos, mas Lana disse que não, disse que haveria outro jeito para expulsar os ratos.

No dia seguinte eu fui chamada na sala dos representantes. Nathaniel disse que havia uma coisa errada com a minha transferência.

– Tem certeza? – perguntei sentada numa cadeira em frente à mesa dele.

– Tenho. – ele falou mexendo em uns papeis. – Poderia pedir para sua tia arrumar?

– Claro. – falei meio triste me debruçando sobre a mesa.

Nathaniel guardou minha ficha entre outras milhares, estava ocupado mexendo em uns papeis.

– Nathaniel, se eu te falar uma coisa você não conta pra ninguém? – perguntei fazendo bico.

– Claro, pode falar. – ele respondeu sem me encarar mexendo em outros papeis.

– O restaurante do qual eu trabalho está cheio de ratos. – choraminguei.

– Sério?! – Nathaniel virou para mim com um sorriso feliz. – Isso é ótimo!

– O que? Como pode dizer isso? – perguntei inconformada.

– Não é isso. – ele colocou a mão na testa soltando um suspiro. – O melhor modo de afastar ratos é com um gato. E eu faço um trabalho voluntário num abrigo de animais.

– Sério? Que coisa mais linda. – sorri com as bochechas coradas.

– Pode ir comigo, você pode escolher um gato. – ele sorriu. – Oh... – logo ele desmanchou o sorriso. – O gato é para o restaurante, certo? – ele perguntou e eu fiz que sim com a cabeça. – Talvez elas não queiram ele...

– Com toda certeza elas vão ficar felizes. – sorri. – Eu vou levar um. Tem algum de cor negra?

– Tem. – ele respondeu. — Elas gostam de gatos pretos? – ele sorriu.

– Bem... – cocei a cabeça. – Toda bruxa sonha com um gato preto, não é?

– Bruxas?! – ele me olhou espantado.

– Oh! – exclamei sacudindo os braços. – Elas não praticam magia negra, elas são boazinhas. – fiz bico.

Nathaniel deu uma risada meio constrangida, afinal ele havia pensado alguma besteira sobre as meninas do restaurante, talvez ele tenha pensado que a tia Cristal jogava rabo de lagartixa na comida. Ele sorriu e disse que me levaria no abrigo de animais depois da escola, e foi o que ocorreu.

– Vamos entrando. – ele falou entrando no abrigo de animais.

Logo ouvi latidos e miados, barulhos estrondosos de vários animais que ficaram em gaiolas.

– As pessoas se assustam com as gaiolas. – Nathaniel me olhou. – Mas eles são muito bem cuidados. É que temos que manter o abrigo organizado e limpo, por isso eles precisam ficar assim.

– Entendo. – sorri enquanto o seguia.

– Violette! – Nathaniel deu um grito.

Violette apareceu com um avental com o nome do abrigo.

– A Lynn veio adotar um gatinho preto. – Nathaniel sorriu.

– Oh! É mesmo? – ela sorriu me olhando. – Me acompanhe.

“Me lembro da Violette”. – pensei – “Ainda sinto pena quando lembro que o Castiel a humilhou. Mas ela parece ter um caráter superior ao dele”.

Comecei a segui-la, logo ela parou na frente de umas gaiolas. Eram tantos animais precisando de um lar que me deu um aperto no coração, eu só poderia escolher um.

– Quem é aquele ali? – perguntei apontando para um gatinho

– Oh! Nunca demos nome a ele. – Violette corou mexendo no cabelo. – O achamos há dois anos, ninguém nunca quis adota-lo porque ele não tem um olho.

Era um gato todo preto, não tinha um pelo branco no corpo, o olho que lhe restava era o esquerdo que era da cor verde.

– Quero esse. – falei apontando para o gato.

– Tem certeza? – Violette me encarou surpresa. – Acha que sua mãe vai aceitá-lo?

– Moro sozinha. – respondi suspirando. – E também o gato nem é para mim, é para amigas minhas que estão com probleminhas com ratos.

– Tem certeza que elas vão cuidar bem dele? – Violette perguntou meio receosa.

– Claro que tenho. – sorri. – Elas sempre amaram animais.

Assim que saí do abrigo, fui correndo até o restaurante que ainda estava fechado. Levei o gatinho manso até a porta e bati três vezes. Assim que Lana abriu e viu o gato nos meus braços, ela deu um sorriso de orelha a orelha e o tomou de mim.

– Mamãe! A Lynn trouxe um gato! A Lynn trouxe um gato! – ela gritou de felicidade dando passos rápidos pelo restaurante.

As duas pareceram gostar muito do bichano, lembro-me que quando criança Lana sempre quis ter um gato, mas Cristal dizia que não podia, pois o padrasto de Lana não gostava de animais. Sempre o achei um grosso, às vezes até Lana fazia feitiços para que a Deusa da Vida o afastasse do seu lar. Felizmente tia Cristal havia se separado dele.

– Onde o arrumou? – Cristal perguntou pegando o gato nos braços.

– Meu amigo é voluntário no abrigo de animais. – sorri. – Quando eu pedi ele disse que poderia me arrumar um.

– Sempre quis ter um gato preto. – Lana sorriu. – Obrigado Lynn. – ela me agradeceu com um abraço.

Tia Cristal me agradeceu, logo levou o gato para a cozinha. Por incrível que pareça, em menos de duas horas os ratos haviam sumido. Lana disse que o gato foi mandado pela Deusa. Dei uma risadinha e ajudei-a a abrir as portas.

O movimento dos clientes era constante, eu e Lana corríamos de um lado para outro. Logo Lana me chamou.

– Atende aquela mesa que eu tenho que servir outras mesas. – ela pediu com um sorriso.

Fui até a mesa indicada mexendo no bloco de notas, assim que olhei para a cara dos clientes eu senti meu estomago embrulhar.

Notas finais
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