A Órfã Doce
24 Porta trancada
Notas iniciais

Encarei a menina fixamente, minha respiração cessou por cinco segundos, dei uma leve tossida. Esfreguei os olhos, tinha que estar vendo errado. Claro, era isso, estava sem lentes e sem óculos.
“Claro, eu estou vendo errado, claro que não é ela”. – neguei a mim mesma, me aproximei para ficar ao lado de Alexy.
Alexy me puxou para que eu passasse entre os seguranças, os meninos do F4 estavam próximos a ela.
– Que roupas são essas? – Castiel deu um sorriso sarcástico.
– Estava fazendo um ensaio fotográfico. – ela fez bico. – Você sabe muito bem que eu não me visto assim.
– Você está bonita. – Lysandre comentou dando um sorriso. –Você venceu a luta?
– VOCÊS NÃO ASSISTIRAM? – ela gritou furiosa.
– Eu vi. – Kentin deu um passo a frente. – A Kana quase ganhou, você foi habilidosa.
“É A ANGELA, PUTA MERDA!” – pensei começando a me apavorar.
– Sério? – ela corou. – Isso é muito legal da sua parte. – logo ela me olhou. – Quem é ela?
– A namorada do Kentin. – Armin brincou cruzando os braços.
– Não seja ridículo! – exclamei fazendo bico.
– Você... É membro do F4? – ela perguntou.
– Não, Deus me livre de por uma pessoa baixa como ela no F4. – Castiel comentou com um ar de superioridade.
– O único baixo aqui é você, que usa as pessoas para fazerem as coisas no seu lugar. – sorri vitoriosa. – Seu parasita.
– Então Angela. – Alexy sorriu forçadamente para cortar o clima de tensão. – Quando começou esse ensaio fotográfico?
– Semana passada, terminei agora. – ela sorriu. – Eu ganhei o cinturão DE NOVO. – ela fez ênfase olhando para os que não viram a luta. – E por isso a imprensa fez esse ensaio comigo.
Engoli a saliva, de vez em quando Angela ficava me olhando como se fosse me comer com os olhos. Apenas fiquei calada na maior parte da conversa.
– Senhora. – um dos seguranças a chamou. – Quando devemos leva-la ao hotel? Sua reversa já foi feita.
– Pode ir pra minha casa. – Kentin falou.
– Claro que eu vou. – ela sorriu. – Não cancele a reserva, mas hoje eu não dormirei no hotel. – ela explicou ao segurança.
Apenas observava o sorriso maroto de Kentin. Ao olhar para Castiel, vi que uma veia pulsava na testa dele.
– Isso é tão interessante. – Armin comentou baixo.
– Totalmente. – Alexy apoiou no mesmo tom.
– O que está havendo? – perguntei discretamente.
– Eu te conto depois, outra hora. – Alexy sorriu.
Todos nós nos separamos, Kentin saiu com Angela, Lysandre e Castiel disseram que iam resolver algo sobre o CD de Lysandre, e eu fui com os gêmeos.
Como eu tinha trabalhado a semana inteira no Culinária Mágica, era o meu dia de folga.
– Armin, faz companhia pra Lynn. Hoje é o dia do brilho total. – Alexy deu uma risada se retirando do ambiente.
– Dia do que? – perguntei confusa.
– De retocar a cor no cabelo. – Armin suspirou.
– Entendo. – sorri. – Ei, o que foi aquilo mais cedo? – perguntei.
– Não sei do que você está falando. – Armin sorriu brincando.
– Claro que sabe. – retruquei. – Eu notei a tensão no ar.
– Oh! Claro. Isso aí. – Armin deu uma risada, só estava me enrolando para não falar, isso sim! – Castiel e Kentin sempre foram amigos, mas internamente eles sempre tiveram uma rivalidade.
– Que tipo de... Rivalidade? – perguntei enquanto milhões de pensamentos bombardeavam minha cabeça.
– Então... – Armin pausou para tomar ar, como se fosse contar uma história longa. – Eles sempre começavam a gostar da mesma menina. Sempre!
– Onde conheceram a Angela? – perguntei.
– Ela é amiga da Rosalya. – Armin sorriu.
“Oh! Claro. Já me falaram isso!” – pensei.
– Isso está acontecendo nesse momento? – interroguei encarando Armin.
– Não sei do que você está falando. – Armin riu novamente, estava me enrolando outra vez.
– Eu vou socar você! – fiz bico. – Eles estão gostando da mesma menina?
– Digamos que sim. – Armin fez careta.
“Se eles gostam da Angela, que é o que eu acho que está ocorrendo, por que o Castiel mandou eu me afastar do Kentin?” – perguntei a mim mesma. – “Mesmo que eu não ficasse com o Kentin, a atitude do Castiel foi muito sem noção. Se eu ficasse com o Kentin, ele teria a Angela só para ele. É um burro mesmo! De qualquer forma, acho que ele só queria que o F4 não ganhasse má fama. Mais do que já tem, aquela porcaria!”.
– Como assim “digamos que sim”? – perguntei.
– Bem... – Armin pausou para tomar ar de novo. – Digamos que o Castiel meio que perdeu as esperanças.
– Como? – interroguei não entendendo muito bem no que acabara de ouvir.
– Ele meio que desistiu de conquistar a Angela, ela gosta do Kentin. – Armin coçou a cabeça.
– Mas... Mas... – falei inconformada quase sem conseguir continuar. – O Castiel mandou eu me afastar do Kentin, que o Kentin já gostava de outra pessoa...
– Falando nisso. – Armin me olhou safado. – É verdade que vocês estão saindo?
– De novo com isso? – revirei os olhos. – Queria saber quem falou isso.
– Ambre. – Armin respondeu na mesma hora. – Ela chegou com a Li e a Charlotte, mostrou fotos suas de você e Kentin. Você segurando a mão dele e essas coisas.
– Eu só tentei ser amiga. – justifiquei.
– A mãe do Castiel sempre diz que ninguém precisa de amigos, principalmente o próprio Castiel. – Armin bocejou.
– Deve ser por isso que Castiel é afogado na própria desgraça. – dei um sorriso de deboche.
– Quer ir à casa do Kentin? – Armin perguntou piscando para mim.
– Não é uma boa ideia. – fiz careta.
– Claro que é. – ele discordou.
Quando me vi já estava no carro, fui arrastada por Armin até lá. Armin ia para a casa de Kentin com um sorriso pervertido estampado no rosto. Assim que chegamos em frente a porta Armin cruzou os braços. O olhei, levei minha mão em direção à campainha, logo Armin segurou minha mão.
– Não, não faça isso. – ele sorriu mexendo debaixo de um tapete. – Ele mudou o esconderijo. – Armin fez bico procurando em um vaso de plantas. – Supergênio. – ele riu assim que achou a chave, logo destrancou a porta bem devagar.
Adentramos na casa com passos mudos, queria perguntar o motivo daquilo. A resposta veio na minha cara, aquela cena de duas pessoas no sofá se pegando como se não houvesse amanhã. Os dois estavam nos maiores agarrados, Angela estava deitada por cima de Kentin.
Armin soltou uma risada tão alta que fez com que Angela corasse como um pimentão, a coitada saiu da sala toda constrangida sem dizer nada.
– O QUE VOCÊ QUER AQUI?! – Kentin berrou.
– Eu vim ver como a Angela está, mas pelo visto ela está em boas mãos. – Armin cruzou os braços. – Mãos bobas, não é mesmo, Kentin? – Armin sorria como nunca, mesmo assim segurava a risada.
– O que faz com essa menina aqui? – Kentin perguntou quando me viu.
– Não fala com a menina assim. – Armin fez bico. – Alexy foi arrumar o cabelo, ele disse para eu fazer companhia para ela. Tecnicamente estou fazendo isso.
“Armin, obrigado. Você acabou de me deixar traumatizada com esses dois”. – pensei.
– Ótimo, pode ir embora. – Kentin falou para Armin, mas estava com o olhar voltado para mim.
– Mas nem pensar, eu cheguei agora. E pelo visto, vocês estão bem agitados hoje. – Armin continuava com suas provocações rolando a solta.
– Eu vou te espancar. – Kentin fez uma cara de zangado, para falar a verdade eu esperava mais uma ação do que uma ameaça.
– Ah! Fala sério! – Armin colocou as mãos atrás da cabeça imitando um gesto conhecido de Alexy. – Vocês são mais divertidos que os meus jogos. Por que acha que eu vim aqui?
– Armin, acho que devíamos ir. – falei baixinho no ouvido de Armin, ele negou com a cabeça.
– Está do lado do Castiel? – Kentin perguntou. – Se está, ele já perdeu. Não tem o que fazer por ele.
– E quem disse que eu estou do lado de alguém? – Armin arqueou uma das sobrancelhas. – Eu quero mais é ver o circo pegando fogo. Por isso vim aqui, quando eu contar que realmente aconteceu isso, a confusão vai reinar.
Aquela não foi a coisa mais inteligente que Armin tinha dito, mas de qualquer forma eu não podia opinar, não fazia a mínima ideia do que realmente tinha acontecido com eles.
O comentário de Armin tinha deixado Kentin cheio de fúria, Kentin deu um soco em Armin que desviou. Daí veio a cena super tensa, super constrangedora, a cena que me deixou paralisada, a cena que na hora que eu vi eu não sabia se ria ou se ficava surpresa.
Armin levou a mão nas “partes baixas” de Kentin e apertou, parece que usou força, Kentin se encolheu todo. Assim que Armin afastou sua mão, Kentin caiu no chão.
– Se eu fosse você, eu me acalmava. – um sorriso ainda estava no rosto de Armin. – Sabe, você pegou um jogo meu. Vim pegar ele de volta.
– Seu arrombado! Tinha que vim justo agora? – Kentin xingou. – Vai lá no quarto dos hospedes e pega aquela merda. Vaza daqui o mais rápido possível.
Armin saiu andando, eu que não ia ficar sozinha com Kentin daquele jeito. Segui Armin até o quarto, quando entrei vi que tinha a aparência de um quarto de hospedes mesmo, tinham três futons, uma TV e uma pilha de jogos.
– Não, não, não, não. – Armin ia falando conforme ia passando os jogos para ver se era o seu.
A porta fechou, ouvi o barulho de uma tranca.
– O que você fez? – Armin gritou dando um soco na porta.
– Óbvio que você não ia sair, só iria infernizar mais ainda a minha vida. Então fica aí e não me enche o saco. – Kentin respondeu do lado de fora.
Passamos altas horas trancados, apenas com Armin dizendo que quando saísse dali ia matar Kentin e ainda dizia as formas e como ia matar Kentin. Sentei-me no chão encostada a parede, ele fez o mesmo. Papeamos mais de duas horas. Como eu tinha acordado cedo, acabei apagando com a cabeça encostada no peito de Armin.
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