A Órfã Doce

44 Conselhos de bruxa


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Trouxe aqui mais um capítulo e admito que eu sambei pra achar uma imagem decente e.e Então, é isso. Tá aqui o capítulo c: Boa leitura.

A Tia tinha chamado o decorador, pelo papo deles parecia que se conheciam há muito tempo. Ele nem ficou assustado nem nada, talvez ela tivesse dado uma desculpa bem convincente para ele aceitar vir arrumar o papel de parede de novo. Sim, de novo. Quando viu o quarto, ele lançou um olhar e franziu a testa.

– De novo? – ele olhou para minha tia, que estava sem graça.

– Poderia consertar logo? Daqui a três horas eu tenho que pegar um voo. – ela suspirou olhando para o relógio.

O cara consertou o papel de parede, mas a tia recomendou que eu ficasse dormindo no quarto de Kentin. Eu não entendia essa nóia dela, tinha tantos quartos pela casa. O pior era que ela não me explicava nada sobre isso, e pedir explicações a Kentin? Seria perda de tempo.

Assim que a Tia pegou o avião como havia dito, eu e Kentin acabamos cedendo ao pedido de Castiel sobre o cinema.

– Eu vou com você. – ele falou pegando o capacete e a chave da moto. – Não fico sozinho aqui nem que me paguem.

– Nossa, o machão já está com medo? – provoquei.

– Fala a menina que pulou em cima de mim no primeiro barulho que ouviu dentro de casa. – retrucou. Fiquei calada, era melhor.

Ele me entregou um capacete e eu subi na moto logo atrás dele. Estava tudo bom, tudo tranquilo. Daí quando paramos num sinal, Armin estava na moto ao lado e tinha uma garota na garupa com um gato preto. Pelo gato de um só olho verde, percebi que a menina era Lana. Fiquei feliz em um ponto por estarem sendo amigos de Lana, mas o ponto negativo foi o que veio a seguir.

– Quer apostar corrida? – Kentin perguntou dando um sorriso estranho de quem estava produzindo adrenalina.

– Vamos. – Armin concordou. – Lana, segura o gato.

– Eu não acho que seja uma boa ideia correr, correr faz mal, não precisa correr. – Lana falou nervosa.

– Lynn, segura na minha cintura. – Kentin pediu e eu o fiz.

Assim que o sinal abriu eu pensei que eles fossem levar a rua junto com eles. A coitada da Lana não sabia se devia segurar em Armin ou se deveria segurar o gato. Como já não bastasse a burrice de Armin, ele foi lá e empinou a moto.

– Nem pense nisso! – repreendi Kentin assim que ele olhou Armin empinando.

Lana gritava desesperadamente, assim que a moto voltou as duas rodas, Lana agarrou na cintura de Armin com o gato entre eles dois. Os primeiros a chegar na casa de Castiel foi eu e Kentin.

– GANHEI, VIADO! – Kentin gritou tirando o capacete e jogando em Armin.

– Seu irresponsável. – dei um soco no braço de Kentin. – Você sabe o que a tia acha sobre pessoas que correm assim na estrada?

– Se você calar a boca e largar do meu pezinho, ela não vai saber. – Kentin bagunçou meu cabelo e entrou na casa de Castiel.

Lana tentava acalmar a respiração e o gato, que estava todo assustado preso na coleira.

– Que bom que você conquistou a amizade deles. – sorri.

– Eles são loucos. – Lana fez bico. – Mas pelo menos Armin me levou até o veterinário, o Neko precisava da segunda dose da vacina.

– Bem... Vamos entrando. – sorri tomando a mão da mesma e a puxando de leve.

Castiel apareceu e me guiou até a sala onde assistiríamos o filme. O filme era de terror, claro. Eu já estava toda nervosa por causa das coisas que aconteceram no meu quarto e o filho da puta pega e passa um filme de terror. Até aí tudo bem. Na hora de escolher os lugares é que foi tenso. Castiel ficou na cadeira à esquerda, Lysandre ia sentar no meu lado direito, mas Kentin fez uma cara feia que o fez sentar perto de Lana. Kentin tomou o lugar à minha direita, fiquei apenas observando o que ele tinha acabado de fazer.

O filme começou e tudo, a sala era idêntica a uma sala de cinema. Tentava me concentrar, mas nem Castiel e nem Kentin deixavam.

– Quer mais pipoca? – Kentin perguntou.

– Não. – respondi sem tirar os olhos do filme.

– Quer que eu pegue sorvete para você, Lynn? – Castiel perguntou.

– Não, obrigado. – respondi dando um sorrisinho.

– Por que você o agradece e não me agradece? – Kentin fez bico.

– O que? – arqueei a sobrancelha confusa.

– Vai começar com isso? – Castiel cruzou os braços. – Você sempre é infantil.

– Infantil? Você é irritante, seu explorador de mulheres! – Kentin levantou-se a apontou para Castiel.

– Se eu sou um explorador de mulheres você é um aproveitador de mulheres. – Castiel levantou-se e apontou para Kentin.

– Lana, troca de lugar comigo. – pedi revirando os olhos.

Lana levantou-se e deu um empurrão em Kentin para passar, fiquei no lugar dela ao lado de Armin e Lysandre. Logo que Lana sentou, os outros dois sentaram e a olharam.

– Eu vou logo avisando. – ela falou olhando para frente acariciando o gato preto que estava deitado em seu colo. – Se me encherem o saco, eu faço o meu gato urinar em vocês dois. Entendido? – ela ameaçou metendo a outra mão no saco de pipoca de Kentin e tirando uma mão cheia.

Para piorar toda a desgraça humana que estava acontecendo naquela tarde, faltou luz.

– Fiquem sentados. – Castiel falou. – A luz liga daqui a uns segundos.

Certo, fiquei quietinha, mas os outros não. Duas mãos diferentes passaram uma em cada perna minha, arregalei os olhos. Os que estavam do meu lado eram Lysandre e Armin.

“Armin tudo bem, mas Lysandre”. – pensei.

Agarrei as duas mãos que fizeram força para se desfazer do meu puxão. Quando a luz ligasse eu teria certeza de quem seriam os dois safados. Assim que a luz ligou eu vi Castiel do meu lado esquerdo e Armin do meu lado direito.

– Eu vou matar vocês. – eu falei olhando para um e depois para o outro.

– O que foi? – Kentin me perguntou assim que as luzes acenderam.

– Os dois bolinaram ela. – Lana falou sem nem fazer contato visual conosco.

– SEU EXPLORADOR DE MULHERES! – Kentin bradou cerrando o punho. – SAI DE PERTO DA MINHA IRMÃ! E VOCÊ TAMBÉM, SEU PERVERTIDO! – ele apontou para Armin.

Acabou que o filme acabou por causa desses dois. Agora eu queria saber como é que trocaram de lugar tão rápido. Castiel trocou de lugar com Lysandre para isso, ele achava mesmo que ia conseguir alguma coisa? Lana disse que iria para casa conosco, Armin se ofereceu para leva-la. Assim que chegamos Armin segurou meu ombro.

– Aquilo foi um acidente, eu fiquei meio desorientado no escuro e minha mão bateu sem querer na sua perna. – ele fez careta.

Uma das mãos tinha feito mais ou menos isso, era a do lado direito, talvez ele estivesse mesmo falando a verdade... Ou não.

– Sua casa emana uma energia bem interessante. – Lana falou colocando o gato no chão e o puxando pela coleira.

– O que quer dizer com isso? – Kentin perguntou confuso.

– Coisas de bruxas. – expliquei.

Lana entrou conosco e passou pelo corredor dos quartos, logo sua expressão mudou.

– Essa casa foi amaldiçoada? – ela virou-se para Kentin que fez que não com a cabeça. – Aconteceu algo muito forte por aqui. – ela falou andando passando a mão pela parede do seu lado direito. – Essa porta. – ela bateu a mão na porta do final do corredor. – Abra!

– Não tenho a chave. – Kentin colocou as mãos nos bolsos.

– Então arrombe a porta. – ela cruzou os braços.

– O que quer com a porta? – ele retrucou também cruzando os braços.

– Há alguma coisa ali, há uns segundos eu pensei que meu instinto de bruxa estava errado, mas não estava. – ela olhou para o gato. – Animais tem o dom de ver coisas que humanos não vêm, Neko está inquieto, então tem algo aqui.

– Como sabe sobre o que aconteceu aqui? – perguntei.

– Armin me contou sobre o que aconteceu durante a noite. – ela suspirou. – Mas mesmo que não tivesse me contado, eu saberia mais ou menos o que aconteceu aqui. Era uma mulher, não era, Kentin? – Lana sorriu. – Era uma mulher a pessoa que morreu aqui? Provavelmente a mãe do bebê que ocupava o quarto da Lynn. – ela deu passos em nossa direção.

– Não quero falar disso. – Kentin falou firme sem desviar o olhar.

– Não estou entendendo. – falei olhando para Kentin.

– Claro que não está, ele não falou nada. Falou? – Lana me olhou. – Oh! Claro que não falou. Você é mesmo muito irresponsável, não é? Pela aura que eu estou sentindo, essa mulher não está muito contente.

– Eu não fiz a oração... – Kentin encarou o chão.

– Então era sua parenta? – Lana arqueou a sobrancelha.

– Oração? – interroguei, dessa vez olhando para Lana.

– Esse surto de atividades que ocorreram foi devido à oração que não foi feita no dia do aniversário da morte da pessoa. – Lana explicou.

– O que? – olhei para Kentin. – Por que não fez a oração?

– POR CULPA SUA! – Kentin gritou me agarrando pelos ombros. – VOCÊ FICOU FEITO UMA IDIOTA ANDANDO DISTRAÍDA POR AÍ E EU FIQUEI TÃO IRRITADO QUE ESQUECI A ORAÇÃO. É TUDO CULPA SUA.

– Solte-a. – Lana falou irritada em um tom baixo, rude e forte agarrando a mão de Kentin que estava no meu ombro.

– Não se meta. – Kentin devolveu com o mesmo tom.

– Não tente dar um de machão protetor, nem para isso você serve. – Lana tirou a mão dele do meu ombro.

– É conversa de irmãos. – Kentin colocou a mão no ombro de Lana dando um leve empurrão que a fez recuar um passo para trás.

– Sou mais irmã dela do que você. – Lana arqueou a sobrancelha já fazendo uma cara feia. – Escuta aqui, se pensar em machucar ela, eu juro que eu quebro a sua cara.

– E quem você pensa que é? – Kentin já fazia uma cara feia.

– Gente. – entrei no meio dos dois. – Não há necessidade disso. Temos um problema aqui, não é hora de ficar brigando.

O gato arranhava a porta que Lana tinha passado a mão anteriormente.

– Aquela porta, aquela mulher morreu nessa casa. – logo Lana lançou um olhar para Kentin. – Não foi um homicídio. Porque eu acho que a sua mãe amava muito aquela mulher até mesmo para deixar essa casa. – Kentin não respondeu, Lana deu um sorriso de vitoria, logo o desfez e continuou. – Querendo ou não, uma hora a Lynn vai precisar saber de toda a verdade. Você a deixou desinformada, está apenas a colocando em perigo, isso mostra o quão bom irmão você é. – ironizou. – Óbvio que você sabe de tudo, não tente se fazer de desentendido.

Kentin ficou calado, cabisbaixo, nunca vi alguém pisar tanto nele como Lana havia feito.

– Não se preocupe, eu ajudarei. – ela falou recolhendo o gato. – Farei um ritual a noite, amanhã a lua está favorável a rituais de atração de energias positivas. Poderei quebrar boa parte dessa aura negra. Trarei também dois pentagramas como esse. – ela falou puxando para fora o pentagrama de dentro da blusa. – Eles servem para a proteção.

– Agradeço desde já. – sorri.

– Se fosse vocês, eu mesma que não ficaria nessa casa. Depois da nossa conversa a senhora em questão deve estar mais zangada. – Lana falou dando passos para retirar-se dali.