Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Bem... Eu ia postar esse capítulo ontem, eu corrigi e tudo, BUT eu saí de tarde e a noite meu irmão tomou posse sobre o notebook (unico pc com net da casa) e foi jogar e.e Fazer o que, irei continuar postando. Boa leitura.

Entrei na sala cuidadosamente, o autor da cantoria era Castiel. Isso me surpreendia, a voz dele parecia um pouco com a de Lysandre. Fui sair da sala para deixa-lo sozinho, tropecei no cadarço do meu tênis e fui acidentalmente para dentro da sala. Castiel virou-se para mim com uma cara de poucos amigos.

– Estava me espionando? – ele perguntou.

– Não, eu só passei aqui por acaso. – balancei a mão. – Não sabia que cantava.

– Pra ser franco com você, nem eu mesmo sabia. – ele deu um meio sorriso ficando sério novamente. – Não sei se já te contaram... Angela vai embora.

– Por quê? – perguntei surpresa.

– Ela é ocupada assim como a Rosalya. – ele virou-se de costas. – Eu queria cantar isso pra ela, ela sempre gostava quando Lysandre cantava. Ela o escutava, ele era muito tímido antes de formar a banda.

– A voz do Lysandre é realmente muito bonita. – sorri.

– É... – ele pausou olhando para a janela. – Estava falando um dia desses com os meninos sobre a Angela... Fiz essa música pra ela.

– Eu gostei. – falei me esticando um pouco. – Acho que ela vai gostar.

– Jura? – Castiel sorriu olhando para mim. – Obrigado. – ele corou um pouco.

– Mas... Está fazendo isso pra ela não ir embora com raiva de você? – ele não respondeu. – Porque eu não garanto que você vá resolver as coisas com a Angela dessa forma. Ela é uma adulta, e você estragou tudo com ela porque foi criança demais.

– Você fala como se a culpa fosse totalmente minha. – ele cruzou os braços fazendo uma careta.

– A metade da culpa é do Kentin também, mas se você não tivesse pulado em cima dele, a briga não se prolongaria e ela não teria que espancar vocês na frente dos outros. A pior coisa do mundo é uma mulher perdendo a classe em público.

– Talvez eu dê ouvidos a você. – ele virou de costas novamente.

– Toca guitarra? – perguntei encarando a guitarra próxima a ele.

– Não, ela é só de enfeite. – ele ironizou revirando os olhos.

– Eu já disse uma vez e vou repetir. – revirei os olhos suspirando pesado. – Você só está na merda desse jeito porque é chato com as pessoas.

– Que seja. – ele pegou a guitarra e começou a passar a palheta nas cordas produzindo um som.

Fiquei lá de braços cruzados observando a cena, senti uma coisa molhada na minha perna. Mexi-me bruscamente ao ver um cachorro que tinha a metade da minha altura. Ele estava com o focinho encostando no meu joelho.

– Não assuste o Dragon! – Castiel bradou.

– Dragon? O nome desse cachorro é Dragon? – perguntei rapidamente, assustada.

– Isso é um cachorro ou um dinossauro? – Castiel riu.
– Como você é medrosa e escandalosa. – ele continuou a rir soltando a guitarra e se agachando perto do cachorro. – Esse cachorro foi o primeiro presente da Angela.

“Ai que cu.” – pensei. – “Puta merda, esse moleque só sabe falar dela”.

– Castiel. – fiz bico. – Você é uma pessoa muito dependente da Angela, parece que ela é o oxigênio que te mantém vivo. Acho que está na hora de alguém te falar isso... – pausei olhando fixamente nos olhos dele. – Você é fraco. – ele me encarou surpreso. – Eu sempre me magoei, sempre me derrubaram, eu sempre me levantei, e sempre continuei a caminhar. Você parece uma moça se lamentando, você é muito mimado, vê as coisas como se fosse o fim do mundo. O fato é que a vida vai quebrar seu coração de dez maneiras possíveis. Então vira homem e toma jeito.

Castiel me olhou seriamente, deixou o olhar baixo e deu um meio sorriso. Talvez ele tivesse concordado com o que eu tinha falado. O que era quase impossível, pois eu estava falando com o Castiel.

– Não vou perder meu tempo te questionando. Você não me conhece, mas fala como se tivesse a ficha da minha vida inteira. – ele continuou a sorrir com uma sobrancelha arqueada. – Você não passa de uma equivocada, isso sim.

– Se você acha. – suspirei. – Que horas ela vai?

– Ela vai as... – ele olhou para o relógio. – Daqui a vinte minutos, DROGA! – Castiel correu de um lado para o outro. – Me ajuda a achar a chave do carro.

– É essa aqui? – perguntei pegando uma chave próxima a mim.

Castiel me puxou pelo braço e fomos correndo até a garagem. Achei que ele não quisesse ir comigo, mas acho que foi o desespero momentâneo. Castiel tirou o carro da garagem.

– São mais de 20 minutos até o aeroporto. – falei.

– Comigo dirigindo não. – ele falou olhando para trás enquanto dava ré.

Eu pensei que eu fosse morrer, Castiel dirigia feito uma velha. Íamos a mais de 100 por hora numa pista de 50. Eu ficava imaginando a policia nos prendendo por achar que Castiel roubou algo ou tinha me sequestrado.
Ao chegarmos ao aeroporto, vi os meninos acenando.

– Vocês vieram? – Castiel gritou para os quatro que estavam lá.

– Pensei que não viria, pensei que estava magoado. – Armin falou olhando para ele.

– Onde ela está? – ele perguntou.

– Olha ela ali. – Alexy apontou para Angela.

Castiel correu como se fosse para salvar a vida dele. Ele gritava o nome dela e todas as pessoas olhavam para ele como se ele fosse um maluco. Angela deu uns passinhos rápidos até Castiel, como se fosse bronquea-lo por todo aquele escândalo, aquilo era evidente em sua face.
Castiel segurou as suas duas mãos e a beijou, a abraçou com lágrimas nos olhos.

“Ele não ia cantar?” – pensei.

Angela parecia surpresa, ao ver o estado de Castiel, lágrimas rolaram em seu rosto. Os seguranças de Angela falavam algo, Castiel estava grudado nela.
Ao ver que aquilo iria ser um problema, fui andando até os dois. Armin me acompanhou.

– Castiel, solte. Ela precisa ir. – Armin falou pousando a mão no ombro de Castiel. Castiel sacudiu o ombro para tirar a mão de Armin.

– Castiel! – exclamei agarrando o braço dele.

– Castiel, não torne as coisas mais difíceis. – Angela desviou o olhar com lágrimas nos olhos.

– Quando eu vou te ver? – ele perguntou começando a soltá-la.

– Castiel! – Armin puxou o braço de Castiel, eu puxei o outro.

– Castiel, por favor. – Angela falou corada. – Eu não sei... Mas quando eu estiver pronta, eu voltarei. Não é o fim do mundo.

“Parece que não o conhece, Castiel é a pessoa mais exagerada que eu já vi na minha vida, e olha que eu nem o conheço há tanto tempo”. – pensei.

Os seguranças se aproximaram, um deles falou algo no ouvido de Angela. Ela foi se afastando, dando passos de para trás sem virar-se de costas. Logo ela virou as costas e foi andando sem olhar para trás, andava cabisbaixa, provavelmente chorando.

– Vamos Castiel! – Armin o puxou pelo braço.

– Não, eu tenho que ir com ela. – ele falou indo para frente.

– Acabou a palhaçada. – dei uma tapa na cara dele. – Se recomponha!

Armin me lançou um olhar de censura, o olhei sem entender. Em minha opinião, estava fazendo o certo. Castiel precisava de um sacode para cair na real. Os outros meninos vieram carregar Castiel, ele parecia não acreditar que ela havia ido embora. Estava tendo uma crise de vergonha alheia.

Voltamos para a casa de Castiel, para falar a verdade eu estava passando mais tempo na casa dos outros do que na minha própria casa.
O clima estava tenso, Castiel tinha se trancado no quarto e os outros estavam por aí, nem sabia mesmo se ainda estavam na casa. Armin era a pessoa mais normal mesmo tendo pavio curto, principalmente quando perdia nos jogos.

– Sabe Lynn... Eu ouvi quando você falou com o Castiel. Também o ouvi cantar e fui ver. – Armin deu um suspiro no final da frase. – Eu ouvi tudo o que você falou... Castiel tinha razão sobre você ser equivocada.

– E por que eu fui equivocada? – fiz bico.

– Ele estava realmente certo quando disse que você não o conhecia. Eu o conheço bastante, posso afirmar que ele não é essa pessoa mimada que você mencionou.

– Ah! Fala sério! Claro que ele é. – exclamei revirando os olhos.

– Castiel quase nunca teve amor na vida, nem dos próprios pais. – Armin me olhou. – A mãe dele antes o paparicava... Depois que ela se tornou uma mulher de negócios, o deixou ser criado pelos empregados... Teve uma vez no aniversário dele, que os empregados fizeram o bolo de aniversário, nem a mãe dele nem ninguém apareceram para ao menos dar os parabéns... Ele jogou o bolo no chão e se trancou no quarto.

– Ele é muito arrogante. – retruquei achando que ainda tinha razão.

– Aprendeu isso com a mãe. O único que ainda liga em dar atenção a ele é o pai e a Rosalya. – Armin se espreguiçou, logo voltou com um olhar baixo. – Mas o pai dele está na reabilitação e a Rosalya mora fora. Não que você não tenha nenhuma razão no que falou, mas ainda continua equivocada.

– ENTRETANTO. – dei ênfase ainda na defensiva. – Castiel não sabe se portar perante a isso. Se ele sofre tanto, tinha que no mínimo aprender a ser mais forte.

– Errada de novo. – Armin deu um sorriso encostando o dedo indicador na minha testa dando um leve empurrão. – Ele é desesperado por qualquer tipo de afeto, mas às vezes ele assume uma postura arrogante para as pessoas não se aproveitarem dele... Bem... Pelo menos foi o que a analista dele nos falou.

“Eu sei que eu to errada, mas eu morro e não admito”. – pensei.

Fiquei cabisbaixa, eu odeio admitir que estou errada, mas naquele momento eu estava. Obvio que eu não ia dar esse gostinho a Armin, fiquei calada encarando o chão.

– Está constrangida? – não respondi. – Oh! Está constrangida. – ele riu. – Sinto muito, mas isso era preciso ser esclarecido. Não acho certo abrir a vida de uma pessoa assim... – ele fez bico. – Mas isso é pra você aprender a não julgar as aparências. Não conheço você e posso ser hipócrita por dizer isso, mas você me parece ser uma menina muito aflita com a própria situação ou passado.

– Não está mentindo. – o encarei com o olhar baixo.

– Ah! Ótimo. – ele sorriu. – Que ótimo que não estou errado. Desculpe, mas... Analisando o modo como você se comporta dá para se notar isso... – ele respirou fundo. – É mesmo órfã?

– Sim. – respondi diretamente.

– Oh! Claro... – ele corou um pouco. – As pessoas julgaram você por isso... Saiba que eu nunca pensei assim...

– E por quê? – perguntei, mesmo que não tivesse a mínima vontade de saber.

– Digamos que eu sou acostumado com gente assim. – ele sorriu.

– Com pessoas sem pais? – agora sim a curiosidade batia.

– Mais ou menos isso. – ele piscou. – Arrepende-se de algo que fez? – Armin mudou de assunto.

“Quem usou munição de verdade?” – aqueles gritos ecoavam na minha cabeça, fechei os olhos e balancei a cabeça espantando o pensamento.

– Não. – menti. — Arrependimentos são fraquezas, se ama algo pelo qual vale a pena lutar...

– Proteja com os dois braços. – ele sorriu completando a frase por mim. – Já ouvi isso antes. – ele olhou para cima. – Conversando com a diretora da escola militar onde eu pratico tiro ao alvo... Lynn, eu sei sobre o seu segredo.