A Âncora
6 Mathew
Estávamos bêbados.
Mesmo assim pegamos o carro e fomos em alta velocidade ao fim do mundo, pelo menos é o que pensávamos.
Acho que no final, brincar de soltar o volante não foi uma ideia tão boa.
Acordei em uma maca no meio da emergência do hospital. Levantei-me e cambaleando fui ao centro de informações perguntar onde podia encontrar Joanne, afinal tínhamos batido num caminhão.
Minutos depois, com um olhar de preocupação, a moça atrás do balcão sorriu para mim e me falou o número do quarto. 2215.
– Tem certeza que está bem? — disse a atendente olhando para meu braço quebrado.
– Claro — tentei sorrir, mas só continuei andando na direção do elevador.
Quando finalmente achei o quarto 2215 vi Joanne deitada naquela cama. Dormia profundamente um sono calmo quase mortal. Sentei-me ao seu lado e apaguei novamente.
Acordei novamente quando ouvi ela se levantando. Ela estava assustada. Conversamos um pouco e aparentemente ela não se lembrava de nada. Lhe falei sobre o acidente e, como a enfermeira já tinha me falado, lhe expliquei tudo sobre a cirurgia. Ela voltou a dormir rapidamente.
Vinte minutos depois dois homens armados entraram no quarto.
– O senhor é Mathew Adams? — disse o menor deles. Parecia ser o chefe, pois usava um distintivo velho e amassado.
– Sim, sou eu.
– Somos da polícia federal e estamos aqui para pegar um depoimento sobre o acidente — de repente sua expressão mudou — entendemos o que você está passando, mas infelizmente temos que fazer isso.
– Tudo bem — respondi e levantei-me.
– O que causou o acidente? — o menor ainda era o que falava.
– Bem... — apesar de não me lembrar de muita coisa, tinha que falar algo — a estrada estava tranquila e estávamos indo em direção a Long Island quando do nada um caminhão entrou no meio do caminho e nos atingiu.
– Não foi isso que ouvimos do caminhoneiro e ele estava sóbrio.
– Eu também estou! — comecei a ficar com medo — não posso nem beber ainda!
– Então o senhor pode fazer o teste do bafômetro por favor?
– Claro que não! — não podia ser preso por isso — EU SOU INOCENTE, INOCENTE!
Continuei gritando e gritando as mesmas palavras até que o maior resolveu fazer sua parte do trabalho. Me segurou forte enquanto o outro me obrigava a fazer o teste e olhava para os resultados com uma cara de pena, mas ao mesmo tempo de bem feito. No final das contas estava sendo levado, preso por algemas, para a delegacia.
Depois de muita briga e alguns socos dos caras que também estavam na cela que cheirava a urina, finalmente alguém conhecido.
– Sophia! Finalmente! — disse aliviado.
– Ok, estou aqui — disse ela sorrindo — eu sou sua Madre Teresa!
– Graças a Deus! Agora pode me tirar daqui?
– Claro! Alguém pode tirar ele dai? Estou aqui para pagar a merda da fiança!
Uma longa hora depois estávamos no carro de volta ao hospital.
– Espera — disse à Sophia fazendo com que ela parasse o carro.
– O que foi? — disse ela irritada.
– Eu vou sair aqui — disse saindo do carro.
– O que está acontecendo? Você não vai ver Joanne?
Infelizmente já estava do outro lado da rua quando Sophia começou a pensar sobre o assunto. Não podia ir visitá-la. Como poderia enfrentá-la depois de causar tanto dano que quase lhe custou a vida.
Precisava me afastar. Ir para um lugar com uma bela vista, onde estaria sozinha e não mataria ninguém.
É melhor não saber como ela está do que saber que ela está morta. Então resolvi passar um tempo na casa de minha mãe no pé das colinas. Depois que meus país se separaram, ela se mudou e preferi ficar em Long Island. Mesmo assim as vezes ia passar as férias com ela e a maioria dos finais de semana fazíamos planos. Entrei no primeiro ônibus em direção aos Hamptons.
– Oi, meu anjo — disse ela ao abrir a porta — que ótima surpresa!
– Oi mãe — à abracei e beijei sua bochecha — como vai?
– Bem... O que te traz aqui?
– Queria saber se podia ficar aqui alguns dias. Não estou muito bem com o papai.
– Tudo bem então. Vou pedir Carmen para arrumar seu quarto.
Os próximos dias foram tranquilos. Viver nos Hamptons não é para qualquer um. Minha mãe arrasa em ser rica então fizemos várias coisas juntas, mas alguns dias depois percebi que tinha que voltar.
Não importa quanto tenha a machucado, eu ainda a amo. Porque não saber é melhor que saber? E se ela estiver bem? Tinha que voltar. No dia seguinte falei com minha mãe e voltei para Long Island. Chegando lá liguei para Sophia.
– Alô? — disse ela com voz de quem acabou de acordar, afinal ainda era cedo.
– Sophia! Estou voltando! Tenho que vê-la!
– Mathew?
– Me encontre no café amanhã para conversarmos.
– Ok — disse ela desligando o celular.
Entrei no hospital meio correndo meio andando. Estava feliz com minha decisão e não podia esperar para encontrá-la. Sabia que iríamos brigar, já que não havia ido visitar ela na última semana e ninguém sabia onde estava. Era a hora da verdade.
Cheguei em seu quarto. Ela estava brigando com sua mãe e ao seu lado Laura estava inquieta. Antes mesmo que pudesse entrar no quarto Joanne começou a vomitar. Vomitar sangue. Era tudo muito para mim. Corri para o lado oposto e no minuto seguinte estava entrando no café depois de dormir uma noite. Sophia acenava para mim sorridente. Peguei um café qualquer e me sentei ao seu lado.
– Como foi? — disse ela. Sophia não me parecia estar de bom humor.
– Eu não falei com ela. Estava vomitando sangue, por minha causa. Nunca mais vou falar com ela! Só sei lhe fazer mal. Tudo que trago é problema. Ela pode voltar de um coração partido, mas não dá morte! Meu Deus! Vou comprar uma passagem para o Hamptons agora e vou embora amanhã!
Sophia me olhou com triste, como alguém que está de mal humor.
– Mathew, ela tem câncer.
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