Notas iniciais
Primeiro capítulo, espero que gostem dessa história sobre os fundadores! Cada capítulo será narrado pelo ponto de vista de um dos quatro personagens principais.

GODRIC

O ar já estava mostrando o quanto o inverno estava próximo. Godric nunca foi uma pessoa acostumada com a madrugada, porém hoje era diferente e ele mal havia cochilado. Godric estava planejando essa viagem à semanas, guardando seus pertences e juntando todas as moedas que podia, ainda deixando a maioria para sua família.

— Esperando o sol? – Godric se vira ao som da voz atrás dele. Sua mãe estava apoiada no batente da porta. A pele antes sempre bronzeada agora estava pálida.

— Mãe... – ele diz se aproximando da senhora. – Você não devia estar aqui fora, muito menos em pé! Volte pra cama!

— Não fale nesse tom comigo Godric! Eu sou a mãe aqui. – ela diz, apesar de sorrir levemente. – Eu só queria ver você partir...

Godric trava depois de ouvi-la. Ele havia planejado a viagem em segredo, para evitar aborrecimentos para sua mãe que já estava debilitada.

— Achou que iria embora sem eu saber? – sua mãe diz apertando seu braço para apoio, observando-o. – Eu te conheço melhor que você mesmo...

— Eu ia lhe dizer adeus...

— Não, não ia.

— Eu escrevi uma carta. – Godric diz abaixando os olhos, encarando o chão. – Eu preciso ir mãe.

— Por quê? – ela indaga suspirando. – Você é conhecido aqui na vila. Muitos lhe consideram um herói aqui... e é seguro continuar perto da família ...

— Eu quero mais mãe. – Godric diz ajudando a mãe à se sentar na cama, e se ajoelhando ao lado dela. – Tem uma série de duelos acontecendo perto do Forte de Eidyn, em uma cidade bruxa. – sua mãe suspira. – Eu vou duelar mãe, e vou ganhar, ganhar todo o ouro que a senhora merece. E eu vou ajudá-la, e ajudar todos aqui na vila. Todos os bruxos que tem fugido por tantos anos...todos que vivem te maneira tão. .. tão. ..

— Essa não é sua responsabilidade Godric. — ela o corta.

— Eu sei. – ele diz sorrindo. – Mas é minha missão.

A senhora, já cansada pelos movimentos e pelo ar frio da manhã apenas sorri, passando a mão pelo rosto do filho, e deixando apenas uma lágrima escorrer. Guilia Gryffindor já estava enfrentand os sintomas de uma forte febre à semanas.

— Tenha cuidado. – ela diz baixinho. Olhando para o filho com carinho e algo mais que Godric não conseguiu identificar. – E lembre-se menino...

— Nunca cutuque o dragão adormecido. – os dois dizem em conjunto, rindo em seguida do velho ditado.

****

Godric puxou as rédeas do cavalo no momento que entrou na cidade, que estava muito movimentada naquela tarde. Comerciantes estavam gritando por todo lado em suas barracas, trocando moedas, e artefatos que Godric sabia que eram mágicos.

Ele era um bruxo. E sabia disso há muito tempo. Porém seus conhecimentos desse mundo eram poucos. Seu pai, que era bruxo como ele, havia morrido muito cedo, deixando-o com sua mãe, que não tinha nenhuma habilidade mágica. Durante sua infância sua mãe fez tudo para apoiá-lo a ajudá-lo com suas descobertas mágicas, e depois foi o mesmo com sua irmã mais nova. Héstia Gryffindor era mais nova dois anos, e agora estava com sua mãe, cuidando dela. Eles haviam vivido muitas dificuldades, principalmente por conta dos poderes de Godric e Héstia, que despertavam hostilidades de muitos. Mas apesar de tudo Godric cresceu como um homem honrado e corajoso, que ajudou outros bruxos que agora moravam perto de sua mãe, na vila que haviam criado.

Godric nunca teve uma vida de luxos, e cresceu vendo sua mãe sofrer para cuidar dos filhos. Mas ele havia crescido, ele era um homem agora, e era sua responsabilidade cuidar delas, de sua família. Ele iria vencer os duelos e ganhar ouro suficiente para pagar um curandeiro bruxo para curar sua mãe. Ele iria vencer.

— Hey, você! – Godric exclama para um menino na porta da taverna, ele tinha uma cabelo ruivo sujo, assim como o rosto sardento. – Lhe dou uma moeda, e você cuida do meu cavalo?

— Sim, senhor. – o menino diz, ansioso. Godric sorri para ele antes de entrar na taverna, mais quente e barulhenta que a rua.

A maioria da multidão estava sentada nas mesas, conversando animadamente, homens e mulheres, bebendo e comendo.

— O que vai querer? – o homem atrás do balcão pergunta quando Godric se aproxima, sentando-se em um dos bancos vazios.

— Cerveja. – Godric responde, recebendo um caneco cheio da bebida em seguida. Ele engole o líquido, limpando a garganta da poeira da viagem.

— De passagem? – o homem indaga, observando-o.

— Não exatamente. – Godric responde. – Vou participar dos duelos de amanhã.

Assim que termina de falar Godric escuta uma risada zombeira atrás dele, ele se vira e encara o homem do seu lado, bebendo algo mais escuro que cerveja.

— Vocêvai participar dos duelos? — o homem indaga como se fosse o maior absurdo. — Boa sorte...

— Ora, muito obrigado. – Godric diz sorrindo, com o máximo de sarcasmo possível. – É sempre bom ter torcida.

— Eu não sou torcida. – o homem diz virando o copo e se levantando do banco. Ele era mais alto que Godric, e mais musculoso. – Eu sou quem vai acabar com você, quando duelarmos.

— Certeza disso? – Godric diz, apoiando a mão no punho de sua espada, na cintura. O homem olha naquela direção e solta uma risada estridente.

— Olhem só! O rapaz tem uma espada trouxa! – ele exclama para o resto do lugar, empurrando Godric e puxando a espada em um movimento, tirando-a do cinto. – E nem sequer é uma boa espada... um graveto sem propriedade alguma.

— Me devolva. – Godric diz , tentando controlar a voz, os punhos cerrados.

— O que você vai fazer nos duelos? – o homem indaga rindo. – Se defender de feitiços com isso? Com uma espada! Você sequer sabe o que é uma varin-

Antes que ele pudesse terminar a frase um jato de luz vermelha acerta o homem, jogando-o sobre uma das mesas, quebrando ao meio. Godric respirou fundo e girou sua varinha entre os dedos, guardando com cuidado no bolso e então se agachou e pegou sua espada.

— Mas alguém querendo conversar? – ele diz, olhando para um grupo que parecia querer ajudar o outro homem, que estava desacordado. – Bom... – como ninguém diz nada, Godric coloca algumas moedas no balcão e saí pela porta dos fundos, respirando fundo.

Quinze minutos e já uma briga.Parabéns Godric, parabéns!

— Grande entretenimento que você proporcionou lá dentro. – outra pessoa diz, nas sombras do beco que Godric estava, o fazendo pular de surpresa.

— Feliz por ter apresentado um bom espetáculo. – Godric responde de maneia seca, esforçando os olhos para poder enxergar melhor o homem nas sombras.

— Definitivamente... – a sombra se mexe, revelando um homem da idade de Godric, fumando algo com um cheiro nada agradável. As vestes, limpas e de tecido nobre, indicavam que ele era alguém com dinheiro. – É bom saber mais sobre meus concorrentes no duelo.

— Já conheceu muitos? – Godric diz, realmente curioso.

— Alguns. – ele diz estreitando os olhos. – Nenhum que realmente demonstrasse perigo para mim... até agora.

— Preocupado? – Godric sorri, pretensioso, cruzando os braços.

— Curioso. – o homem diz, fumando mais uma vez. – Não conhecia ninguém que pudesse enfeitiçar alguém sem verbalizar o feitiço... exceto eu mesmo.

— Interessante. – Godric diz, agora um pouco mais curioso sobre o estranho. – Eu sou Godric Gryffindor. – ele diz estendendo a mão.

— Slytherin. – o homem responde, apenas encarando a mão estendida de Godric, sem apertá-la. Apenas mudando sua postura rígida anterior, se curvando levemente em cumprimento.

— Bom, acredito que vamos nos encontrar amanhã no duelo. – Godric diz, recolhendo sua mão depois que viu que Slytherin não ia apertá-la. – Boa noite.

Godric se virou e já estava próximo à saída do beco quando Slytherin o chama novamente.

— Sua família... vive aqui perto?

— Minha mãe e minha irmã estão horas de viagem daqui. – Godric diz franzindo a testa. – Porque?

— Eu não conheço seu nome.

— E deveria?

— Eu sei o nome de todas as famílias bruxas da região. – Slytherin diz jogando os restos que fumava no chão. – Pelo menos as importantes.

— Bom, acho que isso deixa claro que minha família não é da sua conta. Nada importante, para você. – Godric diz sorrindo, embora friamente. – E só para constar, nunca ouvi falar de Slytherin.

— Deveria. – Slytherin diz, a voz fria e seca como o ar daquela tarde. Godric sentiu um leve tremor, mas não demonstrou.

— Deveria? – ele repete, erguendo as sobrancelhas, e percebendo que já estava escurecendo, e sem esperar por uma resposta Godric virou as costas e seguiu para onde havia deixado seu cavalo.

Uma das coisas que ele sabia sobre os bruxos era a extrema importância que davam à família e sangue puro. Godric não concordava com isso, afinal o seu sangue não define sua honra.

Godric caminha até a entrada da taverna mas não encontra seu cavalo, apenas o menino de mais cedo, limpando o rosto sujo de sangue na manga das vestes.

— Ei, menino... – Godric diz olhando ao redor. – O que houve aqui?

— Eu lutei Senhor, juro que lutei. – o menino diz rapidamente, fungando. – Mas eram três homens adultos, e eles queriam seu cavalo. Eu não entreguei as rédeas, eu lutei, disse que o senhor havia confiado seus pertences à mim... mas eles me seguraram, me empurraram no chão. Eu me levantei, lutei novamente, mas não adiantou. Eu sinto muito Senhor. – o menino diz, a voz obviamente embargada. – Eu lhe devolveria a moeda, mas eles à levaram também...

— Ei, tudo bem. – Godric diz se abaixando para ficar da mesma altura que o menino. – Qual o seu nome?

— Victor Herman, senhor.

— Tudo bem, Victor. – Godric diz. – Escute. Aqueles homens, que roubaram meu cavalo... eles são covardes. – Victor arregala os olhos. – Covardes que empurraram uma criança para roubar.

— Covardes... – Victor repete. – E eu sou um fracote...

— Bom, aí você está errado. – Godric diz, pescando mais uma moeda da bolsa presa na sua cintura. – Você foi corajoso Victor. – e entregando a moeda nas mãos sujas de lama e sangue do menino, Godric sorri. – Coragem, e honra, são mais valiosas que essa moeda. Não se esqueça disso.

— Obrigado senhor.

Godric sorri, deixando o menino e caminhando em direção ao hotel na entrada da cidade. Ele iria se preocupar com seu cavalo amanhã de manhã, depois que ganhasse o prêmio do duelo.

O hotel estava muito iluminado e extremamente limpo, algo raro em lugares como aquele. A recepção estava vazia exceto por uma mulher no balcão, que cantarolava enquanto brincava com faíscas saindo da varinha. Godric ficou alguns segundos olhando as faíscas, até a mulher percebê-lo e guardar a varinha.

— Você é um homem de sorte. — ela diz sorrindo. — Eu só tenho um quarto vago.

— Ótimo. — ele responde.

— Sua chave Senhor, e seu quarto. – a mulher do hotel indica a porta a esquerda. – Bom quarto, meio frio, mas uma ótima vista da cidade.

— Obrigado.

Ela continua na porta, sorrindo. Ela era pequena, e aparentava ser alguns anos mais velha que ele, de cabelo ruivos e olhos curiosos.

— Vai ficar aqui para o duelo? – ela indaga, sorrindo.

— Sim.

— Bom. – ela diz. – Eu acredito que será um evento maravilhoso.

— Eu espero. – ele diz, e depois de uma hesitação, acrescenta. – Você conhece um menino chamado Victor?

— Herman? – ela indaga franzindo a testa. — É o meu filho. Porque? Ele lhe aborreceu de alguma forma?

— Não, ele é um bom menino. – Godric comenta. – Ele se machucou hoje à tarde... defendendo meu cavalo de ladrões. Eu só queria saber se ele tinha alguém. ..

— Victor tem uma tendência em arrumar confusões. – ela responde cruzando os braços. – Eu vou procurá-lo. Não se preocupe.

— Tudo bem, obrigado. E desculpe por colocar seu filho nessa situação.

— Boa noite, senhor...

— Gryffindor, Godric.

— Senhor Gryffindor. — ela faz um leve cumprimento e vai embora, seguindo pelo corredor.

Godric entra no quarto – simples, mas confortável – e logo se trocou para dormir, escrevendo uma carta para sua mãe e irmã, e pensando no duelo de amanhã, no menino que lutou por seu cavalo, nos homens covardes que o roubaram, na mulher simpática do hotel e em Slytherin.

Notas finais
Quem leu comente, por favor, para eu saber que gostaram ou não! Próximo capítulo: Rowena Ravenclaw