A Águia de Zeus

7 O nem tão fabuloso chalé onze


O lugar em si é demais, é animado, tem crianças e adolescentes por toda parte, típico de um acampamento dos seus sonhos. Passamos por uma quadra de vôlei, onde algumas pessoas jogavam e outras apenas observavam na torcida. Alguns acenaram para Ethan, e o meu irmão, claro, retribuía com um aceno. Tinham também os que apenas sussurravam enquanto nós passávamos.

Sabe aquela trilha com algumas casinhas em forma de “Ω” que eu havia visto antes? Então.

– Chegamos. – disse meu irmão assim que ficamos de frente para estas casinhas. – A Trilha dos Chalés. Eles funcionam como nossas casas enquanto estamos aqui no acampamento. Mas não todos eles, claro. Apenas um.

– E.. Eu posso escolher qualquer um? – disse-lhe enquanto me afastei e segui devagar até um chalé feito de mármore branco com colunas coríntias na frente, havia também um desenho de um lindo coração desenhado na pedra, com uma fita delicada em volta, e uma flecha o atravessando por completo.

– Érm.. Na verdade não. – disse meu irmão enquanto segurou em meu braço e me guiou para o outro lado da trilha, onde tinha uns chalés meio sem graças perto desse todo enfeitado. – Na verdade quem escolhe seu chalé é seu pai. Diria nosso pai, mas como não sabemos se somos filhos do mesmo pai.. E enquanto isso você ficará no chalé de Hermes, o mesmo chalé de Travis e Connor, junto com Hervy.

– Mas..

– Sem mais, pequena. Faremos assim. Theo vai com você e Hervy até o chalé de Hermes, para vocês guardarem as coisas de vocês. Enquanto isso eu vou até o meu chalé com os Stoll’s, pode ser?

– Mas.. Quem tem que ir com eles é o conselheiro, não eu. – retrucou Theo.

– Ah, cara. Você é de casa. Melhor do que eles irem sozinhos. – disse Travis.

– É. Eles podem se perder sozinhos lá dentro. Melhor ter alguém responsável, sabe. – comentou Connor na tentativa de incentivar o sátiro.

– Tem razão. E eu sou responsável. – disse Theo em concordância.

– Então, cara. Vai lá com eles, apresenta tudo. Seja o guia deles. – disse novamente Travis, se segurando para não rir.

– Certo. Hervy, Ally, vamos conhecer a estadia de vocês aqui no acampamento. Por enquanto, claro. – disse Theo enquanto encaminhava-se para um chalé simples, porém velho, com a pintura descascando e um caduceu acima da porta.

– Nos vemos mais tarde. – disse Ethan enquanto se afastou de nós correndo ao lado dos irmãos Stoll.

– Até mais tarde. – sussurrei para mim mesma, e então girei os calcanhares, e tornei a seguir Theo e Hervy até a varanda do chalé.

– Então é aqui que nós vamos ficar? – perguntou Hervy quando paramos á frente da porta.

– A princípio sim. E o chalé é bastante confortável, vocês vão ver. – disse Theo, e logo após abriu a porta.

Olha, imagine um chiqueiro. Okay. Agora imagine um chiqueiro com milhares de beliches e sacos de dormir espalhados pelo chão. Esta foi a primeira impressão que eu tive assim que o sátiro abriu a porta.

– Mas o que é isso!? – perguntei-lhes abismada.

– Oras, é onde vocês irão dormir. – disse Theo enquanto procurava algum lugar vazio.

– Mas está lotado. – comentou Hervy que provavelmente estaria pensando o mesmo que eu.

– Sempre tem um cantinho vazio. Um espaço entre dois sacos de dormir, talvez. – disse Theo chutando os sacos de dormir que estariam no seu caminho, abrindo passagem para que chegasse ao outro lado do chalé.

– E nós vamos dormir no chão? Tipo, sem colchão nem nada? – perguntei novamente.

– Não. Claro que não. Depois os Stoll’s vão providenciar isso para vocês. E olhem, achei um cantinho aqui. – Theo seguiu até uma parede onde havia um micro espaço totalmente vazio. Tão pequeno, que só caberia uma pessoa deitada, sem se mover direito.

– Érm.. Não queria te decepcionar, sátiro, mas.. aí só tem espaço para um de nós. – disse Hervy enquanto tirava uma alça de sua mochila das costas.

– Ótimo. Então você não tem onde dormir, colega.

– Ah que legal. Eu não tenho onde dormir, sério isso!?

– Bom, eu acho que você é um cavalheiro e vai deixar que a moça aqui fique com essa vaga, enquanto você procura outro lugar, não é mesmo? – Theo arqueou uma sobrancelha para Hervy na tentativa de convencê-lo.

– Tudo bem, tudo bem. Eu me viro então. – o menino bufou e girou os calcanhares onde ficou andando pelo chalé a procura de um espaço ou cama vazia.

– Ally, não saia daí. Depois que eu ajudar o Hervy nós voltamos e irei apresentar o acampamento a vocês. Não queremos que se perca em seu primeiro dia, certo? Aqui é enorme, não tem ideia. E seu irmão me mataria se algo acontecesse a você.

O sátiro se apressou para seguir o menino e então fiquei sozinha ali no canto. Joguei minha mochila ao chão e me sentei ao lado, com as costas apoiada na parede.

Havia mais gente no chalé, uns saiam sorrindo e pulando de felicidade com a mochila nas costas, seguidos por uma ou duas pessoas. Talvez estivessem se mudando para o verdadeiro chalé, o de seu pai ou sua mãe.

Dei de ombros e conferi se o iPod estava em meu bolso. Ao ver que estava, cruzei minhas pernas e me desencostei da parede, comecei a trançar meus cabelos loiros. Prendi com uma liga que estava presa em meu pulso e tentei controlar a mecha, que um dia fora parte de minha franja, que cismava em ficar solta. Coloquei a trança caída em meu ombro e comecei a parar para observar o local. Realmente esperava que os outros chalés não fossem assim, pois se fossem, precisavam urgente de uma reforma.

Ouvi um barulho vindo atrás de uma porta que havia ali do lado. Me levantei assustada e segui calmamente até onde viera o barulho. Ia abri-la, mas fui surpreendida. A porta foi aberta e uma menina saíra de dentro tropeçando, mas sem cair. Ela era menor que eu, ruiva, e carregava consigo um caderno, provavelmente de desenhos, embaixo do braço, junto de alguns pincéis e canetinhas coloridas. Em vez de cair, ela rodopiou e parou ainda em pé a uns passos a minha frente. Ela tinha um enorme sorriso no rosto e disse com a voz mais angelical que eu já ouvira em toda a minha vida.

– Olá. Eu sou Alasca Stark, filha de Íris. Quem é você?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.