A wish to the stars
1 Capítulo único - A Wish
“I wanna sleep next to you,
but that’s all I wanna do right now…”
A suave voz de Troye Sivan deliciava os ouvidos da doce Lived. De olhos cerrados, deitada no terraço de sua casa na cidade canadense de Serum Ends, a garota imaginava-se ao lado de Happy, talvez o rapaz mais admirável da universidade em que ela estudava. Seus pensamentos eram acalentados pela visão do riso suave e quase fixo que o rapaz carregava e a voz calma e sedutora que ele possuía. Nada poderia acalmar mais o coração daquela jovem que a companhia de Happy.
Abriu seus olhos por um instante e encarou o céu. Uma tempestade na noite anterior havia derrubado sete torres de energia e a cidade estava mergulhada em escuridão… mas as estrelas nunca estiveram tão visíveis em décadas. Lived estendeu a ponta do indicador para os astros e tentou formar desenhos. Criou uma constelação própria e a nomeou com o nome daquele que protagonizava seus sonhos. “Happy” tinha a forma de um rosto sorridente, ao menos na mente de Lived. Já passavam das três horas da manhã e a madrugada era fria, mas ela não queria voltar para a cama.
Por um momento, ela viu um clarão no céu, uma luz que se apagou tão rápido quanto surgira. Uma estrela cadente, pensou a garota. Atentou-se para a aparição de um segundo risco que passasse riscando a madrugada estrelada e se viu como uma garota de sorte, em poucos minutos, outro astro cruzara o céu. Suspirando pesadamente, fechou os olhos e desejou seu amado ao seu lado, naquele momento.
Os astros a traíram.
Lived foi dormir sozinha naquela noite.
*****
—Senhorita Bearink, está atrasada. — Foi a primeira coisa que Lived ouviu ao entrar na sala de aula.
—Sinto muito, professora Queen. Tive um imprevisto. — Ela tentou justificar.
Era mentira. O único imprevisto naquela manhã havia sido uma crise de lágrimas que atingira o peito da garota aflita pelo amor que merecia. Mas haviam reações químicas precisando ser balanceadas na faculdade e ela precisaria se recompor, se quisesse uma nota boa o suficiente para passar o semestre.
—Sem desculpas, garota. Sente-se agora. Você tem sorte de eu estar de muito bom humor e deixar que você faça a avaliação. — Alertou a professora Queen, que definitivamente não suportava atrasos. — Sem celular, sem livros. Apenas canetas.
Lived pegou a folha das mãos da imponente professora e sentou-se próxima a docente. Tentou ignorar as risadinhas de Seal e Raphael atrás dela e concentrou-se nos exercícios, que eram tipicamente impossíveis de serem realizados. Uma hora mais tarde, ela viu Happy entregando sua prova, com uma expressão desesperada, mas ainda sorridente, e saindo da sala de aula.
Logo que terminou o longo e cansativo teste, Lived sentiu fome. Não havia tomado café-da-manhã e aquela hora costumava ser o momento em que ela almoçava, sozinha, vendo todos os seus colegas de sala se reunirem para a refeição no restaurante da universidade. Ela já havia tentado se unir a eles uma única vez e Miguel, um de seus colegas, a atacou sem razões óbvias, afirmando que ela possuía pelo menos 80kg. Lived sabia que seu corpo não atingia certos padrões, mas detestava que a opinião pública confirmasse isso.
E naquela tarde, lá estava Happy, almoçando ao lado de Beatrice, a garota loura com quem Lived desconfiava que seu amado estava envolvido. Na mesa também estavam os fiéis escudeiros de seu homem: Seal, Raphael e Turkeyssi, um trio de amigos que andavam sempre juntos. Seal tentava roubar um pedaço de carne do prato de Turkeyssi, enquanto Happy tentava repreendê-los pela bagunça no refeitório e Beatrice se deliciava com gargalhadas.
Lived não suportava ver Happy tão feliz longe dela. Não suportava ser ignorada. Não suportava que sua presença não fosse importante para o rapaz tanto quanto a dele importava para ela. Ela precisava se fazer notar. Ela precisava mostrar que era a melhor pessoa que ele poderia conhecer. Ela precisava se impor e arrancar o interesse do seu príncipe encantado.
Lived estava decidida.
Se declararia naquela mesma tarde.
*****
Ao fim das aulas daquele período, a garota decidiu encurralar Happy na saída da universidade, em um momento que ele estivesse sozinho. Para seu grande azar, aquele mesmo quinteto acompanhava sua paixão. Mas ela não voltaria atrás em sua decisão. Correu atrás do grupo, correu atrás de Happy, enquanto eles se dirigiam para a rodovia à frente do campus.
Desesperada por atenção, necessitada de amor, ela gritou o nome de seu amado:
—Happy!
Ele se virou para ela e a garota sentiu seu coração acelerar. Era esse o momento em que ela deveria declarar-se, dizer o quanto pensava nele, o quanto precisava da companhia dele. O rapaz, junto de seus amigos, já havia atravessado a rodovia. Ela não diria palavras tão importantes aos berros, por isso decidiu correr em direção a ele.
—Happy, eu sei que você mal sabe quem sou eu. Mas eu preciso dizer que você tem sido a razão do meu sorriso há tanto tempo que…
—Poupe sua declaração, Bearink. — Happy respondeu, e pela primeira vez, ele não estava sorridente. — Meu coração pertence a Beatrice.
Aqueles dizeres foram tão impactantes que Lived sentiu seu rosto palidecer, suas mãos gelaram e ela mal conseguia respirar. Não sabia que o choque de ser rejeitada seria tão grande. Um pouco tonta, ela cambaleou, recuando em direção a rodovia. Ela ouviu uma voz distante gritar:
—Cuidado!
Um caminhão carregando eucaliptos buzinou, ensurdecendo todos os presentes.
Ele não pôde desviar de um corpo cambaleante.
O único legado deixado por Lived foi uma poça de sangue no asfalto frio.
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